Alan

Eu não podia acreditar que havia mesmo transado com aquele garoto, no quarto do David, na frente dele. E esse garoto era um prostituto. No momento eu nem me toquei, mas ele estava dormindo naquele quarto, então ele era aluno da universidade. Isso me deixou um pouco impressionado enquanto eu voltava para o meu dormitório um pouco antes de amanhecer. Meus pensamentos não faziam nenhum sentido.

Eu havia mentido. Eu já sabia que era gay há um bom tempo, só que nunca havia contado para o David e o Derek. Eles são daquele tipo popular, metidos e arrogantes – ainda que fosse tudo fachada na frente dos outros – e eu jurava que eles não iriam aceitar isso bem. Quando David admitiu ter transado com um homem, eu fiquei estarrecido, e aí comecei a achar que, se eu contasse a verdade, eles iriam ficar putos por eu nunca ter-lhes dito nada, por não ter confiado neles.

Minha ideia em ir até o quarto de David era admitir que era gay e me declarar. Eu sempre fui a fim dele, mas sempre achei que era loucura da minha mente e que eu não teria chance alguma. Eu tomei uma pílula que meu colega de quarto disse que ajudava a acabar com as inibições e fui até lá. Tomei um susto ao vê-lo sendo chupado. O loiro chupando-o era uma das coisas mais deliciosas e lascivas que eu já havia visto na vida, com o corpo sensual todo emoldurado por músculos delgados e um rosto sem nenhum defeito.

A cena me deixou um tanto perturbado e meu discurso não saiu exatamente como eu queria. E tudo desandou ainda mais quando o Andreas veio me chupar. Eu não consegui impedir, porque ele é do tipo que tem uma atração magnética ao redor dele que induz a gente a querer tocá-lo e ser tocado por ele. E eu ainda estava sob o efeito da pílula... Também eu nunca iria imaginar que o David fosse querer que eu transasse com o loiro na frente dele. Toda a situação fugiu do controle e eu saí de lá ainda mais atordoado do que havia chegado.

“E aí, lucrou a mina?” Meu colega de quarto, Sven, perguntou um tanto grogue enfiado embaixo dos lençóis, quando voltei. Eu não sabia como ele conseguia se manter na Ketteridge. Eu nunca via ele estudando e, ainda assim, ele sempre tirava notas altas, e se drogava todos os sábados. Balancei a cabeça, jogando-me na cama e dormindo até depois do meio dia.

Quando acordei, a primeira coisa que fiz foi tomar um banho. Sven continuava morto na cama, derrubado por suas drogas. Eu saí e decidi ir treinar um pouco nas quadras de tênis da universidade. Entrei numa delas, com o equipamento, e comecei a treinar meu saque, querendo livrar minha mente de pensamentos perigosos. O que eu iria fazer agora? Continuei com a certeza que David não iria querer nada comigo. Minhas chances continuavam nulas.

Acho que o estresse me deixa melhor no tênis, ao contrário de outros jogadores, pois fiz meus melhores saques.

“Alan.”

Eu errei o saque ao escutar a voz de David. Olhei para o lado e o vi parado na entrada da quadra, um pouco constrangido. David é alguns centímetros mais baixo que eu, não muita coisa, e parece um modelo ou ator de Hollywood, com o estilo esportivo, corpo definido, cabelos castanhos em um corte despojado. Tudo nele exalava uma masculinidade sedutora – não à toa as garotas costumavam babar nele sempre que estava em quadra no vôlei, atacando como uma fera e erguendo as mangas da camisa suada, revelando os bíceps fortes.

“O que foi?” Perguntei, sem mudar de expressão enquanto pegava mais uma bola e me posicionava para sacar. David entrou na quadra e caminhou até onde eu estava, esperando eu fazer o saque para falar.

“Sobre ontem... Não fala para ninguém sobre o Andreas, está bem?” Ele pediu, preocupado.

“Ele é mesmo um prostituto?” Eu queria que fosse. Me fazia sentir menos pior por ter transando com ele daquele jeito, sem qualquer cuidado. Eu não gostava de fazer as coisas assim. Quero dizer, ele ao menos devia estar acostumado.

“É... ele trabalha na Casa das Máscaras.” David colocou as mãos nos bolsos, e uma luz se fez diante dos meus olhos. Eu ri, amargo, balançando a cabeça.

“Ele é o loiro que o Derek te indicou e você foi atrás.” Apoiei a raquete num ombro. “O que te proporcionou uma noite incrível e abriu teus olhos sobre tua homossexualidade.”

David suspirou.

“Ele mesmo.”

“Como ele acabou como teu colega de quarto?” Eu ri de novo. Que vida irônica. Eu havia levado o David para a Casa das Máscaras, pagado parte da entrada dele, e lá dentro ele encontra um garoto que o deixa louco de tesão. Até aqui era ótimo, pois ele se descobrindo gay, eu tinha mais chances. Mas agora esse mesmo garoto era colega de quarto dele, e falo sério quando digo que David parece completamente fissurado naquele demônio loiro.

“Não sei. Coincidências da vida,” David sorriu sem-graça. “não que eu não tenha achado ótimo...”

“Hm.” Resmunguei, com mais um saque.

“E você...? Então é gay também? Eu nunca imaginaria.” David me analisou de cima abaixo, causando um calor em meu corpo. Fiquei mais suado do que já estava.

“Você também. Ninguém nunca diria que é gay.” Falei. David deu de ombros, e nós ficamos em um silêncio estranho por alguns instantes, até que eu decidisse que precisava de um banho e de comida. Não tomei café da manhã e tampouco almocei antes de vir treinar.

David me ajudou a catar as bolas de tênis pela quadra e me acompanhou até o vestiário.

“Então, fiquei sabendo que você entrou para o time de natação. Seja bem-vindo.” Dei um tapa encorajador em suas costas. “Se prepara que o treinador Muller pega pesado.”

“Valeu. É, ele parece bem rígido.” Ele comentou, e isso me causou certo rubor nas bochechas, pois me remeteu às vezes em que transei com o treinador. Eu sou três anos mais velho que David, e entrei na Ketteridge com dezenove. Assim como David, fui convidado a participar do time de natação e acabei me envolvendo sexualmente com Trace Muller. Mas por dois anos era apenas sexo, nunca havia passado disso, ainda mais porque, se alguém descobrisse, ele seria demitido e possivelmente levaria um chute da esposa. É, ele é casado e tem dois filhos.

“Ele exige bastante. Se você matar algum treino, provavelmente terá de treinar o triplo nas próximas vezes.” Avisei. Não importava quantas vezes ele já houvesse ficado de quatro para mim, nos treinos subsequentes ele continuava tão rigoroso e ditador quanto antes.

Eu me despi meio aéreo e entrei embaixo de um dos chuveiros abertos. Só quando eu me virei é que percebi que David estava parado no meio do vestiário, analisando meu corpo. Isso fez meu estômago dar um giro de 360 graus, e eu exigi ao meu pênis que não enrijecesse com a análise do meu amigo.

“O que foi?” Perguntei, como sempre conseguindo aparentar uma extrema calma que eu não sentia. Era sempre assim. Eu podia estar tremendamente nervoso, mas não demonstrava nada; sabia perfeitamente manter a pose indiferente. David mordeu o lábio inferior.

“Nada.” Ele balançou a cabeça, como que afastando algum pensamento estranho. “Eu vou... vou dar uma corrida pelo campus e depois... depois a gente se fala.”

Ele se virou e começou a caminhar em direção à porta. Eu senti algo se remexer dentro de mim. Ele estava me encarando com desejo antes, tive certeza, e eu não podia deixar essa chance escapar, pois algo me dizia que, se eu deixasse, não haveria outras. Eu saí do box e o alcancei rapidamente antes que ele conseguisse abrir a porta. David me olhou com espanto quando segurei seu pulso.

Não esperei que ele falasse nada. O empurrei contra o balcão marmóreo das pias e o prensei com meu corpo, já descendo minha boca contra a dele. Ele ficou estático e em choque enquanto eu invadia sua boca com ferocidade e sentia o gosto de pasta dental de menta de sua saliva. Eu segurei seus cabelos escuros e os puxei um pouco para trás, obrigando-o a entreabrir mais os lábios para aprofundar o beijo.

Porém, antes que eu pudesse ir adiante em minha exploração, David me empurrou com força, fazendo-me cambalear para trás. Eu pisquei, aturdido, tentando me recuperar, e o encarei. Um filete de suor que eu desejei lamber escorria por seu pescoço.

“O que você acabou de fazer aqui?” Ele perguntou, colocando uma mão na testa. “Porra, Alan, nós somos amigos há anos! Nós até brincar de carrinho juntos já brincamos!”

“David...”

“Isso não ‘tá certo.” Ele balançou a cabeça, desencostando-se da pia e se afastando um pouco de mim. “Cara, isso é estranho demais. Já não chega o que aconteceu ontem de noite. Você deve estar confuso também... quero dizer, você recém descobriu-”

“Eu menti sobre isso.” O interrompi, fazendo-o se virar na minha direção. “Eu sou gay desde que me lembro, só não contei nada a ninguém, sempre fui discreto.” Os olhos de David se arregalaram. “E há um bom tempo sou a fim de você.”

David abriu e fechou a boca algumas vezes, sem conseguir encontrar voz para me responder.

“Cara, eu não fazia ideia.” Ele falou enfim. “Por que aquele papo ontem então?”

“Não sei. Eu ‘tava meio chapado e... achei que você ficaria puto por eu não ter confiado esse segredo nem a você, nem ao Derek.” Admiti.

David balançou a cabeça.

“Olha, Alan, minha mente ‘tá mais confusa do que a de um bêbado drogado agora. Eu realmente não sei o que te dizer, e o fato de você estar peladão não ajuda em muita coisa.” David desviou o olhar, coçando o braço. “Acho melhor... acho melhor eu ir dar aquela corridinha, pensar e espairecer.”

Eu apenas assenti, já que depressa ele saía quase correndo do vestiário. Voltei para o chuveiro e bati minha testa contra o azulejo umas cinco vezes, até deixar ela encostada ali, a água escorrendo por meu corpo.

XxX

Nem sei o que fiz do resto do meu dia. Quando terminei de almoçar, já era quase quatro da tarde. Fui para meu quarto, no dormitório dos alunos do terceiro ano de faculdade, e deitei na cama para terminar de ler um livro. O dormitório ficava no primeiro andar, mas não era barulhento, pois sua janela ficava voltada para uma área meio vazia do campus, onde havia um gramado extenso e mais adiante o riacho onde aconteciam treinos de remo, mas raramente alguma pessoa usava aquele caminho.

A janela estava aberta e um ar refrescante vinha do lado de fora. Meu colega de quarto não estava mais ali, eu raramente o via durante o dia, para falar a verdade, e apenas sua cama bagunçada, cheia de roupas e quinquilharias por cima denunciava sua existência. Tudo estava tão silencioso que eu levei um cagaço quando alguém se debruçou na janela e exclamou:

“Oi!”

O livro quase voou da minha mão e eu olhei alarmado para a fonte do som. Era Andreas. Ele riu do meu susto e pulou a janela, sentando-se sobre o parapeito. Ele parecia exausto, com os cabelos embaraçados e a bochecha esquerda um pouco inchada. Mesmo assim continuava irritantemente bonito.

“O que você quer aqui? E como sabia que eu durmo aqui?” Perguntei, sentando-me na cama. Ele deu de ombros e se apoiou na lateral da janela, esticando um pouco as pernas.

“Estava passando e te vi. Aí resolvi parar e bater um papinho amigável.” Ele sorriu torto, enquanto eu erguia uma sobrancelha.

“Se você veio cobrar pela noite passada-“

Andreas estalou a língua.

“David já pagou, relaxa.” Dispensou com um aceno de mão. “Olha, sendo sincero, não estou a fim de voltar para meu dormitório. Estou podre e o David ainda acha que devo alguma coisa a ele.” Ele bufou irritado.

“Você poderia ficar em algum outro lugar.” Sugeri. Ele me deixava nervoso. Eu olhava para ele e me lembrava da noite anterior, de como havia sido bom quando ele sentou sobre meu pênis, e pensar nisso era desconfortável, porque o David era a fim dele.

“Eu não gosto de ficar sozinho. E não conheço ninguém por aqui. Vamos lá, não seja tão antipático.” Ele pediu, olhando-me com seus grandes olhos azul-escuros. “O apanhador no campo de centeio?” Ele riu. “Nossa, eu acho que li esse livro quando tinha uns treze anos.”

Eu olhei para a capa do livro e dei de ombros.

“Quem lê, lê com essa idade. Na verdade eu estou relendo.” Expliquei. “Você gosta de ler?”

“Eu vou começar a cursar letras com ênfase em literatura, o que você acha?” Ele piscou, maroto. Ergui as sobrancelhas, surpreso. Talvez fosse puro preconceito, mas em geral eu achava que prostitutos não eram pessoas muito letradas, ou espertas. Mas ele havia conseguido entrar na Ketteridge, então deveria ser muito inteligente.

“Por que você se prostitui?” Perguntei, sem conseguir me segurar. Isso fez o sorriso dele esmorecer lentamente; ele suspirou passando a mão pelos cabelos para bagunçá-los.

“Estava demorando para essa pergunta aparecer...” Ele falou com alguma irritação. “Olha, se você vai começar a julgar-“

“Não!” Falei rapidamente. “Eu só... Só fiquei curioso.” Abaixei o olhar, me repreendendo por trazer um assunto tão particular à tona. Eu deveria aprender a ser menos intrometido. Andreas me encarou por alguns segundos, provavelmente avaliando se eu estava ou não falando a verdade.

Ele pareceu se dar por vencido um pouco depois, dando de ombros e começando a falar em um tom entediado.

“Eu preciso do dinheiro. É uma grana que vem fácil. Suficiente para eu ajudar minha família, pagar meus estudos e ainda guardar para quando eu parar. Diferentemente do que muitos podem pensar, eu não acho ruim me prostituir, não faço contra a vontade.” Ele encolheu os ombros. “Claro que não quero fazer isso para sempre, mas por enquanto é uma boa saída.”

“Ajudar sua família, você diz?” Perguntei tentando não soar curioso demais. Andreas umedeceu os lábios, trazendo as pernas contra o peito e passando os braços ao redor delas ao apoiar o queixo no joelho.

“Meu pai é paraplégico há cinco anos, desde que levou um tiro perdido na coluna, e não tem como trabalhar. Já minha mãe trabalha numa loja como atendente. Eu tenho mais três irmãos. Um deles, o mais velho, é um folgado de uma figa que não ajuda em nada, gasta tudo que ganha em festa e bebida. As outras duas são gêmeas não idênticas, têm sete anos, e uma delas tem uma doença degenerativa rara. Sai bem caro por mês, comprar os remédios e pagar o acompanhamento médico.” Andreas suspirou, chateado. “Meus pais sabem que eu me prostituo. Fazer o que, nós precisamos do dinheiro.”

Eu o encarei estarrecido. Ele percebeu meu olhar e riu de novo.

“Vamos, sem essa. Há coisas piores por aí, e eu já disse que não acho ruim ganhar bem para dar prazer aos outros.” Ele voltou a abrir aquele sorriso travesso. “Eu tenho proteção. Trabalhar na Casa das Máscaras te dá destaque e aumenta teu preço. Os clientes que pagam por fora são todos indicados pelo Desmond, e ele cuida para que nenhum maníaco acabe no mesmo quarto que seus ‘protegidos’.” Ele falou o termo num tom meio debochado.

“E esse inchaço no seu rosto?”

Andreas tocou a bochecha como se percebesse isso apenas agora.

“Ah, um tapinha ou outro não é nada de mais. Já conheci rapazes que são violentados e surrados em orgias e não recebem um terço do que eu.” Andreas pulou para dentro do quarto e caminhou até o banheiro, indo checar seu rosto no espelho. “Isso não é nada.”

“Você sempre cobra cinco mil por uma transa?” Perguntei, ainda por pura curiosidade. Era um preço e tanto, até para mim que era filho de pais ricos, e ganhava bastante com os jogos. Andreas abriu um sorrisinho malicioso e jogou-se na cama, ficando de bruços e com as pernas erguidas no ar.

“Por quê? Interessado?” Ondulou as sobrancelhas e piscou, parecendo o típico garoto de programa.

“Curiosidade apenas.” Sorri também, meio sem-graça. Sabia que estava sendo enxerido, mas eu nunca havia conversado com um prostituto assim, numa situação tão ‘normal’. Era difícil me refrear.

“Não cobro sempre cinco mil... Eu cobrei tudo isso primeiro porque era o que eu precisava, já que o mês já está acabando. Segundo porque eu sabia que iria ficar cansado do Louis, mesmo tendo dormido umas quatro horas antes de voltar para cá, e não achei que o David fosse aceitar, mas ele ‘tava mesmo com muita tesão reprimida.” Andreas, com os cotovelos afundados no colchão, apoiou o queixo nas mãos e adquiriu um ar pensativo. Eu tive de rir disso. “Desmond diz que nós da Casa das Máscaras precisamos nos valorizar quando trabalhamos por fora, porque senão... Seríamos como qualquer prostitutozinho de esquina, ou desses que se encontra na internet. Hoje eu saí de novo com um dos meus clientes... Nós combinamos de sair cinco vezes nesse mês, incluindo que eu o levasse par alguns lugares e fizesse companhia para ele por algumas horas, antes de irmos para algum motel. Cobrei sete mil no total, é uma ótima grana, ajudou a completar o necessário para pagar o tratamento e a mensalidade da faculdade.”

Eu estava louco para perguntar quanto ele precisava juntar por mês para sanar os gastos do tratamento, mas me controlei. A mensalidade da Ketteridge era bem cara, dependendo do curso. Medicina chegava a cinco mil por mês, ou mais; porém Letras não chegaria a tanto.

“Mas eu aposto que você não faria isso se seu pai pudesse trabalhar e sua irmã não fosse doente.” Eu apontei. Andreas me encarou, a expressão mais séria e o rosto inclinado para o lado.

“Quem sabe... Mas de que adianta eu ficar pensando nos ‘se isso, e se aquilo...’? Essa é a vida que eu levo, a família que eu tenho, e são os problemas que preciso encarar. Além disso, se eu não me prostituísse, nunca poderia pagar uma faculdade como a Ketteridge.” Ele se ergueu e sentou na cama com as pernas cruzadas, parecendo um garotinho que sabia demais da vida.

Eu não queria. Mas eu havia gostado dele. Ele tinha um jeito fácil e despreocupado de ser que causava simpatia. Impulsivamente eu ergui a mão e toquei sua bochecha vermelha, com cuidado. Ele não me afastou, ficou me encarando nos olhos com a expressão curiosa. Ele era tão atraente que me exasperava.

“Eu não vou contar a ninguém sobre você.” Garanti.

“Valeu.”

“Se eu te beijar agora, você vai cobrar?” Perguntei. E lá estava eu, agindo estranhamente de novo. Não sei o que estava acontecendo comigo desde ontem, porque eu não costumo ser assim, domado por vontades aleatórias. Talvez esse loiro tivesse mesmo a capacidade de acabar com as inibições das pessoas, deixá-las confortáveis e a fim de se libertar.

Andreas arregalou ligeiramente os olhos, pego de surpresa pela pergunta.

“Só beijar?”

Eu assenti.

“Eu não estou muito acostumado a só beijar.” Ele admitiu, ligeiramente ruborizado. Isso me surpreendeu, pois ele parecia verdadeiramente envergonhado com o pedido. Eu me inclinei para perto dele e toquei suavemente seus lábios nos meus. Por algum motivo eu senti vontade de cuidar dele. David e Derek costumavam dizer que eu, quando me apegava a alguém, acabava me tornando super protetor.

O beijo saiu delicado e suave, com mais lábios do que língua. Andreas tinha os lábios macios, e sua pele sob a palma da minha mão era pura seda. Toquei também seus cabelos que, mesmo embaraçados, perderam facilmente os nós quando passei os dedos através dos fios dourados. Andreas suspirou e passou os braços pelos meus ombros, tentando aprofundar o contato, mas eu o impedi, afastando-o gentilmente.

“Só um beijo, não?”

Andreas riu, soltando o ar pelo nariz, e se inclinou mais contra mim, escondendo o rosto em meu pescoço.

“Você tem um cheiro muito bom.” Ele sussurrou, causando-me cócegas.

Antes que eu pudesse responder, a porta do quarto abriu.

“Alan, eu queria conversar-“

E era o David. Ele paralisou ao ver o Andreas nos meus braços, e eu arregalei os olhos. Aparentemente, nós havíamos pegado mania de flagrar um ao outro nos momentos mais inoportunos. Andreas se afastou de mim e ergueu as sobrancelhas ao ver David parado na entrada do quarto com a expressão rígida.

“Uou, isso é quase um dejà vu ao contrário.” Andreas riu, erguendo-se da cama. “Acho que vou deixar vocês dois conversarem. Preciso ir dormir para estar inteiro para o meu primeiro dia de aula amanhã.” Ele avisou e foi até a janela, pulando-a com facilidade. “E vê se não faz muito barulho quando for pro dormitório, David.”

Quando Andreas saiu de nosso campo de visão, eu me ergui e olhei para David, esperando que ele falasse alguma coisa. Dava para ver que ele estava incomodado por ter encontrado o Andreas ali comigo, mas se fosse mesmo isso, ele era doido, já que na noite anterior havia pagado o loiro para transar comigo.

“O que você estava fazendo com ele?” David perguntou.

Eu suspirei, sabendo que aquela conversa não poderia acabar nada bem.

Notas finais
Obrigada aos que estão comentando, amei o retorno do último capítulo, vocês são uns lindos. ♥ Peço perdão pela demora. Se tiver algum leitor de Mar de Fogo por aqui... Perdão triplamente. Irei esse final de semana tentar escrever e adiantar algumas coisas, mas sério, gente, bloqueio criativo me atacando com força nos últimos tempos. *chora* Adoro vocês, até a próxima! ;*