A Canção da Morte
3 Capítulo 3 - Que tal realmente dormimos juntos?
Notas iniciais
Acordei sendo sacudida. Balancei a cabeça e uma das mãos de um lado para o outro, mostrando que já estava acordada. Não deveria ser Sean, ele ainda estava agarrado em minha cintura.
- Senhorita? – Uma voz doce me chamou. Em um japonês sem sotaque algum.
- Siiim...? – Respondi meio grogue. Era a aeromoça asiática sem nome.
Deu uma rápida olhada ao redor, e percebi que todos já haviam saído.
- É melhor vocês se levantarem... – A sem nome disse, com sua voz doce. – Vocês precisam passar na alfândega.
- Droga! – Murmurei. – Sean, acorde! – Deu uns tapas leves na sua cabeça castanha. – Temos que ir!
Ele se remexeu um pouco, e seus olhos foram lentamente abrindo.
- Hum? – Ele me encarou. – Nossa, Su! Você vai servir muito bem como minha esposa! Fica charmosa até quando acorda!
- Ah! – Fiquei totalmente corada. Aquele sorrisinho idiota que ele me dava era tão maravilhoso! – Anda! Ajude-me a guardar o cobertor!
Sean finalmente olhou ao redor, e percebeu que restava só nos dois no avião.
- Epa! – Ele me ajudou rapidamente a guardar meu cobertor. – Vamos logo, Suzannah!
Joguei o cobertor de qualquer jeito na minha bagagem, peguei a caixa do meu violino e agradeci a aeromoça.
- Anda logo, Sean! – Eu reclamava enquanto Sean pegava uma bagagem qualquer.
Ele tirou uma caixa como a do meu violino, só que mil vezes maior!
- Que é isso? – Eu perguntei para ele.
- Que é isso digo eu. – Ele respondeu.
Ah, é verdade. Eu nem havia perguntado nada para Sean desde que nos conhecemos. Só sabia que ele se chamava Sean O’den, nasceu na Califórnia e se mudou para Miami. E mesmo assim, dormimos agarradinhos na noite passada.
E é claro que eu não falei nada de mim para ele. Só que sou Suzannah Saunders , de Nova Iorque e... O quê mais? Ah, é! Que ele poderia me dá orgasmos múltiplos em menos de uma noite!
- Que instrumento é esse, Sean? – Perguntei.
- Uma guitarra.
HOHO. Que grande merda! Quer dizer que passei a noite agarradinha com um músico?! E ainda por cima um guitarrista?!
- E isso é um violino. – Ele afirmou com uma cara de desgosto.
- É. – Respondi com a mesma cara que ele fez.
Suspirei e o puxei pelo braço, correndo o mais rápido possível para a alfândega.
- Violinista, ein? – Ele disse quando estava chegando nossa vez na fila.
- É. Vocês guitarristas não devem gostar disso. – Respondi.
- Bem, nunca ouvi, mas não devo gostar. – Ele disse meio ríspido. Era a primeira vez que ele me respondia desse jeito!
O encarei com meus olhos castanhos. Se tinha algo que eu sabia que o deixava louco eram os meus olhos.
Ele olhou para mim e logo desviou o olhar. Suzannah arrasa!
- Pare de me olhar assim, Suzannah... – Ele pediu.
- Você não gosta mais de mim por eu ser violinista? – Coloquei a mão na cintura. – Sabia que também toco piano?
- Bem, eu também toco baixo e... ARGH! Você também tá me tratando diferente quando eu disse que era guitarrista! – Ele apontou acusadoramente para mim. – Você é de Nova Iorque! Deveria gostar disso!
- Eu tenho cara de quem gosta disso? – Perguntei. Ele me olhou de cima para baixo. Acho que garotas baixas de 1,70, ruivas com um vestido vermelho cheio de babados não são consideradas “roqueiras” hoje em dia.
- Acho que foi esse seu vestido que fez isso comigo... – Ele suspirou.
- Desculpe. – Bufei.
- Olha, eu não quero que fiquemos brigados por uma besteira dessas. – Ele colocou sua mão em meu ombro. – Eu realmente gosto de você.
Suspirei. Sean era realmente um cara legal. Era simplesmente o cara mais meigo que conheci.
- Tudo bem, Sean. – Respondi. – Ainda seremos amigos.
Ele suspirou e me olhou de um jeito triste, e de repente alegre. Passou o braço pelos meus ombros me puxou, encostando seu rosto no meu cabelo.
Minhas bochechas ficaram vermelhas. Deveria se a décima quinta vez que isso acontecia.
Nós dois nos aproximávamos mais ainda da alfândega, quando de repente, um flash nos cegou.
- Sean? – O chamei. – Cê viu aquele flash de agora?
- Acho que sim... – Ele respondeu.
Meus olhos finalmente voltaram ao normal. Mas vi algo que pensei que nunca mais iria ver. Pisquei meus olhos várias vezes, mas era realmente ela.
- Ei, Sean. – O cutuquei com o meu cotovelo. – Olha quem tá ali...
Ele acompanhou meu dedo para o local que eu apontava, seus lábios se contorceram em um sorriso.
- Ai, meu Deus... – Ele virou o rosto. – É a vadia?
- É. – Respondi em meio de um riso.
E novamente o flash nos atingiu.
Sean piscou umas 4 vezes e olhou novamente para a vadia, mas seu sorriso desapareceu do seu rosto.
- Droga! – Ele sussurrou no meu ouvido. – Ela nos viu!
Deu uma rápida espiada na vadia. Ela deveria ter transado com um piloto e viajado de graça, na cabine dele. Tinha trocado de roupa. Estava com um vestido carmim bem curto e decotado. Seus seios de silicone literalmente saltavam do sutiã de renda quando ela andava. Acenava alegremente para eu e Sean, correndo para nos alcançar.
- Danou-se! – Falei virando para Sean. – O quê faremos?
- Não sei direito. – Ele me respondeu. – Mas não a chame de vadia.
Concordei meio que emburrada com a cabeça. Mas se ela pressionasse aquelas tetas dela para Sean eu lhe dava um soco bem no meio da fuça.
-É você! – Ela falou com seus lábios vermelhos. – O do avião!
- Sim, sou eu. – Sean respondeu colocando novamente sua mão no meu ombro.
- E a sua namorada... – Ela me olhou de cima para baixo.
- Oi. – Respondi com desdém. Eu e Sean não éramos namorados. Mas é claro que eu gostava dele, ele era reconfortante, gentil, charmoso... Poderia ser um pouco mulherengo, mas era ótimo!
- De qualquer forma, você vai ficar na cidade? – Ela piscou para Sean.
- Não. – Ele respondeu. – É só para visitar uns amigos.
Meu coração palpitou. COMO É QUE É?! Quer dizer que Sean não vai ficar em Tóquio? Ah, não...
Sean apertou meu ombro, fazendo-me olhar para ele. Ele deu um sorriso travesso e piscou.
-Sério? Que pena... – A vadia respondeu. – Bem, qualquer coisa, me liga, tá? – Ela o entregou um pedaço de papel com um número escrito.
HOHO. Ela mexeu com o diabo! E se eu realmente a namorada do Sean? Ela entrega telefones pra toda pessoa que vê numa fila de alfândega? Ou era somente com ele?
- Ah, sim... – Eu falei. – Eu não a vi no vôo quando saímos de Berlim, o que houve?
A vadia franziu as sobrancelhas finas e cruzou os braços.
- Tive que descer no vôo. – Respondeu.
- Entendo... – A encarei, vitoriosa. – Então não tem nada haver sobre você ter se agarrado com a tal de Yuki no avião, é?
A cor de pele da vadia foi do branco ao vermelho, azul e roxo.
- Next! – O homem da alfândega gritou.
- Vamos, Suzannah... – Sean me puxou para longe da vadia, que agora estava na cor verde.
O homenzinho magrelo de olhos pretos puxados nos olhou de cima para baixo por trás do vidro.
- Casados? – Ele perguntou nem inglês meio rudimentar.
- Não senhor. – Respondi. – Somos...
- Namorados. – Sean me cortou.
- Conhecidos, seu idiota! – O encarei com raiva.
O homem nos encarou novamente e riu.
- Bem, são conhecidos agora. Mas esperem umas semanas... – Ele piscou para Sean. – Visto, passaporte, RG...
O homem listou a enorme lista de documentos para nos dois. Entregamos tudo o homem, e ele carimbou os passaportes.
- Vão ficar quanto tempo? – Ele perguntou.
- Até me formar no colegial. – Respondi. – O senhor precisa da documentação do colégio?
- Sim, senhorita. – Ele respondeu sorrindo. – E o senhor?
- Também. – Sean respondeu entregando os mesmos documentos que eu.
- Você disse pra vadia que era só pra visitar seus amigos! – Eu disse.
- Não, isso foi pra despistar a vadia. – Ele me corrigiu.
- Huhu... – O homem ria. – Bolsas de estudo, ein?
- Sim, senhor! – Eu sorri.
- Vocês dois tem um ótimo futuro pela frente, ein? Vão estudar no Yamoshita, é um colégio realmente muito bom! E ainda conseguiram bolsas?
- Eu já tinha recebido ano passado, mas só aceitei esse ano. – Sorri para o velho e pisei no pé de Sean. Como é que é? Ele tem uma bolsa no Yamoshita?
- Mas o senhor O’den já vai fazer seu 2º ano, ein? – Sean coçou a cabeça quando olhou para mim. – Já está em que ano, garoto?
- Vou para o 2º, senhor.
- E a senhorita Saunders?
- 2º também.
- Bem, está tudo pronto. – O velho senhor nos entregou os documentos.
- Obrigada.
- Ah. – O velho disse. – Garoto, venha aqui...
Sean se aproximou do velho senhor, e ele cochichou algo em seu ouvido. Sean riu e os dois me encararam.
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-Aquela ali. – Apontei para minha mala parda, cheia de chaveiros. — O quê foi que ele disse pra você?
Sean me encarou pelo canto de seus olhos. Colocou minha mala no carrinho e sorriu.
- Quer realmente saber? – Ele deu aquele sorriso torto que tanto adoro.
- Bem... – Cocei a cabeça. – Bem, quero sim...
- Bem, ele disse... – Sean ficou um pouco vermelho. – Ele disse exatamente “Olhe garoto, não desperdice essa chance! Aquela garota vai ficar ainda mais bonita quando crescer.”
-HÃM?! – Gritei. – Quer dizer que um velho tarado me acha bonita?
- É, né? – Sean respondeu. – Quem sou eu pra discordar?
Coloquei minha mão na cintura e o encarei enquanto pegava uma mala sua na esteira.
- E você vai seguir a dica dele? – Perguntei.
- Hãm? – Ele virou-se para mim. – Bem... Vou tentar.
Ri um pouquinho do seu comentário e fomos comer alguma coisa. Depois de alguns minutos formos pegar um táxi.
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- Pra onde você vai, Sean? – Perguntei quando entramos no carro.
- Anh... O colégio alugou uma casa pra mim. – Ele respondeu.
Arregalei meus olhos e lhe perguntei que rua essa casa ficava. Quando ele respondeu, senti meu rosto totalmente em fogo, e um forte batimento cardíaco.
- EU NÃO ACREDITO! –Gritei no taxi. O taxista tatuado dos pés à cabeça me olhou torto.
- O que foi?! – Ele perguntou assustado com a minha reação.
- O colégio também alugou essa casa para mim!
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O taxista jogou de qualquer jeito nossas malas no chão. Nos dois olhamos atentamente a casa, com a fachada “Yamoshita” escrita bem na entrada.
Ela era bem grande, com uma pintura de vermelho cor de tijolo e telhados pretos. Tinha um estilo oriental bem aconchegante, com um Sakura sem flores no quintal, já que nessa estação de inverno a neve cobria o jardim inteiro.
A casa por dentro era tão impressionante como por fora. A porta era de papel-seda, que nem as que vemos na TV. Tiramos nossos sapatos na entrada e olhamos melhor lá dentro.
A sala tinha uma TV de LCD nem muito grande nem muito pequena. Um sofá vermelho bem grande com mais duas poltronas.
A cozinha era ótima! A geladeira era grande, com um pouco de comida dentro. O fogão era inox, com 6 bocas. O piso era maravilhoso! Bem branquinho e limpo, poderia ver claramente meu reflexo nele.
Pelos números de quartos, pude ver que não era só eu e Sean que moraríamos naquela casa. O meu era no segundo andar, ao lado do quarto de Sean.
Desfiz minhas malas e coloquei minhas roupas no quarda-roupa. O quarto ela totalmente branco, com uma janela de papel. Tinha uma saída de ar bem no meio do teto, uma cama perto da janela, uma estante sem livro algum, e uma cabeceira com um relógio e abajur. Mamãe mandaria o resto das minhas coisas, e com o dinheiro com ganharia na organização e o que mamãe iria me mandar, eu poderia preencher o espaço que faltava.
Peguei meu pijama, e fui para o banheiro. Por acaso só tinha dois deles, um no segundo e outro no primeiro. Entrei no do segundo andar e tomei meu banho e escovei meus dentes. Penteie o cabelo e desci para a sala.
- Oi, Su. – Sean falou quando entrei na sala.
- Oi, Sean. – Respondi sentando ao seu lado.
Sean estava vendo uns daqueles filmes antigos. Eu não gostava muitos de filmes assim, mas deveria ser um daqueles clássicos como Titanic ou algo do tipo.
- “O quê você quer?” – O ator do filme falou para a moça. – “Você quer a Lua? Eu a dou pra você.”
Deitei-me no sofá. Sean pegou sua guitarra e treinou uns acordes.
Peguei o controle e comecei a mudar de canal.
- Sabe, Su. – Sean falou. – Que tal realmente dormirmos juntos pra variar? – Ele sorriu.
- Como é que é?! – Me levantei. – Que papo de velho entediado com o casamento é esse?
- Tudo bem, deixa pra lá... – Ele voltou para os seus acordes.
- Ei! Não desista tão fácil! – O QUÊ DEU EM MIM?!
- Verdade? – Ele sorriu. – Qual seria sua condição para dormimos juntos?
- Err... – Meu rosto ficou em brasas. – Bem...
Sean chegou mais perto de mim e sorriu.
- Já sei! – Falei.
- O que é?
- Diga que me ama!
- A-amor?! – Ele respondeu com o rosto tão vermelho quanto o meu. – Não peça tanto de um homem!
- Tudo bem... – Me levantei e fui para a cozinha. – Quer algo para comer?
- Espera! – Ele me seguiu. – Eu consigo, Su!
- Vou fazer miojo. Mas aqui seria ramém, né? – Perguntei.
Ele não me respondeu nada. Girei meus tornozelos para ver o que estava fazendo, e lá estava ele, bem na minha frente, com seus olhos azuis me observando atenciosamente.
- Sean?
Ele beijou meu pescoço e minha orelha.
- Eu te amo...
Meus joelhos tremeram, e minhas mãos começaram a soar. Ele beijou meus lábios de um jeito doce e delicado. Ergueu-me e levou-me para seu quarto, no andar de cima.
Jogamos-nos na sua cama, e mais e mais nossos beijos ficavam mais intensos. O inverno lá de fora e o calor dele faziam meus pelos se arrepiarem
- Espera! – Gritei. – Não podemos fazer isso sem... Proteção.
Sean me olhou como se não entendesse o que eu estava falando. Depois de alguns segundos seu pensamento se esclareceu.
- Ah, sim! – Ele exclamou. – Espere um minuto.
Concordei com a cabeça, e ele levantou-se da cama.
Joguei minha cabeça para trás. Eu realmente não estava acreditando no que estava fazendo.
Tentei contar minhas batidas. Coloquei meus dois dedos no pulso direito, mas não senti nada. Tentei novamente no pescoço. Aquilo não parecia um batimento cardíaco normal, estava mais para um zumbido de uma abelha.
- Voltei! – Ele pulou na cama. – Você nos salvou de uma!
Ele beijou meu rosto e foi descendo, enquanto tirava minha blusa.
Ele fazia tudo de um jeito tão delicado e protetor que relaxei. Deixei que ele fizesse tudo que queria, pois era o que eu queria também.
- Vou tentar ser cuidadoso... – Ele falou. – Dizem que a primeira vez das mulheres é dolorosa.
- Tudo bem. – Respondi beijando sua orelha. – Não pare.
E ele não parou, somente quando eu fazia um barulho alto demais.
Constatei certo no avião. Ele é o tipo de homem que te faz ter orgasmos múltiplos em menos de uma noite.
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Deveriam ser 4 da manhã quando me levantei. Havia me dado uma sede danada!
Antes de ir para a cozinha, tentei memorizar o rosto de Sean dormindo. Se tudo fosse um sonho, eu queria pelo menos me lembrar.
Peguei um lençol e desci as escadas com passos leves, para não acordá-lo.
Dormir com ele era aconchegante. Ele não roncava nem nada, só fazia um tipo de ronronado em minha orelha.
- Hihi... – Ri abobada, enquanto dava um gole na minha água.
Subi as escadas, ainda tentando não fazer barulho. Coloquei o copo em cima de sua cabeceira e me deitei. Fiquei encarando seus fios castanhos e suas pestanas. Eram tão grandes!
De repente, senti uma dor no coração. E se ele se arrependesse? E se eu não o agradei? E se ele começasse a me ignorar?
Mas, Sean não parece poder fazer uma coisa dessas. Ele é tão ativo, motivado. Sempre tentando me proteger. Poderia fazer amizade com qualquer pessoa.
Coloquei minha mão em seu peito, e pude sentir seus batimentos. Eram rápidos e fortes, ao contrário das respirações, que eram devagar e compridas, quase como um suspiro.
Sorri, tentando me acalmar. Se ele fosse me ignorar de manhã, era melhor aproveitar o curto tempo que ainda tinha.
Deitei ao seu lado e encostei minha cabeça em seu ombro.Seu braço me abraçou pela cintura, que nem no avião.
-
NOSSA! PENSE NUM CAPÍTULO GRANDE! :O\'
9 folhas, legal. *-*
Próximo só sai com review! ;D\'
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