A Caixa de Merlin

5 O violento jogo de quadribol


Notas iniciais
Antes de tudo, obrigada pelos comentários e pelos favoritos. Eles são realmente importantes. s2 Ok, ok, esse capítulo ficou enorme. Espero que não se importem, não era pra ter ficado tão grande. Me digam se preferem assim ou não, ok?

Evangeline estava sentada lendo um livro de poções na biblioteca. Ela e Dumbledore ficaram conversando durante um bom tempo sobre as receitas de Helga Hufflepuff, até que a Professora Minerva McGonagall o chamou para uma conversa em particular. Fora divertido conversar com Dumbledore, ele sabia muito bem como desviar a atenção de assuntos que realmente importavam. Muitas perguntas da bruxa passaram despercebidas, mas como eles conversariam depois, não se importou muito.

— Então aqui é o seu lugar secreto, hein? — Milla perguntou sentando na cadeira ao lado de Evangeline. Liang Wei estava com ela, mas não quis sentar.

— É, pois é... E qual é o problema dele? — Evangeline apontou para o garoto, já não havia gostado da atitude dele no vagão. E também achava aquele cabelo repartido no meio muito esquisito, parecia um mini Snape oriental e rechonchudo.

O garoto se afastou desconfortável ao ouvir a bruxa, fingindo procurar algum livro distante. Provavelmente achou que isso evitaria contato com ela.

— Ah, ele? É só o Liang, ele é legal. Estava todo amedrontado naquele dia no vagão, algo relacionado a um tal de Flunt, não tenho certeza.

— Flunt? Está falando de Marcus Flint? — perguntou Evangeline segurando a risada.

— Sim, sim, acho que é esse mesmo. Você o conhece? — Milla amarrou os longos cabelos ruivos com seus próprios fios enquanto olhava pensativa para o teto. — Se bem que... Acho que ele também mencionou ter medo de você.

— De mim?! O que eu fiz pra ele? — a bruxa arqueou uma das sobrancelhas.

— Sei lá. — Milla deu de ombros. — Mas você dá medo mesmo. É toda imponente e pálida. Sabia que dizem por aí que você é uma vampira? Por causa das olheiras e tal, e por você não sair muito. Também há rumores que alguns alunos espalharam... Falam que você foi vista com os gêmeos Weasley, eles estavam implorando pela vida ou algo assim, aí você os poupou.

Evangeline a encarou boquiaberta. Nunca havia parado para pensar em como era sua reputação em Hogwarts. Até que a bruxa conseguia ver um pouco de sentido em toda aquela confusão com os gêmeos, afinal foram extremamente exagerados. Mas vampira, sério?

— Mas então o que anda aprontando? — Milla apoiou os cotovelos na mesa e o rosto nas mãos, olhava Evangeline com brilho no olhar. Madame Pince já estava incomodada com a menina. — Sam falou que você vive enfornada aqui, tem algum motivo, certo?

— Não ando aprontando nada. Só resolvi me dedicar mais aos estudos.

— Estranho, não foi isso que os Weasley me disseram quando perguntei sobre você...

Evangeline arregalou os olhos. Aqueles diabretes Weasley não conseguem manter a boca fechada?

— O que eles disseram? — indagou a bruxa indignada.

— Nada. Na verdade não falei com eles, só queria saber se realmente estava escondendo algo de mim. Acertei na mosca, hein? — Milla possuía um sorriso travesso nos lábios, e ainda teve a coragem de lançar uma piscadinha para Evangeline.

Evangeline deu um empurrão na bruxa, mas não chegou a machucá-la. Só arrancou algumas gargalhadas da garota que logo tapou a boca ao lembrar onde estava.

— Não vai me contar, né? — lamentou Milla. — Pelo menos não agora, né? — acrescentou entusiasmada.

— Milla, você pode ter certeza que se eu precisasse de alguém, esse alguém seria você. Mas no momento não preciso. — Evangeline respondeu orgulhosa, voltando sua atenção ao livro. Claramente era mentira.

— Nossa... Esse foi o elogio mais frio e falso que eu já recebi. — analisou a bruxa, cruzando os braços. — Mas sabe Evangeline, você deveria sair mais com a gente. Eu conheci um garoto bem legal da Lufa-Lufa, acho que vocês se dariam bem. Ele é bonito e também é alto. Na verdade, acho impossível alguém não se dar bem com ele.

— De verdade, eu não me importo. E estou decepcionada por achar que eu ganharia motivação por causa de um garoto. Chocolate até vai, mas um garoto? — reclamou Evangeline olhando de lado para a garota.

— Aaah, qual é Evangeline! Saia com a gente amanhã, por favoor! É domingo, você precisa aproveitar os domingos. Há quanto tempo Nebulosa não vê a luz? — Milla disse enquanto agarrava no braço da amiga e o balançava sem parar.

Evangeline a olhou desmotivada, mas sabia que se recusasse ela não a deixaria em paz tão cedo.

— Tá bom, mas só amanhã. E só por causa da Nebulosa.

Milla abriu um grande sorriso. Fazia mesmo um tempo que elas não conversavam, seria bom para Evangeline de qualquer forma.

Liang Wei se aproximou, mas não muito. Decidiu manter uma distância segura de Evangeline. O garoto havia notado os olhares furiosos que Madame Pince lançara em direção às bruxas.

— Vamos, Milla... Está quase na hora do jogo... — A voz do bruxo era quase inaudível, e um pouco trêmula também. Evangeline realmente sentiu vontade de assustá-lo naquele momento. Sorte a dele que estavam na biblioteca.

— Mas já? Que pena... — Milla respondeu visivelmente decepcionada.

— Ela tem pernas, pode ir à hora que bem entender. Você é o pai dela por acaso? — Evangeline falou seca ao notar a reação da menina, fazendo o garoto recuar.

— M-me desculpe... Eu não quis ofender... — ele disse ainda mais baixo.

Evangeline fechou os olhos e suspirou, balançando a cabeça negativamente. Aquele garoto sabia como dar sono.

— Não tem problema! Está quase na hora do jogo mesmo, não é? — Milla tentou salvar a situação, mas não obteve muito sucesso. Levantou-se e foi para o lado de Liang. — Nos vemos amanhã, então?

— Tá, tá...

Elas se despediram e Milla saiu com um grande sorriso no rosto, sendo praticamente aniquilada pelo olhar de Madame Pince, que a garota nem chegou a notar.

♠

Estava na hora do tão aguardado jogo de quadribol. Evangeline ainda tinha esperanças que Samantha a esqueceria na biblioteca, mas para sua infelicidade, ela foi bem ágil. A bruxa chegou pouco tempo depois de Liang e Milla saírem, e a arrastou direto para as arquibancadas. Evangeline ainda precisou ouvir um longo discurso de como ela tentava fugir das responsabilidades e outras mil coisas que ela simplesmente parou de prestar atenção. Também contou sobre o convite de Milla, que Samantha viu interesse até descobrir que um lufano estaria entre eles. Evangeline a ignorou.

Ninfadora Tonks, uma garota que possuía os cabelos mais legais que Evangeline já vira, preparava-se para narrar à partida. Os jogadores pareciam confiantes. Olívio Wood parecia ansioso e focado, Carlinhos estranhamente confortável, e Flint mostrava um sorriso amarelo.

Madame Hooch apitou e as vassouras foram ao ar.

— E Marcus Flint da Sonserina apanha a goles, avançando ferozmente para o time da Grifinória!

Evangeline roubou o binóculo de Samantha, que a garota sequer estava utilizando.

O jogo iniciou quando Marcus passou a bola para o outro artilheiro, Taylor Moore. Os batedores da Sonserina mandaram os balaços na direção de Olívio Wood, o goleiro. No entanto, ele conseguiu bloquear a goles com a ajuda dos batedores da Grifinória, que rebateram os balaços para Marcus e Taylor.

A goles estava então com a Grifinória, mas foi questão de tempo até a artilheira ficar encurralada por dois jogadores da Sonserina. Ambos a circundaram ameaçadores, fazendo a garota largar a goles que foi pega rapidamente por Taylor Moore. O cabelo de Tonks mudou de cor várias vezes durante a partida, além de ela parecer estar do lado da Grifinória. Era difícil manter a imparcialidade.

— O que é isso?! Carlinhos Weasley deu grande mergulho no ar! Parece ter avistado o pomo lá em baixo.

Carlinhos disparou em direção ao solo e o apanhador da Sonserina foi logo atrás, mas para sua surpresa, Carlinhos recuou. Não havia pomo. O apanhador da Sonserina quase bateu de cara no chão. Tonks vibrou, e a torcida também.

— Caramba! Isso foi uma Finta de Wronski ao vivo e em cores! O que Carlinhos Weasley continua fazendo em Hogwarts? Devia estar na Seleção da Inglaterra depois dessa!

O jogo continuou agressivo por parte da Sonserina. Algumas manobras realmente pareceram machucar alguns jogadores da Grifinória, e algumas faltas quase passaram despercebidas. Os olhos amarelos de Madame Hooch eram precisos como os de um falcão, dificilmente deixavam algo escapar.

— O apanhador da Grifinória é muito bom, o goleiro também. Mas o resto da equipe não parece estar acompanhando. A Sonserina tem uma estratégia intimidadora, se a Grifinória continuar assim vai perder facilmente. — um garoto alto de cabelos quase negros comentou precisamente com Evangeline. Parecia estar tão concentrado quanto ela.

— Hum... Se Wood continuar bloqueando todas as goles, e se os artilheiros da Grifinória continuarem lerdando nas vassouras, vai ser um jogo beeem longo... — respondeu para o garoto num tom despreocupado.

— Tenho que concordar, a propósito, sou Adrian Pucey. — o garoto estendeu a mão para a bruxa.

— Evangeline Hill. — ela o cumprimentou e ambos voltaram à atenção para o jogo.

Samantha deu uma cotovelada em Evangeline, enquanto tentava olhar discretamente para Pucey. Ela também tentou fazer uma mímica ao ver que a bruxa não entendia leitura labial, mas nem assim Evangeline entendeu. Estava mais interessada no jogo.

A Sonserina estava 40 pontos na frente, e faltava somente 10 pontos para ganharem o jogo. O pomo estava desaparecido até então. Marcus Flint pareceu sussurrar algo com os outros artilheiros, os três formaram um “V” e foram em direção às balizas.

— Wow, isso é a formação de Ataque Cabeça-de-Falcão? A Sonserina não perde tempo mes- MAS QUE FILHO DA...!

— TONKS! — interrompeu Profa. Minerva, que também não estava nada satisfeita com o que acabara de testemunhar.

Marcus Flint decidiu não mirar a goles na baliza, na verdade, mirou no braço de Olívio Wood. O bruxo colocou tanta força no movimento, que o goleiro chegou a se desequilibrar. Carlinhos xingou, mas também avistou o pomo pairando no alto, o garoto percorreu o ar o mais rápido possível. Quando estava prestes a agarrar a bola, cerca de uns três centímetros, Marcus Flint aproveitou o atordoamento de Wood e marcou o último ponto.

— Vitória da Sonserina... De novo... — Tonks terminou a partida com a comemoração mais desanimada possível. A Sonserina comemorou, e aparentemente, só a Sonserina mesmo. Todas as outras casas estavam torcendo contra.

Os sonserinos saíram das arquibancadas em direção ao salão comunal gritando entusiasmados. Evangeline estava satisfeita, o jogo de quadribol saiu exatamente como imaginava. Jensen conversava com seu irmão Taylor sobre o jogo. Aquela genética realmente era boa, Taylor era muito bonito de perto, parecia ter a mesma idade de Carlinhos.

— Então, Hill... — falou Flint passando ao lado da bruxa com o resto da equipe. — O que achou do jogo?

— Foi um bom jogo, acho que você realmente quebrou o braço de Olívio Wood. — respondeu Evangeline com um sentimento de culpa bem camuflado.

— Era a intenção, e também ele mereceu. Aquele cara é um idiota. — ele disse cheio de orgulho.

— Por quê? — perguntou Evangeline curiosa. Wood não parecia uma pessoa tão horrível, só um pouco chata.

— Além de ser da Grifinória? Ele se acha o bonzão, melhor que todo mundo, chega a dar ânsia. Acha que pode ser capitão, dá pra acreditar? — ele saiu na frente gargalhando, sendo seguido por seus erklings... quer dizer, pelo resto da equipe.

Marcus Flint realmente se ouviu? Ele acabara de descrever a si mesmo. Evangeline tinha quase certeza que Olívio não era assim. A bruxa seguiu pensativa pelos corredores quando teve seu ombro puxado por Samantha.

— Caramba, Evangeline! Você não sabe esperar? Que droga, fiquei te procurando lá trás. — a garota falou irritada, parecia um pouco cansada também.

— Quer que eu peça desculpas pela sua lerdeza? — perguntou sarcástica.

— Ha ha ha, muito engraçado... Disse aquela que não entende sinais óbvios de comunicação. — Samantha endireitou-se penteando o cabelo com os dedos.

— Óbvios? Você parecia uma louca com aqueles movimentos. O que estava querendo dizer, afinal?

A bruxa olhou para os lados e se enfiou num corredor com poucas pessoas, arrastando Evangeline consigo.

— Aquele garoto... Quem era? — a menina perguntou evitando contato visual.

— Quem? Adrian Pucey? Por que quer saber? — Evangeline cruzou os braços.

— Porque sim, oras... — Samantha voltou ao corredor principal com o resto dos alunos da Sonserina, que já estavam bem mais na frente.

— Aposto que ficou apaixonadinha. — sugeriu Evangeline com um sorriso malicioso no rosto, enquanto seguia a menina.

— O que?! Não é nada disso! — Samantha ficou automaticamente corada. Era muito evidente devido sua palidez.

— Claaaro que não. — Evangeline disparou na frente com os braços cruzados atrás das costas.

— É sério não é isso, Evangeline. Eu só achei que o conhecia de algum lugar, só isso. — a garota disse seriamente, acompanhando-a.

— De onde, dos seus sonhos? Vou fingir que acredito, vai precisar de uma história muito boa para me convencer do contrário. Agora preciso falar com o Dumbledore, te vejo no dormitório. — Evangeline mudou a rota e Samantha seguiu para a masmorra da Sonserina, um tanto estressada.

♠

A bruxa finalmente chegou a Torre do Diretor, posicionando-se em frente à fênix de pedra.

— Hã... Pudim de Chocolate? — Evangeline disse a senha para a gárgula se perguntando o quão ridícula era aquela cena.

A estátua da fênix abriu uma passagem e começou a girar. Uma escada foi surgindo rapidamente, a garota logo subiu num dos degraus e esperou. Era uma sensação um pouco claustrofóbica, mas que logo desapareceu com a escada se estabilizando. Uma grande porta de carvalho surgiu em frente à gárgula, a bruxa estava prestes a bater, mas esta se abriu antes que pudesse encostar.

O escritório era cercado de retratos de ex-diretores cochilando, o que fez Evangeline pensar sobre o que Dumbledore a dissera mais cedo. Aqueles quadros sim pareciam úteis. Também havia uma fênix descansando num poleiro, ela encarava Evangeline, e a bruxa a olhava curiosa.

— Que interessante, anos se passaram e a reação continua a mesma. — Dumbledore apareceu do nada, surpreendendo a garota que tentou esconder sua reação.

— Qual é o nome dela, professor Dumbledore? E como assim a reação é a mesma? — Evangeline afagou a ave sem nem ao menos pedir permissão, de alguma forma ela parecia familiar. A ave aceitou o carinho de bom grado.

— Essa é Fawkes, Evangeline. Vocês tiveram o primeiro contato há muito tempo, neste mesmo lugar. — Dumbledore sorriu e sentou na escrivaninha. — Sente-se, senhorita. Temos muito a conversar.

Evangeline olhou Dumbledore completamente confusa, e se sentou imediatamente.

— Imagino que esteja guardando bem aquele livro. Lembro-me que tentei de tudo para abri-lo — deu uma breve risada. — Mas parei quando soube que só você poderia o fazer, Evangeline.

— Estou sim, professor. Na verdade, estou com ele agora mesmo se quiser ver. — Evangeline tirou o livro de uma bolsa camuflada em sua capa sem nem ao menos esperar uma resposta do diretor, colocando-o em cima da escrivaninha. — Eu iria agradecer bastante se o senhor pudesse-me dizer mais sobre ele.

Evangeline abriu o livro e Dumbledore o analisou cuidadosamente. No entanto quando se aproximou para tentar ler alguma coisa, o livro instantaneamente se fechou, assim como acontecera com Ágata e qualquer um que tentou se aproximar dele aberto. O diretor não pareceu surpreso.

— Lamento não poder saciar essa dúvida, Evangeline. — Dumbledore ajeitou os óculos. — Creio que a senhorita saiba sobre esse livro mais do que qualquer bruxo que exista nessa época.

— Mas eu não sei nada, professor Dumbledore! Eu li de tudo na biblioteca, mas nada me ajudou. É todo escrito em códigos medievais, tem desenhos de runas que eu nunca vi antes, e também gráficos e numerologia. Tentei decodificá-lo com todos os feitiços que li, mas ele não parece aceitar... Eu não sei mais o que fazer. — Evangeline desabafou angustiada, dando um longo suspiro enquanto olhava para o livro. Estranhamente seus olhos ganharam uma coloração lilás, mas em questão de segundos voltaram ao normal.

Dumbledore a encarou por um momento e deu um sorriso sereno que confortou a bruxa.

— De fato parece ser um livro muito complicado, senhorita. O que levou esse interesse tão repentino por ele, se me permite perguntar? Não parecia tão focada nisso nas primeiras semanas.

Evangeline engoliu seco, Dumbledore parecia saber tudo sobre o que ela e os Weasley fizeram. Estava apavorada, será que ele descobriu sobre a caixa? Será que a “conversa amistosa” que eles teriam era na verdade sobre sua expulsão? Não, Dumbledore não era assim, não parecia ser. E por que tanta enrolação para expulsá-la? Poderia fazer isso de uma só vez e iria poupá-la de todo esse drama. Mas se não era isso, agora ela parecia muito suspeita, afinal demorara pra responder a pergunta do diretor. Suas mãos estavam frias, e seus olhos mudaram de cor novamente.

— Er... Hogwarts despertou meu interesse...? — disse a bruxa encabulada, não sabia mentir para o diretor. Sua cara de velhinho bondoso a impedia.

Dumbledore pareceu se divertir com a reação da garota.

— Hogwarts realmente possui esse dom, Evangeline. Com a informação correta, tenho certeza que conseguirá decifrar o livro. — o diretor concluiu calmamente. Evangeline suspirou aliviada.

— E onde eu consigo essa informação, professor? — pirragueou tentando manter a postura, após a pequena crise de pânico.

— Isso só o tempo poderá lhe dizer, depende da senhorita saber aproveitá-lo ou não. — Dumbladore agora possuía uma expressão séria no rosto. — A única coisa que lhe peço, Evangeline, é que não deixe o livro cair em mãos erradas. É um objeto mágico poderoso, e muitos futuramente tentarão colocar as mãos nele.

Evangeline ouviu com muita atenção, concordando com o olhar. Aquilo vinha de Dumbledore, naquele momento a bruxa sentiu a importância do seu livro. Sabia que ele era importante, sabia que ele era único, mas não poderia imaginar que um dia estaria em perigo por causa dele. Até agora.

— Farei isso, professor. Mas... Como algo que só eu posso ler pode despertar tanto o interesse dos outros? — Evangeline questionou, parecia mais uma pergunta direcionada a si mesma que ao diretor.

Dumbledore assumiu um aspecto mais descontraído depois do comentário da bruxa, parecia se divertir com sua curiosidade.

— Ele possui uma marca muito rara, Evangeline. Existem bruxos ambiciosos que gostariam de possuí-lo por esse simples motivo. Outros dariam sua vida pelo que há em suas páginas. Alguns podem achar que esse objeto não está seguro o bastante em suas mãos.

Evangeline deslizou a mão sobre o livro, tinha cada vez mais dúvidas ao seu respeito.

— Mas não deve se preocupar com isso agora, senhorita. Ainda há muita coisa a ser dita.

É claro, até agora a garota não deixara Dumbledore iniciar o assunto que deveria. Sentia-se a pessoa mais mal-educada da face da Terra naquele momento.

— Desculpe, professor. — lamentou a garota olhando para baixo.

— Não se desculpe, Evangeline. A curiosidade é uma virtude muito má vista por nossa sociedade, poucos conseguem enxergar que ela tem sua própria razão de existir. — Dumbledore deu um sorriso pacífico.

Evangeline devolveu o sorriso e Dumbledore prosseguiu com a conversa. O diretor falou sobre como a garota apareceu na Floresta Proibida e como Hagrid a encontrou. Também citou o livro e o motivo de ter contatado Ágata para assumir a responsabilidade pela garota. Ainda revelou que alguns bruxos importantes precisaram saber de sua existência no dia que ela surgiu, e que por esta razão alguns desconhecidos sabiam sobre ela.

Evangeline estava em choque. Sabia que Ágata não era sua mãe verdadeira, mas sempre que tocava no assunto ela alterava o rumo da conversa ou simplesmente dizia “Você ainda não está pronta para saber”. Realmente, era muita informação para a cabeça da menina. Apesar disso, aquilo lhe livrou de várias dúvidas acumuladas em sua mente. Mas também ajudou a criar questionamentos novos. Quem a deixaria num local tão perigoso? Por que o livro estava com ela? De onde ela veio? Sua cabeça estava uma bagunça, não sabia por onde começar.

— É tudo que tenho a dizer, Evangeline. Recomendo que a senhorita descanse por agora. — disse Dumbledore calmamente.

— Eu posso perguntar só mais uma coisa, professor Dumbledore? — a garota o olhava um pouco desordenada com aquilo tudo.

Dumbledore assentiu com um sorriso.

— Por que Evangeline?

Dumbledore sorriu bondoso.

— Significa “boa notícia”, senhorita.

Notas finais
O que acharam? Espero que tenham gostado aaaa