A Caixa de Merlin

6 Sinta o peso da culpa, Evangeline


Notas iniciais
E mais um capítulo looongo, desculpa gente. É que eu tô escrevendo aí do nada surgem 1000 palavras, nem sei como.

— Evangeline, você não largou essa caixa e não falou uma só palavra desde ontem. — disse Samantha enquanto olhava para a bruxa no reflexo do espelho. — Sobre o que você conversou com o Dumbledore?

Evangeline estava sentada na cama de pernas cruzadas, enquanto olhava fixamente em direção à caixa. Dormiu muito pouco aquela noite, sua cabeça estava lotada de informações. Além disso, teve um sonho bem esquisito.

Havia sonhado com uma bruxa encantadora de longos cabelos negros, ela segurava o livro da garota e apontava sua varinha para ele proferindo feitiços que Evangeline não conseguia ouvir direito, por causa de um basilisco que rastejava ao redor da mulher. Depois disso, tudo ficava branco e ela e os gêmeos Weasley apareciam na floresta proibida. Até pensou em voltar à biblioteca e pesquisar um pouco sobre isso, ainda tinha muitos livros que ela precisava ler.

— Hã? — respondeu Evangeline após longos segundos de silêncio. — Você falou alguma coisa?

— Eu realmente quero te matar agora. Quer saber? Esquece! você nunca presta atenção no que eu falo! — exclamou a bruxa irritada.

— Talvez porque nada que você fale tenha importância. — Evangeline deu de ombros.

— Ou talvez por você ser lerda e distraída. — retrucou Samantha, sentando-se em sua cama. — Você vem tomar café da manhã ou não?

— Depois. — Evangeline se espreguiçou na cama.

— Você realmente acha que tem tempo? — Samantha arremessou uma almofada verde direto na cara da garota. — Não prometeu sair com a Milla ou algo assim?

— Acho que ela não se importa se eu não for. — a garota tentou acertar a almofada de volta, mas falhou miseravelmente. Na verdade, quase acertou os perfumes de Samantha.

A bruxa a fuzilou com o olhar.

— É claro que ela vai se importar, Evangeline! Estamos falando da Milla, qual é o seu problema? Você não é um seminviso pra ficar se escondendo assim das pessoas.

— O meu problema? E quanto ao seu problema? — Evangeline se levantou imponente colocando as mãos na cintura, mas seu pijama com estampa de unicórnio conseguia acabar com toda sua seriedade.

— Como se EU tivesse algum... — a garota cruzou os braços.

— Pucey me pareceu um problema, qual é a sua historinha com ele?

— E desde quando você se importa? — ela ergueu uma das sobrancelhas.

— Você tem razão, eu não me importo. — Evangeline se sentou no sofá em frente à janela procurando pela lula gigante. — Mas quero te irritar, então vou tocar no assunto até que me fale.

Samantha revirou os olhos.

— Não é a história mais interessante do mundo, se quer mesmo saber. Nossas famílias se conhecem, perdemos contato quando ele disse que se "mudaria" para a França, mas bem... Ele não parece estar na França agora. Pensei até em ter ouvido errado quando o chapéu seletor falou o nome dele. É mesmo um idiota, não entendo porque me ignorou.

— Eu entendo.

— Cala boca, Evangeline. — Samantha disse sem paciência. — É praticamente obrigação dele vir falar comigo, e por que ele mentiu?

Evangeline riu, mas logo voltou à postura de sempre.

— Então sem casamento arranjado ou rivalidade antiga? Que sem graça...

— Casamento? Eca não, nunca. — a bruxa fez um careta. — Ele não faz o meu tipo.

Evangeline a encarou nada convencida.

— O que?

— Então ficou coradinha porque não gosta dele? — a bruxa apoiou a mão no queixo, analisando Samantha. — O que mais aconteceu entre vocês?

— Eu não corei, deve ter sido impressão sua. E não há mais nada, agora vá se trocar, estou te esperando no salão. — a garota saiu do quarto praticamente desfilando.

Evangeline suspirou e foi se arrumar, mas antes fez um feitiço para esconder a caixa. Além disso, depois do que os Weasley falaram, não saía mais sem seu livro. E também fazia questão de tomar o dobro de cuidado com a caixa, se alguém pegasse seria o fim.

♠

O Salão Principal estava vazio, e a mesa da Sonserina mais ainda. Era domingo, provavelmente todos estavam dormindo ou com preguiça de sair da cama. A mesa com mais pessoas era a da Lufa-Lufa, e todos estavam bem animados. Céus, domingo de manhã, quem fica tão animado? Eles cheiraram pó de flu ou o quê?

Evangeline chegou depois de um tempo e sentou-se ao lado de Samantha. Decidiu experimentar uma torta de limão, sugestão do próprio Dumbledore. Era ótima, mas ainda assim a bruxa preferia chocolate. Conversou um bom tempo com Samantha, que estava completamente incomodada com a felicidade dos lufanos. Depois falaram sobre feitiços e sobre o ódio mortal que a garota possuía de herbologia, quando Marcus Flint se sentou ao lado de Evangeline.

— Como vai o dia, Hill? — ele disse roubando um bacon do prato de um pobre coitado que estava sentado lá perto.

— Tedioso, e o seu?

— Fiquei sabendo que Olívio Wood e mais dois alunos da Grifinória estão na ala hospitalar. Legal, né? — disse ele dando uma mordida no bacon.

— Então foi sério mesmo? — falou um tanto surpresa.

— Aham, e tudo graças a você, que me deu a brilhante ideia de quebrar o braço dele.

A bruxa ficou estática por um momento. A culpa consumiu Evangeline, que engoliu seco e sentiu os ombros pesarem. Agora tinha certeza que ela realmente tinha provocado aquilo tudo. Só disse aquilo por dizer, não pensou que ia acontecer mesmo. Acidentes normalmente a deixavam feliz, mas Olívio Wood não merecia aquilo, ele jogou honestamente.

— Já pensou em entrar para o time de quadribol, Hill? — Flint não pareceu ter notado a reação da bruxa.

— Hã? Ah, sim... — Evangeline sacudiu a cabeça tentando se recompor de todo aquele sentimento ruim. — Já, e cheguei à conclusão que não estou interessada.

— Por quê? — Flint estranhou.

— Eu até gosto de quadribol, mas sou um lixo na vassoura. Jensen Moore quase me derrubou uma vez. Também estava ventando muito, mas isso não vem ao caso. — disse a menina levando um pedaço da torta até a boca, que possuía um estranho sabor de culpa.

— Não foi isso que eu ouvi. Dizem que você se desviou dele como uma profissional e ele deu de cara na parede.

— Aah, Hogwarts e o seu talento de espalhar rumores falsos... — Evangeline olhou para o céu no teto do salão, pensativa. — Mas que bom que estão do meu lado.

Flint deu um riso abafado.

— Droga, eu pensei que você levava jeito. Eu futuramente vou ser capitão, sabe? É bom saber de pessoas que jogam bem. — disse orgulhoso.

— Pois é, decepcionar as pessoas é um dos meus talentos. — disse no tom irônico de sempre, ignorando a "previsão" do garoto.

— Isso é verdade. — acrescentou Samantha.

Flint deu de ombros e continuou conversando sobre quadribol com Evangeline, mas a bruxa não tinha interesse algum no que ele dizia. Estava com a cabeça lotada de dúvidas, sobre a caixa, sobre a culpa, o sonho, o livro, seu passado, tudo. Felizmente, Taylor Moore apareceu e foi em direção a Marcus, o cabelo dele estava solto e ia até a metade das costas. Ele era musculado e seus olhos eram penetrantes e cinzentos, nunca sorria. Ele olhou de lado para as bruxas, Samantha o admirava sem piscar.

— Marcus, preciso que chame os outros. Vamos treinar, Snape disponibilizou o campo. — ele possuía uma voz grossa e pesada, seu tom era completamente seco.

— Agora? — perguntou Flint displicente.

Taylor simplesmente o encarou, não precisou falar nada. Flint o olhou e suspirou, se levantando de imediato.

— Até outra hora, Hill. — ele saiu logo atrás de Taylor.

— Caramba, quando eu crescer eu quero ser igual ao Taylor Moore. — Evangeline disse observando eles saírem, boquiaberta. — Ele nem usou a Maldição Imperius.

Samantha deixou escapar uma risada.

— Vai precisar nascer de novo, porque ele é muito lindo. Nós com certeza vamos nos casar um dia, imagine só, Samantha Moore. — a garota disse confiante. — Soa bem, não acha?

— Ah, tá.

— Pode parar de estragar meus sonhos? — Samantha a fitou aborrecida.

— Ainda bem que você sabe que é só um sonho. Um sonho muuito distante. — comentou Evangeline com um sorriso travesso.

Samantha lançou uma uva em direção a Evangeline, mas a bruxa desviou facilmente.

— Dá pra parar de jogar coisas em mim?

— Você sabe que merece... — Samantha comeu uma bala de caramelo. — Já percebeu que Marcus Flint nunca me nota? Ele só conversa com você, é ridículo.

— Sorte a sua, nem sei por que ele fala comigo.

— Oras, porque você intimida, é claro. — a bruxa disse aquilo muito naturalmente. — É normal que ele queira amigos que intimidam ao lado dele, olha a cara dele.

Evangeline a olhou contrafeita.

— Você intimida, Evangeline. Não tanto quanto o Taylor, mas você é assustadora às vezes.

— E você anda conversando muito com a Milla. — Evangeline encarou a torta de limão, nada contente. — Vocês eu não me importo, mas o resto de Hogwarts não tem direito algum de me julgar.

— Mas é verdade. Louise e Amélia não falaram com você até agora porque te acham medonha.

Evangeline fez esforço pra lembrar quem eram as garotas, possuía uma grande tendência a excluir tudo e todos que não fossem importantes ou interessantes para ela.

— Nossas colegas de quarto... — Samantha percebeu a clara confusão da garota. — Você realmente não lembra?

— Não. E também não ligo para o que elas acham, grande coisa me achar medonha. — a garota cruzou os braços.

— Essa frase só me dá razão. — a bruxa falou cheia de si.

Evangeline rodou os olhos.

— Você precisa ser mais simpática, sei lá, assim as pessoas não vão fugir de você.

— E quem disse que eu quero que elas parem de ter medo de mim? Melhor do que ser amada e falsa, tenho cara de ministro da magia? — Evangeline estava visivelmente incomodada com a situação, apesar de tentar se controlar ao máximo. Normalmente não se importava com a opinião das pessoas, mas aparentemente, ela era vista como um trasgo em Hogwarts.

— As pessoas acabam enfrentando o medo uma hora ou outra. Aqueles ditadores trouxas sempre se deram mal usando essa lógica.

— Mas eles eram trouxas, não conta.

— Tá, mas e quanto a Você-Sabe-Quem? Também foi derrotado. — sussurrou Samantha olhando para os lados.

— Eu duvido muito que ele tenha sido derrotado, ainda mais por uma criança. Ele era mais inteligente que isso. Você já provou essa torta de limão? — perguntou Evangeline fugindo do assunto.

— Não e não quero, odeio limão. — Samantha olhou com nojo para a torta.

— Eu também não gostava até provar essa torta. Dumbledore que recomendou.

Samantha encarou Evangeline receosa e pegou um pedaço da torta, comendo-a. Parecia uma gastrônoma julgando uma sobremesa.

— Eu admito, ela é ótima. Nem parece de limão. — disse enquanto cheirava um pedaço, levando a boca mais uma vez.

— Exatamente! — Evangeline pegou seu relógio de bolso dourado e espiou as horas, levantando-se em seguida. — Acho que vou pra biblioteca...

— Não, você não vai. — a bruxa a puxou de volta para o assento. — Irá comigo ao pátio e vai aguardar Milla como uma pessoa normal.

— Que? Não, eu tenho que estudar sério. E tá frio também...

— Não minta para mim, você sabe sobre maldições, está muito mais avançada do que qualquer um do primeiro ano. C’est la vie, minha cara Evangeline.

Evangeline ficou emburrada, queria muito estudar sobre seu sonho. Mas sabia que Samantha não a deixaria em paz.

♠

Evangeline e Samantha foram buscar Nebulosa e logo chegaram ao pátio pavimentado. Não havia muitas pessoas, estava muito frio, os morros ao redor de Hogwarts estavam completamente brancos. Nebulosa parecia tão satisfeita quanto Evangeline, possuíam a mesma expressão de morte no rosto.

Enquanto esperavam, Evangeline aproveitou para dar uma revisão nas matérias com Samantha, a bruxa parecia completamente perdida em transfiguração. Não sabia um simples Vera Verto, Evangeline até admitia que transfiguração era a matéria mais difícil, mas quando se entendia ficava bem fácil.

Passou algum tempo, o clima esquentou e Milla chegou como um raio de sol. Ela estava com Diana nos ombros, que usava uma roupinha de inverno. E acompanhando a garota estava Liang e o garoto alto da Lufa-Lufa que ela havia comentado. Atrás dele também vinham duas alunas na Grifinória.

— Evangeline, você veio! E conseguiu trazer a Sam, como? — Milla falou entusiasmada e feliz.

— Na verdade, ela que me trouxe. — disse Evangeline desanimada.

— Correção: Eu a arrastei, porque sou uma ótima amiga. — interrompeu Samantha que jogou os cabelos ao ar.

— Parece ser o tipo de coisa que uma ótima amiga faria. — concluiu o garoto lufano com um sorriso no rosto. Samantha o julgou com o olhar.

— Ah, é! Esse é o Cedrico Diggory, o garoto que eu falei. — continuou Milla. — Essas são Angelina Johnson e Alicia Spinnet. — ela apontou para as garotas da Grifinória.

— Entendi, você é o famoso Cedrico, sabia que Milla te acha bonito? — questionou Evangeline com um sorriso malicioso.

Cedrico deu uma risada sem graça, e Milla olhou Evangeline completamente vermelha.

— Evangeline! — exclamou Samantha.

— Desculpa, desculpa. — disse tapando a boca escondendo a risada.

As garotas da Grifinória também riram um pouco, e Angelina até acrescentou que concordava com a Milla, Cedrico corou levemente após tudo aquilo. Naquele momento não existia separação de casas, todos eram só alunos de Hogwarts conversando, até mesmo Samantha tentou conversar com Cedrico sem preconceitos. Eles contaram algumas piadas sobre os professores e todos riram bastante, Evangeline contou sobre a teoria de Snape ser um vampiro e Alicia concordou como se pensasse exatamente a mesma coisa.

Em dado momento, todos decidiram criticar o que Marcus Flint fez no jogo de quadribol, Evangeline ficou bem quieta e focou a atenção na paisagem. Liang Wei estava praticamente mudo, até o assunto mudar para herbologia, Evangeline nunca viu o garoto falar tanto. Ele até entrou numa discussão com Samantha, tentou convencê-la a gostar de herbologia, mas Samantha se recusou. Cedrico falou bastante sobre quadribol com Evangeline e com as garotas da Grifinória. Dizia que queria ser capitão algum dia, mas que parecia ser um sonho distante. Evangeline adicionou que via potencial nele como capitão.

— Evangeline! Então você está aí... — Jorge falou enquanto se aproximava do grupo com Fred.

— Te procuramos em todo lugar. — continuou Fred. — Quer dizer, em todo lugar que você provavelmente estaria. — corrigiu.

— Na biblioteca. — disse Jorge. — Nas masmorras. — completou Fred. — No banheiro feminino. — concluiu Jorge.

— No banheiro feminino? — Evangeline perguntou confusa.

— É, mas isso não vem ao caso. Carlinhos nos avisou sobre a mensagem. — disse Jorge.

— Você vai matar a gente agora ou mais tarde? Precisamos nos organizar, sabe? — brincou Fred.

— Que tal oito horas? — Evangeline perguntou sarcástica.

— Parece uma boa hora. — os dois se entreolharam e disseram em coro. — Mas agora você precisa vir com a gente. — eles pegaram a garota pelos braços, levantando-a do chão.

— Eu sei andar! — clamou Evangeline se debatendo.

— A gente sabe, mas assim não tem graça. — disse Fred em meio a risadas. — Adios, amigos. Até mais ver, Alícia. Bons sonhos, Angelina. — finalizou Jorge arrastando Evangeline dali. O grupo pareceu muito confuso com a cena, a bruxa nem conseguiu se despedir.

♠

Os gêmeos a arrastavam pelas escadas.

— O que vocês querem agora?! E que é isso aí? — Evangeline estava completamente perturbada com aquilo tudo. Havia percebido agora que Fred carregava um assento de vaso sanitário nas mãos.

— Ah, isso? É um presente. — disse Fred.

— É mais o que VOCÊ quer, Evangeline. Temos uma ideia do paradeiro da chave. — comentou Jorge.

— É sério? Vocês estão falando, sério mesmo? — Evangeline ficou completamente entusiasmada, seus olhos adquiriram uma coloração um pouco verde, mas logo voltaram ao normal.

— É bem sé... Seus olhos mudaram de cor?! — Fred pareceu confuso.

— Que? Claro que não... Mudaram? — Evangeline estava tão confusa quanto ele.

— Eu tenho certeza que eles mudaram!

— Andem logo, se não Madame Pomfrey não vai deixar a gente entrar. — Jorge estava andando muito rápido.

— Espera, Madame Pomfrey? — Evangeline freou. — Estamos indo para a ala hospitalar?

— Sim, por quê? — ambos perguntaram.

Evangeline havia se esquecido por um tempo sobre o braço de Wood, ela seria obrigada a vê-lo e encarar a culpa cara-a-cara. Definitivamente não queria ir.

— Hum... Por que vocês não vão e eu espero aqui? — sugeriu Evangeline, desconfortável.

— O que foi? Tem medo da Pomfrey? — zombou Jorge.

— A Sonserina acabou de trucidar a Grifinória no quadribol, literalmente. Seria super mal uma aluna da Sonserina aparecer lá, não acham?

— Não. — negaram.

— Na verdade, eu acho exatamente o contrário. Além disso, vai ser bem rápido, só queremos fazer Olívio rir um pouco. — acrescentou Fred. — Ele está um pouco insuportável, se culpando. Bem chato.

Era só o que faltava, Olívio Wood estava se culpando. Quando a culpa era DELA. Definitivamente não chegaria nem perto de Wood, pensou em ficar na entrada, despercebida e camuflada. Não havia um feitiço que fazia isso?

Eles logo chegaram até a ala hospitalar, os três alunos da equipe de quadribol estavam lá, conforme Flint informou. Evangeline tentou seguir a estratégia e ficar na entrada, estava tudo indo bem até Carlinhos a notar.

— Evangeline! — acenou Carlinhos.

Olívio estava carrancudo na cama, e olhou de lado para a garota. Tentou disfarçar o mal-humor.

— Ah, e aí? — cumprimentou Wood.

Evangeline se aproximou lentamente e acenou, desviando o olhar.

— Isso mostra que nem todos os sonserinos são babacas... — comentou Olívio com irritação, mas ao mesmo tempo parecia menos pior que antes.

— Verdade, Evangeline é só babaquinha. — disse Fred.

Evangeline deu um soco nas costas dele, o que o fez reclamar um pouco ao mesmo tempo em que ria. Carlinhos e Olívio também acabaram rindo um pouco.

— Não sou eu que trago um penico para o amigo acidentado. — Evangeline cruzou os braços.

— Penico? Foi ideia do Fred, né? — Carlinhos perguntou conformado, Jorge concordou com a cabeça.

— Não é penico, é um assento. E eu sou cheio de grandes ideias. — Fred colocou o assento de vaso no pé da cama de Wood. Olívio olhou diretamente para o assento, tentando entender, mas achou graça depois.

Carlinhos, Fred e Jorge foram conversar com os outros alunos da Grifinória, basicamente deixando Evangeline e Olívio do outro lado. Evangeline se recusava a manter contato visual com o bruxo. Um silêncio constrangedor dominou a área.

— A culpa é sua, sabia? — comentou Wood.

Evangeline arregalou os olhos, como ele descobriu? Será que Flint contou? Aquele idiota do Flint não consegue ficar quieto?

— Como? — se fez de desentendida, tentou disfarçar a irritação misturada com o pânico, mas a voz acabou saindo trêmula.

— É, não me desejou boa sorte. Nada legal.

Evangeline respirou fundo, aliviada.

— Do jeito que eu atraio coisas boas, se eu tivesse te desejado boa sorte é mais provável que estivesse aqui com os dois braços quebrados. — zombou.

Olívio achou graça.

— Foi legal, você ter vindo de qualquer forma. — Olívio desviou o olhar.

— Doeu muito? — Evangeline examinava de longe o braço do garoto.

— Um pouco. Eu não sei se você sabe, mas o Flint tem sangue de trasgo, então ele é naturalmente forte. — Olívio deu um sorriso torto.

Evangeline riu.

— Feijõezinhos? — Olívio ofereceu com o braço bom.

— Por que não? Estava mesmo com vontade de comer sabão hoje.

Olívio riu e pegou um vermelho, Evangeline pegou um branco manchado. Ambos fizeram uma careta ao comerem.

— Ovo podre, eca eca... — Evangeline bebeu um pouco da água que estava ao lado da cama.

— Argh... Minhoca, eu acho... — ele roubou o copo de Evangeline e bebeu o resto da água.

— Foi mal roubar sua água, mas era questão de vida ou morte. Sabe como é. — Evangeline coçou a cabeça sem graça.

— Sem problemas, acho bem compreensível. Estava jurando que pegaria o de cereja.

— A vida não é justa, ah... Eu preciso te contar uma coisa... — a garota precisava se livrar daquele sentimento, precisava falar para Olívio sobre o que tinha feito.

Ele a odiaria pra sempre é claro, mas ela conseguiria viver com isso, certo? Era só um grifinório, ele nem era tão legal assim. Fora estúpido com ela na primeira vez que se viram, mas ele ofereceu feijõezinhos de todos os sabores. Não é o doce mais amigável do mundo, mas isso foi legal mesmo assim. Além disso, Wood se culparia pelo resto da vida se a bruxa não falasse nada.

Olívio a observava esperando a conclusão da frase, quando Madame Pomfrey arrastou Evangeline, Fred e Jorge para fora da ala. Carlinhos tentou se despedir, mas era tarde. Evangeline queria agradecer, mas ao mesmo tempo estava incomodada por não concluir o raciocínio.

— Ela sempre faz isso... — reclamou Jorge. — Pelo menos você animou o Olívio. — completou enquanto olhava para a bruxa.

— Tá, certo, certo. — Evangeline voltou a postura de sempre. — Me digam logo, onde está a chave? E o que vocês vão ganhar com isso?

— Por que acha isso? Estou extremamente ofendido, Evangeline. — Fred fez drama, Jorge riu.

— Vocês não possuem outro motivo para me ajudar. — a garota colocou as mãos na cintura.

— Claro que temos. — falaram em conjunto e também colocaram a mão na cintura.

Evangeline revirou os olhos, até mentir eles mentiam igual.

— Mas precisamos ter certeza antes. — disse Fred.

— Como assim? — perguntou confusa.

— Seção reservada, é claro! — Jorge concluiu entusiasmado.

Notas finais
Vocês possuem teorias? Ships? Me digam aaaa O que acharam?