Notas iniciais
Eu demorei a escrever esse capítulo por causa da patinação artística(amo),desculpe a demora.Nesse cap eu pensei nossa....-. (desculpem os erros ortográficos, me avisem por favor) Você pode ver a personalidade dela quase toda nesse cap :3 Obrigado por lerem

O celular de Alais tocava constantemente e com o brilho da tela era possível ver um pequeno coelho branco como capa de fundo. Haviam muitas mensagens, desde "Feliz aniversário" até mesmo convites para festas. Ela era uma pessoa requisitada, uma típica garota de ouro, ótimas notas, ótima aparência, e ótimos modos. Uma típica e perfeita garota "A+", não fazia muito esforço para conseguir o que queria, pois mesmo não tendo, ela já tinha.

Alais dirigia em direção a cidade, distraída com seus pensamentos em relação a faculdade, acelerando na estrada encoberta por árvores. Haviam curvas demais, mas isso não era algo que a atrapalhasse. Ela desceu a estrada estreita, aquele era o único caminho para chegar aquela cidade, e adentrou no túnel. O túnel era mal iluminado apenas com a luz fraca do sol que adentrava, mas Alais ignorou isso e apenas continuou a dirigir acendendo os faróis do carro. Era possível ver o final do túnel não muito distante, e isso fez Alais acelerar o carro animada. Ela não devia estar a alguns metros de distância do sol lá fora, quando viu um carro parado a sua frente bloqueando seu caminho.

– Merda... — Ela disse baixinho. Alais buzinou fortemente a espera de que o dono do carro saísse de seu caminho, mas não houve nada. Ela continuou buzinando fortemente durante dez segundos, e cansada de esperar apenas manobrou o carro para a outra pista, Alais acelerou o carro na pista vazia, estava prestes a sair do túnel quando ouviu uma voz.

A voz era masculina, jovem e sedutora, fazia Alais lembrar-se do ex-namorado. A voz levemente rouca, cantava uma versão triste de "Happy Birthday To You", o que fez Alais abaixar o vidro do carro e rapidamente procurar pelo dono daquela voz. Poderia ser pura coincidência ou talvez um de seus amigos a estivesse pregando uma peça. Ela diminuiu a velocidade do carro para quase mínima.

– Ei! Você do carro! — Ela gritou pondo o rosto para fora do carro, pois era o único além dela que se encontrava no túnel.

– Eu estou aqui. — Alais ouviu por suas costas, e girou no banco do carro em busca da voz. No banco traseiro de seu carro havia um homem de cabelos brancos e olhos totalmente negros. Alais reprimiu uma exclamação de surpresa, e apenas o olhou friamente.

– Saia do meu carro. O que quer que você seja. — Disse com desgosto. O homem pareceu se divertir com a ousadia da garota soltando uma leve risada, então apoiou seu rosto em suas mãos de unhas pontudas.

– Eu não vou sair, até que você venha comigo. — Falou tirando o sorriso do rosto, e irritando ainda mais Alais.

– Eu devo ser perfeita demais, e agora até mesmo o demônio quer minha alma. — Disse para si mesma revirando os olhos e acelerando o carro para fora do túnel.

– Hã-hãn... — Negou o estranho, girando a mão direita com um delicado movimento do pulso. Então não havia mais estrada, nem mesmo sol, o túnel havia ficado em uma escuridão tremenda. Alais freou o carro bruscamente, a fazendo bater sua cabeça no volante. Seu ódio era quase palpável.

– Apena saia do meu carro... — Ela disse tremendo se virando para a aberração, não por medo e sim por raiva.

– Ooh... Eu lamento. Dizer que não lamento, veja! — Ele esticou os braços levemente verdes, e tocou na testa de Alais com sua unha pontuda. — Você está sangrando. Deve doer não? Um belo rosto como o seu não deveria ter machucados. — Ele dizia contornando o rosto de Alais delicadamente com seus dedos. — Que belos olhos, dourado escuro. Que linda boca, e que queixo perfeito. — Rapidamente ele estava com as mãos no pescoço de Alais, como se fosse enforca-la. — Você tem um pescoço bem longo... — Alais não podia dizer se ele olhava seu rosto ou seu corpo, aqueles olhos vítreos e negros não lhe diziam nada.

– O que você quer? — Alais perguntou com um gosto ruim na boca,algo naquele homem a deixava levemente impotente, ela queria mata-lo.

– Eu tenho algo para você, um desejo em especial. — Disse soltando seu pescoço, e acariciando seus cabelos lisos e negros. Alais abriu a boca para protestar o toque daquele estranho, mas ele a calou com um movimento dos dedos polegar e indicador, como se a estivesse esmagando mentalmente. — Neiphrite, a bruxa, pode lhe conceder um desejo. Apenas me diga o que você quer. — Ele disse rompendo o feitiço e monopolizando novamente os lábios de Alais com seus dedos.

– Eu quero que você morra. — Sussurrou fria. Uma fagulha de decepção passou pelo rosto do desconhecido. Ele não estava abalado muito menos chocado, apenas vazio.

– Eu sou um desgosto tão grande assim? É uma pena, mas eu não posso realizar seu desejo, nem mesmo se eu quisesse. — Ele disse isso, e se encostou no banco traseiro se afastando de Alais, ele murmurou algo e então o carro começou a chacoalhar violentamente. Sombras corriam pelo vidro do carro.

– O que você está fazendo?! — Alais gritou furiosa. E ele a encarou sem dizer nada. — Filho da puta! — Ela o xingou e se esticou sobre o banco da frente agarrando sua camisa, e o puxou arranhando seu peito com o movimento. — Que merda é essa?! — Ela rosnou e partiu com suas mãos para seu pescoço. Sombras entravam pela janela aberta.

– Eles apenas vieram nós buscar. — O homem ria e parecia alegre com qualquer coisa inútil. Alais estava esgotada, em poucos segundos com aquele homem ela nunca sentira tamanho ódio antes. Ela apertou as mãos, com o desejo de sufoca-lo até ver seu olhos saírem.

E então de repente, ele não estava mais lá. Alais não sabia o que havia acontecido, em um segundo ela estava em seu carro, e agora se encontrava acima de uma ponte. Ela conhecia aquela ponte muito bem. Era o Canal du Midi que ficava no interior da França, sua antiga casa.

– Por que você vinha aqui Alais? — Era uma voz feminina, com um forte sotaque que Alais pensou ser russo. Ela estava a sua frente, apoiada na pequena parede ponte.

– Você é a bruxa? — Perguntou levantando o rosto. E isso não causou nenhum impacto na mulher de cabelos grisalhos e olhos cor de ouro. Ela parecia ter trinta anos.

– Sim. E você deveria responder minha pergunta. — Ela disse mansa e Alais viu que poderia tentar conversar com aquela mulher.

– Eu vinha aqui com minha avó. — Respondeu encarando o lago. E a bruxa não perguntou mais nada, apenas ficou em silêncio. — Aquele homem me disse que você realizaria meu desejo. — Disse recordando do monstro com uma pontada de ódio. — Ele mentiu?

– Não, Haydan não mentiu para você. E por alguma razão acho que ele não faria isso. — Suas últimas frases foram ditas de forma venenosa, e isso fez com que Alais notasse as escamas transparente que haviam na pele daquela mulher. — Diga, o que você quer. — Perguntou encarando-a.

– Eu... — Alais nunca havia realmente pensado no que queria, ela só tinha em mente uma coisa. Ter poder. — Eu quero ser alguém importante, ter uma empresa, domínio. Algo que valha minha atenção. — Ela disse com um brilho forte nos olhos.

– O que você me daria em troca? — A bruxa perguntou analisando os próprios braços. E Alais hesitou um pouco, mas respondeu confiante.

– Você pode ter meu irmão como seu escravo. — A bruxa arregalou os olhos e olhou para Alais como se houvesse engolido algo ruim.

– Megalomaníaca. — A bruxa falou baixo, mas Alais ouviu.

– O que? O-o que disse? — Alais perguntou, com um leve riso nervoso.

– Mega-lo-maníaca. — Soletrou passando as mãos no cabelo grisalho.

– Eu não sou, megalomaníaca. — Alais respondeu, pondo as mãos na cintura, e cortando a si mesma com as unhas afiadas. — Retire o que disse. — Disse cuidadosa, mas sem medo daquela criatura. A mulher agora parecia hedionda, suas escamas tinham pontas vermelhas e seus olhos cor de lama.

– Quem é você? — Ela perguntou fria. — Quem você pensa que é? — Seu tom de voz estava aumentando, e com isso a ponte tremia. — Você não é ninguém entendeu? — A bruxa dizia encarando Alais, mas parecia ter o pensamento longe dali.

– Ninguém? — Disse Alais perplexa. — Eu sou melhor que você! Eu posso ser mais poderosa que você! Posso fazer o que eu quiser, posso mandar em quem eu quiser! — Ela gritou, e os tremores foram diminuindo, a bruxa parecia desorientada. — Eu vou dizer o que quero, e você não vai me negar. Eu quero ser a melhor, a mais poderosa do mundo! — Ela berrou. E os tremores cesaram. — Você me ouviu? Realize meu desejo! Me obedeça! — Ela gritava.

E a bruxa obedeceu assustada. Com um leve movimento dos braços suas escamas se eriçaram levemente como penas, e Alais soube que agora era mais poderosa que aquela mulher. Talvez até mesmo mais importante.

– Eu tenho um último pedido. — Ela disse mesquinha.

– Eu não realizo dois desejos. — Respondeu calma.

– Mas vai. — Alais passou a mão pelo cabelo escorrido e longo, e soltou um riso de escárnio para a antiga bruxa. — Morra. — E sem nenhuma dificuldade com apenas o pensamento Alais foi engolida pelas sombras.

A ponte estava cheia, Alais estava sem o carro, celular ou qualquer coisa do tipo, sua única opção foi ir até sua antiga casa caminhando. Alais se sentia ótima, por mais que andasse quilômetros não se cansava nunca, sua respiração era sempre a mesma e agora ela quase não suava. Ela poderia dizer que era o clima da França, mas não era nada disso, ela se sentia poderosa, se sentia devastadora.

Chegando a sua antiga casa, ela estranhou o fato de ninguém ainda te-la comprado, aquela pequena casa parecia um ovo comparado a seu novo apartamento, os móveis continuavam no mesmo lugar, até mesmo os quadros tortos. Ninguém havia mexido em nada, apenas a camada de poeira era algo novo. Alais se aproximou do telefone antigo, ainda no estilo giratório, assoprou-o e o colocou próximo ao ouvido. Era possível ouvir o barulho da linha telefônica que ainda existia. Ela estava alegre, e sentia mais saudades daquele lugar do que havia imaginado.

Alais ficou naquele lugar durante um bom tempo, não foi difícil para ela conseguir emprego e uma nova faculdade ali. Ela se revesava entre a cidade e o campo, líder nata em qualquer área e situação, em qualquer lugar era essencial e era obrigatória no atual. Sabia mais do que qualquer um, e era a mais procurada, a mais protegida. Não seria de se estranhar se em alguns anos ela fosse nomeada presidente. Alais era com certeza a pessoa mais importante de toda a França. Até mesmo para políticos.

Era um domingo normal, e ela voltava de uma reunião qualquer. Dispensou os guarda-costas e entrou em casa tranquila como sempre fazia, ninguém poderia ameaça-la ali.

– Você deixou tudo isso quando foi embora. — A voz levemente rouca vinha de trás de Alais, ela se virou e viu aquela criatura asquerosa sentada em sua poltrona favorita. A poltrona vermelha de veludo estava intacta, sem poeira, ou marcas do tempo. Mesmo Alais nunca à tendo tocado desde que chegara ali. — Eu conservei tudo isso para você. Feliz aniversário, Alais. Novamente. — Alais estava surpresa e pela primeira vez assustada.

– Q-quem é você? O que é você? — Alais perguntou se afastando.

– Eu sou seu amigo Alais, você não lembra de mim? Você não lembra dessa casa? — Ele dizia aproximando-se.

– Fique longe! Fique longe de mim! — Gritou, e em segundos sombras seguravam aqueles braços esverdeados. — Eu não sei quem é você. — Disse recompondo-se. — Mas eu quero que fique longe de mim, o mais longe que puder, morra se for possível. — Por alguma razão Alais não conseguia matá-lo. Havia algo naqueles olhos completamente negros que a prendiam.

– Você realmente, não lembra de mim? Você lembra do pelo branco? Dos olhos negros que você dizia serem o céu a noite? Não lembra de quantas vezes me desenhou e leu pra mim? Das orelhas que você adorava morder mesmo achando nojento? — Ele dizia cada frase, e ao final ria levemente como uma criança. Alais petrificou. Ela lembrava de todas as vezes que mordiscava a orelha do pequeno coelho, que chamava de Nora.

– Nora era fêmea. — Disse, achando ridícula a linha de pensamento daquele homem.

– Você acha que eu sou humano como você? Fui eu quem errei com você, eu quem a contaminou. Alais, eu posso ser o que eu quiser. Eu até mesmo posso significar qualquer coisa. — Ele dizia com um olhar, que Alais sabia ser de tristeza. — Não me deixe Alais, não faça isso. — Ele soluçava e engasgava nas próprias palavras. Alais não sabia o que pensar. Então ela viu as lágrimas, não eram água como os humanos choram, era vermelho, cor sangue. Alais sentiu um aperto no peito, ele parecia realmente triste. Então com toda gentileza, pensou em solta-lo e as cordas de sombras o deixaram ir, Haydan ou Nora, caiu sobre o piso de madeira e Alais o abraçou acariciando seus cabelos.

– Me desculpe... Me desculpe. — Ela soluçava levemente, não sabia por que chorava. Aquele não era seu coelho de verdade, era? Sim, com certeza era ele, apenas ele saberia seus segredos e sua paixão secreta por desenha-lo. Ela o abraçou forte, como se agora pudesse realmente amar alguém. — Eu vou ficar com você, não se preocupe. — Ela disse baixinho, deixando as lágrimas romperem por seus olhos.

– Ah Alais, eu que peço perdão. Você não achou que seria tão fácil assim, achou? — Haydan sussurrou, e lhe perfurou o peito com as unhas longas. Alais o encarou com os olhos arregalados, ela tossiu e sentiu o gosto de ferro. Ainda estava viva o suficiente para ver, a casa parecia derreter, os objetos deterioravam-se revelando um nada vermelho. — Não se preocupe, um coração ruim é um coração bom, mas é triste, por que morrer não é como nos filme não? — Ele disse com um olhar de pena.

– Filho da puta... Arras...Tarei...Seu corpo... Pa...ra...O inferno... Eu voltarei. — Ela tentava falar enquanto a camada de sangue escorria por sua boca e peito, o ar lhe custava a entrar por seus pulmões, Alais podia ver os seres obscuros que se formavam a seu redor, respirar doía e até mesmo falar era doloroso.

Então em um rápido movimento Haydan segurou o órgão vital, tão importante para os humanos e o arrancou de sua dona que caiu no chão de madeira em um baque sonoro. O coração de Alais ainda parecia tentar pulsar nas mão de Haydan.

– Parabéns Alais, agora tente não sujar a sala. — Falou jogando o coração para as sombras que o devoraram famintas e cercaram Alais, ainda famintos.

Notas finais
Uma coisa que deve ter ficado bem claro foi, "Filho da Puta" uashaushaus