A Bruxa da Noite
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
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Ano 600 a.C.
Vale do Riacho Escuro
- Sakura, acorde!
A menina se debateu na carroça e acordou assustada, olhou para o céu e viu que o sol estava quase se pondo. A mãe que guiava o cavalo preto pelas rédeas a fitava com atenção.
- Sonhei com ele novamente. – disse a garota de cabelos róseos sentando e olhando para a estrada a qual percorriam.
Mebuki respirou fundo e no intimo rezou para que chegassem logo à sua pequena cabana escondida nas entranhas da floresta.
- E o que sonhou desta vez minha princesa? – perguntou amavelmente tentando esconder a densa sensação de medo que vinha se aproximando dela há muitos dias.
- Ele me usava como sua mulher – disse a menina lentamente – só que agora havia algo diferente em seus olhos.
Mebuki olhou para a filha e notou que vincos se formaram em sua testa, a estrada ladeada por árvores e ervas se afunilava cada vez mais. Estavam perto de casa.
- O que havia em seus olhos?
- Sangue.
Ouviram um lamento vindo de longe, era doloroso e agoniante. Sakura sentiu todos os pelos do corpo ficarem de pé e Mebuki açoitou o cavalo para que andasse mais rápido.
- O que foi isso mãe?
- Aqui não Sakura, em casa.
Ela sabia que ele estava perto, uma fina camada de névoa começava a aparecer por entre as árvores e ela só estaria segura dentro da sua casa, com a porta bem fechada por um ferrolho de prata.
Avistaram a cabana coberta de musgo e Sakura se apressou a prender o cavalo e lhe dar feno. Vieram de uma viagem longa e estavam ambos cansados.
Ao entrar em casa Mebuki foi direto para sala, jogou seu dolorido corpo no sofá de palha e com um aceno fez as chamas da lareira se erguerem.
- Sakura, feche a porta e me dê um pouco daquela poção.
A menina obedeceu e logo sentou junto à mãe, acariciando lhe os cabelos que perdiam a cor.
- Ele está vindo não está?
A mulher assentiu enquanto bebericava o liquido quente. Sabia que por mais uma noite ele arranharia a porta tentando entrar, gritaria e lamentaria em alto e bom som fazendo todo seu corpo tremer de medo e de raiva.
- Mas você é a Bruxa da Noite! Todas as pessoas da Terra Média conhecem seu nome mãe, ele não se atreveria a nos enfrentar.
Mebuki sorriu e acariciou o rosto da filha.
- Querida, eu já não tenho a mesma força de outrora. Mas você, ah, você é mais forte do que eu jamais fui! E está tudo aqui dentro – disse ela tocando o peito da filha – você sabe o que tenho que fazer, ele levou seu pai, não vai te levar também.
Sakura engoliu em seco e assentiu, sabia que chegaria essa hora desde o pai fora morto na floresta. Sabia que a mãe estava fraca e mesmo sendo uma bruxa poderosa, lutar contra a sombra que vinha do Oeste a estava esgotando.
- Pegue os instrumentos. Rápido.
Sakura assentiu e foi até a cozinha, buscou uma velha taça de estanho, uma adaga de prata e água trazida pela mãe da Baía de Umbar, onde os Elfos moravam.
As duas sentaram no chão em frente à lareira e Mebuki despejou a água na taça, pegou a adaga de prata e fez três cortes profundos na palma da mão.
- Que a minha alma seja inundada pelas ondas benfeitoras do amor e da obscuridade que nascem em mim. Que eu seja submergida pela visão dos tempos antigos, quando a sabedoria sagrada banhava o mundo, e que me sejam dados a conhecer os segredos.
A mulher deixou o sangue passar para a taça e então pegou a mão da filha, fez três cortes e juntou o sangue das duas.
- Três é bom – disse olhando para Sakura.
- Três é forte. – respondeu a menina.
- Agora beba.
Sakura pegou a taça e bebeu todo o liquido, sentiu um calor dentro de si e viu a mãe ficar mais velha e cansada.
Ouviram um relincho assustado e o som o vento assoviar por entre as frestas da casa, um ar gelado tomou conta das duas e Mebuki soube que chegara a hora. Levantou buscando a força que ainda lhe restava.
- Quero que pegue o Eclipse vá para o norte – dizia a mulher enquanto andava pela cozinha pegando vários objetos e colocando em um saco de linho – siga a Grande Estrada, mas não ande no meio dela. Viaje só durante o dia e se esconda a noite, não confie em ninguém.
- E quem devo procurar?
A mulher se ajoelhou em frente à pequena filha de 13 anos admirando sua coragem.
- Mikoto Uchiha, eles vivem nas Colinas de Ferro. Só confie nela entendeu? Diga que há fogo saindo da Montanha Sombria, diga que ele voltou.
Com o sangue que ainda saia das mãos ela desenhou um pentagrama na testa da filha.
- Ele não poderá lhe ver até que saia dessa floresta. Vá minha filha, saia pelos fundos.
A menina abraçou forte a mãe e sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos.
- Eu amo você mãe.
- Eu também amo você minha querida, e estarei sempre aqui – disse colocando a mão no peito da filha – Agora vá.
Sakura pegou o saco que a mãe estendia e se esgueirou pela porta dos fundos enquanto Mebuki tirava o ferrolho da porta da frente, dando um passo adiante, pisou para além da soleira de sua cabana.
- Agora somos só nos dois, Madara.
De longe Sakura ouviu uma risada maléfica e um grito agonizante, sem olhar para trás cavalgou para longe dali, agora ela era a Bruxa da Noite.
Notas finais
Beijocas! :**
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