A Bruxa da Noite
13 Preludio
Notas iniciais
Preludio
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Colinas de ferro – cabeceira do Rio Anui
O dia amanhecia e a névoa noturna se dissipava aos poucos. Pedras e sacos de areia haviam sido empilhados formando uma grande barricada impedindo a passagem para o Norte, pois de um lado havia um grande paredão, do outro, água.
Itachi pouco dormira naqueles dias, junto de seu pai tentavam, dia após dia transformar aquela passagem em uma barreira impenetrável.
– Quem vem lá? – ouviu um dos guardas gritar acima da torre de observação feita de madeira e ferro.
Subiu-a para fitar os quatro cavaleiros que vinham em silencio. Postou um dedo acima do arco do soldado, deixando claro que ainda não podiam atacar.
Quando reconheceu o cabelo negro e pontudo típico dos Nara, sorriu. Finalmente eles haviam voltado.
– São nossos homens, deixe-os passar – ordenou descendo da torre.
O Uchiha mais velho esperou que os quatro deixassem seus cavalos para então ter com eles. Shikamaru foi o primeiro a falar.
– Itachi, esses são Gaara e Temari, do deserto.
Itachi os cumprimentou com firmeza.
– Já que estão aqui, suponho que teremos o apoio de Suna.
– Sim. Nosso exercito está caminhando em direção as fronteiras do Sul, posso lhe garantir que nenhum homem vivo passará por nossas terras. – afirmou Temari.
– Tenho confiança nos homens de Suna, são guerreiros extraordinários, já os vi em combate.
O elogio pareceu agradar Temari, que deixou um sorriso de canto escapar. Shikamaru revirou os olhos com impaciência, sabia que Itachi era um ótimo diplomata.
– Sei que estão cansados, melhor descansarem enquanto podem. Ino? – chamou atraindo a atenção da mesma.
– Sim?
– Farei que alguém lhe acompanhe até o castelo de ferro, meio dia de viajem. Ficará segura lá.
Ela assentiu e olhou para Gaara no mesmo instante, o mesmo apertou sua mão discretamente, deixando-a mais calma.
– Pode descansar antes.
Ela agradeceu e junto de Gaara e Temari, seguiu para a tenda que servia de cozinha.
– Está calmo demais – falou Shikamaru observando os homens retomarem seus afazeres. Muitos treinavam e afiavam espadas.
– Ele está preparando algo, que os deuses estejam ao nosso lado. – terminou Itachi em um sussurro.
Baía de Umbar
Naruto caminhava pelos corredores do grande salão observando os feridos sendo tratados quando recebeu a noticia: Sasuke havia voltado.
Correu afoito para ver o amigo e lhe recebeu com um grande abraço. Estranhou o ruivo de vestes estranhas ao lado da bruxa, mas Sasuke fez sinal para conversarem depois.
Sakura deu-lhes o melhor sorriso que conseguia no momento e seguiu Hinata para o interior do castelo.
– Você está bem? – perguntou a elfa ao fechar a porta do quarto separado para o descanso da bruxa.
– Um pouco cansada, encontramos magos na estrada – respondeu Sakura largando os pertences em cima da cama e suspirando.
– Magos? Isso é novo para nós! – exclamou a outra nitidamente surpresa.
– Para nós também. – falou Sakura cansada.
– Bom, vou te deixar tomar um banho.
– Organize o conselho para o meio dia, preciso descansar um pouco.
Hinata concordou e saiu deixando-a sozinha no aposento.
Sakura levantou e deixou que o vestido surrado caísse aos próprios pés. Notou que o corpo estava cheio de hematomas e arranhões.
Fitou a grande bacia de prata e agradeceu pela água morna. Deitou-se na mesma e deixou o corpo relaxar. Precisava daquele tempo.
(...)
– Como assim foram atacados por magos?
Sasuke estava parado junto a uma enorme janela fitando a montanha sombria. O clima estava estranho, ficando cada vez mais gelado, o que não era comum para a época.
Notou as pesadas nuvens negras que pareciam avançar consideravelmente rápido cobrindo o céu azul.
– E eu não pude fazer nada. Aquele bárbaro traidor ficou cuspindo na minha cara – virou-se para encara o amigo – mal espero pela chance de arrancar aquela cabeça.
– E declarar guerra contra Suna em meio ao outra guerra? Nem você é tão idiota assim Sasuke.
– Vou ter minha chance...
– Está querendo provar para Sasori que você pode matar tantos homens quanto ele?
Sasuke ia responder quando foi interrompido por um pigarro.
– Com sua licença, vim avisar que Sakura marcou uma reunião do conselho ao meio dia.
Naruto sorriu com a presença da elfa, não a vira após a batalha da floresta.
– Está tudo bem com você? – disse se aproximando.
– Está sim, e com você?
Ele apenas sorriu em resposta, pegou uma das mãos bem cuidadas da elfa e levou até os lábios, depositando um pequeno beijo.
– Cuide-se Naruto.
Girou o corpo para encarar o amigo e ficou ligeiramente constrangido ao vê-lo sorrindo em deboche.
– Uma elfa? Sabe como isso vai ser complicado?
– Sasuke, se sairmos vivos desta, nada será complicado.
E assim os dois permaneceram perdidos em seus próprios pensamentos.
Colinas de ferro – cabeceira do Rio Anui
Temari observava a movimentação ao seu redor, analisando tudo com muita calma.
Notou que a barricada possuía alguns pontos cegos, principalmente acima no paredão de pedras.
Saiu à procura de Itachi para falar sobre suas preocupações e o encontrou conversando com Shikamaru.
– Itachi, notei uns pontos cegos na barricada.
O Uchiha levantou a sobrancelha um pouco surpreso.
– Certo, e quais são?
Ela começou a falar, gesticulando e dando sugestões de como resolver cada problema. Quanto mais deixava claro seu conhecimento sobre táticas de guerrilha e armamento os dois homens ficavam mais surpresos. Shikamaru não pode deixar de olhar a mulher de Suna com outros olhos, afinal, ela não era como as outras.
– Levarei tudo que disse em consideração Temari, obrigada pela ajuda. – disse Itachi antes de pedir para se retirar.
Ela só concordou com a cabeça e então fitou o Nara.
– Suas mulheres não entendem de guerra?- perguntou em deboche pela visível surpresa dos homens
– Não, nossas mulheres entendem de cuidar de castelos e filhos.
Ela arqueou uma sobrancelha, o tom que ele usara não fora de acusação.
– Isso te incomoda?
Ele ergueu um pouco a cabeça para olhá-la com mais atenção.
– Sim, todas as mulheres deveriam entender de guerra.
Ela sorriu e se aproximou.
– Até que você é esperto Nara.
E saiu logo em seguida deixando-o com um meio sorriso no rosto.
Baia de Umbar
– Ela já deveria estar aqui. – murmurou Neji.
O conselho de guerra estava formado no salão principal, ali estavam reunidas as pessoas que comandavam os outros soldados.
Tenten permanecia muda ao lado de Neji e Hinata, Sasuke não conseguia deixar de fitar com irritação Sasori que se encontrava ao lado de Hiashi em uma conversa concentrada e Naruto fitava a porta a espera da bruxa.
Outros conselheiros do povo élfico permaneciam no recinto, os murmúrios eram ouvidos como um zunido constante e o clima tenso tomava conta do local.
– É estranho, Sakura não é de se atrasar – comentou Hinata alto o suficiente para que Sasuke escutasse.
O moreno levou os olhos para a elfa e levantou logo em seguida.
– Vou busca-la. – disse saindo a sala a passos firmes.
Ele caminhou rapidamente entre os grandes corredores cobertos por mármore claro. A casa dos elfos era de uma riqueza assustadora, e mesmo ele vindo de uma família tão poderosa não pode deixar de ficar impressionado pelas construções magnificas do povo da floresta.
Chegou até a ala mais afastada onde a bruxa estava, poucos elfos andavam pelo castelo, pois a guerra eminente fizera alguns atravessarem as terras ermas em busca de abrigo.
Bateu na porta de madeira e não obteve resposta. Experimentou forçar a fechadura e viu que a porta estava só encostada.
Entrou no quarto com cautela, tudo o que não queria era ser atacado por uma bruxa.
– Sakura?
Novamente não obteve resposta, então caminhou pelo grande cômodo ornado de cortinas e tapetes claros, até que a viu caída ao chão.
Correu até o lado do corpo desacordado e percebeu que havia uma grande bolha de sangue em sua boca.
– Sakura acorde! Sakura! – chamou quase em desespero a chacoalhando nos braços.
Lentamente ela abriu os olhos lacrimosos.
– Sasuke...
Ele gritou por ajuda, naquele momento não sabia o que fazer.
(...)
– Ela vai ficar bem – disse Hinata ao sair do quarto onde Sakura fora cuidada. Sasuke, Naruto e Sasori estavam na porta a esperas de noticias – Só estava muito fraca, agora está melhor, ela quer falar com você Sasuke.
Ele assentiu e passou pela porta, fechando-a logo em seguida. Para sua surpresa a encontrou de pé fitando a janela, ao longe se via a montanha sombria com suas nuvens negras.
– Está melhor.
Ela não se virou para encará-lo, então Sasuke caminhou para ficar lado a lado da bruxa.
– Lhe dei um susto não foi Uchiha – disse ela com um sorriso de canto.
– Deu sim, fico feliz que esteja melhor.
Sakura então virou para fita-lo. Não podia negar que a presença dele fazia coisas palpitarem em seu peito.
A roupa negra de soldado lhe caia perfeitamente bem, e ela se pegou o analisando por inteiro.
– Esse lugar me afeta mais do que qualquer outro.
– Umbar?
– Não – disse ela apontando com a cabeça para a montanha sombria – ele sabe que estou aqui, ele sente. Está fazendo magia negra, me quer fraca.
Ele postou a mão no ombro magro da mulher o que a fez encará-lo.
– Ele não vai te afetar mais, logo acabaremos com isso.
Sakura soltou um suspiro e sem pensar o abraçou forte. Ele, pego de surpresa pelo ato da bruxa levou segundos para assimilar o acontecido, para só depois devolver o aperto e a segurar forte.
– Está tudo bem – sussurrou contra a cabeleira rosa.
– Às vezes me sinto perdida... como se todo o poder do mundo não fosse o suficiente. Trocaria isso para ser uma pessoa comum, para ter minha família... Oh deus estou falando como uma fraca é isso que ele quer.
Sasuke então a afastou gentilmente e fitou os olhos úmidos por lágrimas que não caiam.
– Sakura isso não é ser fraco. Querer o contato com uma família não é fraqueza, é humano. Não deixe que ele lhe tire isso.
– Ele já me tirou tantas coisas...
– Agora nós tiraremos dele, você não está sozinha.
Ela deixou o ar sair dos pulmões e esquadrinhou o rosto pálido do homem a sua frente, era bonito como o mais belo dos deuses de outrora. Seus olhos se encontraram e o ar de repente ficou pesado.
Sasuke deslizou os dedos longos pelo rosto da mulher fazendo-a fechar os olhos para sentir o toque sutil. Então inclinou a cabeça para beijá-la.
Ficaram sentindo o gosto dos lábios um do outro por alguns segundos, até que Sakura desse abertura para algo mais intenso.
Quando o ar faltou ambos voltaram a se encarar, como que buscando entender o que sentiam. Foi a bruxa que quebrou o silencio.
– Sabe que não podemos fazer isso.
– Porque não? – a pergunta foi rápida e certeira.
– Estamos em uma guerra Sasuke, não sabemos se sairemos vivos daqui. Uma guerra não é lugar para romances.
– Você pensa demais Sakura – disse ele a puxando para outro beijo.
Ela enfiou os dedos nos cabelos negros e puxou com força, o gosto dele a atiçava e o calor do corpo grande a fazia tremer.
– Sakura!
Os dois se separaram rapidamente quando Hinata adentrou no quarto com pressa.
– O que aconteceu? – perguntou a bruxa notando o desespero da outra.
– Nossos batedores voltaram, o exercito do inimigo está vindo, e rápido.
– Quantos dias?
A elfa soltou uma risada nasal.
– Estarão aqui ao anoitecer.
– Ao anoitecer? Então estão viajando há muito tempo! Como não viram?
– Eles nos distraíram com a luta de ontem! Devem estar viajando durante o dia, mas orcs não costumam andar a luz do sol! Eu não entendo!
– Magia negra, ele deve ter feito horrores com essas criaturas. Estão mais rápidas e fortes...
– Temos que nos organizar.
A bruxa assentiu.
– Atacaremos a noite, cerque Umbar, ninguém pode entrar nessas terras. Há muita magia por aqui... seria um desastre caso o inimigo tomasse o local. Alguma noticia das colinas de ferro?
– Itachi cercou a cabeceira do Anuí.
– E meu povo cercou a fronteira do deserto – disse Sasori entrando no quarto.
Sakura o olhou e concordou com a cabeça.
– Ninguém passará pelo seu povo Sasori.
Ele cerrou os olhos.
– Não, ninguém. Mas temos que reforçar os homens aqui, não devemos deixa-los passar para o Norte.
– Meu irmão fechou a entrada para o Norte Sasori... – resmungou Sasuke encarando o bárbaro.
– Ele cercou uma estrada, acha mesmo que se perdermos aqui ele terá homens o suficiente para aguentar todo o exército de Madara? Não, aguentará por alguns dias, não mais que isso. Recebi um corvo de Temari, ela disse que são poucos os que guardam o Norte.
Sasuke bufou com raiva.
– Então não deixaremos os Orcs passarem.
– Hinata – disse Sakura chamando atenção para si – convoque a todos, temos que nos organizar.
– Acho que deveria ficar aqui – disse Sasuke para ela.
– O que? Está louco? Não mesmo, essa é a primeira batalha... eu preciso estar lá junto de todos.
– Acha que ele virá?
– Madara? Oh não, ele irá esperar...
– Esperar?
– Esperar que eu vá até ele. Agora vamos!
Todos concordaram e saíram às pressas, homens e elfos marchavam com precisão para as fronteiras da floresta, aquela noite seria banhada por sangue.
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