A Bruxa da Noite
14 Guerra
Notas iniciais
Baia de Umbar
Sasuke fitava ao longe os orcs marcharem com suas tochas e tambores. Eram milhares deles, e seus muros de pedra dificilmente aguentariam muito tempo.
Elfos formavam um escudo dourado logo abaixo dos homens, e os arqueiros se mantinham nos altos das torres.
Sakura estava ao seu lado. Os cabelos balançavam ao vento e o olhar estava fixado no horizonte.
– Não podemos deixa-los invadir a cidade dos elfos. – murmurou ela para Sasori.
– Não irão invadir. – ele respondeu encarando a malha negra que se aproximava.
O ar parecia cada vez mais rarefeito, difícil de respirar. Os homens que vieram de todos os povoados vizinhos possuíam um olhar amedrontado, e tentavam ficar atrás dos soldados treinados.
– Preparado? – perguntou Naruto se posicionando ao lado de Sasuke.
– Estou, e você?
– Matarei mais orcs que você Uchiha.
Sasuke sorriu de canto, sabia que era uma maneira do amigo dizer que estava tudo bem.
– Não perca as contas, eu não perdoarei.
Os tambores rugiram mais alto e agora a face dos inimigos podia ser vista. A primeira saraivada de flechas passou zunindo acima das cabeças atingindo os orcs direito no peito.
A guerra fora declarada.
Os orcs rugiram alto fazendo até o mais corajoso dos homens tremer, e assim tudo começou.
Os arqueiros tentavam impedir o maior numero de inimigos enquanto os soldados se preparavam para a luta corpo a corpo. Cordas foram jogadas, escadas foram levantadas e nem todas elas foram destruídas.
Em poucos minutos orcs subiam pelos grandes muros e o tinir das espadas pode ser ouvido. Sasuke lutava com maestria, sua espada perpassava com rapidez e agilidade toda criatura que seus braços alcançavam.
Mas ele sabia que não aguentariam muito tempo, sabia que aquele formigueiro de orcs os venceria pelo cansaço, então ele continuou até que seus braços não aguentassem mais.
Cabeceira do Rio Anui
Ino observou o cavalo selado a sua espera. A pequena mochila surrada que lhe acompanhara até Suna voltava tão vazia quanto fora.
Itachi fora gentil deixando que ficasse por mais algumas horas no local, mas ao receber as notícias de Umbar um clima pesado se instalou entre todos, e ela achou que era hora de partir.
Suspirou ao observar os homens andarem de um lado para o outro armando estratégias, Temari e Shikamaru estavam agora lado a lado de Itachi, armando uma melhor defesa para o Norte.
Nunca se sentira tão inútil, afinal, o que fizera até ali? Riu em deboche de sua própria desgraça, e quando viu o soldado que ficara incumbido de lhe levar até o grande castelo de pedra Uchiha se aproximar, sorriu resignada.
O homem a cumprimentou com um aceno e perguntou se estava pronta. Se estava pronta? Sim,estava. Afinal, não havia nada que a prendesse a lugar algum.
Quando se preparou para montar, ouviu a voz grave chamar seu nome. O coração apertou quando Gaara se aproximou.
– Ino, já vai partir.
Ela se afastou do cavalo indo em direção ao homem que vestia seus trajes de guerra.
– Gaara! – ela não aguentou e lhe deu um abraço forte.
O homem a apertou em seus braços fortes e aspirou o perfume singelo que saia dos cabelos louros.
– Não tenha medo, tudo vai ficar bem. – disse levantando o rosto pálido para encará-la.
– E se eles ganharem? – sussurrou como se aquelas palavras trouxessem os inimigos até ali.
– Eles não ganharão.
– Estão em maior número, ouvi Itachi dizendo...
– Você não conhece mesmo o poder de Sakura não é?
Ela negou com a cabeça.
– Nós vamos sobreviver, eu juro.
Ela sentiu os olhos arderem.
– Cuide-se.
Gaara assentiu e com carinho levou as mãos dela até os próprios lábios, depositando um beijo sutil.
Ela se afastou e voltou ao cavalo, porém, antes de montar sentiu o peito tremer. E se fosse a ultima vez que o visse? A guerra era cruel, ela bem podia saber disso.
Suspirou e antes que ele estivesse longe, correu.
– Gaara! – gritou esbaforida fazendo-o parar de caminhar.
Com força se jogou nos braços do homem e selou seus lábios em um beijo úmido pelas lágrimas que corriam de seus olhos.
Baia de Umbar
– Sakura! – ela não virou para encarar Sasori, sabia o que ele queria dizer.
As catapultas se aproximaram com bolas de fogo, seria o caos.
Ela revirou os olhos e sentiu o ar fazer cócegas em seu nariz, como uma droga que afeta lentamente o corpo.
Observou o chão pela murada, incontáveis metros de queda para milhares de orcs. Sorriu, e pulou.
– O que... – Sasuke vira a cena, e perdera completamente o controle. Correu empurrando homens e orcs até a base da murada. Sentiu o peito arfar quando a viu flutuando até o chão, como uma pena que dança na brisa leve de outono.
A bruxa caiu suavemente em meio aos muitos inimigos, postou as duas mãos na terra úmida e sussurrou.
– Terraeque parenti remissas nunc. Da mihi fortitudo vestra et noluistis!
Sentiu o corpo tremer e então, a terra debaixo das catapultas balançou. Ela sorriu em vitória quando buracos enormes se abriram puxando as estruturas para baixo e as engolindo.
Mas ela ainda estava sozinha, embaixo do muro.
Quando os orcs a cercaram, ela puxou a energia do ar. Feixes de luz vermelha como sangue cortavam todos ao meio, a poeira subia conforme eles avançavam para cima da bruxa, mas ela não parava por nenhum minuto.
Completamente concentrada ela sequer percebeu a aproximação de Sasori, que desceu ao seu encontro.
O bruxo girou o corpo para frear um dos orcs, o segurou pelo pescoço esmagando o mesmo com uma força brutal. A dança da morte continuou.
(...)
Hinata sentia o suor escorrer enquanto girava o braço rapidamente para alcançar as flechas na aljava de couro. Cada uma era atirada com rapidez, sempre atingindo o alvo.
“Mas são tantos” – pensou em seu inicio de desespero. Girou o corpo e viu Naruto lutando bravamente, era como se ele não cansasse, então, ela também não cansaria.
As pedras da muralha já haviam caído, agora eles estavam como em campo aberto e da força de cada um, dependeria suas vidas.
(...)
– Filho da pu... – gritou Naruto ao ser atingido em cheio por uma lâmina negra. A armadura forte recebeu todo o impacto e ele cambaleou para trás. Quando o orc veio em sua direção ele lhe deu uma cotovelada forte no rosto fazendo-o virar a cabeça para a direita, então o perfurou na base do pescoço com a lâmina prateada dos Uzumaki.
Naruto continuava lutando com garra, derrubava cada um que se pusesse em seu caminho, sem dó, sem piedade.
O corpo cansava e o braço latejava pelo peso da espada, Sasuke ao seu lado continuava concentrado em matar o maior número de orcs que podia, no menor tempo.
Ele então levantou os olhos para a massa negra, um pouco abaixo deles por conta do relevo local.
– Sasuke... – chamou alto para que o outro ouvisse.
O moreno balançou a cabeça para desgrudar os fios de cabelo do rosto e fitou o horizonte.
– Mas que droga! – urrou enquanto decepava a cabeça de um orc.
– Estão desviando! – gritou Naruto para que os aliados escutassem.
– Estão indo para o Norte! – respondeu Sasuke.
(...)
– Sakura!
– Eu já vi! – gritou ela de volta para Sasori.
Não era difícil entender a estratégia de Madara. Um grande grupo de orcs os atacavam, enquanto outro descia pela grande estrada até o Norte. Ele queria tudo.
– Não vamos dar conta dos dois grupos! – continuou Sasori à sua esquerda.
Ambos usavam magia para ajudar os aliados. A bruxa dominava todos os elementos básicos, os atacando com fogo, água, ar e terra.
Sasori era um bruxo antigo, vindo e criado a moda dos magos de outrora. Suas técnicas um pouco mais rudimentares e sombrias do que Sakura admitia eram feitas com sangue. E ali havia muito sangue.
– Itachi dará conta – disse ela se abaixando para desviar de um punhal. Girou o corpo enquanto mantinha uma perna esticada e o orc teve o corpo despedaçado em pleno ar.
“Ele quer voltar para o Norte” pensou ela.
Então aconteceu.
Sakura foi arremessada ao ar e lá ficou em um transe. Seus olhos não viam mais a guerra, e sim o homem de longos cabelos negros e espetados.
– Quantas vidas deverão ser ceifadas para que você aceite se unir a mim?
Ela cerrou os olhos tentando se libertar do feitiço.
– Vamos Sakura, juntos poderemos fazer coisas inimagináveis nesta terra esquecida por Deus.
Ela retorceu o pescoço e a nuvem que cobria seus olhos passara, mas ela ainda estava no ar. Seus olhos esquadrinharam o campo de batalha e notou que muitos olhavam para cima assustados, Sasori mantinha o rosto com feições trancadas, estava murmurando alguma coisa.
Então ela viu a cena que fez seu coração aquecer. Sasuke cobrindo toda a retaguarda do bruxo, não deixando que o mesmo fosse atingido enquanto lutava com suas magias para puxar Sakura de volta.
Madara sorriu em sua mente.
– Ficou quente quando olhou para ele... Sasuke em, um Uchiha. Parece que os destinos de nossa linhagem estão entrelaçados ó poderosa bruxa da noite.
Ela sentiu uma dor aguda na costela e soube que naquele momento estava sangrando.
– E se eu mata-lo?
Sakura apertou os dentes. Seu interior gritava e ardia como fogo, ela não era fraca e não ficaria a mercê de um simples feitiço ilusório.
Recuperando o movimento dos seus membros girou o corpo no ar, ficando frente a frente com a imagem de Madara que só ela via.
Sorriu malignamente para o homem.
– Eu beberei o seu sangue todinho Madara, gota, por gota.
E então sentiu-se sendo puxada com força para baixo.
(...)
Sasuke estava no limite físico e emocional. Quando vira Sakura cair em uma velocidade absurda do céu, achou que suas pernas falhariam, mas não o fizeram.
Correu até a mulher e juntos caíram no chão, diminuindo o impacto com o mesmo.
Ela estava sangrando, mas não parou. Saiu de seu colo com um olhar de puro ódio, ele viu sombras ali, sombras e sangue.
Após aquilo o que aconteceu foi assustador. Sakura caminhou lentamente até o centro do campo de batalha junto de Sasori. Mordeu o próprio pulso deixando sangue escorrer para o chão. O mago desenhou um enorme pentagrama na terra batida e de mãos dadas eles ficaram no meio do símbolo.
Ambos ergueram os braços e o que aconteceu em seguida foi brutal.
O som ensurdecedor de gritos de pânico e pavor invadiu o ouvido de todos. Sasuke sem se dar conta foi parar ao chão com as mãos apertando a cabeça com força.
O ar parecia retumbar a sua volta, a pressão no peito era tão forte que ele achou que partiria no meio.
Apertou os dentes com força, e quanto mais o fazia mais desesperado ficava. Achou que havia enlouquecido, então, tudo parou.
Trêmulo ele abriu os olhos e puxou o ar que agora voltara ao normal. Notou que todos os aliados ainda vivos faziam o mesmo que ele, observando tudo com medo e desconfiança.
A poeira da terra baixou, deixando a mostra os milhares de orcs caídos ao chão. As cabeças achatadas pelas próprias clavas, alguns com as próprias espadas enfiadas no peito.
Perto de si viu Naruto de quatro no chão vomitando a bile enquanto uma Hinata corria para ajuda-lo, ela própria parecia não conseguir controlar as pernas.
Então olhou para frente, onde estaria Sakura.
O coração gelou ao vê-la caída no chão como uma boneca de pano. O braço permanecia em uma curva embaixo do corpo, como se tivesse sido deslocado. Sasori estava sentado com uma mão apoiando a cabeça.
Sasuke então levantou com dificuldade e caminhou até eles. Ao se aproximar Sasori deu um grunhido que o fez parar.
– Espere – sussurrou enquanto com a palma da mão limpava um pedaço do símbolo – agora está desfeito.
Ele concordou com a cabeça e se aproximou da bruxa. Sakura estava com a boca coberta pelo próprio sangue, o liquido escorria pelo colo e pelo vestido imundo.
Notou que os cabelos perderam um pouco da cor, ficando um tanto mais pálidos, assim como a própria bruxa.
Com dificuldade a puxou para o próprio colo, limpando-lhe o sangue da face.
– Sakura? Sakura abra os olhos.
Ela remexeu os orbes embaixo das pálpebras até abri-los bem devagar.
– Precisamos ir para o Norte – sussurrou com a voz arrastada e rouca.
– Você precisa descansar. Está, está... – ele não conseguia continuar a frase ao vê-la naquele estado.
– Não Sasuke, precisamos ir para o Norte.
– Itachi os segurará por meio dia, após você descansar nós marcharemos.
– Ele está lá.
– Ele?
– Madara. Precisamos ir para o Norte.
A Grande Estrada
Tenten galopava com a velocidade do vento. Seus homens a seguiam com fervor açoitando os cavalos para que andassem mais rápido.
– A trilha dos orcs está fresca, vamos alcança-los antes de chegarem ao Norte! – gritou Neji que a acompanhada na mesma fúria.
A guerreira nórdica notara o desvio dos orcs, e sabendo que os homens que lutavam em Umbar não poderiam largar tudo para impedir as vis criaturas, chamou por Neji.
O elfo imediatamente entendera o plano, e com alguns guerreiros, homens e elfos eles se embrenharam na floresta até sair no alto da Grande Estrada.
Agora seguiam velozes para alcança-los, não estariam longe. Deveriam concordar que estes orcs corriam mais rápido do que qualquer outra raça conhecida, Neji sabia que se tratava de magia negra.
Se não conseguissem tirá-los da rota, ao menos os encurralariam ao chegarem no local estratégico de Itachi.
Eles precisavam correr.
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