A Bruxa da Noite

15 O despertar da alta magia


Notas iniciais
Boa tarde lindos e lindas! Aproveitem a leitura! Beijocas

Caminho para as Colinas de Ferro

Ino seguia em seu cavalo baio pensativa, e nem mesmo as pesadas gotas de chuva ou o tempo enegrecido a tiraram dos devaneios.

– Senhora Ino? – chamou o soldado.

– Senhorita – respondeu automaticamente – o que foi?

– Acho que devemos apressar o passo, aquelas nuvens negras não são normais.

Ela então se virou pela primeira vez desde que saíra do acampamento de Itachi. Notou o céu escuro e pesado, sentiu um arrepio.

Pensou em Gaara, pensou em Sakura, em Naruto, pensou na senhora Kushina que estava aflita a espera do filho e do marido. Será que somente ela, Ino Yamanaka seria um fardo sem utilidade?

Não, ela podia ajudar de uma forma diferente. E seguindo este pensamento a loura deu meia volta com seu cavalo e galopou de volta a toda velocidade.

O soldado gritou por ela em desespero, mas quando notou que a mulher não iria voltar, seguiu-a pelo mesmo caminho.

Baia de Umbar

Sasori observava a bruxa escorada em um pedregulho enquanto os mortos eram retirados do local, e os feridos levados às casas élficas a fim de receberem cuidados. Ela possuía um semblante nervoso, e ele sabia o porquê.

– Estamos perdendo tempo — ouviu-a dizer assim que se aproximou.

– Você precisa descansar.

– Terei tempo para descansar depois de encontrar todos mortos – cuspiu de volta.

– Iremos logo Sakura.

Ele levantou o rosto para fitar quem dizia aquela frase. Uchiha Sasuke.

Sentiu vontade de sorrir, o rapaz nem mesmo conseguia disfarçar o sentimento que nutria por Sakura, mas afinal, quem o faria? Ela era a mais bela criatura que vagava pela terra, e sua sede por sangue a deixava ainda mais interessante.

– Os homens estão prontos? – perguntou ela, agora em um tom mais gentil fitando Sasuke.

Ele assentiu estendendo uma mão para que ela levantasse.

A bruxa segurou firmemente e se pôs de pé. Queria ir o mais rápido possível para o Norte, queria encontra-lo de uma vez. Quando notou os poucos homens e elfos ainda de pé, ela suspirou.

– São poucos.

– Seriam menos se você não tivesse feito... aquilo.

Ela assentiu e caminhou até Hinata.

A elfa usava uma roupa leve prateada, sem as armaduras.

– Preciso de movimento – disse reparando no olhar curioso de Sakura.

– Certo, Naruto está bem?

– Ficou um pouco abalado, mas está sim. Todos prontos, é melhor seguirmos rápido.

Sakura concordou e procurou seu corcel negro. Hugin permanecia pousado nas crinas do mesmo e crocitou quando ela se aproximou.

– Achei que tivesse me abandonado.

O corvo voou para o ombro da bruxa, e assim todos se puseram a galope.

A Grande Estrada

Neji permanecia em silencio atrás do tronco de uma grande paineira, Tenten estava bem a sua frente, igualmente em silencio.

Os dois serviram de próprios batedores, pois Neji sabia que não seria tão fácil de aproximar da horda orc por trás.

Ele esticou a flecha e mirou na criatura negra que vagava com cautela analisando o local, ele havia achado as marcas que os dois guerreiros haviam esquecido de apagar.

Porém, antes que atingisse o orc, ouviu o grito de Tenten. Estavam cercados.

Ela interrompeu um golpe com a própria espada, sendo lançada para longe com a força aplicada. Ele recorreu às flechas as atirando rapidamente em meios aos gritos e palavras incoerentes.

Ouviu a corneta que a Mitsashi trazia junto a si ressonar alto, um aviso para os soldados que estava um pouco atrás. Rezou aos deuses que chegassem logo.

Tenten correu floresta adentro desviando das árvores largas no caminho, fugindo das lâminas negras dos três orcs que a seguiam.

– Desgraçados... – uivou abaixando o corpo e rasgando a perna de um deles. Ele urrou de dor e voltou à espada para baixo. A flecha de Neji o atingira antes que descesse a lâmina até o pescoço de Tenten, porém, ele sentiu o peito falhar quando viu outra lâmina atravessar-lhe o ombro.

Ela gritou com a dor lancinante e levou uma das mãos ao local ferido. O elfo lançou outra saraivada de flechas atingindo os dois restantes em cheio, e correu para a guerreira.

–Calma, vai ficar tudo bem.

Ela perdia muito sangue e ele não ousava tirar a lâmina enfiada na carne, podia causar uma hemorragia maior.

– Tire isso... queima.

Neji quis apertá-la entre os braços, ele sabia que queimava.

– Por favor...

Ouviram os gritos atrás de si, seus soldados haviam chego e teriam que dar conta dos orcs, porque ele faria de tudo para salvá-la.

Cabeceira do Rio Anui

Itachi e Fugaku observavam do alto da murada o exercito marchar. Temeu pelo irmão, assim como o homem ao seu lado temeu pelo filho.

Se a horda havia passado por Umbar, estariam todos mortos?

– Sasuke não está morto – respondeu Fugaku como se lendo seus pensamentos mais sombrios – ele virá. Dê a ordem Itachi.

O mais velho assentiu e olhou para seus homens, todos preparados para a batalha.

– Em guarda! Hoje provaremos o valor de nossas vidas para o Norte, hoje provaremos que somos dignos desta terra! – cuspiu as palavras segurando com força a espada – não iremos perecer diante do inimigo, não nos tornaremos escravos de suas fortalezas de fogo!

O urro dos soldados pode ser ouvido ao longe.

– Vão meus irmãos, vão e matem o maior número de orcs que conseguirem! Vão e honrem o Norte!

Ao som de trombetas e gritos os portões foram abertos. Milhares de homens montados em seus cavalos rumaram para a morte, e para a glória. Não deveriam deixar os inimigos se aproximarem na barricada, ela era fraca.

Itachi desembainhou a espada e seguiu em frente. Sentiu o braço ser puxado por Fugaku.

– Você fica meu filho.

– Não pai, um lorde deve lutar ao lado de seu povo, não se esconder atrás dele.

E assim rumou para o campo cercado de orcs.

A Grande Estrada

Sakura cavalgava com ferocidade, queria chegar logo, tinha pressa. Ao seu encalço vinham os demais homens e elfos açoitando suas montarias para lhes fazer correr mais depressa.

Ao chegarem no local onde houvera a pequena batalha entre Neji e Tenten contra os orcs, Hinata resolveu parar. Seu coração puro dizia que havia algo errado, e abandonando a comitiva ela entrou pela floresta, seguindo rastros e cheiros.

Sakura não reclamou, sabia que ela tinha que cuidar dos seus.

(...)

Sasuke sabia que a essa altura o sol deveria estar a pino, porém, as nuvens negras impediam que qualquer raio de luz quente adentrasse naquele campo. Ao chegarem à batalha encontraram um rastro de sangue e destruição.

A barricada feita por Itachi ainda prevalecia de pé, seus homens, porém, nem tanto.

Milhares jaziam mortos, com as entranhas espalhadas pela terra. Ele trincou os dentes de ódio.

A corneta dos elfos foi tocada e a luta, eminente.

Os orcs cercados viram-se ligeiramente perdidos, e os homens do Norte padeciam com um agradecimento no olhar, ao menos suas vidas poderiam durar mais tempo.

O tinir das espadas e os gritos de dor podiam ser ouvidos em longas distancias, os orcs lutavam com fervor tentando derrubar cada homem em seu caminho.

– Sasuke! – gritou Naruto indo de encontro do amigo e ficando de costas para ele – tente no pescoço, a armadura é fraca!

O moreno assentiu e juntos eles lutaram.

Naruto girava o corpo com leveza para atingir o flanco do inimigo, cortando-lhe a carne, causando-lhe dor.

Itachi na linha de frente dançava acima dos corpos, tinha um sorriso quase sádico quando avistou a bruxa deslizar até ele e torcer a cabeça de um orc com leveza.

– Está viva!

– Não acha que largaria essa terra tão fácil não é? – riu-se ela hipnotizando um dos orcs que atacava o primogênito dos Uchiha fazendo-lhe arrancar os próprios olhos a gritos.

– Você é terrível! – gritou ele enfiando a espada no peito de outro até a bainha, e depois retirando com um chute.

Ela sorriu e assim continuaram.

A Grande Estrada

Hinata corria pela mata deixando que os galhos cortassem seu rosto sem pena. Parou por um momento até regular a respiração, sentiu o ar denso, a terra úmida, as árvores que pareciam respirar. E então os encontrou.

Correu por uma trilha mal feita e desembocou em uma clareira pequena, onde o mato havia sido abaixado por pés.

– Neji! – gritou ao avistá-lo.

O primo estava debruçado por cima de um corpo, água e ervas amassadas estavam ao seu lado.

– Você nos achou. – disse ele em uma voz de quase suplica quando ela se agachou ao seu lado.

Tenten estava tão pálida quanto eles próprios, havia muito sangue saindo de sua armadura e ele tingia a grama em volta de rubro.

– O que aconteceu? – perguntou a elfa analisando o ferimento. A lâmina ainda estava enfiada na carne.

– Não demos conta, foi uma emboscada.

– Temos que tirar a lâmina.

– É uma lâmina negra, não temos como curá-la aqui!

A elfa pôs a mão no ombro do primo acalmando-o.

– Nós temos que tentar, ela não vai sobreviver até Umbar Neji, sabe disso.

E ele sabia.

– Eu faço isso – disse segurando a bainha do punhal.

Tenten que permanecia trêmula e falando coisas sem sentido deixou que a saliva escorresse pela boca quando ele puxou o punhal com força e precisão.

Os olhos turvos não focaram nenhum lugar, somente deliravam a procura de sombras.

Hinata postou a mão sobre e ferimento e desejou que Sakura estivesse ali, seria outra batalha dura.

Campo de batalha – Cabeceira do Rio Anui

Temari viria a ser apelidada de “O demônio louro” após aquela batalha, mas não viria, a saber, de tal fato.

Cercada por uma dúzia de orcs, a mulher do deserto sorriu em escárnio.

– Não deveriam ter saído de suas tocas – disse docemente ao puxar de suas mangas largas dois longos fios de prata.

Os orcs avançaram e ela abaixou o corpo, com uma perna esticada e a outra flexionada fez os fios dançarem no ar, arrancando a cabeça do primeiro. Girou o braço e os fios cortaram as pernas grosseiras de mais três.

Rapidamente eles foram reduzidos a pedaços no chão.

(...)

Ino roía as unhas impaciente. Sabia que todos que amava de alguma forma estavam do outro lado da murada, e ela nada podia fazer com as espadas, porém, ao ver o primeiro soldado ser carregado ainda com vida, mas muito machucado portão adentro tratou de trabalhar.

Se havia uma coisa que Ino Yamanaka sabia fazer bem, era curar as pessoas.

(...)

Sakura observou o campo por cima, seus cabelos voavam com a brisa fria que vinha das terras nórdicas.

Os homens haviam tomado espaço e matado muitos orcs, estes agora estavam em minoria. Sorriu, estavam salvos!

Então Sasori parou ao seu lado, o olhar fixado em um ponto além, ela o acompanhou e os viu.

– Deuses... – murmurou ao ver a cena.

Diante dos milhares de mortos, dos homens que lutavam bravamente e dos elfos cinco figuras encapuzadas seguiam deslizando, como se seus pés não tocassem o chão. Uma névoa fina começou a cobrir o local deixando o ar mais gelado do que o normal.

Atrás dos magos vinha Uchiha Madara.

– Eu acabo com eles Sakura.

– Não, o Madara é meu. – disse firmemente.

Sasori concordou com a cabeça, mordeu com força o próprio braço deixando o sangue escorrer. Quando o liquido caiu na terra os magos foram atingidos com toda força.

Sakura ficou parada esperando que o homem viesse a seu encontro. E ele veio, calma e lentamente. Os passos precisos e o sorriso amargo no rosto deixaram-na com mais raiva do que julgou ser possível sentir.

– Escolheu o lado mais difícil... minha bela bruxa.

– Não, você escolheu a bruxa errada para brincar – e com isso ela balançou os braços no ar. Ele foi atingido em cheio pelo feitiço silencioso.

– Sua... maldita, como ousa? – e com a mão aberta lançou um encantamento contra ela. Sakura foi atirada com força para trás, porém antes que se corpo atingisse o chão ela murmurou um contra feitiço e flutuou até a terra batida.

Os dois se encararam para então recomeçarem como realmente dois grandes bruxos lutam, aquela batalha ficaria cravada no coração de todos os homens da terra média.

(...)

Itachi se desvencilhou dos orcs que o cercavam. As criaturas fediam e de seus corpos um liquido gosmento saia deixando-o imundo.

– Seus porcos – gritou ao empurrar a espada nas estranhas de um deles – sujando a minha terra com sua imundice!

Ele chutou com força o orc preso a sua espada fazendo-a sair da carne negra, girou o corpo para a esquerda e impedindo que outro golpe caísse sob si mesmo.

Enquanto segurava a espada do inimigo outro se aproximou por trás, então o Uchiha abaixou o corpo cortando as pernas do segundo, depois tirou um punhal preso à bota e enfiou na garganta do outro. Rápido e preciso, como fora treinado.

Os longos cabelos se encontravam desfiados e sujos, o corpo pedia por misericórdia, mas ele não podia parar.

Itachi era conhecido por suas nobres habilidades com a espada e não deixaria seu povo cair tão facilmente.

Derrubou um, dois, três, tantos orcs que perdeu a conta. E quando os homens traidores de seu sangue vieram, ele também os matou, sem dó nem piedade.

Então sua luta foi interrompida pelo clarão no céu, o barulho foi ensurdecedor. Levantou os olhos como todos ali, e naquele momento as espadas ficaram esquecidas.

Contra o negro do céu duas figuras despejavam sua magia, uma contra a outra, e ele viu Sasuke correr para mais perto. Nada de bom viria daquilo.

(...)

Sasori havia derrubado dois deles, mas estava fraco. O sangue que lhe restava não podia ser usado, e usar o sangue do inimigo era perigoso. Precisava de Sakura ali para guia-lo, porém, ela estava em sua própria batalha.

Sentiu o corpo arder quando recebeu a maldição de um dos magos, gritou de dor e sentiu os membros falharem.

– Malditos – grunhiu junto ao sangue que saia da própria boca.

Buscou o resto de energia que ainda possuía e despejou contra o terceiro mago. Ele ricocheteou no ar para então cair por terra, porém, levantou como se nada tivesse acontecido.

O mago do deserto então levantou com dificuldade e fitou os homens que seriam seus algozes, ele morreria, mas morreria lutando.

(...)

A bruxa sentiu o corpo tremer fortemente com a descarga que recebeu. O vestido já se encontrava em trapos e as mãos levemente queimadas, mas ela não desistiria.

Em sua mente a única coisa que importava era o homem a sua frente, o homem que mataria.

Porém Madara não era fraco, sua magia impregnada de dor e ódio a atingiram em cheio, e Sakura sofreu.

Os encantamentos e feitiços eram rebatidos com violência e o céu ficava iluminado pela energia liberada. Ela criava escudos que eram rapidamente destruídos, as maldições o atingiam mais eram postas ao chão tão rápido quanto os olhos negros demostravam dor.

Enquanto pensava na próxima investida ela sentiu o corpo ser puxado com força. A pele frágil rasgara com as agulhas escondidas no ar e então ela se viu frente a frente com ele.

– Tão bela – murmurou o homem a segurando com força pelos cabelos – tão poderosa... e tão burra.

Com um soco em seu rosto Sakura fora jogada por metros de distancia. O corpo caiu sob a terra criando uma cratera no lugar e deixando a bruxa gravemente ferida.

Sasuke arregalou os olhos quando a vira cair como uma boneca de pano e correu ao seu encontro, mas antes que chegasse perto da mulher a vira levantar, e flutuar para cima.

Ele não viu os orcs se aproximarem, não ouviu o barulho das espadas cortando o ar, apenas sentiu a carne queimar, e quando olhou para baixo já sem ar, viu o sangue em suas roupas negras.

Itachi gritou pelo irmão que olhava para as próprias mãos cobertas pelo liquido rubro. O orc chutara Sasuke com força fazendo com ele caísse de joelhos no chão poeirento.

Sakura observava atônita o homem a quem sentia coisas inexplicáveis cair coberto pelo próprio sangue, viu o corpo se tornar pálido e sem vida.

Então fechou os punhos e se virou ainda no ar para encarar Madara. O homem sustentou o peso do olhar da bruxa, que trincou o maxilar com força.

Naquele momento, todas as criaturas sob a terra temeram.

Notas finais
Quem morre e quem vive? :o veremos no proximo cap! ahhahahaha