A Bruxa da Noite
16 A bruxa da noite
Notas iniciais
Sasori sentiu o sangue sair pela boca, mesmo assim sorriu. Após uma luta pesada ele finalmente conseguira varrer da terra os magos negros.
Seu corpo sentiu todo o impacto da magia utilizada e caiu pelo chão empoeirado, não tinha mais forças para lutar.
Ele sempre soube que a magia negra cobrava seu preço, o uso do sangue para tal ato era um dos maiores crimes que se podia cometer, pois ele utilizada o fluido vivo para praticar seus feitiços. Porém, mesmo com todo o risco ele seguiu a tradição de seu pai, e do pai de seu pai, assumiu o título de Rei dos Bárbaros e foi pela magia negra que seu povo vivera protegido por tantos anos.
Arfou em busca do ar que não vinha, as mãos chamuscadas doíam, mas a dor era sua velha amiga, ele a acolheu de bom grado.
– Sasori, meu Rei.
Ele escutou a voz arfante de Gaara e viu o vulto do velho amigo pelos olhos já esbranquiçados.
– Gaara, sabe o que tem que fazer.
– Nunca! Vou levar-lhe até Ino, ela é uma boa curandeira.
– Curandeiros não vão poder me salvar agora, faça.
– Não Sasori, eu não posso.
– Não tenho herdeiros Gaara – sua voz falhava a cada palavra – é uma ordem.
Gaara engoliu em seco o pedido de seu rei, olhou para o homem mutilado e soube que não havia volta.
– Mas eu nunca fiz...
– Mas já me viu fazer milhares de vezes.
Magia negra.
Gaara então puxou seu punhal de prata e segurou a mão que seu mestre estendia. Fez três profundos cortes até que o sangue fluísse, em sua própria mão fez o mesmo, e com força juntou as duas.
– Três é bom – disse Sasori apertando-a.
– Três é forte. – respondeu Gaara sentindo-se invadir de sensações nunca imaginadas.
– Sugue tudo o que há Gaara.
E assim ele o fez, como vira o próprio Sasori fazendo milhares de vezes com o seus inimigos. Sugou toda a energia, sugou a ultima migalha de vida, porém, não antes de escutar.
– Agora você é o Rei de Suna.
(...)
Naruto tentou segurar Itachi, mas este lhe deu um soco logo abaixo do ventre e saiu correndo atrás do irmão.
Sasuke encontrava-se ainda de joelhos, as mãos que seguravam o ferimento estavam tingidas de vermelho. Sua vida se esvaia, ele podia sentir.
Itachi apunhalou com ferocidade o orc que ferira Sasuke para então se prostrar ao lado dele.
– Sasuke, me escute.
– Irmão... – gemeu ele deixando o corpo tombar.
– Naruto! – gritou Itachi em fúria, o outro corria ao encontro dos dois enquanto se esquivava dos inimigos que ainda preenchiam o campo.
– Ele está ... bem? – perguntou Naruto arfante ao se ajoelhar perto do amigo.
– Não, ele vai morrer Naruto, precisamos tirar ele daqui! Agora! – gritou Itachi levantando o irmão como um velho saco de batatas e o jogando por cima do ombro.
– Vamos leva-lo para o forte, consegue chegar lá? – perguntou o loiro afoito.
– Me dê cobertura – gritou Itachi enquanto corria com o irmão no ombro – e aguente Sasuke.
(...)
Hinata derramava o pequeno conteúdo de óleo por cima da ferida aberta, Tenten grunhiu ao toque.
– Rápido Hinata... – sussurrou Neji segurando o corpo da guerreira.
– Vamos lá, é a única chance dela.
Ele sabia que era. Então esperou a elfa postar uma das mãos no ferimento, e a outra na testa de Tenten, fechou seus olhos e começou.
– Munus nostrum devinctus tribulatione animae tuae. Dic agedum nobis. Dic agedum nobis. Dic agedum nobis! *
A mulher se retorceu embaixo das mãos fortes de Neji, que orava para todos os deuses que a salvassem, e assim o lamento continuou.
(...)
Sakura recebeu a descarga elétrica antes que conseguir ataca-lo, e por repetidas vezes foi atingida por feitiços letais.
Sua magia rebatia-os, porém, seu corpo rasgava a cada murmúrio designado aquele homem.
A luta continuou de forma que os céus brilhavam e os estrondos eram ensurdecedores, ninguém esqueceria aquela batalha.
Sasuke.
Sim, Sasuke. A cada descarga, a cada fagulha de dor, ou a cada gota de sangue ela lembrava que ele estava caído em algum lugar lá embaixo, precisando dela.
E eu dele.
Agora não podia negar, queria viver, queria salvá-lo.
– Ele vai morrer Sakura... morrer! – gritou Madara lançando todo seu ódio para a bruxa.
Porém, desta vez foi diferente.
Sakura sentiu uma energia fluir de dentro de suas entranhas, o corpo inteiro retumbava ao receber as fagulhas vindas do seu interior. Seus cabelos antes róseos perderam a cor e um brilho branco se instalou no mesmo, os fios levantaram em torno da mulher dando a impressão de milhares de raios em sua cabeça.
Então ela cravou seus orbes brancos nele. E todos no campo de batalha pararam com o sentimento de medo que invadia suas mentes.
Ela ergueu os braços no ar, seus dedos tomavam uma forma diferente, como agulhas contra o céu, e então, um costurado de raios brilhou na escuridão. O silencio só foi cortado quando Sakura apontou uma das mãos para Madara e sussurrou morbidamente:
– Die iam damnati! **
Todos os raios caiam no homem, que tremeu sob a descarga. Antes que pudesse se recuperar engoliu um grito de horror, pois aquela criatura estava bem a sua frente, a milímetros de seu corpo.
– Então essa... é a bruxa da noite – disse com a voz sôfrega.
Sakura fechou a mão direita em forma de pinça e a enfiou com toda força na barriga do bruxo, ele urrou de dor e tentou escapar, mas outra mão forte o segurou pelo ombro.
– Minha mãe, meu pai e minha família – dizia ela enquanto subia a mão por dentro do tronco dele – um a um você os matou.
Ele tentou respirar, mas o pulmão encharcado de sangue só o fez se engasgar com o mesmo.
– Não vai mata-lo – então ela segurou o coração pulsante – mas beberei seu sangue.
E com força o retirou do corpo, que caiu dos céus como uma velha pena que desliza a brisa suave.
Os homens, elfos e orcs pararam para ver a destruição daquele que por eras aterrorizou a Terra Média.
Sakura levantou o coração negro à altura dos olhos e o mordeu com força, o sangue escorreu pelo rosto e corpo, a transformando em uma criatura assustadora no céu. Ela bebeu todo o sangue do órgão, até que este ficasse murcho, então, todos os orcs viraram pó.
(...)
– Ela voltou! – gritou Hinata sentindo a pulsação de Tenten voltar ao normal.
A elfa se encontrava coberta por grama e terra, seus cabelos desalinhados e as mãos cansadas demonstravam o quão dura fora aquela batalha, mas ao ver os olhos do primo se fecharem em um pequeno agradecimento, soube que havia valido a pena.
– Obrigada Hinata – disse ele a fitando seriamente.
– Tenho que correr, a batalha...
Neji concordou com a cabeça vendo a elfa se levantar, um assovio doce percorreu toda a floresta e em poucos minutos um lustroso cavalo branco adentrou a clareira galopando.
– Tome cuidado.
– Tomarei.
E o atiçou para que corresse como o vento.
(...)
– Eu não vou conseguir – dizia Ino em desespero tentando fazer com que Sasuke se reanimasse – a lâmina estava envenenada!
A mulher coberta de suor se encontrava ajoelhada ao lado do Uchiha. Temari, Naruto, Gaara e Itachi os rodeavam também, o moreno mais velho estava em desespero.
– Por favor, Ino, continue tentando.
– Desculpe Itachi – disse ela deixando as lágrimas escorrerem junto do sangue seco acumulado pelos muitos soldados tratados.
– Ele não pode morrer! – gritou Itachi agarrando os próprios cabelos.
– Saiam da frente.
A voz cortante fez todos olharem a pessoa que adentrava na pequena tenta médica, Ino arfou com a visão e Naruto sentiu vontade de vomitar novamente.
– Pelos deuses... nós vencemos – sussurrou Temari ao ver Sakura coberta de sangue e com os cabelos completamente brancos.
– Meu irmão Sakura...
Ela se ajoelhou ao lado dele, sentiu o pulso fraco.
– Foi envenenado – disse Ino timidamente.
– Só há uma maneira de retirar o veneno – disse rasgando os panos que Ino usara para estancar o sangue do ferimento.
– Sakura você não possui uma serpente aqui, é perigoso – afirmou Temari dando um passo à frente, e Ino entendeu o que ela faria.
– Sakura, nós vimos o que aconteceu com aquela serpente... – sussurrou lembrando-se da cobra negra que se retorceu para morrer em paz.
– Eu não sou uma serpente, sou uma bruxa – e cravou os dentes no ferimento, sugando o veneno para o próprio corpo.
Shikamaru adentrou na tenda naquele momento, e sentiu a mão de Temari apertar com força a sua. Olhou para a mulher que parecia aflita.
– Ela está se matando...
Arregalou os olhos em entendimento e apertou a mão da mulher de forma afável, afinal, era uma escolha da própria bruxa.
Sakura continuou até senti-lo voltar, senti-lo respirar e então, deixou que seu corpo caísse na escuridão.
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