A Bruxa da Noite
17 Amor
Notas iniciais
Baia de Umbar
Sakura sentiu cada centímetro do corpo gritar, a dor a consumiu por tanto tempo que ela achou que se passara uma era inteira. Quando tudo parecia se esvair, o calor voltou a penetrar-lhe a carne, e as primeiras sombras de vida voltaram a percorrer sua alma.
Seus olhos remexeram em baixo das pálpebras forçando a fina película que os cobria, sentiu uma pontada até consegui-los abrir totalmente. Demorou a conseguir focar e a luz clara a machucou.
— Oh finalmente você acordou!
Ela reconhecia a voz, Mikoto Uchiha.
Esperou até que os tons pasteis ficassem visíveis e então fitou o contorno da mulher de cabelos negros e vestes azuis.
— Mikoto... – sua voz saiu rouca e arrastada, sentiu as entranhas arderem.
(...)
Sasuke estava analisando junto de Neji e de uma Tenten totalmente recuperada os estragos que aquela guerra lhes trouxera. Enquanto homens e elfos trabalhavam dia e noite para refazer a muralha entre a floresta, os chefes de suas casas discutiam qual a melhor forma de organizar tudo.
— Sasuke! – a voz esbaforida de Hinata chamou atenção pelo corredor de mármore. Ele nunca vira a elfa daquela forma, quase descomposta e com um sorriso gigante no rosto.
— O que aconteceu? – perguntou Tenten interessada.
— Sakura acordou!
(...)
Ele não se lembrava de nenhum outro momento na vida em que sentira tamanha emoção. Caminhou o mais rápido que as pernas lhe permitiam e que o bom senso deixava pelos aposentos até chegar à porta entreaberta.
Bateu de leve e ouviu o chamado da mãe, adentrou no cômodo ricamente iluminado com uma luz dourada e sentiu o peito falhar.
Lá estava ela, com vestes cor de pêssego, os longos cabelos já atingiam a cor rosada de outrora e os olhos brilhavam ao encará-lo.
— Vou deixa-los a sós – disse Mikoto polidamente com um sorriso no rosto, se despediu de Sakura com um aceno e deixou o cômodo em silencio.
Sasuke se aproximou da bruxa e ela sorriu o convidando a sentar na cama fofa.
— Como se sente? – perguntou a fitando.
— Bem, acho que dormir por muitos dias...
— Sete noites, tememos o pior.
— Sua mãe... ela ficou aqui o tempo inteiro? – perguntou incerta.
— Ficou, e eu também.
Sakura sorriu e tocou o braço dele.
— Acabou... tudo acabou.
— Acabou, e você salvou minha vida mais uma vez Sakura.
Os olhos se encararam por um tempo, até que ele se inclinou para beijá-la. Sakura o envolveu com os braços trêmulos e o puxou para mais perto. Gostou do cheiro que sentiu, gostou do toque da pele, gostou da respiração quente contra seu rosto.
Separaram-se por alguns minutos e ela deixou as mãos descansarem na face de Sasuke, as testas coladas e os olhos fechados. Ali ela soube que não podia mais fugir daquele homem.
— Quero caminhar um pouco...
Ele sorriu e se pôs de pé, estendeu a mão direita gentilmente, e com esquerda a auxiliou a sair da cama. Com dificuldade os pequenos pés descalços tocaram o tapete felpudo, ela sorriu ao sentir o calor e a maciez do mesmo, deixou que a pele se acostumasse antes de dar o primeiro passo.
Sasuke a abraçou pela cintura e juntos caminharam em silencio até a grande sacada do quarto. O sol dourado banhava as árvores, as flores, e deixava as gotas que caiam do pequeno riacho brilhosas, ela arfou com a visão.
— Acho que nunca vi algo tão belo.
— Você já esteve aqui antes...
— Não em tempos de paz.
Ela sentiu uma emoção tomar conta de seu ser, e quando notou que o braço de Sasuke ainda continuava lhe apoiando deixou que as lágrimas viessem. Ela chorou, chorou pela perda da mãe, pela vida solitária que tivera, chorou pelas mortes, e pelo medo que sentiu por tantos anos.
Sasuke a abraçou com força e deixou que aquela mulher soluçasse em seu peito, acariciou os cabelos secos e beijou o topo da cabeça rosada.
— Você está em paz agora. – sussurrou ele.
Ela sorriu ainda com a cabeça no peito daquele homem e o apertou com força.
— Estou, e você? – perguntou levantando os olhos até ele.
— Estou ao seu lado, é tudo que quero Sakura.
Mais um beijo doce tomou os lábios dos dois, e assim seria, até o fim dos tempos.
(...)
Suna
Gaara não aceitou que fizessem festividades para receber sua coroa. Não era por um motivo feliz que se tornara o Rei de Suna, então, após enterrarem o poderoso Sasori nas escaldantes areias do deserto, ele seguiu com Temari para a grande tenda.
Os empregados continuaram a lhe servir como sempre serviram, agora porém, com um respeito maior. Dispensou todos.
— Quando esse mau humor vai passar? – perguntou Temari servindo-se de um licor de hortelã.
— Não queria ser o Rei de Suna.
— Por quê?
— Por quê? Sasori está morto...
— E acreditou que você era tão poderoso quanto ele para assumir nosso povo – respondeu ela com tamanha certeza que o outro levantou o olhar para encará-la – e ela poderá ser tratada da melhor forma possível... como uma rainha.
— Ela? – perguntou corando ligeiramente.
— Ino virá para o deserto...
— Como sabe?
— Porque Shikamaru me prometeu que viria.
(...)
Baia de Umbar
A noite caiu com seu manto negro e o jantar estava sendo servido. Todos falavam e riam alto, uma atmosfera leve e sem sombras, contariam historias sobre aquela noite durante anos.
Hinata vestiu sua melhor túnica. Pérola e fios de ouro. Penteou os longos cabelos e os deixou livres como o vento.
Quando saiu de seu quarto encontrou Tenten parada junto à porta. Fitou a outra que parecia ligeiramente nervosa.
— Tenten? – perguntou com sua voz aveludada.
— Eu... gostaria de lhe falar.
Hinata então seguiu pelos grandes corredores de mármore enquanto a guerreira pigarreava.
— Não fui ensinada a agradecer. – disse parando em chofre – mas sei que é isso que deve ser feito. Obrigada Hinata Hyuuga, princesa do povo élfico.
— Não tem que agradecer, o sorriso nos lábios de meu primo é tudo que preciso.
A jovem guerreira fitou os próprios pés.
— Neji é um grande guerreiro – disse mais tímida do que jamais pensara que fosse ser.
Hinata então carinhosamente segurou as duas mãos geladas da outra e sorriu.
— E você é uma grande guerreira. Fico feliz por esta união.
— União? Mas, isso é impossível. – disse Tenten. Ela sabia que a união entre elfos e homens não era algo bem visto, duas raças completamente diferentes, como viver com um imortal ao seu lado?
— Hinata?
As duas viraram as cabeças na direção em que a voz de Naruto chamava. O louro estava parado vestido suas melhores vestes na cor vermelha e prata. Era um homem muito bonito.
Hinata sorriu abertamente e sussurrou para que só Tenten ouvisse:
— Nada é impossível para o amor Tenten. Coragem. – e saiu caminhando em direção a Naruto, que tomou seu braço em um gancho. Juntos caminharam para o grande salão.
(...)
Sasuke estava parado junto a uma coluna de mármore observando a mulher que terminava de ajeitar os longos fios rosados.
Ele usava um manto preto de veludo e calças da mesma cor. A cor de sua casa.
Sakura naquela noite vestia o tão conhecido vestido negro, as mangas em forma de sino escondiam um pouco a ponta dos dedos que ficaram estranhamente pontudos após aquela luta.
Ela virou o rosto lentamente e sorriu. Não como a mulher cheia de maldade e malicia que conhecera, mas como uma criança doce que recebeu um elogio.
— Sinto algo diferente aqui – disse tocando o próprio peito.
— Como o que?
— Como fogo.
— É ruim?
— Não – disse deixando o olhar se perder em pensamentos – é forte. É como se um poder queimasse em minhas veias.
E ele a via assim. Via uma enorme aura de fogo em torno daquela linda mulher.
— Temos que ir, todos estão lhe esperando.
Ela anuiu e juntos saíram do quarto.
O burburinho que vinha do grande salão era alto e animado, como nunca se vira na casa dos elfos, mas, todos tinham muito que comemorar, afinal, agora estavam em paz.
Todos se calaram quando a bruxa adentrou no recinto iluminado, o teto abobadado feito com vitrais transparentes deixava tudo mais bonito.
— Sakura – disse Fugaku Uchiha levantando do seu lugar, sendo assim acompanhado por todos os outros.
E então aconteceu algo que a surpreendeu. Todos se curvaram diante dela, e quando virou para o lado encontrou Sasuke também se curvando. Tocou em seu braço para impedir de fazê-lo.
— Não façam isso – disse numa voz alta e clara. Todos ergueram as costas para fita-la.
Sakura então suspirou fundo e deu um passo a frente, Sasuke permaneceu no mesmo lugar esperando o que viria a seguir.
— Por muitos anos eu desejei em meu intimo que toda a terra média se curvasse diante do nome que carrego. Eu quis que vocês sentissem medo, eu quis que o peso da minha aura escura os perturbasse durante a noite – ela fitou as mãos por um milésimo de segundo para voltar a levantar a cabeça – eu vivi naquela floresta a minha vida inteira, eu perdi todos que amava. Mas quando eu acordei depois da luta com Madara senti que algo havia mudado. Eu vi o mundo de outra forma, eu consegui ver as luzes desta casa, eu senti o perfume das flores que estão no quarto... eu sinto calor.
Hinata sentiu uma lágrima descer dos olhos perolados ao ver a grande bruxa da noite daquela forma.
— Não se curvem diante de mim, que esta seja uma nova era de novos ventos. Que todas as criaturas da Terra Média andem de cabeça erguida, lado a lado.
Naruto foi o primeiro que puxou uma palma solitária, e logo foi seguido por todos.
~~
A noite seguiu festiva, muita comida e bebida foram distribuídas, e daquela vez, os grandes senhores dos castelos sentaram-se junto de seu povo, dos guerreiros que ajudaram a salvar suas vidas.
Um brinde aos mortos também fora feito, pois todos mereciam ser lembrados.
Quando Sakura achou que estava na hora de se retirar sentiu uma mão delicada em seu ombro.
— Mikoto.
— Sakura, sei que está cansada, foi difícil conseguir sua atenção hoje – disse num sorriso gentil – mas preciso lhe falar algo.
— Cuidou de mim como uma mãe, nunca estarei cansada para a senhora.
Mikoto sorriu e esperou um instante antes de começar:
— Seu discurso foi lindo, sua mãe está orgulhosa da mulher que se tornou, tenho certeza.
— Espero que ela esteja.
— Mas minha querida – disse a mulher mais velha segurando gentilmente as mãos ainda queimadas da bruxa – não foi a luta com Madara que lhe fez ver o mundo de outra forma.
— Não entendo o que quer dizer...
— O amor Sakura, foi isso que abriu seus olhos para as luzes da casa, e seu belo nariz para o perfume das flores.
Sakura permaneceu parada tentando entender as palavras da matriarca dos Uchiha, até que ele apareceu no seu campo de visão. Os olhos que não se desviaram fizeram Mikoto sorrir e sair dali sem que Sakura percebesse.
Sasuke então se aproximou e lhe deu o braço.
— Tem que descansar.
Ela concordou com a cabeça e aceitou a gentileza a qual não era acostumada. Saíram sem alarde e foram até os aposentos da bruxa.
Sakura entrou e deixou que Sasuke a seguisse. As luzes das lamparinas a óleo dançavam na parede ricamente ornada e o vento doce e suave que entrava pelas grandes janelas refrescava o aposento.
Ela andou até a sacada e esperou pacientemente até que sentiu as mãos de Sasuke em seus ombros. Os dedos quentes desceram pelos braços cobertos pelo tecido pesado, mas mesmo assim ela sentiu o corpo arrepiar.
Suspirou ao sentir os lábios úmidos beijando a parte descoberta dos ombros, fechou os olhos com a pressão que ele fez em sua cintura e então virou-se para beijá-lo.
O beijo começou calmo, doce, mas o desejo aumentou como fogo em palha e quando deu por si, Sakura já estava com as mãos emaranhadas nos fios negros, puxando-o para mais perto.
— Sak...
— Shii... – disse ela com os olhos fechados.
Os lábios se encontraram novamente, Sasuke a enlaçou pela cintura e pressionou o corpo magro contra o seu. Sentia uma necessidade absurda daquela mulher, a queria tanto que chegava a doer.
Ela jogou a cabeça para trás quando ele começou a beijar-lhe a face e desceu para o pescoço. Os suspiros denunciavam como ela estava amando cada toque.
Sasuke se ajoelhou por um breve instante, e ainda olhando nos olhos da bruxa puxou a barra do vestido para cima, carregou o tecido até na altura da coxa para então levantar novamente.
Os olhares não se desviavam, mas quando ele apertou a coxa exposta com força, ela fechou os olhos em êxtase.
Os beijos eram intensos, cheios de desejo, vontade e saudade de algo que nunca sentiram antes. Sakura sentia algo dentro do peito explodir e Sasuke nunca achou que a pele pudesse arder tanto.
Quando ele levou uma mão mais ousada até o seio mediano da bruxa por cima da roupa, ela o parou.
— Aqui não... – disse em pedido sôfrego daqueles que tentam manter a sanidade.
— Por quê? Eu te quero tanto... – gemeu ele mordiscando o lóbulo direito dela.
— Ah pelos deuses... – gemeu ela se contorcendo – aqui não é minha casa.
— Sua casa? Quer voltar pras Colinas de Ferro agora? – continuou ele beijando o pescoço já vermelho.
— Não... quero voltar pro Vale do Riacho Escuro...
Ele parou, puxou o ar para os pulmões e encarou a bruxa.
— O vale? É um lugar inóspito agora...
— É o meu lar. E eu quero que você me ame lá – disse depositando um beijo nos lábios inchados dele.
— Vou amar você em qualquer lugar – respondeu ele a apertando novamente.
Ela o abraçou com força e sorriu. Iria voltar para casa agora.
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