A Bruxa da Noite
18 A velha cabana
Notas iniciais
Baia de Umbar
Sakura acordou antes do nascer do sol, gostava das sombras da noite e do ar gélido que a mesma transpirava. Saiu do quarto silenciosa como um espetro e cruzou toda a casa do senhor dos elfos.
Ali sempre havia uma musica ao fundo, fosse um lamento pelos mortos, ou um salve pela vida, e naquela noite ela não conseguira definir qual era, mas a figura que lhe esperava ao lado do cavalo negro tirava qualquer outra percepção.
— Sasuke. Achei que não acordaria.
— Você subestima minhas capacidades Sakura. – disse ele de bom humor.
Ela ouviu o crocitar e ergueu os olhos.
— Hugin! Oh pelos deuses!
O corvo negro pousou no ombro da bruxa e deu uma leve mordiscada no cabelo rosado.
— Está fedendo a carniça, já falei para não comer restos podres seu corvo teimoso.
Ele apenas a olhou de lado enquanto Sasuke ria silenciosamente.
— Vamos então? – perguntou montando no seu cavalo.
— Vamos – disse ela fazendo o mesmo.
E juntos saíram para ganhar o amanhecer.
...
Suna
Temari terminava de afiar sua adaga de prata quando ouviu o rebuliço vindo da grande tenda de Gaara. Pensou em ignorar as vozes e burburinhos quando ouviu a voz tão conhecida.
Sentiu o peito dar um pequeno aperto e se sentiu ridícula por aquilo, mas, não havia o que fazer.
Guardou a adaga e os demais apetrechos de usos suspeitos e se encaminhou para o local.
— O que está acontecendo? – perguntou a um dos criados.
— Temos convidados! O senhor Gaara está muito contente, pediu que trouxesse a água mais fresca do deserto para banhar sua senhora.
— Sua senhora? – ela levou meio segundo para assimilar – Shikamaru.
Entrou apressadamente na tenda e lá viu ele, parado com um olhar cheio de tédio para toda a criadagem que mimava a jovem loura de aparência assustada.
— Parem! Saiam de cima dela, parecem moscas no doce. – disse autoritária.
Os criados se afastaram rapidamente e Ino agradeceu com um aceno.
— Então aqui está o demônio loiro... – disse Shikamaru quando ela se aproximou de maneira hostil.
— Demônio loiro?
— Está sendo chamada assim após a guerra...
— Você demorou – disse ela cortando o assunto.
— Sentiu saudade?
Temari bufou e deu um passo a frente, agarrando o moreno pelo pescoço e selando um beijo que respondia a qualquer pergunta.
...
Vale do Riacho Escuro
Sakura e Sasuke atravessaram a fronteira da floresta dos elfos quando o sol jogava seus primeiros raios sob o mundo. Em silencio eles passaram do local acolhedor e quente para a floresta mais sombria e inóspita.
Sakura encontrou a velha trilha que agora, pelo desuso estava fechada por ervas e pequenos arbustos. Com algumas palavras as plantas murcharam dando passagem aos dois amantes que seguiam a procura da velha casa.
A floresta era fechada e fria, mas Sakura não se sentia amedrontada, e Sasuke também não. Caminharam até que a trilha se estreitou, fez uma curva e os olhos de Sakura se tornaram escuros pelas sombras do passado.
Hugin crocitou alto quando a velha e carcomida cabana apontou no fim da trilha. Sasuke permaneceu em silencio apenas observando a mulher que descia do cavalo e observava atentamente.
A construção de madeira estava inclinada para o chão, o tempo tratara de apodrecer as tábuas e a floresta já lançara seus galhos por elas. Tudo estava silencioso e calmo, e após dar pequenas volta no local, Sakura parou em frente ao velho batente da porta, se agachou por um momento e voltou a levantar. Sasuke achou que era hora de estar ao seu lado.
— Está tudo bem? – perguntou postando uma mão no ombro magro.
— Foi aqui que ela morreu.
— Não pense nas coisas do passado, você enterrou isso há alguns dias.
Ela suspirou e virou para encarar Sasuke.
Os cabelos negros caíram delicadamente pelo rosto branco, emoldurando a beleza que era somente dele.
— Vamos pensar no futuro – continuou ele puxando uma mexa do cabelo rosado – gostaria de morar aqui?
Os olhos dela brilharam diante de tal pergunta.
— Como?
Ele sorriu, pela primeira vez a bruxa da noite ficara sem palavras.
— É seu lar, podemos reformar esta cabana e viver aqui. Os elfos precisam de alguns homens por perto, e podemos monitorar a montanha sombria.
Sakura o abraçou com força, enterrando o rosto nas vestes negras. Sasuke a enlaçou pela cintura e a trouxe com mais vontade para perto de si. Queria faze-la feliz.
— Podemos transformar isso em um lar – sussurrou ela levantando o rosto e beijando o pescoço dele.
Sasuke fechou os olhos àquele toque e apertou mais e enlace.
— Nosso lar – sussurrou rouco de volta.
Ela suspirou e puxou os cabelos negros para si, tomando a boca com desejo. O beijo foi intenso, cheio de sentimentos e palavras não ditas, tirou o ar, o eixo do mundo e dos seus pensamentos. Ele era tudo que ela queria, e ela era tudo que ele precisava.
Sasuke a segurou pelos cabelos e puxou o rosto para trás, descendo pela pele alva e branca com beijos úmidos e cheios de desejo.
Sakura gemeu e fechou os olhos, queria senti-lo como um todo, queria mais do que qualquer outra coisa.
Deitaram-se sobre a grama fofa e verde, os corpos se encaixavam em um misto de desejo e amor. Tinham pressa, mas queriam que aquele momento fosse eterno.
Entre os beijos e as caricias quentes, palavras sem nexo eram ditas. Juras de amor eram feitas e pedidos suplicantes para que não parassem saiam roucos de suas gargantas.
Sasuke abriu lentamente as cordas que prendiam aquele vestido negro ao corpo de Sakura, como se olhá-la daquela forma, com a respiração ofegante fosse uma tortura maravilhosa de sofrer.
Bebeu aquela visão, bebeu cada curva e cada ponto do corpo dela. Deslizou lentamente os dedos pelo tronco arrepiado enquanto ela se curvava para cima, a fim de sentir mais aquelas mãos.
— Você é linda – arfou ele se entregando e voltando a beijá-la.
Ela gemeu entre o beijo e tratou de retirar as pesadas vestes que ele ainda usava. Cada peça foi retirada com calma, ela viu o ferimento que a espada do orc fizera, um ponto roxo agora já cicatrizado. Beijou o local como prova de seu amor.
Sasuke então a deitou novamente na grama, e com os lábios cheios de pressa beijou o colo, deixando rastros úmidos por onde passava. Ela o segurou com força pelos cabelos e gemeu sôfrega quando ele lhe tomou um dos seios.
Ele sugou com delicadeza, raspando os dentes logo em seguida, a fazendo delirar. Sakura o puxava mais para si, ficando entorpecida com o contato dos corpos quentes.
—Sas...
Ele gemeu alto com a mordida que ela lhe deu no ombro, entrando ainda mais em êxtase.
O peito de ambos ardia pelo sentimento que lhes tomava naquele momento, Sakura achou que poderia explodir com o amor que estava sentindo. Moldou-se no corpo nu dele em uma combinação que só cabia aos dois.
Sakura então empurrou Sasuke para baixo e se encaixou em sua cintura. Rebolou lentamente fazendo o homem fechar os olhos e gemer, e quando pensou que o prazer de sentir as intimidades perto uma da outra iria os enlouquecer, ele a penetrou.
Ela cavalgou lentamente enquanto ele deslizava as mãos pelo corpo nu, a pele quente dela, os gemidos e o rosto tomado pelo êxtase fizeram Sasuke delirar.
Sasuke cravou os dedos na carne macia dela, ajudando nos movimentos lentos e ritmados, suspirava e gemia quando ela contraia as coxas com força.
— Sakura... Ah Sakura...
Ela jogou o rosto para trás ao ouvir seu nome ser sussurrado daquela forma, era tudo que precisava no momento.
Serviram-se um do outro de diversas formas, ali na grama com o céu azul de testemunha e o som dos animais da floresta ao fundo.
Quando chegaram ao clímax, procuraram um ao outro novamente, e sentiram aquele prazer por incontáveis vezes naquela manhã.
Baia de Umbar
Tenten arrumava os poucos pertences que possuía, o cavalo já estava selado e a esperava junto dos outros guerreiros vindos de suas terras.
Despediu-se de Hinata, aquela que sempre ia lembrar com carinho, viu de longe Naruto treinando com alguns elfos e rumou pelos largos corredores vazios até a parte baixa daquele lindo vale.
Ouviu um barulho discreto, como um canto de pássaro. Virou o rosto para procurar a ave e sorriu ao ver o elfo tão belo, com seus longos cabelos castanhos caindo perfeitamente sob as vestes brancas.
— Neji.
— Iria embora sem ao menos se despedir?
— Não gosto de despedidas, são coisas que as fadas da floresta fazem. – disse ela tentando acalmar o pobre coração que palpitava a cada passo que ele dava, diminuindo o espaço entre ambos.
— Não me acha uma fada da floresta.
Ela sorriu e fitou os próprios pés.
— Não.
Neji segurou o queixo da guerreira e levantou aquele rosto até que seus olhos pudessem fitar os dela.
— Isto não é uma despedida.
Ela arregalou os olhos rapidamente e tocou a mão que tocava seu rosto.
— Como não?
— Acho que posso cortejar a filha do Senhor das Armas, eu já pedi a sua mão.
— O que? Ninguém pede a minha mão...eu ...
— Deixe-me fazer as coisas do jeito certo. Não quero ficar longe de você.
Ela pensou em opinar, mas o brilho dos olhos leitosos a venceu. Sorriu e se aproximou um passo.
— Não ficaremos longe então...
Ele sorriu e a beijou.
Vale do Riacho Escuro
— Já está escuro. – sussurrou Sasuke acariciando a pele levemente arrepiada pelo frio de Sakura.
Ela sorriu e o encarou.
— Não tenho medo do escuro Uchiha. Ele é meu amigo.
— Tenho mais medo de você do que do escuro. – disse ele fazendo a bruxa rir com vontade.
Ambos ainda jaziam deitados no chão da floresta, os corpos nus se encaixavam perfeitamente, como uma pintura feita pelo mais belo artista.
— Temos que ir, tenho que voltar ao Castelo de Ferro... tenho que organizar nossa festa.
— Nossa festa? – perguntou ela confusa.
— De casamento.
Sakura tentou ficar surpresa, mas riu como nunca havia feito antes.
— Nós vamos nos casar? Não sou uma nobre!
— É a mulher que amo. Isso basta.
— Vou ter que usar branco?
— Ficará linda de branco.
Ela sorriu e o abraçou com mais força. Tudo estava no lugar.
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