A Bruxa da Noite
7 O conselho se dispersa
Notas iniciais
O conselho se dispersa
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Ermos do Norte – Colina de Ferro
Sasuke se despedira dos pais e do irmão e logo alcançou a pequena caravana que viajaria até Suna. Cada um em um cavalo descansado e bem alimentado carregavam comida e água para a viagem, mas ele tinha a leve sensação de que não seria tão fácil assim.
Não sabia por que, mas a conversa que tivera com Sakura não o deixou nada confortável. Sasori de Suna havia sido seu homem? Em que período ele esquecera que não sabia absolutamente sobre ela? De uma forma ou de outra não gostou do que ouviu, Sasori era um bárbaro conhecido por suas chacinas, não o agradava a ideia de encontra-lo.
– É uma viagem de dez dias até Suna, minhas coxas vão ficar em carne viva até lá – reclamou Shikamaru.
– É uma viajem de cinco dias se forem pelo meu caminho – disse Sakura que ia puxando a caravana. Sasuke vinha logo atrás dela, mas esporeou o cavalo para que este ficasse lado a lado com o garanhão negro.
– Cinco dias? Qual o caminho? – perguntou ele.
Ela apontou com a cabeça para uma pequena cordilheira de montanhas.
– O vaú? Está louca Sakura, ninguém passa por lá.
– Está errado.
– Ninguém vivo passa por lá.
Ela riu pelo nariz.
– Sasuke, acho que tem ouvido muitas historias de horror. São apenas montanhas.
– É um cemitério. – o retrucou.
– E um cemitério pode salvar nossas vidas, além do mais, ganhamos cinco dias de viagem.
Ele não disse nada, apenas continuou cavalgando ao lado da bruxa.
***
A Grande Estrada
Naruto observava os elfos andando lentamente em seus cavalos brancos, admitia, aquilo o irritava um pouco. Não podiam ser mais rápidos? Deste jeito Sasuke chegaria primeiro a Suna do que eles na Baía de Umbar. Bufou inconformado.
– Algum problema Sor?
Ele girou a cabeça e encontrou a elfa que havia salvado seu pai, não pode deixar de perceber o quão linda era aquela criatura. A pele era branca e alva, sem nenhum sinal de envelhecimento ou manchas, os longos cabelos azulados eram lisos e caiam em uma cascata por cima da túnica turquesa que usava. Até as orelhas pontudas o deixaram extasiado.
– Ah, eu não sou cavaleiro ainda. – disse ele um pouco sem graça, porque Sasuke era, e ambos tinham a mesma idade.
Ela riu e fitou o caminho pedregoso a sua frente. A grande estrada ligava o Sul com o Norte, na altura do Descampado o rio Anuí nascia e era ali que Itachi pretendia montar sua barreira. Naruto sabia que depois daquele ponto estariam mais desprotegidos.
– Acha que não deveríamos andar pela estrada? – perguntou ela o tirando dos devaneios.
– Você pode ler pensamentos? – perguntou ele boquiaberto arrancando uma gargalhada baixa da elfa.
– Não senhor, apenas sei ler as expressões de um rosto preocupado.
– Ah, eu sou um tolo às vezes...
– Não diga isso, e, eu não sei o seu nome.
– Naruto Uzumaki, ao seu dispor senhorita?
– Hinata Hyuuga.
Ele sorriu e sentiu algo mexer em seu estomago quando ela lhe retribuiu o sorriso e esporeou o cavalo para frente, onde seu primo discutia com a guerreira Mitsashi.
“Talvez não seja uma viagem tão ruim assim” pensou ele quando Hinata virou o rosto e fez uma careta desajeitada ao ouvir a discussão. Ele não pode evitar o sorriso.
***
Caminho para Suna
O sol já se punha quando resolveram parar ao longo de uma encosta. Sakura os preveniu de uma cachoeira a alguns metros e acharam melhor passar a noite onde poderiam encontrar água fresca para se banhar e preparar algo para comer.
Shikamaru tomou conta dos cavalos os levando para pastar e Ino gemia inconscientemente a cada passo que dava.
– Você está bem? – perguntou a bruxa.
– Nunca passei tantas horas em um cavalo, minhas coxas estão doendo.
– Vou preparar uma poção, vai te ajudar a dormir bem.
– Obrigada Sakura.
A rosada apenas sorriu enquanto a loira sentava em meio aos pelegos que levaram. Logo Shikamaru voltara e juntos começavam a cortar alguns vegetais para fazer um caldo.
– Vou pegar lenha, precisa de alguma coisa? – ela ouviu Sasuke dizer.
– Não, vou me banhar e depois fazer uma poção para Ino.
– Ela está bem?
– Sente dor por ficar muito tempo montada.
– Você não sente?
Ela ia responder quando viu o riso tentando tomar conta daquele rosto belíssimo, bufou e girou o corpo para ir até a cachoeira.
– Tolo.
Sakura caminhou até o pequeno lago formado pela água empoçada da cachoeira, o barulho da correnteza do rio logo acima de suas cabeças a fez relaxar. Ouviu o crocitar de Hugin de longe e sorriu ao saber que ele estava por perto.
Retirou suas vestes deixando o vestido negro em uma pedra e adentrou na água quente. Gostava da primavera, era tudo quente e agradável, logo mergulhou e deixou seu corpo inteiro sentir a água doce limpando as impurezas da terra.
Sasuke juntou alguns galhos e antes de voltar ouviu o barulho de água, sabia que não deveria, mas não conseguiu evitar. Seguiu pela floresta até encontrar a cachoeira e, junto dela, um corpo branco e alvo se banhando.
Não soube por quando tempo olhou aqueles longos cabelos róseos grudados na pele, ou por quanto tempo ficou ouvindo-a cantarolar musicas dos tempos antigos. Ela era a mulher mais linda a qual seus olhos haviam pousado, não podia negar. Mas era uma bruxa, uma bruxa poderosa e que não demostrava ter afeição nenhuma por outras pessoas. Sentiu um calor subir pelo corpo e decidiu que era hora de voltar para junto dos outros.
Ele armou a fogueira e a olhava crepitar com seu pensamento longe. As curvas dela não saiam de seus pensamentos. A pele branca e iluminada pelo sol poente fazia seu interior agitar. Por mais centrado e controlado que fosse não podia ignorar o fato de Sakura parecer uma deusa.
O pensamento o fez balançar a cabeça que já estava nublada com imagens nada adequadas.
Respirou fundo erguendo a cabeça, como se estivesse magnetizado e logo a viu andando em passos leves com os cabelos molhados batendo contra o busto.
Apertou o maxilar olhando-a dos pés à cabeça e novamente desejou o corpo dela em suas mãos.
Sakura o encarou e foi assim que ele conseguiu desviar o olhar.
Amaldiçoou-se. Só poderia estar em um encanto, algum tipo de magia usada por aquela bruxa para desnorteá-lo e talvez tê-lo na mão.
– Está tudo bem? – perguntou ela sentando-se ao lado dele para poder se esquentar com o fogo.
– Está.
Ela deu de ombros e se pôs a preparar uma poção para curar as dores de Ino, enquanto isso a loira cozinhava os legumes com um pouco de carne seca. Após tudo pronto eles comeram o caldo com pão e beberam a poção para estarem bem no outro dia.
Sasuke resolveu ficar acordado no primeiro turno para vigiar o pequeno acampamento, mesmo estando na orla de uma floresta e fazendo uma fogueira um tanto quanto escondida sabiam que o inimigo tinha muitos espiões, tinham de ser cautelosos.
– Precisa descansar – disse ele quando Sakura voltou a sentar ao seu lado, ambos fitavam o fogo que lentamente ia se apagando.
– Consigo ficar dias sem dormir.
– Isso não esgota seus.. hm, poderes? – perguntou ele de forma incerta.
– Um pouco, mas acho que podemos nos dar a este luxo.
Sakura olhou de soslaio para o homem ao seu lado, não podia negar que era irremediavelmente bonito. O rosto com feições duras e sérias possuía olhos enigmáticos e a pele branca tinha um contraste perfeito com os cabelos negros e bagunçados. Notou que ele não falava muito na presença dos outros, por vezes era doce com ela, por outras era grosso e rude. Acreditou que aquele Uchiha era tão intenso e incerto como o futuro que não conseguia prever.
– Eu sinto muito pelas crianças. – disse ele após um longo silencio.
Sakura sentiu uma pontada de dor no peito, não havia parado para pensar em suas crianças, nem mesmo dera um funeral adequado àqueles corpinhos tão inocentes.
– Obrigada...
– Não pensei que você pudesse se apegar a pessoas.
Ela ergueu o rosto que antes fitava as brasas quase extintas da fogueira e encarou os orbes negros.
– Você também não me parece homem de se apegar.
Ele continuou sério observando o fogo. Estavam agora a quatro dias de viagem e ele sentia um incomodo ao saber que passaria tanto tempo ao lado dela.
– Talvez eu não seja. O que encontraremos no vaú? – perguntou fitando as montanhas escuras a sua frente.
– Mortos.
– Consegue lidar com eles?
– Consigo lidar com muitas coisas Sasuke – disse ela levantando – a propósito, posso lidar com seus olhos também, caso volte a espionar enquanto me banho.
Ele sentiu um frio na espinha, então ela havia percebido. Não disse nada enquanto ela caminhava até seus pelegos e descasava, somente deixou que diversos pensamentos cercassem sua mente.
***
A Grande Estrada
O cair da noite veio acompanhado de um gélido vento sul, fazendo com que o grupo agora formado por elfos e homens procurasse abrigo antes do desejado.
Com uma grande fogueira todos se aconchegaram aos poucos para fazer uma refeição rápida e logo descansarem seus corpos já doloridos pela longa cavalgada.
– Ele sempre tem essa cara? – perguntou Naruto sentando ao lado de Hinata.
Ela olhou para a direção onde o homem apontava com o rosto e sorriu.
– Neji? Ele está mal humorado.
– Por causa da Mitsashi?
– Acredito que sim. Neji sempre foi o melhor guerreiro do meu povo, ele se sentiu insultado ao ter que traze-la para treinar outros homens.
– Hum, entendo.
– Você também acha que mulheres não deveriam ser guerreiras?
– Meu pai foi salvo por uma mulher, porque eu pensaria isso?
Ela sorriu e abaixou a cabeça, em outro canto Neji bufava ruidosamente enquanto observava a mulher de cabelos castanhos afiar sua espada.
– Quer aprender a afiar uma lâmina? – perguntou ela sem levantar os olhos.
Ele pressionou o maxilar com raiva.
– Eu sei afiar uma lâmina – respondeu seco.
– Então pare de me olhar como uma fada da floresta e vá afiar a sua, eu vi que está um pouco cega.
– Está cega porque eu uso fechas.
Ela levantou o olhar e encarou os olhos perolados.
– Então será morto por quem usa uma espada afiada, quando suas fechas faltarem.
Ele permaneceu com o rosto serio e a expressão dura, por fim resolveu sair de perto da mulher e tentar descansar, mas não antes de notar o grande entrosamento de sua prima com o loiro extravagante.
***
Caminho para Suna
Sasuke acordou antes de o sol apontar nas colinas, precisava esfriar sua cabeça. A noite anterior foi mal dormida, mesmo quando seu turno foi substituído por Shikamaru, não conseguiu descansar.
Seguiu a trilha em direção à cachoeira e deixou seu rosto mergulhado na agua fria por alguns segundos.
– Está com uma cara péssima Uchiha.
Se ele se assustou, não demostrou e isso fez Sakura sorrir por dentro. Tinha que admitir que a visão do homem sem camisa e com os cabelos negros molhados era bem atraente.
– O que quer?
– Ino disse que o viu vindo para cá, bem, até noite estaremos no vaú...
– Disse que consegue lidar bem com isso – respondeu ele se virando para voltar junto dos outros.
Ela o segurou pelo braço e ambos sentiram um leve incomodo pelo toque, logo ela recolheu a mão e Sasuke parou para encará-la.
– O que você tem?
– Pressa. Já perdemos tempo demais aqui.
Ela concordou com a cabeça e o deixou ir, não entendeu a mudança súbita de humor do Uchiha, mas não o conhecia o suficiente para julgar o porquê daquilo. Depois de lavar o rosto voltou e encontrou todos já a esperando para seguir viagem.
– O que encontraremos em Suna? – perguntou Ino a acompanhando já que Sasuke e Shikamaru iam um pouco à frente observando os arredores.
– Não precisa ter medo deles.
– Como sabe que tenho senhora?
Sakura riu e olhou para a outra.
– Pare de me chamar de senhora, eu não sou velha!
Ambas riram e se puseram a conversar sobre diversos assuntos, até que Ino olhou para Sasuke que já usava sua malha de cavaleiro e suspirou.
Sakura arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto.
– Gosta dele? – perguntou fitando a outra de soslaio.
– E quem não gosta? Pelos dias que fiquei no castelo de pedra notei que metade das mulheres da vila o quer, e a outra metade quer o irmão.
Sakura gargalhou alto fazendo a outra acompanhar a risada.
– O que foi? – perguntou Ino desconfiada.
– Nunca os vi de tal forma.
– Não? Horas você não tem olhos?
– Há um tempo tinha olhos para um só homem. – disse com uma pontada de tristeza.
– Que homem?
– Sasori, Rei de Suna.
A loira levou uma mão à boca em sinal de medo.
– Eu ouvi falar dele! Dizem que é um bárbaro!
– Ele não é um bárbaro, é um mago.
– E porque não estão mais juntos?
– Às vezes o amor não é forte o suficiente para vencer a distancia. Sasori nunca aceitou que eu morasse nas terras Uchiha, embora nunca tenha me dito o porquê disso.
– Ainda gosta dele?
Sakura deu de ombros.
– Não o vejo desde o ultimo inverno, não sei quais serão meus sentimentos ao vê-lo.
– Espero que não sofra por isso.
– E você Ino, tem algum amor?
Ela fitou o lombo do cavalo malhado com tristeza.
– Não, e nem espero ter.
– Porque não?
– Eu não tenho mais nada Sakura, nenhum nobre vai querer casar comigo, homem como eles – disse apontando para Sasuke – só casam com herdeiras de grandes Casas.
Sakura não soube dizer o que a incomodou nas palavras de Ino, mas ao ver Sasuke olhando para trás e a fitando sentiu um calorzinho leve no ventre, porém, antes que pudesse pensar mais sobre o assunto Hugin pousou em seu ombro e crocitou, ela arregalou os olhos e esporeou o cavalo até ficar no meio dos dois homens.
– Temos que andar mais rápido, precisamos chegar ao vaú antes do anoitecer.
– Por quê? – perguntou Shikamaru com tédio.
Ela virou o rosto para Sasuke e sustentou aquele olhar frio.
– Teremos companhia.
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