Notas iniciais
Agradeço a todos que comentaram! obrigada gente!

O conselho

.

Ermos do Norte – Vale da Prata

– Dizem que ela anda pelos lugares ermos e sombrios à noite, procurando conhecimento para seus feitiços.

– Ela nunca sai durante o dia?

– Raramente, eu mesmo nunca a vi, mas posso jurar que em uma tarde de vento vi uma figura encapuzada cruzando o Anuí, indo em direção ao deserto de Suna!

A garota levou as mãos à boca.

– Será que era ela?

– Claro que era ninguém vai para Suna. Existem pessoas más lá.

– Naruto chega de assustar a menina com historias de bruxas! – ralhou a mulher entrando na cozinha onde o filho tagarelava com a recém-chegada.

– Ino precisa saber mãe!

– Ela acabou de ter uma perda terrível, assustá-la com historias assim não faz sentido. – continuou a mulher colocando algumas frutas e pão na mesa.

– Desculpe mãe...e Ino. – resmungou ele de mau humor.

– Seu pai mandou um mensageiro, vai haver um conselho no Castelo Uchiha e ele quer sua presença.

O jovem franziu o cenho.

– Algo o preocupa não é?

– Você sabe que sim, e, querem sua presença também minha querida – disse Kushina olhando para a moça a sua frente – precisa dizer o que viu para eles.

Ela assentiu prontamente.

– Eu direi.

– Quando será o conselho? – perguntou Naruto.

– Daqui seis dias, ao anoitecer. Vou arrumar tudo, pois atravessaremos o Anuí hoje à tardinha.

– Porque ir agora mãe? O Castelo Uchiha é meio dia daqui.

– Imagina quanto trabalho a Mikoto vai ter? Cozinhar para um bando de gente? Não, tenho que ir ajuda-la!

Ele concordou com a cabeça vendo sua mãe se afastar e sumir por uma porta de madeira.

– Sempre achei que as grandes senhoras dos castelos tivessem empregados para lhe servirem, sua mãe nos serviu agora, colocou pão na mesa como se fosse, como fosse gente como eu.

Naruto sorriu amavelmente.

– E é isso que faz dela a grande senhora do Castelo da Prata.

***

.

Ermos do Norte – Floresta Sombria

Sakura estava sentada em frente a sua lareira observando a dança das chamas. Os incensos acessos em todo o cômodo lhe levaram a um estado de torpor agradável. As palavras de Itachi e Sasuke Uchiha não lhe saiam da mente e sem perceber estava cravando suas longas unhas nas mãos.

Boatos Sakura, cavaleiros negros ao sul, fogo saindo da montanha, Orcs andando livremente e matando. Achamos que ele voltou.”

Ela sabia que ele não havia morrido, sabia que um dia retornaria e se preparara durante toda a vida para este momento, mas, até a Bruxa da Noite sentia medo.

Suspirou levantando do sofá, o vestido negro de veludo possuía o corselet bem justo ao corpo e as mangas eram em forma de sino. O pano arrastava no chão.

Abriu a porta da cabana antes que ele desse a primeira batida.

– Olá Sasuke.

Ele ficou parado por um minuto com a mão no ar.

– Como sabia que ...

– Hugin me avisou.

– Hugin?

Ela apenas olhou para um galho e Sasuke viu o corvo remexendo nas próprias asas.

– Como?

– Temos uma forte conexão, agora, o que faz aqui? – perguntou ela seca.

– Vim lhe trazer noticias, e antes que pergunte, meu irmão está ocupado com algumas questões diplomáticas, por isso não veio.

Ela ergueu uma sobrancelha e deu espaço para que o mesmo adentrasse na cabana, ao fazê-lo um uivo distante pode ser ouvido.

Sasuke olhou para a floresta e pareceu temeroso.

– Não há lobos nesta região. – disse sério.

– Não, entre logo. – disse ela fechando a porta e passando o ferrolho de prata na mesma.

– Está assustada? – perguntou ele vendo-a tremer momentaneamente.

– Não Uchiha, estou curiosa com a sua visita. Que noticias tem?

Ele caminhou pela pequena cozinha de pedra observando todos os pertences da bruxa.

– Convocamos um conselho para daqui seis dias.

– Conselho?

Ele parou em frente a ela, respirou fundo ao encarar a desconhecida.

– Um conselho sobre a Grande Sombra. Precisamos nos preparar e reunir informações.

– E querem que eu vá?

– Também, precisamos que você entre em contato com os elfos de Umbar, consegue?

Ela riu em deboche enquanto saia da cozinha, ele o seguia de perto.

– É claro que consigo.

Sasuke a acompanhou até uma pequena sala no andar superior. Estava apinhada de objetos estranhos: punhais, vidros com ervas e pós, caldeirões, taças, cartas em uma mesa e algo que ele concluiu como dentes humanos.

Em cima de um balcão de madeira havia uma gaiola de vidro com duas cobras negras enroladas, ele sentiu um mau agouro ao observá-las.

Sakura andou até um velho armário e de lá retirou algumas ervas e água. Misturou tudo em uma taça de prata e murmurou palavras indecifráveis aos ouvidos de Sasuke.

Ascendeu alguns incensos e puxou o pesado tapete que ficava no centro do cômodo.

– Certo, já que vai ver isso peço que não se assuste e, não me interrompa. Vai ser rápido.

Ele apenas concordou com a cabeça, estava curioso demais para conseguir conversar.

Ela então pegou um punhal e fez um corte profundo na palma da mão, o sangue fluiu com força e com a mão aberta ela desenhou um pentagrama no chão. De pé em meio ao símbolo Sakura bebeu todo o liquido da taça, sentiu um formigamento no corpo e disse em alto e bom som:

– Hinata, Baía de Umbar.

Sasuke deu um passo para trás quando ela deixou a taça cair em um baque seco. Os olhos dela se fecharam e os longos cabelos começaram a ser suspensos no ar. Sem saber o que fazer ele se lembrou das palavras dela e permaneceu quieto a olhar o corpo dela que se levantara alguns centímetros do chão.

Ele não podia acreditar, ela estava levitando!

***

.

Baía de Umbar – Terra dos Elfos

Hinata acabara de fazer seu desjejum com frutas e mel quando sentiu uma pontada forte em sua cabeça, levou a mão à mesma e então percebera o motivo das fisgadas.

Saiu do grande salão onde vários elfos comiam, sorriam e cantavam para comemorar a luz do dia e andou a passos largos até seus aposentos.

Não foi surpresa alguma quando viu o espectro da mulher de preto junto a sua janela.

– Sakura.

A outra sorriu.

– Hinata.

– O que está havendo?

– Haverá um conselho daqui seis dias nas Colinas de Ferro. Precisam do seu povo.

Hinata ergueu a cabeça e suspirou fundo.

– Meu povo irá.

***

Ermos do Norte – Floresta Sombria

Sasuke teve tempo de correr e segurar a bruxa no colo quando seu corpo arqueou no ar e caiu.

Lentamente ela abriu os olhos e murmurou:

– Isso é sempre desgastante. Preciso de chá.

Ele então a carregou até a cozinha onde serviu o chá que estava na chaleira em uma caneca de barro.

– Obrigada. – disse ela bebericando o liquido.

– O que aconteceu lá? – disse ele sentando em frente a ela.

– Transferi meu corpo espiritual até Umbar e conversei com a filha do Senhor dos Elfos, eles virão.

– Nunca confiei muito nos elfos... – murmurou ele.

Sakura sorriu fraca.

– Sabe Sasuke, o mundo é lugar estranho e ninguém confia em ninguém. Os elfos não confiam nos homens porque estes só pensam em ouro e prata. Os homens não confiam uns nos outros pelo mesmo motivo. Os bruxos não confiam nos homens porque estes tentam tirar proveito de nossas habilidades, e os homens não confiam nos bruxos porque tem medo.

– Os bruxos? Existem outros além de você? – perguntou ele interessado.

– Existe um clã isolado, conhecidos meus.

– Eu não sabia.

– Poucos sabem, eles são bárbaros. – disse ela tomando mais chá.

– O que você sabe sobre a Grande Sombra?

Ela tamborilou os dedos sob a mesa, Sasuke notou que as unhas dela mais pareciam garras.

– O nome dele é Madara. Não tenha medo de dizer...

– Nós não falamos o nome...

– Eu falo, minha mãe morreu por ele. – disse ela fria o olhando com convicção – bem, lembro-me das historias de meu pai, ele falava muito dos bruxos e bruxas de outrora, grandes feiticeiros que ficaram conhecidos por seus feitos. Alguns eram bons, outros não, e um dia todos sucumbiram ao poder de um mago negro. Este mago era tão terrível que as pessoas evitavam dizer seu nome em voz alta e durante todas as noites o povo livre dormia com medo, medo de que ele viesse lhes atormentar os sonhos.

– Este mago matou todos os outros feiticeiros?

Sakura assentiu com a cabeça.

– Lembro-me da caça as bruxas que ouve naquela época. Eu era uma criança pequena e meus pais fugiram para o interior de uma floresta. Minha mãe era uma bruxa poderosa, a décima segunda de sua linhagem, nunca ouve bruxas tão fortes como as bruxas da noite.

– O que aconteceu?

– O mago negro a perseguiu por muito tempo, ele queria que minha mãe se juntasse a sua causa, dizia em seus pesadelos que juntos eles dominariam a Terra Média e seriam o Rei e a Rainha mais temidos da história. Minha mãe nunca aceitou então ele matou meu pai.

– Seu pai era bruxo?

– Não, era um homem comum. Aquele assassino matou meu pai na floresta, um lobo arrancou-lhe a cabeça. – disse ela apertando a caneca com o chá frio nas mãos.

– Eu sinto muito.

–Já faz muito tempo. Ele achava que com meu pai morto minha mãe sucumbiria a suas falsas promessas, quando viu que não adiantaria revolveu mata-la para tomar seu poder, mas antes, ele foi passado a mim. Eu sou a décima terceira bruxa da noite de minha linhagem, eu tenho mais poder do que todas as outras tiveram Sasuke e, Madara virá atrás de mim.

– E nós o mataremos. – disse ele com firmeza. Ela sorriu.

– Meu pai sempre disse “Cuidado Sakura, o mais puro dos homens pode ter o coração corrompido pelo poder. A magia não deve ser usada em busca do poder, nunca use magia negra.” Acho que ele repetia este mantra tantas vezes porque sabia que eu precisaria lutar contra A Sombra.

– Você não está sozinha Sakura. – disse Sasuke a olhando nos olhos.

Ela sorriu torto.

–Não Sasuke, vocês é que não estão sozinhos.

Ao fundo ouviram mais um longínquo uivo de lobo, e Sasuke percebeu que precisariam dela mais do que ele queria admitir.

***

Notas finais
Então gente, me contem o que acharam? capitulo calminho mas importante para explicar a posição do tio Madara! Beijocas,espero vocês nos comentários!