A Bruxa da Noite

5 Encontro de sangue


Notas iniciais
Olá meus queridos, peço desculpas pela demora de postar - estava viajando - mas agora estou de volta! Já já vou responder aos comentários e quero dedicar este capitulo a uma pessoa MUITO especial, minha querida amiga Pan! *___* Obrigada pela sua recomendação! fiquei imensamente feliz ao ler suas palavras minha linda! Espero que goste desse cap! Bom, boa leitura a todos ^^

Encontro de sangue

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Ermos no norte – Colinas de Ferro

– Sabe Naru.. hic! A senhora sua hic...mãe vai ficar muito irritada quando ver que sumimos do castelo. – disse a loira enquanto lutava para levantar a caneca de estanho cheia de cerveja preta.

O loiro gargalhou alto e levou a sua caneca – com uma facilidade bem maior – a boca entornando o liquido forte e amargo. Quando pousou a caneca sob a mesa de madeira tinha um bigode de espuma, mas não se limitou a limpá-lo.

Os dois haviam saído furtivamente pelos fundos do grande castelo de pedras e circundado a orla do jardim da velha Mikoto até saírem em uma trilha lamacenta e tortuosa. Seguiram por ela até que o terreno declinou e a lama dera lugar a pedras soltas e cascalho, quando deu por si, Ino se viu em uma grande vila cheia de cores, aromas e sabores. Observava tudo extasiada, mulheres caminhavam arrastando seus vestidos pelas ruas e as crianças seguiam brincando e gritando por todos os cantos. Senhores gritavam de suas tendas chamando possíveis clientes, e o cheiro das especiarias enchia o ar fumacento.

Ela reparara que ali o ar era sempre assim, úmido, frio e cheio de fumaça.

Depois de andar por ruelas abarrotadas de carinhos cheios de quinquilharias e especiarias os dois pararam em frente a um estabelecimento sujo, empoeirado e que fedia a suor. Ino bateu palmas empolgada.

Desde a morte dos pais e a fuga desesperada para o Vale da Prata ela procurava constantemente ocupar a mente com qualquer outra coisa, as noites já eram demasiadamente solitárias e frias para chorar ausência de sua família e naquela ela queria descobrir o que os homens tanto viam nos líquidos proibidos.

Nunca estivera em uma taverna, o pai dizia que não era lugar para mulheres de família e sim para meretrizes e mulheres sem honra. Mas agora ela não possuía honra, não possuía dote ou família, nenhum nobre guerreiro casaria com ela, talvez o filho de um açougueiro ou de um dono de taverna, mas nunca um nobre. Suspirou derrotada e adentrou no ambiente com seu mais novo amigo.

Naruto era engraçado e divertido, todos a sua volta o adoravam e mesmo ele sendo muito bonito Ino apenas o via como um irmão. Quando ele gritou carinhosamente para o taverneiro ela viu que eles eram velhos amigos, logo então ambos estavam sentados em uma mesa velha e suja no canto mais escondido do lugar e em sua frente jaziam uma caneca vazia de cerveja, e claro, outra bem cheia.

– Sabe Ino, o velho Mirtes é um homem de honra!

– Honra! – repetia ela virando mais cerveja em sua garganta.

– Ele é, amanha quando o conselho estiver reunido deveremos levar o velho Mirtes, ele vai distribuir cerveja para todos e no fim será uma grande festa! – gritou ele tirando gargalhadas da loira que se engasgou e babou todo o vestido azul de algodão que usava.

– Será um baile! – gritou ela rindo escandalosamente.

– Um baile com os elfos!

Os olhos azuis da menina se arregalaram.

– Elfos?

– Sim donzela...hic! elfos da floresta! Dizem que tem cheiro de flores.

– Oh!

Ouviram a risada de outras mulheres escoradas no bar, pelas roupas que vestiam Ino suspeitou que fossem as tais mulheres da vida que o pai tanto falara. Naruto abriu um sorriso bobo e se aprumou.

– Fique aqui por um momento, vou pegar uns aperitivos.

Ela concordou com a cabeça e viu-o indo em direção as duas que já o olhavam como um javali olha para sua presa.

Ela não soube por quanto tempo ficou ali sentada naquela mesa sebosa, mas a terceira caneca de cerveja jazia vazia em sua frente e logo sentiu os olhos pesados, olhou a sua volta e não via Naruto, decidiu então voltar para o castelo antes que a Senhora Kushina aparecesse a sua busca com uma grande colher de pau nas mãos.

Saiu da taverna notando muitos olhares sob si, seus olhos tinham a visão enturvada e suas pernas estranhamente não a obedeciam, estava bêbada? Acreditava que sim.

No céu o sol já se punha e agora a lua iluminava os estandartes da casa Uchiha que tremulavam por toda a vila, assustada com a hora e com as ruas vazias ela correu na direção do grande castelo que se erguia na colina adiante.

– É muito tarde para uma senhora distinta andar solitária na rua – disse uma voz fria perto demais.

Ino se assustou e fitou o homem magro ao seu lado, já ouvira historias de homens ruins que perseguiam meninas indefesas. Onde se metera Naruto?

– Não estou sozinha senhor.

– Mas não vejo ninguém ao seu lado – disse outra voz.

Ela quis gritar quando viu outro homem,um pouco mais gordo que o primeiro. Agora estava seguindo ladeada por eles e conseguir sentir o cheiro de excremento de cavalo que exalavam, suas barbas eram grossas e oleosas. Só pensou em uma coisa, correr.

E assim ela fez.

Pôs-se a correr o mais rápido que suas pernas confusas deixavam e seus sapatinhos permitiam, as ruas vazias a assustavam e as lagrimas escorriam pela face queimada pelo ar frio. Os dois homens corriam em seu encalço gargalhando e gritando obscenidades e logo ela se viu nos limites da vila, uma floresta negra se erguia contra o céu parecendo uma muralha contra a noite. Não pensou nas historias que ouvira, apenas continuou a correr.

O ar já lhe queimava nos pulmões e os galhos passavam cortando seu rosto assustado, mas ela só parou quando uma raiz se interpôs no caminho. Ela caiu com força no chão úmido da floresta e chorou ao ouvir os passos dos perseguidores se aproximando. O homem magro a segurou pelo cabelo e levantou seu corpo para então esbofeteá-la com força no rosto.

Ela cuspiu sangue e tentou se arrastar, mas o outro a puxou pelos pés rasgando o vestido até a altura da cintura.

– Sua rameira desgraçada, não deveria ter corrido tanto.

– Por favor, eu não sou isso, por favor, não. NÃO! – gritou com força quando o homem magro a deitou no chão e segurou seus braços com um braço forte. Lambeu o pescoço suado fazendo-a gritar mais alto em desespero e se debater debilmente em baixo do peso que ele fazia.

– Cale essa boca!

Quando ele lutava para rasgar o pano na altura dos seios ambos ouviram o crocitar de um corvo e um estalo alto na floresta.

O homem gordo que estava de pé observando a cena arregalou os olhos percebendo em que lugar estavam.

– Temos que sair daqui, é a floresta sombria – falou em tom de alarme.

– Cale a boca homem, só saio daqui depois que entrar nessa belezinha – disse tentando tirar o cinto da calça enquanto Ino gritava e se debatia.

Ouviram outro estalo e então o homem gordo gritou alto.

– Mas o que você... – disse o homem magro virando a cabeça para trás em direção ao companheiro, ele gelou.

Galhos estalavam das árvores com violência e um segurou o homem gordo o abraçando com força, ele urrava tentando se soltar mais então outro ainda mais grosso entrou pela sua boca o engasgando. Ino queria fechar os olhos, mas não conseguia, o galho entrava rasgando o homem por dentro e logo sangue jorrou por seus olhos e ouvidos, ele foi jogado por força para o lado e caiu mole.

O homem magro saíra de cima dela assustado e tentou correr, não foi longe. Quatro galhos o seguraram no ar, esticaram seus braços e pernas bem acima do corpo da loira que permanecia assustava com as lágrimas secando nos olhos.

– Deus, Oh Deus – murmurou ela quando o homem começou a gritar desesperado. Ela então percebeu que os galhos esticavam cada vez mais seu corpo e então ela gritou, ele fora despedaçado em pleno ar e o sangue quente banhou seu corpo imóvel.

Naquele momento ela soube que as histórias eram verdadeiras.

– Por favor ó grande bruxa da noite – choramingou com os olhos fechados em meio ao sangue do homem – por favor poupe minha vida, por favor, por favor...

– Pare de chorar.

Ela ouviu a voz firme e pestanejou até conseguir abrir os olhos. Uma figura estava parada a sua frente, era alta e imponente. Usava um capuz preto que logo foi abaixado e deu lugar a feições de uma belíssima mulher.

Ela estendeu a mão para Ino que com muita dificuldade e medo a aceitou levantando em seguida.

– A senhora...

– Não farei nada a você, venha comigo, precisa de ajuda.

A garota sentiu os olhos arderem e deixou as lágrimas caírem de gratidão, queria abraçar a mulher que lhe salvara e agradecer-lhe o resto da vida por isso.

– Salvou minha vida senhora – murmurou sem conseguir sair do lugar.

– Agradeça depois, venha comigo agora.

Juntas caminharam para as entranhas da floresta, Sakura apenas movimentou os dedos e as raízes das árvores engoliram os corpos mortos para o interior da terra.

***

Sasuke fitava a imensidão do céu azul e a estranha floresta negra que se erguia nos limites do vilarejo. Gostava daquele lugar do castelo, o telhado era seu lugar preferido quando queria ficar sozinho. Escorou seus braços na amurada de pedra e ouviu passos já conhecidos vindo em seus encontro.

– Tem fitado muito a floresta irmãozinho.

Não olhou para o lado para encarar o irmão que se escorara do mesmo jeito que ele, olhou para baixo onde várias caravanas se aproximavam trazendo pessoas de todos os cantos do reino livre.

– Acredito que lá é mais silencioso que este castelo – disse de mau humor.

– E tem uma das mulheres mais bonitas do reino também – continuou ele.

Sasuke o fitou e viu que Itachi comia uma fruta qualquer e estava muito interessado em tirar a casca da mesma.

– Acha ela bonita?

Itachi riu pelo nariz e olhou para o irmão de soslaio.

– Ela é bonita, e muito atraente.

– Vocês já..

– Não. Ela é uma amiga estimada.

– Hum. Estou irritado com tanta gente no castelo.

– Os Nara chegaram agora a pouco, o filho deles também parece irritado com isso.

– Onde está o Naruto?

– Tenho dúvidas se um dia ele chegará a sair daquele quarto, Kushina está desde ontem à noite o descascando pelo que houve com a garota.

– Mas ela está em segurança.

– Não estaria se não fosse Sakura – disse ele sugando a poupa da fruta – ou se tivesse corrido na direção contrária.

– Naruto é um tolo mesmo, como pode larga-la numa taverna! – falou Sasuke balançando a cabeça.

– Ele é sim, agora é melhor irmos. Nossa mãe está em polvorosa e daqui a pouco anoitece, temos muito a fazer.

Sasuke concordou e depois de mais uma olhada na imensidão da floresta virou para seguir o irmão.

***

Ino estava febrilmente encantada. Na noite anterior havia tomado um banho aquecido em uma grande banheira de cobre que ficava no quarto de Sakura e ainda ganhara da mesma um lindo vestido azul.

“É da cor dos seus olhos, e eu nunca o usei” disse ela ao lhe entregar a veste. As duas conversaram muito durante a noite e Ino se pegou gostando da companhia da moça, era educada, um pouco ácida, mas gostou mesmo assim.

Depois do almoço, que consistia em um ensopado de peixe com ervas e farinha, Ino e Sakura se puseram a caminhar em direção ao castelo. Durante o dia ela pudera perceber como a floresta era linda por dentro. Altas árvores se erguiam imponentes cobertas de musgo verde e esquilos corriam rápidos entre elas fazendo barulhos estranhos, flores silvestres enfeitavam o caminho e ela sorria como uma tola.

– É lindo durante o dia.

Sakura riu do jeito bobo da nova conhecida.

– Durante a noite também, é só uma beleza diferente.

Ino ficou em silencio por um tempo.

– Os homens de ontem... você não se sente mal pelo que aconteceu?

Sakura continuou caminhando, a túnica preta arrastava pelo chão carregando folhas secas com ela.

– Eram violadores, tiveram o que mereciam. Os queria vivos?

– Não. – murmurou a garota.

– Então não há nenhum problema.

– O que aconteceu com, o corpo deles? – perguntou ela incerta.

– A floresta engoliu, agora vamos rápido.

***

O crepúsculo caiu e o grande salão estava abarrotado. Ao redor da grande mesa de madeira sentavam-se os chefes das casas mais importantes da Terra Média, ambos discutiam em alto e bom som deixando todos zonzos com tanto barulho.

– Porque não podemos começar esse conselho? Estou cansado.

Sasuke ouviu o filho dos Nara reclamar, o jovem tinha os braços escorados preguiçosamente na mesa e fitava tudo com notável tédio.

Os elfos que haviam chegado mais cedo causaram muito tumulto no vilarejo, todos queriam ver os habitantes místicos e agora permaneciam em silencio carregando uma luz tão própria que Sasuke se perdera a admirar por um bom tempo. Ao lado direito da mesa se encontravam os Uzumaki — Naruto estranhamente calado e com um olho roxo — e os Mitsashi que permaneciam quietos observando tudo ao seu redor.

Quando as vozes ficaram demasiadamente alteradas as grandes portas de carvalho se abriram mostrando uma figura encapuzada seguida de uma mais franzina que permaneceu em seu encalço.

Da cabeceira da mesa, ao lado de seu pai e irmão, Sasuke viu ela se aproximar. Todos fizeram silencio.

Sakura se postou na outra ponta da mesa e abaixou o capuz fitando um por um dos ali presentes. Descansou os olhos no rosto de Sasuke e disse com a voz firme.

– Podemos começar.

Notas finais
Gostaram?? Nossa querida Ino chegou, alguém arrisca dizer se ela e Sakura serão amigas?? eu sei que muitos querem batalhas e SIIM VAI TER MUITA GUERRA E SANGUE! ahhahahahah no proximo cap começaremos com esta parte da fic! Até lá!!!