A Bruxa da Noite
3 O barulho dos corvos
Notas iniciais
O Barulho dos corvos
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Ermos do norte – Colinas de ferro
Sasuke mal havia chego ao limite que separava sua propriedade da Floresta Sombria e já se encontrava molhado até os ossos. A capa feita com a pele de urso pardo mal conseguia lhe esquentar e agora seu corpo tremia.
Fitou por um momento as grandiosas árvores a sua frente, a floresta era bem espaçada até onde os olhos viam e os únicos barulhos que podiam ser ouvidos eram o lamento do vento e as gotas de chuva. Levou a mão até a bainha da calça onde sentiu a textura fria da espada, e assim, entrou na floresta.
Havia uma trilha tortuosa logo no inicio da mata, ele resolvera segui-la, pois vira inúmeras vezes o irmão fazendo o mesmo trajeto embora nunca o tenha acompanhado.
À medida que a trilha se aprofundava na floresta Sasuke percebera que o barulho da chuva não era tão intenso, era como se lá dentro houvesse um clima próprio. Reparou nas árvores, eram grandes e frondosas, seus galhos se erguiam de forma fantasmagórica dando a impressão de ter milhares de braços pendurados.
– Não seja tolo Sasuke – murmurou para si mesmo tentando tirar o pensamento da cabeça.
Imaginou que se não achasse a casa da bruxa, ela mesma o acharia e então poderiam conversar como pessoas civilizadas que eram.
Perdido nos próprios pensamentos ele demorou a notar o corvo que lhe olhava fixamente de uma árvore à frente, quando o mesmo crocitou Sasuke teve um leve sobressalto e praguejou alto, mandando aquele pássaro para o inferno.
Ao fundo, ouviu uma risada baixinha.
– Quem está ai? – perguntou virando-se bruscamente para o lado em que ouvira a voz. De repente a risada veio do pé de seu ouvido. Todos os pelos do corpo de Sasuke se arrepiaram e novamente ele virou para procurar a dona daquela risada estranha.
– Sakura é você? Eu sei o seu nome... não adianta brincar comigo.
Quando olhou para cima Sasuke se depara não com um, mais com no mínimo cem corvos, todos pousados nos finos galhos das árvores.
– Mas o que é ...
Então todos aqueles corvos começaram a crocitar juntos. Alguns batiam as asas de forma ameaçadora e Sasuke podia jurar que outros o olhavam bem dentro dos olhos. O som antes baixo ficava cada vez mais alto e quando se tornou ensurdecedor ele cobriu os ouvidos com as mãos e caiu de joelhos no chão lamacento da floresta.
– Argggg pare com isso! – gritou fechando os olhos com força.
E então ele não ouviu mais nada. Tirou as mãos dos ouvidos e se deu conta do silencio profundo da mata, foi quando resolveu abrir os olhos lentamente.
Ele achou que havia enlouquecido. Rastejou para trás diante daquela visão e sentiu todo o jantar voltar pela garganta. Diante de si uma criatura com um corpo humano e uma cabeça de porco o observava. A cabeça estava coberta de sangue como se o animal tivesse sido decepado há minutos. Ao fundo uma risada leve preencheu a floresta.
A criatura se aproximou dele e logo o sangue do focinho caiu sobre seu rosto.
– Sakura chega! – ouviu uma voz mais grava e forte.
Sasuke olhou desorientado e a criatura havia sumido. De cima de um galho uma figura encapuzada soltou o ar de forma irritadiça.
– Você sempre estraga minha diversão Itachi.
– Itachi – Sasuke murmurou tentando se levantar.
– Ele é meu irmão Sakura.
***
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Baía de Umbar – Terra dos Elfos
A jovem observava as nuvens formadas a leste das suas terras. Até onde os olhos podiam ver havia florestas, flores e animais felizes, mas ela podia ver além. Naquela noite com o cálido vento sul lambendo seu corpo ela via as nuvens negras na Montanha Sombria.
– Hinata.
– Pai.
A elfa de longos cabelos azulados e olhos perolados observou o homem vindo em seu encontro. As vestes douradas farfalhavam como uma brisa suave e logo ele se postou ao seu lado.
– Vem observado muito a montanha. – disse ele com a voz calma.
– Sim pai, há fogo saindo dela. Fogo e fúria. –sentenciou a jovem.
– É melhor entrar, sua irmã está tocando harpa no jardim, todos estão lá.
Ela assentiu e seguiu o pai pelos grandes corredores do castelo em que moravam. As pilastras de mármore tinham desenhos de guerras antigas e embora o local fosse iluminado Hinata podia sentir uma sombra crescente invadir seus pensamentos.
Chegaram ao jardim e vários elfos estavam sentados ao redor de uma fogueira, o céu, ali estrelado, servia como teto para as belas canções que enchiam os corações de paz.
– Hinata.
– Neji.
Ela sorriu e sentou junto dele. Neji Hyuuga era seu primo, um dos mais importantes guerreiros de seu clã e ela, assim como todos, o admirava.
– Seu coração carrega um peso. – murmurou ele enquanto todos os outros olhavam admirados a bela Hanabi tocar a harpa, suave como o vento.
– Tenho visto muitas coisas em meus sonhos.
– Eu também tenho.
Os dois fitaram a fogueira por um longo momento.
– Temo que tenhamos que convocar o conselho.
– Convoque-os logo. O norte precisa ser avisado o quanto antes...
– Porque o Norte?
– Porque a Bruxa da Noite está lá.
***
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Ermos do Norte – Floresta Sombria
Sasuke seguira o irmão e a figura encapuzada pela trilha até chegarem a uma cabana de pedras. O lago na frente da mesma era tão escuro que ele temeu tudo o que pudesse sair de lá.
– Vamos, entrem.
Incrivelmente o interior da cabana era quente e aconchegante. Entraram diretamente no cômodo que ele julgou ser a cozinha.
– Quando chegou Itachi? – foi o que conseguiu dizer ainda sem tirar os olhos da bruxa.
– Agora a pouco, nossa mãe disse que você tinha entrado na floresta e conhecendo a Sakura – disse ele elevando a voz – imaginei como seria o encontro.
– Você não pode entrar em minha floresta sem permissão. – falou a mulher ainda de costas para eles enquanto mexia em algo no fogão a lenha.
Sasuke sentiu o sangue ferver.
– Sua floresta? Esta floresta está em MINHAS terras, portando entro e saio à hora em que desejar. – cuspiu com raiva.
– Sasuke – murmurou Itachi sabendo no que aquilo ia dar.
A jovem então se virou para encarar os dois homens a sua frente, lentamente baixou o capuz que lhe cobria o rosto e Sasuke piscou algumas vezes para assimilar a imagem dela.
“Ela é...bonita” foi seu primeiro pensamento. O rosto fino possuía uma pele branca e um pouco corada pelo frio. Os lábios não tão carnudos eram de um vermelho sangue e seus grandes olhos eram verdes como duas esmeraldas. Seus cabelos eram longos e incrivelmente cor de rosa. Ele assimilou isso a sua linhagem e teve que limpar a garganta para continuar a falar com ela.
– A floresta é minha Uchiha Sasuke, se você ousar me desafiar novamente vai acordar dentro daquela cabeça de porco. – disse ela lenta e friamente.
Itachi revirou os olhos e pegou três canecas de barro que ficavam guardadas em um armário perto da pia, colocou-as na mesa e olhou significativamente para a mulher.
– Sasuke não entrará na floresta sem permissão Sakura, agora, por favor, sirva esse chá porque estou congelando!
Ela bufou e pegou a chaleira que estava chiando no fogão a lenha, serviu as três canecas e por mim, sentou se a mesa.
– Certo, a que devo a honra da visita de dois belos cavaleiros em minha humilde cabana nesta noite chuvosa?
Itachi espalmou as mãos na mesa e respirou fundo.
– Temos más noticias.
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