Notas iniciais
Convido vocês a saberem como morri, e se deliciarem com meu sofrimento e aflição.

E chegada a hora, meus passos pareciam se alongar, as pisadas no chão faziam um barulho estrondoso juntos as batidas descompassadas de meu coração. O caminho parecia esticar junto com o simples corredor que, quanto mais andava, mais parecia sem fim. O tempo se arrastava em uma angustia sem fim. Por mais que estivesse sido avisada sobre isso, custava crer que a hora havia chegado... Meu corpo parecia rejeitar qualquer movimento em direção a esse destino, a caminhada da sela até a forca era dolorosa, mas mais doloroso foi ser condenada ao ser inocente...

A injustiça que estava diante da face de todos, ali, fazia-se transparente, tamanha era sua ignorância. Tal falta de vontade de pensar não os deixava ver a tolice que cometiam; grave erro cometi ao me aproximar da pessoa errada, e ele nem estava lá para ouvir minha ultimas palavras, depois de tantas juras e promessas, partiu deixando-me aqui a beira da forca nas mãos do carrasco.

Deusa olhai para que esse povo não sofra, muito, na hora do sepulcro final.

O carrasco passava a corda sobre meu pescoço e minha mente vagava por um passado recente. Eu e Ele. Nós. Juntos... O momento mais sublime: a união dos nosso corpos, almas. Gerando a vida, vida que agora aqui próxima ao meu fim, vejo que não me arrependo do que fiz. Se tivesse outra chance faria sim, mas diferente, com mais empenho. Entregaria-me de corpo inteiro, só não daria a alma pois essa tem seu valor maior e não a daria assim, por uma paixão. Na barriga o peso e os movimentos de uma vida que seria interrompida.

Interrupção: a inveja de um monstro sanguinário. Será que ela tinha consciência de seus atos? Ah! Triste erro dos homens de não prever as consequência de suas ações.

– Suas ultimas palavras? — Perguntava o inquisidor, enquanto o carrasco se colocava em sua posição.

Essa palavras, no ouvido só faziam aumentar o ódio dentro de mim, esse tolos não sabem, mas no seu tempo, vão pedir pra nunca terem interrompido a vida em meu ventre.

A ficha finalmente caíra: vou morrer. Mas será que eles estão preparados pra isso? "minha morte", isso soa tão estranho...

– Que os deuses sejam piedosos com seus espíritos, pois eu não serei...

– Eu, Leonel II, inquisidor da Rainha Elizabeth VII do reino de Frenesco, acuso, Lady Diana, de seduzir e matar o Falecido Rei Albert IV por meio de bruxaria — Disse ele dando uma pausa para enfatizar que dizia.

Aquelas palavras me doíam, não matei ninguém, não seduzi coisa alguma, nunca fiz isso! Ele me amava! Seu casamento foi uma farsa! Ela, sabia disso, todos sabiam disso! Eles foram obrigados a se unirem em prol de dois reinos.

– Por seus atos contra, e traição para com a corroa, Lady Diana foi sentenciada a forca — Ele olhou para o carrasco sinalizando que devia puxar a alavanca.

Os segundos se arrastavam. Vi minha vida passar em meus olhos: meus pais, minha infância, eu, uma criança, inocente dos males do mundo, indiferente a riqueza, assim como todas as crianças, sem ter que pensar no dia de amanhã; minha adolescência, o despertar da vaidade, o florescer da paixão, as certezas e inseguranças do adolescer, meu amadurecer, a dureza das responsabilidades, casei, enviuvei. Custou, mas tornei a me apaixonar. Enfim: amei um amor "proibido" e dele levo aqui e agora o resultado, nosso filho, a prova de um amor, amor esse que colocou aqui e me faz sonhar ate agora.

Minha mente Trabalhava em uma velocidade absurda, comigo ela brigava e obrigava-me a fazer algo mesmo que fosse em vão. Eu preciso sair daqui. Não posso acabar assim. Não posso ver meu mundo desabar. Não vou ficar parada com a corda no pescoço, tenho que fazer algo ou morrer tentando...

Dur'k fark gunton alekan gaven Macabbeus, sulun diddk Bleen!­ — Meu trunfo final, se os vivos não interferem por mim. Se não tenho mais a quem recorrer, só me restou isso. Afinal já não tenho nada a perder, eu estou desesperada e não tenho alternativas. E mesmo que custe caro para mim, eles vão sentir a ira de uma bruxa.

– Cale-se demônio! seus truques, aqui não tem efeito, Meu Deus é mais poderoso. — Zombava o inquisidor, foi divertido ver sou rosto se contorcer e transformar-se em uma mascara distorcida de ódio ao som das palavras proibidas, corte medíocre de gente insana, não sabem o que atraíram pra si.

Dieto kir't Leonel, você sera o primeiro, não se esqueça do meu rosto. — Mas uma vez fiz uso das palavras proibidas, senti minha alma se perdendo, mas desde que minha vingança seja realizada não vejo motivos para suprimir esforços, afinal já estou na forca mesmo. O inquisidor já se desesperava, mas não deixava explícito seu estado de espírito, eu, em estado de medo e ansiedade, gargalhava do rosto azedo do inquisidor. Era divertido ver como ele era tão fácil de atingir, veja só como sou, até na hora da morte me faço cínica.

– Puxe... — Ele me olhava com um olhar de triunfo no rosto, e antes do alçapão se abrir sobe meus meus, acho que só eu ouvi isso o murmurio de um velho cristão. — Vejamos quem venceu no final.

Então veio a queda, o chão se abriu aos meus pés, senti meu corpo levitar por uns instantes e logo veio ele caiu, meu peso todo concentrado no meu pescoço, é impossível resistir a força que te puxa para baixo. Parecia uma abdução demoníaca... Ansiavam por minha carme, sedentos por alma, arrancam e puxam. Minhas pernas se debatiam em agonia pela falta de chão, já sentia no rosto um formigamento, parecia que eu tinha a face em chamas, chamas púrpuras, os rostos que me olhavam com atenção, medo, raiva e até triunfo, sumiram eu sabia que eles ainda estavam ali, ainda podia ouvi-los, mas logo nem isso seria possível. minhas forças iam me deixando, e pela ultima vez olhei para o céu, vi o sol da manhã dar-me o ultimo beijo, fechei os olhos e ela veio.

Enfim ela chegou: a morte veio me abraçar.

Meu fim chegou, mas a história está apenas começando.

Notas finais
Talvez quem saiba se eu ainda estiver viva amanhã, se meus inimigos me acharem ou se não perder o interesse em vocês eu posso até contar mais sobre mim