A Boy Stuck On My Life
2 Two Worlds Collide
Notas iniciais
–Um cachorrinho! Que fofinho.
Era um labrador, mesclado entre branco e caramelo, os seus pelos eram lisos, e ele parecia ser bem cuidado. Um cuidado sofisticado.
–Shane. — Disse lendo a pequena plaquinha e sua coleira — Tudo bem garoto?
Ele latiu em resposta.
–Shaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaneeeeeeeeeeeeeeeeee!!! Cade voce garoto?
Alguem gritou da casa ao lado.
–Vem eu vou levar voce embora.
Observei novamente a plaquinha, a escrita na parte de tras estava gasta pelo tempo, havia um ''A'' e entao um espaco apagado e um ''tin'', e entao logo abaixo algo que julguei ser um endereco, tambem apagado, a unica coisa visivel era ''Cali'', e entao um numero de telefone. Eu acho. O tempo nao foi gentil com a plaquinha.
Caminhei ao longo das plantacoes de trigo com Shane ao meus pes, latindo e pulando em meio as minhas pernas.
Cheguei a frente a casa, a porta estava aberta , na frente havia o casal loiro retirando as malas do carro. Sera que eles se mudaram da California pra ca? Que especie de situacao eles deveria estar passando pra aceitar tal opcao, dificuldades financeiras? Ou a perda de alguem importante? Tal como eu.
–Com licenca, ele é de voces?
–Shaneeeee!
A mulher loira fez uma voz tipica de quem ve algo fofo, como um bebe ou no caso um filhote. O cachorro que até então estava ao meu lado, pulou em cima dela e fez uma festa, correndo em seguida pra dentro da casa.
–Você quer entrar?
A mulher disse pondo os braços ao meu redor, praticamente impossibilitando qualquer resposta negativa.
Assim que eu entrei ouvi um estrondo, e alguém caiu aos meus pés.
Pov. Austin
–MÃE! MÃE! MÃE!
Gritava enquando descia as escadas correndo, apesar de estar correndo fazia isso perfeitamente bem, até um cachorro passar em meio as minhas pernas do nada. Ele simplismente se materializou ali só pra acabar com minha descida perfeita.
Acabou que eu rolei a escada toda, ao chegar nos pés da escada me deparei com um par de pés de all star's que com certeza já tiveram dias melhores. Segui pra cima e me deparei com uma menina, que aparentava ter minha idade, ela vestia um macacão jeans surrado, meio sujo de terra e grama, seus cabelos estavam presos numa trança lateral, eram castanhos com fios de luzes. Acho que já estava a algum tempo encarando ela pois a menina resolver falar alguma coisa.
–Ai meus Deus, você tá bem?
Ela se inclinou para baixo, com as mãos escondidas nas costas, os fios de sua franja foram pra frente conforme a inclinação, e então pela primeira vez eu pude ver o brilho intenso do castanho em seus olhos.
Eu percebi naquele momento, que estava parecendo um babaca todo contorcido no pé da escada. Ainda.
Me levantei enquanto arrumava as roupas.
–To otimo.
Respondi jogando o cabelo pro lado. O que surpreendentemente não surtiu efeito algum na garota. Minha mãe olhava pra mim, mãos na cintura, sombracelhas arqueeadas, e testa franzida, revirou os olhos e disse:
– Austin -disse meu nome em tom de reprovação. Eu nem imagino o porque. — essa é nossa nova vizinha, ela veio trazer o Shane de volta. Fique a vontade.- Ela disse se direcionando a Ally, e caminhando pra dentro da casa.
–Então — a menina se pronunciou mexendo no bolso do macacão, inquieta. — Parece que o Shane estava ansioso pra pegar algo lá em cima.
Disse olhando pro chão e sorrindo nervosa. E então eu me toquei que minhas malas estavam lá em cima .
–Ai não.
Murmurei e corri escada a cima.
Aparentemente no meu quarto estava tudo normal.
–Quantos anos voce tem mesmo?
Quando virei para trás a menina havia me seguido,e olhava para o quarto ''infantil'' de 10 anos atrás atentamente. Otímo, muito másculo Austin parabéns.
–Ahh então eu posso explicar, esse quarto não é meu — ela me olhou com a testa franzida — quer dizer era meu, mas há 10 anos atrás, quando eu gostava dessa decoração.
–Ahh.
Ela riu fraco.
–Era por isso que eu estava gritando.
–Certo voce surtou por causa do quarto? Oque foi não queria que ninguém visse?
–Eram os meus planos.
–Ah certo desculpa.- Ela disse com um meio sorriso. — Aproposito, me chamo Allycia, mas pode me chamar de Ally.
Ela disse estendendo a mão, toda suja de terra.
–Só um minuto. — Peguei meu taco de baseball de 10 anos atrás, como tudo que não havia saido da minha mala. Estendi pra ela e me apresentei. — Me chamo Austin.
Ela cumprimentou com o taco, e então encarou perplexa a própria mão, enrusbecendo — se toda.
–Ah poxa, sinto muito. Estava cuidando das plantas com a minha vó.
–Aquele jardim do lado é seu?
–Sim é sim. Você quer ver?
–Claro.
Estavamos saindo do quarto quando ela se virou para mim e disse.
–E eu sinto muito.
–Pelo que?
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