A Blood Links
1 The Killer Show
Notas iniciais
A noite estava já avançada nos canais de Veneza. As luzes que se viam acesas eram em sua maioria de bares. Abarrotados de turistas.Sempre haveria uma chance de negociação de sua \"mercadoria\" nesses lugares.Seu bando já estava lá.e também haviam muitos, muitos estrangeiros.Que estariam longe demais de seus fornecedores normais.
E sempre havia a chance de criar novos adeptos a aquilo. Em suma, um prato cheio para seus negócios.O bar estava realmente muito lotado.As luzes piscavam freneticamente no ritmo do popular zumbido da música eletrônica.Os bancos na frente do bar estavam todos cheios, e muitas pessoas estavam na pista.Também haviam ali alguns conhecidos dela.
Viciados... Aliados...Era um bom dia Não gostava muito desses lugares. Eram barulhentos demais, cheios demais. A batida repetitiva enjoava fácil. Contudo, não havia lugar mais sigiloso do que o meio da multidão. Encarou o copo que tinha a sua frente, e depois o relógio atrás do bar.
Uma e meia. Porque diabos o seu cliente estava atrasado ela não sabia. Mal terminou o pensamento e eu homem, de terno e gravata, parecendo completamente deslocado, entrou na boate. Não pode deixar de rir quando ele se sentou ao seu lado.
-Tem tudo aí? -Óbvio. O homem olhava para todos os lados, nervoso, e Cecille se perguntou o que ele achava da palavra \"discrição\".
Ainda rindo, meteu a mão na bolsa e entregou o pacote para ele. Pegou o dinheiro e saiu da boate, aliviada com a ausência de sons que enfrentaria até chegar em casa. O caminho era bem obscuro, e entre uma viela e outra ela talvez se perguntasse se estaria sendo seguida.
A verdade era de que muitos olhos a cercariam naquele lugar, as vielas escuras da cidade. De repente, caíra uma tempestade fria, encharcando tudo.Ninguém lhe acompanhara quando saíra da boate.Mas a sensação de perseguição não lhe abandonara.
De repente, caíra uma tempestade fria, encharcando tudo. Ninguém lhe acompanhara quando saira da boate.Mas a sensação de perseguição não lhe abandonara.De repente, se vira correndo, correndo contra algo que não sabia o que era.
Só tinha que correr. As luzes a cercaram. Um helicóptero.Mas que diabos um helicóptero estava fazendo ali? Na sua frente havia um bando. Sim, ela os reconhecia!A frente estava seu quase rival, aquele que mandava na facção inimiga.
Scpicio. Era uma emboscada. Como fugiria daquilo?
Parou, derrapando. A chuva fazia seus cabelos grudarem no rosto e ela tremia. Talvez não só de frio, mas de medo. Estava sozinha, pela primeira vez, para enfrentar aquele cara.
Quando vira o helicóptero, não se assustara, pensando ser a polícia. Essa seria fácil de driblar. Mas todos aqueles homens... Analisou suas chances: mínimas. Scipicio era muito maior do que ela e, vestida como estava, só aumentava sua desvantagem. Recuou quando o homem se aproximou dela, tentando manter a expressão tranqüila.
-Olá, Scipicio. Surpresa vê-lo aqui.
O sorriso cheio de dentes dele deixou Cecille enjoada.
-Surpresa? Espero não ter chegado em má hora...
-Estava voltando para casa, mas posso tirar alguns momentos para conversarmos.
Ele se aproximou mais, parando debaixo de um poste. A primeira coisa que a moça notou foi à arma reluzente nas mãos dele. Não pode deixar de sentir os joelhos falharem.
Ouvira uma vez que a ocasião fazia os heróis. Talvez fosse verdade. Acontece que a sensação de ser perseguida não fora por completo negativa. Apesar dela não perceber, seus homens haviam-na seguido. Vários deles. Não estavam tão fortemente armados quanto os homens de Scpicio, mas aquilo já era um avanço.Enfim ela poderia suspirar ligeiramente mais aliviada.O gangster deu um sorriso.Para ele aquele jogo de gato e rato não seria tão divertido se só metralhasse ela.Ele queria mais.Queria humilhá-la. Andou ainda mais em direção a moça, com o revolver em mãos; ato que fora recebido pelos colegas dela com um levantamento geral de armas miradas para ele. O cigarro na boca ainda estava aceso, mas em seu final. Ele ergueu a mão e bateu as cinzas, voltando a tragar.Céus, como ele poderia ser tão calculista assim? Estava sorrindo ironicamente.
-Claro, claro, conversar. Faz tempo que não fazemos isso, não?
E deu uma risadinha irônica. Irritante.
-Você não acha que eu iria deixar você se meter em meus assuntos sem que eu fizesse nada, achou?
:
Desta vez, ela não recuou. Saber que as armas de cada um dos seus homens mais leais estavam apontadas para a cabeça de Scipicio já era um grande avanço. Mesmo assim, ela precisaria de muita cara-de-pau para conseguir se livrar dele.
-Me meter em seus negócios? Não sei do que está falando... Eu cuido apenas do meu lado da cidade, caro.
Deixou seus olhos vagarem e contou quinze dos homens dele. Muitos. Mesmo assim, deviam ter uma chance, não deviam? Ao invés de recuar, se aproximou de Scipicio.
-Não é melhor sair da chuva, caro? Vamos conversar sobre isso de um jeito mais civilizado do que num beco com armas. Não há motivos.
Sua voz, apesar de sua mente gritar um aviso, estava calma, um pouquinho da ironia costumeira bem marcada.
O helicóptero. Parecia ter esquecido dele.A luz forte parecia atravessar ela. Estavam atirando! Os homens de Scpicio recuaram os dela também. Mas de quem era aquilo? Atirava psicoticamente. Logo, o sangue cobria as ruas.Scpicio começara a correr, mas já lhe era tarde.Curiosamente, o piloto/atirador chegou ao ponto sádico de lhe atirar nos fundilhos.Não era uma munição comum.Suas roupas pegavam fogo, e ele gritava qualquer coisa.De repente, ela pode avistar o piloto do misterioso helicóptero.Mais lhe parecia um louco, jovem, descabelado e com uma camiseta estanha.Ele gritava alguma coisa, algo como um grito de vitória.Depois de algum tempo ela foi entender o que ele gritava
-BURN, MOTHERFUCKER, BURN IN HELL!
Parecia estar se divertindo. Pousou o helicóptero de uma forma altamente arriscada, na frente dela.
Assustada, correu para o lado oposto de onde o helicóptero parara. No caminho, apanhou a arma de Scpicio e virou-se, tremendo mais do que nunca. A chuva gelada escorria, deixando-a ainda mais gelada. Praguejou em voz alta, desejando ter apanhado um casaco antes de sair. Voltou-se para o maluco, a arma erguida diante do corpo. Estava pálida, apavorada.
- Quem é você? – gritava a voz uma oitava acima. — Sia lontano!
Ficou parada, no meio do beco, completamente apavorada. Devia ser uma cena absurda: uma mulher, vestida tão precariamente quanto uma prostituta, empunhando uma arma que apontava para um helicóptero com uma espécie de maluco rebelde dentro. Mal conseguia entender o que ele gritara seu inglês não era tão bom assim, ma sabia que ele estava xingando. Revisou mentalmente todos os xingamentos que conhecia, em italiano, e não encontrou alguma coisa que pudesse expressar o que estava sentindo. Limitou-se a ficar parada, arfando como se tivesse corrido uma maratona.
Ora, ele descera do helicóptero com um sorrido sádico. Agora poderia vê-lo direito.Era bem alto . Seus olhos tinham um brilho estranho. O brilho do caos.Infinitamente, o par de grandes esmeraldas brilhava na escuridão.Via também a estampa da camiseta.Era uma barra, como aquelas de download, em 22%.Em cima, o texto, Loading Brain .Era engraçado, oras.Ele mesmo parecia mais uma piada ambulante, com aquela calça xadrez.Caminhou como se nem ligasse para a arma apontada para ele.Deu uma risada.Estava se divertindo com a cara dela, vendo-a tremer.
-Eu poderia ser muitas coisas, não é mesmo?
E ele avançou. Muito rápido.Segurou a mão dela, desarmando-a.
-E o que você acha que eu sou?
Gritou quando ele a desarmou. Como se adiantasse. O cara era muito... Estranho, para dizer o mínimo. Mas era estranho de um jeito assustador. Como ele conseguia se mover tão rápido? E falar ao mesmo tempo? O restinho de cor que havia no rosto de Cecille simplesmente sumiu. Quando tentou falar, sua voz saiu cortada.
-Eu não... Eu não sei. Por favor... Por favor me deixe ir.
Não que não fosse do feitio dela, apelar desse jeito. Mas desta vez era a mais pura verdade. A gangue de Scpicio parecia um gatinho, perto daquele maluco. Fechou os olhos com força. Aquilo devia ser só um sonho ruim. Ela estava tranqüilamente deitada em sua cama, em sua casa, segura. Abriu-os novamente, só para encarar a barra de Download na camiseta do homem. Ergueu o rosto para ele, apavorada.
O rapaz segurou o rosto dela. Com força. Evitou que ela gritasse, tapando-lhe a boca. Parecia que a êxtase de lhe vê-la tão assustada lhe subia a cabeça.
Depois a soltou. Deixou que ela falasse. Fez uma cara de reprovação, balançando a cabeça.
-Parece que alguém não fez a lição de casaaaaaaa
Estava falando num tom meio cantando. Ainda lhe olhava com reprovação, vendo o medo expresso em sua face.Pegou-a firmemente pelo colarinho, dando um sorriso
-Acho que vamos ter uma pequena aula particulaaaar.
Jogou-a dentro do helicóptero e saltou, pilotando. Era no mínimo, muito bizarro estar nessa situação
Não conseguiu sequer resistir ao ser jogada no helicóptero. Nem para gritar tinha mais forças, então se limitou a se ajeitar no banco, olhando para fora. Não foi a melhor idéia, já estavam altos. Levou a mão ao pescoço machucado e respirou fundo várias vezes, tentando se acalmar. Avaliou suas chances pela segunda vez na noite: não podia ligar para ninguém, sua bolsa caíra no beco, quando aquele “matto” chegada atirando em tudo e todos. Estava desarmada e sozinha. Bem, a melhor opção era ficar quieta. Olhou para o estranho, arrepiando-se ainda mais com a aparência surreal dele.
Era absurdamente bonito, mas de um jeito, no mínimo, macabro. E era branco como giz.
-Quem é você? Porque está fazendo isso comigo? Eu já fiz muita coisa errada, mas nunca te vi na vida...
Seu tom era levemente desesperado.
-Porque os ratos correm quando a luz acende?
Ele estava rindo. Gargalhando. Quanto mais ela se desesperava, mais ele parecia se divertir. Sádico, era essa a palavra. Virou-se para ela.Estava pilotando o helicóptero apenas...Com os pés? Olhou nos olhos dela. Quase a fazia dormir daquele jeito.Sorriu, mostrando-lhe as presas. Afiadas.
-Porque você é tão seria?
Cecille ofegou, tapando a boca com as mãos enquanto se apertava contra o banco, como se quisesse se fundir com o couro do acento. O fato de que o homem estava pilotando um helicóptero sobre Veneza apenas com os pés não se comparava nem um pouco com o problema que acabara de captar. Os olhos dele reluziam, e os dentes pareciam facas. Só percebeu que estava chorando quando sentiu o gosto salgado. Nunca estivera tão assustada.
-Não... Não por favor...
Não sabia muito bem o que aquilo queria dizer, mas seu cérebro, provavelmente seu inconsciente, estava mandando avisos bem claros ao seu corpo.
Desde sempre, ela fora taxada como desequilibrada, e acabara acreditando. Mas mesmo assim não podia imaginar que conseguiria reproduzir uma alucinação assim. Estava num helicóptero, sobrevoando Veneza, com um louco de presas enormes e afiada PILOTANDO COM OS PÉS!
-Não o que?
Sorria mais. Era o que desejava.Passou a mão no rosto dela.Agora ela percebia que as unhas dele eram estranhamente compridas...e ... Pintadas? Ele a arranhou de leve com a unha enquanto enxugava suas lagrimas. O helicóptero deu uma leve inclinada, como se fosse cair. E estavam caindo mesmo.
-Se continuar chorando vamos cair lá embaixo assim como suas lagrimas estão caindo no chão
Prendeu a respiração quando o estranho secou suas lágrimas, as unhas pintadas de um roxo berrante arranhavam seu rosto e ela sentiu-se escorregar no banco quando o helicóptero se inclinou. A ameaça funcionou e ela respirou fundo, vários vezes, parando de chorar. Seu coração estava disparado, como se quisesse fugir do peito.
-Parei de chorar... Pode, pelo amor de Deus, se concentrar em pilotar?
O tom que era para soar irônico saiu fraco e quebrado. Seus dentes batiam de frio, mas esse era o menor de seus problemas. Aliás, ela sequer sabia por que se dera ao trabalho de parar de chorar quando não tinha esperança nenhuma de ser libertada.
Sorriu quando ela parou de chorar. Mas não de uma forma sádica, agora podia parecer quase gentil, se não parecesse tão louco . Voltou o helicóptero ao rumo normal, ainda dirigindo o mesmo com os pés. Encostou agora a mão no peito dela.Claro que poderia fazer de outro jeito, mas assim era melhor.Puxou-a até perto de si.
- Mas eu quero me concentrar em outra coisaaaaa
Passou a língua no pescoço dela, devagar. Era apenas uma pequena provocação
Trincou os dentes, tentando não deixar escapar nada. O cara era definitiva e completamente louco.
Cecille não conseguia se afastar estava presa contra o banco e o homem parecia muito forte. O gesto dele não foi parecido com nada que ela já tivesse sentido. Não era especialmente nojento, como ela generalizava essas situações. Mas era... Gelado, no mínimo.
Não podia negar que, no fundo, estava sentindo uma pontada de irritação. Se ele ia matar, que fizesse isso logo! Não era necessário esse teatro todo.
-Vamos... Vamos cair...
Não conseguiu manter a voz firme, não quando tentava empurrar o homem para longe, deslizar para o lado e falar ao mesmo tempo.
-Não vamos se você ficar quieta
Ainda detinha o controle da situação. Estava segurando-a com força, e adorando vê-la se debater, lutar. Deliciava-se em vê-la sofrer assim
- Se a vida é uma grande piada... Porque não rir dela?
Rir? RIR? Ela queria era morrer. Não agüentava mais aquilo, aquela pressão. O sujeito parecia... Feliz...Em vê-la sofrer. Bem, se era pra terminar, que terminasse logo. Ficou mais imóvel possível; o único movimento era de seu peito e seus ombros enquanto respirava.
Ele encravara os dentes na garganta dela. Bem devagar.E o helicóptero girou, estavam de cabeça para baixo agora.Estava sugando toda a essência vital para si, enquanto o sangue lhe vinha sem esforço.Mordeu, rasgando mais a carne, com violência.Não queria que ela esquecesse da dor
O grito que ela ia soltar ficou preso. Não tinha como descrever aquilo, a dor, o horror. Nunca, jamais, sentira alguma coisa que se comparasse aquilo. Sentia o sangue escorrer, o homem sugando como se fosse a coisa mais deliciosa que já tivesse provado.
Seu estomago embrulhou. O frio que sentia ia aumentando, mas ela não prestava atenção nisso. Os dentes que rasgavam sua garganta eram eficientes, e mais dolorosos do que qualquer coisa, mais fortes do que tudo.
Mas era o que ela queria, não? Terminar logo com isso, acabar com aquela porcaria toda. Deixou a cabeça pender para o lado, completamente sem forças para qualquer coisa que fosse a não ser deixar que aquele sádico continuasse com sua diversão. Sua visão embaçou, mas ela não fechou os olhos. Nunca fora corajosa, em toda a sua vida, mas esse parecia um bom momento para se demonstrar coragem. Queria ver o rosto daquele maluco antes de morrer.
Admirou-se da coragem da jovem. Bem, seu plano daria certo. Ele deu uma leve lambida na carne ainda sangrenta. Tinha sugado praticamente tudo, mas ela insistia em ficar acordada. Sorriu.Não deixaria ela ir tão fácil.
-Você quer morrer?
O helicóptero estava voltando à posição normal, mas eles estavam em queda. Era impossível evitar aquilo agora.Iriam de espatifar em uma rocha em poucos minutos.Ou morrer afogados.
A cabeça de Cecille caiu para trás, de encontro ao banco. Estava mais pálida do que a morte, sem forças para fazer nada além de respirar, mesmo assim, procurou alguma coisa dentro de si mesma para responder.
-Você quer que eu morra?
Queria sorrir, para dar mais ênfase à ironia, mas o simples ato de falar era demais. Tinha certeza agora: não tinha volta.
- Se fosse pra deixar você morrer, acha que eu teria me dado o trabalho de te colocar aqui dentro?
Ele sorriu, cortando a ponta do dedo com os dentes. Balançou o mesmo na frente dela
-Você quer viver? Quer viver como uma condenada?
Parecia mais estar falando para si mesmo, não pára ela
-Mas não é escolha sua. Eu dou as cartas.
Encostou a gota de sangue na boca dela, fazendo-a beber
-Full House
Assim que o dedo dele tocou-lhe os lábios ela encontrou forças para continuar. Alguma coisa queimava dentro dela, impelindo-a a continuar. De algum modo, sabia o que significava, mesmo que não fizesse idéia. Aquilo era, no mínimo, nojento, mas ela não conseguia parar. Completamente errado, sem sentido, mas ao mesmo tempo era essencial.
Abriu um sorriso. Sim, ela seria sua cria.Rasgou um pouco o próprio pescoço, e a atraiu para perto de si.A queda estava próxima.Era tudo ou nada
O controle não estava nas mãos dela... Bem, nunca estivera. Mas foi completamente irracional quando, deixando o dedo cortado de lado, ela praticamente se atirou sobre ele, atacando o corte no pescoço. O helicóptero ia, sem dúvidas, bater em algum lugar, ou cair na água. Mas, no momento, nada mais importava, a não ser o líquido quente que conseguia dele.
Riu. Uma gargalhada incrivelmente alta.Puxou-a mais uma vez com violência, mas sem afastá-la de perto dele.Estava puxando-a...Jogou-se do helicóptero, que bateu explodindo em uma rocha.As chamas foram altas, mas eles estavam caindo...
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