A Biblioteca do Esquecimento - Dramione

2 Capítulo 2: Fantasmas na Sala de Jantar


A chuva começou ao anoitecer, uma tempestade de inverno implacável que chicoteava as janelas altas da Mansão Malfoy como se quisesse pedir abrigo ou exigir vingança.

Draco Malfoy estava na Sala de Jantar Principal. Era um espaço cavernoso, projetado para intimidar em vez de acolher. A mesa de ébano, comprida o suficiente para sentar trinta Comensais da Morte durante os dias sombrios da ocupação, agora parecia uma pista de pouso deserta.

Draco estava sentado na cabeceira, o lugar que pertencera a Lucius. Diante dele, não havia um banquete, apenas uma garrafa de Ogden's Old Firewhisky pela metade, um copo de cristal pesado e uma carta amassada com o selo quebrado do Ministério da Magia.

Ele releu as palavras pela décima vez, embora já as tivesse decorado na primeira leitura.

“...confisco imediato dos cofres 711 e 713... em reparação aos crimes de guerra... investigação pendente sobre o paradeiro de Draco Lucius Malfoy...”

Eles não sabiam que ele estava ali. As proteções de sangue da mansão eram antigas, anteriores ao Ministério, anteriores até mesmo a Hogwarts. Enquanto ele não saísse dos limites da propriedade, ele era um fantasma. Mas o mundo lá fora estava fechando o cerco. O ouro estava sendo drenado. O nome estava sendo apagado.

Draco encheu o copo novamente. O líquido âmbar queimou sua garganta, um calor bem-vindo em uma noite fria. Ele não costumava beber sozinho — era um hábito patético que ele desprezava em outros —, mas aquela noite o silêncio estava particularmente barulhento. Ele podia jurar que ouvia os passos de sua mãe no andar de cima, ou a bengala de seu pai batendo no mármore do saguão.

— Você não deveria beber isso de estômago vazio.

Draco não pulou, mas sua mão parou no ar. Ele girou o copo devagar e olhou para a entrada do salão.

Hermione estava lá. A luz fraca do candelabro flutuante projetava sombras longas sobre o rosto dela. Ela usava o mesmo robe de veludo azul, mas parecia menos frágil do que nos dias anteriores. Havia cor em suas bochechas, e seus olhos estavam nítidos, analíticos.

— Granger — Draco saudou, a voz arrastada, levemente embargada pelo álcool. — Achei que tivesse te dito para ficar na Ala Oeste. Esta parte da casa é... desagradável à noite.

— Eu ouvi a tempestade — ela disse, entrando na sala e ignorando o aviso implícito. Ela caminhou com os pés descalços sobre o tapete persa. — E ouvi vidro batendo. Imaginei que você estivesse quebrando coisas ou celebrando algo.

Ela parou do outro lado da mesa, apoiando as mãos no espaldar da cadeira que costumava ser de Bellatrix. Draco estremeceu internamente com a imagem, mas não disse nada.

— Celebrando — Draco soltou uma risada curta e seca. Ele empurrou a carta do Ministério na direção dela. — Sim, estou celebrando a extinção do meu legado. Aceita um copo?

Hermione olhou para a carta, mas não a tocou. Ela manteve os olhos nele.

— Você está sozinho, Draco?

A pergunta era simples, mas carregava um peso que fez Draco apertar o copo até os nós dos dedos ficarem brancos.

— Estamos todos sozinhos, Granger. É a condição natural da existência. Nascemos sozinhos, morremos sozinhos. O intervalo entre esses dois eventos é apenas uma ilusão de companhia.

Hermione contornou a mesa. Ela se movia sem medo agora. A amnésia a protegia do pavor que aquela sala deveria inspirar nela. Ela não via o local onde Voldemort torturou a professora de Estudos Trouxas; ela via apenas uma sala de jantar triste.

— Isso é o uísque falando — ela disse suavemente, parando a uma distância segura dele, mas perto o suficiente para ele sentir o cheiro de sabonete de lavanda que ela usara. — Ou o luto.

Draco levantou os olhos para ela. O cinza encontrou o castanho.

— O que você sabe sobre luto, Granger? Você não lembra de nada. Sua mente é uma lousa em branco. Você é a pessoa mais sortuda deste maldito país.

— Eu não lembro dos fatos — ela admitiu, puxando uma cadeira próxima e sentando-se, ficando na altura dele. — Mas eu sinto os ecos. Eu sinto que há buracos dentro de mim onde pessoas deveriam estar. E quando olho para você... eu vejo o mesmo buraco. Só que o seu está sangrando.

Draco desviou o olhar. Ele tomou outro gole longo do uísque.

— Meus pais morreram nos portões de Hogwarts — ele disse, a confissão saindo antes que ele pudesse censurá-la. — De mãos dadas. Eles nem eram combatentes naquele ponto. Só queriam me encontrar. E morreram por isso.

Hermione ficou em silêncio. Ela não ofereceu clichês vazios. Ela apenas testemunhou a dor dele.

— E o garoto Potter... — Draco continuou, a amargura se misturando à tristeza. — O Santo Potter. Ele se jogou na frente da maldição da morte como se fosse um jogo de Quadribol. Ele salvou o mundo e morreu. E o Weasley... correu atrás dele e foi pego na explosão. Todos os heróis morreram, Granger. Só sobraram os covardes e os monstros.

— Você não é um monstro — Hermione disse firmemente.

Draco riu de novo, mais alto dessa vez, um som que ecoou nas paredes de pedra.

— Não sou? Olhe onde estamos. Olhe para esta casa. Foi construída com sangue e magia das trevas. Eu fui marcado como gado aos dezesseis anos — ele bateu a mão esquerda na mesa, embora a manga cobrisse a Marca. — Eu fiz coisas terríveis. Eu assisti a coisas terríveis.

Ele se inclinou para frente, o rosto distorcido pelo álcool e pela autodepreciação.

— Você quer saber a verdade? Você quer saber por que eu te salvei naquele dia?

Hermione não recuou.

— Quero.

— Não foi porque eu gostava de você. Nós nos odiávamos na escola. Você era a sabe-tudo irritante e eu era o principezinho mimado. — Draco cuspiu as palavras, querendo ferir, querendo afastar a compaixão que via nos olhos dela. — E não foi por heroísmo. Eu não dou a mínima para a Ordem da Fênix ou para os ideais de Dumbledore.

Ele parou, a respiração pesada. A tempestade lá fora iluminou a sala com um relâmpago, transformando o rosto de Draco em uma máscara de mármore pálido.

— Eu te salvei — ele sussurrou, a voz quebrando — porque eu estava cansado de ver morte. Eu estava no Salão Principal, e havia corpos por toda parte. Crianças. Professores. Meus pais. E então eu vi você. Caída perto de uma coluna quebrada. Bellatrix estava... ela já tinha acabado com você. Você parecia morta.

Draco fechou os olhos, a memória visual tão nítida quanto a realidade.

— Mas sua mão se mexeu. Só um pouco. E naquele momento, eu pensei: Se eu deixar ela morrer também, não sobra nada. Se eu deixasse a "Sangue Ruim" morrer, então eu seria exatamente o que meu pai queria que eu fosse. Eu seria o que Voldemort queria. E eu não podia... eu não podia mais ser aquilo.

Ele abriu os olhos, encarando o uísque no copo como se fosse veneno.

— Eu te salvei para salvar o último resquício de humanidade que eu tinha. Foi egoísta, Granger. Foi puramente egoísta. Eu usei a sua vida para tentar limpar a minha consciência.

O silêncio que se seguiu foi denso. Draco esperava repulsa. Esperava que ela se levantasse e saísse, horrorizada por ser um peão na redenção moral de um ex-comensal.

Mas Hermione não saiu.

Lentamente, ela estendeu a mão sobre a mesa. Seus dedos, ainda marcados por pequenos tremores, tocaram a mão de Draco que segurava o copo. A pele dela estava quente. A dele, gelada.

— Ninguém faz nada por um motivo puramente altruísta, Draco — ela disse. A voz dela era suave, mas carregada daquela lógica implacável que ele se lembrava. — Talvez você tenha feito por você. Mas você fez. Você me tirou de lá. Você me deu água. Você me deu livros. Você está cuidando de mim.

Draco olhou para a mão dela cobrindo a sua. O contraste era gritante.

— Você não entende — ele murmurou. — Se você lembrasse... você tiraria essa mão. Você teria nojo.

— Talvez — ela concedeu. — Mas eu não lembro. E neste momento, nesta sala, eu não vejo um monstro. E não vejo um covarde.

Ela apertou levemente a mão dele.

— Eu vejo alguém que perdeu tudo, mas que escolheu salvar uma vida no meio do inferno. Isso tem que valer alguma coisa.

Draco sentiu um nó na garganta, uma pressão dolorosa atrás dos olhos que ele não sentia desde a infância. Ele queria chorar. Queria gritar. Queria dizer a ela para fugir dele antes que ele a destruísse também.

Mas ele não fez nada disso. Ele apenas virou a mão, entrelaçando os dedos nos dela. Foi um gesto desesperado, um afogamento em terra firme. Ele se agarrou a ela como se ela fosse a única coisa sólida num universo que se desfazia.

— Vale — ele sussurrou, a voz falhando. — Tem que valer.

Hermione não sorriu, mas a expressão dela suavizou. Ela não retirou a mão.

— Estamos sozinhos aqui, Draco — ela repetiu as palavras dele, mas com um novo significado. — Mas talvez não precisemos ser solitários.

Draco olhou para ela, realmente olhou, não como a Granger de Hogwarts, mas como a mulher que estava sentada à sua frente nas ruínas de sua vida. E pela primeira vez em anos, o uísque não foi a única coisa que o aqueceu naquela sala fria.

— Beba seu chá, Granger — ele disse, tentando recuperar um pouco da sua compostura, embora não soltasse a mão dela. — Antes que esfrie.

Eles ficaram ali enquanto a tempestade rugia lá fora, dois fantasmas na sala de jantar, de mãos dadas sobre a mesa de ébano, compartilhando o silêncio que, pela primeira vez, não parecia um julgamento, mas uma trégua.

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A trégua durou três dias.

Foram três dias em que a Mansão Malfoy pareceu menos um túmulo e mais um purgatório tolerável. Draco e Hermione desenvolveram uma rotina silenciosa. Eles liam na biblioteca (ela devorando livros de História da Magia, tentando preencher as lacunas intelectuais; ele lendo relatórios financeiros, tentando salvar o que restava do ouro da família). Eles jantavam juntos. Eles trocavam poucas palavras, mas a tensão havia mudado de hostilidade para uma camaradagem cautelosa.

Mas a Mansão Malfoy não era um lugar de paz. Ela tinha memória. E, como um organismo vivo e maligno, ela parecia saber que a harmonia entre um Malfoy e uma nascida-trouxa era uma infecção que precisava ser expurgada.

Aconteceu numa tarde de quarta-feira cinzenta. Draco estava no porão, verificando as proteções das adegas contra possíveis saqueadores, e Hermione, sentindo-se mais forte, decidiu explorar o andar térreo além da biblioteca.

Seus pés, agora calçados em sapatilhas macias que Draco encontrara, a levaram inconscientemente para as portas duplas da Sala de Estar.

Draco sempre mantinha aquelas portas fechadas. Ele nunca entrava lá. Mas a tranca estava velha, ou talvez a magia da casa quisesse que aquilo acontecesse. A maçaneta girou sob a mão de Hermione com um clique suave.

Ela entrou.

O ar lá dentro era gelado, estagnado, cheirando a poeira e... algo metálico. Cobre. Sangue antigo que nunca foi totalmente limpo do assoalho.

Hermione parou no centro da sala. Um candelabro de cristal pendia torto no teto, relíquia de uma batalha que ela não lembrava. Os móveis estavam cobertos por lençóis brancos, como fantasmas ajoelhados.

Mas o que chamou a atenção dela não foi a mobília. Foi uma vitrine de vidro no canto, cujo vidro havia sido estilhaçado, mas onde um objeto permanecia intocado sobre o veludo negro.

Uma varinha.

Era feita de nogueira, curva e rígida, lembrando a garra de um pássaro de rapina. Emanava uma aura escura que fez os pelos da nuca de Hermione se arrepiarem.

Ela deveria ter recuado. Seu instinto gritava perigo. Mas a curiosidade, aquela força motriz que sempre fora sua maior virtude e seu maior defeito, a empurrou para frente. Ela precisava saber de quem era. Ela sentia que conhecia aquela curva na madeira.

Hermione estendeu a mão. Seus dedos roçaram a madeira escura.

No momento em que a pele dela tocou a varinha de Bellatrix Lestrange, o mundo explodiu.

Não houve transição suave. Não houve o "algodão" da amnésia se dissipando lentamente. Foi como ser atingida por um raio. A barreira em sua mente, já fragilizada pela foto do jornal, se estilhaçou em mil pedaços cortantes.

O grito.

Não o grito de outra pessoa. O dela.

A dor.

Fogo líquido correndo pelas veias. Nervos sendo lixados em carne viva.

O rosto.

Pálido, pálpebras pesadas, cabelos negros desgrenhados. Bellatrix sorrindo acima dela. “Vamos ver o quão sujo é o seu sangue, sua sujeitinha imunda!”

A faca.

Cortando. Escrevendo. Marcando-a como gado.

Hermione gritou. Na realidade física da Sala de Estar, ela caiu de joelhos, largando a varinha como se ela estivesse em brasa. Ela agarrou o próprio braço, arranhando a manga do vestido, sentindo a cicatriz queimar como se estivesse sendo feita naquele exato segundo.

Mas as memórias não pararam na tortura. Elas avançaram. Rápidas. Violentas.

Hogwarts em chamas. Gigantes derrubando as torres.

Harry.

Harry correndo pelo pátio, sujo, exausto, determinado.

“Eu tenho que ir para a Floresta, Mione. Tenho que terminar isso.”

O abraço dele. O cheiro de despedida.

E então, o fim.

A explosão no Grande Salão. O teto caindo.

Ron.

O rosto sardento dele, os olhos azuis arregalados de terror. Ele se jogando na frente dela.

“HERMIONE!”

A parede de pedra esmagando tudo. O clarão verde da maldição de Voldemort ricocheteando e atingindo Harry no peito enquanto ele destruía a cobra.

Todos caindo. Todos parando.

O silêncio absoluto depois do barulho.

Hermione estava no chão da Sala de Estar, ofegante, as lágrimas escorrendo pelo rosto, mas seus olhos não estavam mais perdidos. Eles estavam focados. E estavam queimando com um ódio que não cabia em seu corpo.

A porta da sala se abriu com um estrondo.

— Granger! — Draco entrou correndo, a varinha em punho, pálido como a morte. Ele sentira a oscilação na magia da casa. — O que você fez? Eu disse para não entrar...

Ele parou. Ele viu a vitrine quebrada. Viu a varinha de sua tia no chão. E então viu Hermione.

Ela se levantou devagar. A fragilidade da "hóspede sem memória" tinha desaparecido. A postura era de combate. A garota que se ergueu do chão era a veterana de guerra, a estrategista, a bruxa mais brilhante de sua idade.

E ela sabia exatamente quem ele era.

— Malfoy — ela disse. O nome saiu como um veneno. Não "Draco". Malfoy.

Draco baixou a varinha lentamente, erguendo as mãos em rendição. Ele viu nos olhos dela. O tempo da trégua tinha acabado.

— Você lembrou.

— Eu lembrei de tudo — ela sibilou, dando um passo em direção a ele. A magia ao redor dela estalava, fazendo os lençóis dos móveis tremerem. — Eu lembro desta sala. Eu lembro do lustre. Eu lembro de você parado ali, nas sombras, olhando enquanto ela me cortava. Enquanto você não fazia nada.

— Eu não podia... — Draco começou, a voz falhando.

— CALE A BOCA! — Hermione gritou, e uma onda de força invisível atingiu Draco, jogando-o contra a parede oposta. Ele bateu com força, escorregando até o chão, mas não tentou se defender. Ele aceitou o golpe.

Hermione avançou, parando acima dele, ofegante, as mãos fechadas em punhos, tremendo de fúria e dor.

— Você brincou de casinha comigo. Você me deu chá. Me deu livros. Me fez segurar sua mão! Enquanto escondia a verdade!

Ela se abaixou, agarrando o colarinho da camisa dele, puxando-o para perto.

— Onde eles estão, Malfoy? Onde estão Harry e Ron? Não minta para mim. Se você mentir mais uma vez, eu juro que vou usar aquela varinha no chão para fazer em você o que sua tia fez em mim.

Draco olhou nos olhos dela. Ele viu a esperança desesperada escondida atrás da raiva. Ela queria que ele dissesse que eles estavam presos. Feridos. Escondidos. Qualquer coisa, menos a verdade.

Mas Draco Malfoy tinha terminado com as mentiras. Ele não podia dar a ela seus amigos, mas podia dar-lhe a dignidade da verdade.

— Eles se foram, Hermione — ele disse, usando o primeiro nome dela pela última vez, como uma despedida. — Harry morreu no Pátio de Entrada. Ele matou o Lorde das Trevas, mas a explosão mágica... não sobrou nada. Nem corpo para enterrar.

Hermione soltou um som estrangulado, sacudindo-o.

— E o Ron? E o Ron?!

Draco desviou o olhar, incapaz de encarar a devastação dela.

— Ele tentou chegar ao Potter. O teto do Salão Principal cedeu. Eu vi acontecer. Foi rápido. Ele... ele não sofreu.

Hermione soltou o colarinho dele como se ele estivesse pegando fogo. Ela recuou, tropeçando nos próprios pés, as mãos cobrindo a boca para abafar um grito que parecia vir de sua alma.

— Não... não, não, não...

— Eu tentei te dizer — Draco disse, a voz rouca, levantando-se com dificuldade. — Eu disse que os heróis tinham morrido. Eu tirei você de lá porque você era a única que ainda respirava perto de mim.

Hermione encostou-se na parede, escorregando até o chão. A raiva se dissipou, substituída por um abismo negro de realidade.

Harry estava morto. Ron estava morto.

O Trio de Ouro era agora apenas um.

Ela não era uma sobrevivente. Ela era um resto. Um fragmento de algo que foi quebrado irreparavelmente.

— Por que você me salvou? — ela sussurrou para o chão, as lágrimas caindo livremente agora, pingando no assoalho manchado. — Você deveria ter me deixado lá com eles. Eu deveria ter ido com eles.

Draco ficou parado no centro da sala, cercado pelos fantasmas de sua família e pelos fantasmas dos amigos dela. Ele queria ir até ela. Queria oferecer a mão como fizera na noite anterior. Mas ele sabia que não tinha mais esse direito. O "Draco" que ela conhecera por três dias era uma miragem; para ela, ele era apenas Malfoy, o Comensal, o covarde.

— Eu não podia deixar a morte vencer completamente — Draco respondeu, baixo, quase para si mesmo. — Sinto muito, Granger. Sinto muito por ter te condenado a viver.

Ele não se aproximou. Ele ficou de guarda, encostado na porta, vigiando-a enquanto ela quebrava. Ele assistiu Hermione Granger chorar a morte de seus irmãos, de seu mundo e de sua inocência. Ele permaneceu ali, uma sentinela silenciosa e odiada, garantindo que, mesmo que ela quisesse morrer de tristeza, nada mais naquela casa a machucaria.

A cicatriz no braço dela estava aberta novamente, não na pele, mas na memória. E Draco sabia que, ao contrário do corte de Bellatrix, essa ferida nunca fecharia.


Notas finais
O próximo capítulo é o último.