A Bella e a Fera

13 Dormindo Com O Inimigo - Parte I


Notas iniciais
N/A: Fiquei muito tempo sem postar,Realmente eu enrolei um bocado, portanto aí está mais um capitulo, vocês merecem!

"Causar um dano coloca você abaixo do inimigo, vingar-se faz com que você se iguale a ele, perdoá-lo coloca você acima dele."
(Benjamin Franklin)

Aquela estava sendo uma noite estranha.

Muito estranha.

Quando entrei novamente por aquela última porta do corredor sul, não imaginava que não conseguiria sair.

Dentro daquela sala passei por todas as emoções possíveis. Jasper, provavelmente, ficaria louco.

Mas ali, enquanto estava com Edward, me senti um mar profundo, agitado, e escuro de emoções.

Teve um momento em que me senti tão acabada, tão desesperada, que as palavras começaram a sair de minha boca, antes que conseguisse engoli-las. E claro, para variar, eu fui parar contra a parede. Completamente indefesa.

Mas depois, quando Edward começou contar sua história. A história sobre seu passado. Sobre o que aconteceu. Eu senti toda a emoção de raiva por ele, se dissipar.

A pena, e o remorso, por ter o julgado de tal forma, me tomou, me deixando sem reação.
Não sabia o que dizer. Nunca havia escutado história igual.

Me senti torturada, agoniada, apenas em ouvir. E em imaginar que ele viveu isso. Que os Cullen's viveram isso. Era... era... tão cruciante. Não havia palavras para descrever.

Antes que percebesse, eu já estava com uma raiva imensa dos três... monstros, que fizeram isso com eles.

Mas havia uma coisa que me incomodava absurdamente. Me fazendo latejar de curiosidade. E foram suas últimas palavras.

'-- E qual o outro lado de sua historia? — indaguei curiosa.

Edward olhou para baixo, parecendo se lembrar de algo, e então levantou a cabeça me olhando firmemente nos olhos.

-- O Lado que realmente me torna um monstro.'

Fiquei encarando seus olhos firmes nos meus. Imaginando que coisas terriveis ele poderia ter feito. O que poderia ter sido pior do que aqueles três... monstros fizeram?

-- O que... o que... — mas as palavras não queriam sair. — O que você fez? O que aconteceu?

Ele me olhou como se me avaliasse.

-- Não creio que você esteja pronta para saber.

-- Sou eu que não está pronta para saber, ou você que não está pronto para contar? — perguntei antes que conseguisse pensar no que minhas palavras diziam.

No instante seguinte, dei um passo para trás, com medo de sua reação. Mas Edward apenas riu.

-- Algo assim. — respondeu.

Suspirei aliviada, e acho que ele percebeu, pois me olhou com um sorrisinho malicioso.

-- Quando pretende me contar? — se é que ele pretendia.

Ele me olhou, como se me avaliasse novamente.

-- Em breve. — respondeu pensativo. — Muito em breve.

Sorri levemente feliz com isso. E no mesmo instante tive a impressão fugaz de ter visto um sorriso diferente em seu rosto. Um sorriso doce.

Mas só pode ter sido impressão, pois no instante seguinte ele estava novamente com sua cara de maníaco.

-- Não fique feliz por isso. — comentou, me fazendo o olhar surpresa. — Creio, que depois que você souber do que fiz, só terá mais medo de mim.

Aquelas palavras fizeram os pelos de meu braço se eriçarem.

Como poderia ter mais medo dele? Como? Por quê?

E então uma pergunta, que estava em minha mente desde que falei com Jasper, saiu por minha boca.

-- É por isso que você não gosta de mim? Por quê sou parecida com Isabel?

-- Quem disse que não gosto de você? — respondeu rápido. Rápido demais.

Por um momente ele pareceu analisar o que suas palavras diziam.

-- Bom, depois de todas as vezes que você tentou me matar, meio que deu a impressão que você não é muito meu Fã, ou estou enganada? — comentei, sem entender o porque de sua resposta rápida.

Ele me olhou profundamente, e por um momento parecia que eu conseguia enxergar sua alma por aqueles olhos. Parecia que ele queria que eu enxergasse sua alma.

A alma que ele não tem.

-- Realmente. — concordou.

Mas a minha pergunta ele não havia respondido.

Edward virou de costas, e voltou a encarar a janela.

Não sabia se deveria insistir na pergunta. Mas queria muito saber se havia ganhado o ódio dele, por ser parecida com uma mulher que já morreu.

-- E então... — comecei incerta. — É por isso que não gosta de mim. Por que eu te lembro Isabel?

Ele ficou quieto olhando pela janela.

-- Não.

-- Então, por...-comecei, mas ele me interrompeu em tom baixo.

-- Porque você me faz lembrar do que cometi.

Essa não era a resposta que eu esperava.

Continuei olhando suas costas.

-- Você não irá me contar o que fez, não é? — perguntei já conformada.

Ele se virou sorrindo. Um sorriso misterioso.

-- Não! — já sabia mesmo.

Olhei em volta para as varias máscaras. Com toda a certeza, um dia elas já tinham sido muito lindas. Todas bem trabalhadas.

-- Você irá me matar, se eu disser o que pensei quando vi essa sala pela primeira vez? — perguntei, sentindo que ele havia me dado um pouco de corda.

Só não sabia se era para me enforcar.

Ele riu, e eu o senti atrás de mim.

-- Diga. — pediu, em sua voz baixa encostando a boca em minha orelha.

Ele voltou a rir quando percebeu que eu havia me arrepiado. Devia realmente ser divertido.

-- O que você pensou? — tornou a pedir agora do meu lado, olhando as máscaras junto comigo.

O encarei, pensando se ele iria ficar bravo.

-- Pensei que a sala fosse seu estoque particular de máscaras. — respondi em voz baixa.

Edward gargalhou estrondoso. E eu só havia visto esse riso uma única vez mais. E foi enquanto ele estava se divertindo com seus irmãos no jardim.

-- Previsível. — respondeu.

E então eu vi uma máscara. Ela era dourada, com detalhes em prata, e como as outras, estava levemente queimada. Era linda, mas havia algo nela que tinha me chamado a atenção. E era o tamanho.

Era pequena. Deveria ter pertencido a uma criança de no máximo 12 anos.

-- Havia crianças? — perguntei em tom abafado, ainda olhando a máscara.

-- O que? — perguntou, parecendo levemente confuso com minha mudança de assunto, e humor.

Mas então ele pareceu seguir o foco dos meus olhos, porque fez um som como se tivesse entendido.

-- Sim. — respondeu, e eu o encarei. Mas sua feição estava ilegível, e eu não gostei disso.

-- Quem era? — perguntei, ainda tentando ler seus olhos.

-- Essa não é minha história, Isabella. — respondeu, me encarando firmemente. — Não tenho direito de contá-la.

O tom dele era frio. E eu achei melhor parar com as perguntas.

Mas aquela pequena máscara havia me lembrado Lily. E a curisodiade de saber aonde ela e os outros estavam, me tomou.

Porém, achei melhor não força-lo mais. Não agora que ele estava sendo quase... simpático.

-- Bom. — disse por fim. — Acho melhor voltar a dormir.

Virei para porta, e por um momento achei que ele fosse me impedir. Mas ele apenas me olhou saindo pela porta.

Quando cheguei na porta, me virei, e encontrei seus olhos. Ele parecia querer dizer algo.

-- Boa noite, Edward. — falei educadamente, fechando a porta em seguida.

Não ouvi resposta. Mas também não esperava por uma.

Afinal ele ainda era o Maníaco Mascarado.

Notas finais
Acho que é só. Volto em breve com outro Cap.

Beijos ;*
Deb