A Bella e a Fera
14 Dormindo Com O Inimigo - Parte II
(Narrado por Edward Cullen)
Eu continuava encarando a porta pela qual Isabella havia se retirado. Não saberia dizer quanto tempo passei completamente imóvel, apenas olhando a porta.
Pequenas lembranças de nossa conversa ficavam repetindo em minha mente.
E minha resposta rápida não saia de minha cabeça. O que será que ela achou? Por um milagre aquilo saiu antes que eu pudesse pensar, e filtrar. Saiu antes que eu percebesse. Apenas saiu. Como se fosse a mais pura verdade.
Minha ânsia por saber o que se passava pela mente dela, era inacreditável. Eu simplesmente precisava saber.
Parecia ser uma necessidade.
Mas a cabeça dela não se abria para minha curiosidade.
Continuava fechada, para minhas duvidas.
Resolvi parar de encarar a porta, pela qual ainda conseguia ver seu rastro no ar, e segui para meu quarto.
Ele já estava bem mais arrumado. Só faltava comprar uma TV nova, e um aparelho de som também.
Era engraçado como eu gostava daquele lugar. Gostava de ficar sentado no sofá de frente para o lago, sem pensar em nada. Livre de todas as vozes, e todos os pensamentos.
Me mudei para cá, logo depois de minha transformação. Para me exilar. Sair da mente, e da intimidade de minha família. Por isso escolhi o aposento mais distante do resto da casa.
Fiquei algum tempo sentado no sofá, pensando. Mas então resolvi ir vê-la.
Claro que ela não sabia. Ela nunca sabia que eu sempre estava por perto. Que sempre estava a olhando. Observando.
Que eu sempre estava estudando Isabella Swan.
Antes que desse por mim, estava parado na frente de sua porta.
Minha porta.
Porque por ironia, ela estava no meu antigo quarto.
Fiquei olhando para o trinco de prata, e coloquei a mão, sem ouvir nada do lado de dentro, apenas sua respiração calma e compassada, junto com as batidas normais de seu coração.
Ela estava dormindo.
Abri a porta, me lembrando das noites em que entrei pela janela, para minha família não ver. Mas Alice sempre sabia. Na verdade ela sempre sabia antes que eu, normalmente.
Olhei para cama, e vi Isabella, com uma camisola azul claro, de uma seda leve.
Ela estava deitada de lado, com uma das mãos entre sua bochecha e o travesseiro, enquanto o lençol estava todo bagunçado em volta de si.
Seus cabelos caiam displicentemente por seu rosto, tampando a visão que eu tinha de sua face perfeita.
Fiquei parado encostado na parede, apenas a admirando. Estudando como era sempre assim.
Já havia algumas noites em que reparei que ela não conseguia dormir coberta.
Sempre se descobria. Percebi também que ela não conseguia dormir de bruços com a cabeça pro lado esquerdo. Toda vez que ela tentava, acordava.
Ela também mexia a perna muitas vezes, como se estivesse nervosa, ou ansiosa. E por muitas noites, ela se mexia muito. Como se seu sonho fosse inquieto.
Mas havia algo mais no sono de Isabella Swan. Ela falava enquanto dormia.
Isso me deixava deslumbrado. Porque ha algum tempo, eu ouvia muito meu nome saindo de sua boca durante o sono.
E surpreendentemente o pensamento que ela pensava em mim, mesmo que fosse só enquanto estivesse inconsciente, fazia uma chama apagada, voltar a ter fogo dentro de mim.
E o jeito com que ela pronunciava meu nome, fazia meu coração frio e morto, dar sinal de vida. Era inexplicável.
Completamente inexplicável. Como eu amava, e odiava Isabella Swan.
Continuei a olhando, tentando não prestar atenção em suas curvas. Ela era linda. E a camisola azul dava um contraste magnífico com sua pele naturalmente branca. Branca como a neve.
Adorava vê-la de azul.
E então, Isabella se mexeu, deitando de bruços, e fazendo sua camisola subir alguns centímetros.
Fechei meus olhos, evitando encarar a imagem. E respirei fundo, sentindo mais claramente a queimação em minha garganta.
-- Edward. — ouvi a voz calma e sonolenta.
Abri os olhos, e a vi murmurando enquanto dormia.
Meu nome sussurrado por seus lábios, era como musica para mim. Minha melhor trilha sonora.
-- Edward. — suas palavras eram sussurradas. Como um suspiro baixo.
Um suspiro que introduzia felicidade em minha veia, e colocava vida em meu coração morto.
Eu quase podia senti-lo batendo.
Tão linda. Tão delicada. Tão perfeita.
As vezes me perguntava o motivo dessa parte de mim ama-la, se eu mal a conhecia. Mas não tem como não ama-la. Tão parecida com Isabel. Tão igual a mulher que amei.
Mas do mesmo jeito que há o amor, há o ódio. Porém, eu não o sentia nesse momento. Pelo menos não nesse.
-- Edward. — ela murmurou novamente, se mexendo. — Fique. Por... favor.
A ultima palavra quase não saiu, como se ela estivesse desistindo de falar. Como se eu já tivesse ido.
Me aproximei sem perceber de sua cama, e me ajoelhei ao seu lado, tocando levemente seu rosto com as pontas dos dedos.
Seu cheiro me deixava hipnotizado, extasiado. E a queimação pareceu aumentar com aproximação.
Seu pescoço estava coberto pelos cabelos, mas não gastaria mais que 1 segundo para tirá-lo, sem ela perceber.
Mas naquele momento não queria seu sangue. Naquele momento queria apenas admira-la.
-- Não me deixe. — murmurou.
-- Não deixarei, Minha Doce Bella. Não deixarei. — sussurrei perto de seu rosto, deslizando minhas mãos por sua bochecha.
Senti sua respiração falhar, e me levantei de um pulo.
Mas era tarde demais, ela já abria os olhos.
Seus doces olhos de chocolate
Ela me olhou com o olhar sonolento, e por um momento pareceu não acreditar que eu estava ali.
Pensei em correr, e deixar que ela chegasse a conclusão que era alucinação.
Mas parte de mim, que precisava dela. Aquela parte que a amava. Essa parte, queria que ela me visse.
Queria que ela me visse velando por seu sono.
E foi essa parte que me segurou ali, me impedindo de sair do lugar.
-- Edward?
Sua voz saiu incerta. Como se não tivesse acreditando no que seus olhos vinham.
-- Edward? — chamou novamente, esfregando os olhos.
-- Sim, Bella. — respondi, a encarando. Tentando deduzir sua reação.
Ela ficou parada. Me encarando. Mas algo a fez me encarar de outra forma.
-- Do que me chamou? — um rápido flashback passou por minha mente. Já estive no lugar dela.
-- Bella. — respondi, levemente confuso. Como queria poder ler sua mente. -- Achei que gostasse que te chamassem assim.
-- Sim, eu gosto... é só que... — ela parou, e olhou para baixo constrangida . — Você nunca me chama de Bella. A não ser quando esta sendo sarcástico, ou zombeteiro.
Eu fiquei quieto depois de suas palavras. Era verdade, mas aquilo me surpreendia. Ela sempre me surpreendia.
-- Você me surpreende Isabella Swan. — disse sorrindo de leve, tentando não assusta-la. -Achei que sua primeira pergunta fosse algo relacionado, a eu estar em seu quarto, ou ofensas grotescas. Não um comentário pelo modo como eu te chamo.
Ela me olhou ainda com as bochechas vermelhas, mas um pequeno sorriso começou a crescer em seus lábios.
-- Você também me surpreende Edward Cullen. — respondeu ainda com seu pequeno sorrisinho. — Para alguém que não gosta de mim, e vive tentando me matar, com toda a certeza não esperava de ver em meu quarto. Ou você veio tentar me matar enquanto dormia?
Meu sorriso aumentou. Ela não estava me acusando de estar ali, e eu percebi que ela não queria um motivo para isso.
-- Não vim para te matar. — respondi. — Fique tranqüila.
Ela me olhou, e se arrumou na cama. Se sentando melhor.
-- E então... — começou. — Eu falei enquanto dormia novamente?
-- Sim.
Ela acenou com a cabeça, como que em concordância, mas não perguntou o que. Mas pelo jeito como suas bochechas corarem, eu tive certeza de que ela sabia.
-- Vai ficar ai? — perguntou rapidamente, me encarando.
Essa simples pergunta, pareceu me queimar por dentro.
-- Quer que eu vá embora? — perguntei, tentando contra lar o rosnado.
-- Não! — respondeu rápido.
E eu senti a queimação evaporar.
Ela me queria ali.
-- Quer dizer. — tentou corrigir, ficando vermelha. — Se quiser ficar, não tem problema. Perdi o sono.
Sorri mais com isso.
-- Obrigado. — respondi me aproximando. — E desculpe por te acordar.
-- Sem problemas.
Por um momento ela pareceu que iria perguntar o que eu fazia ali, enquanto ela dormia, mas acho que pensou melhor, pois apenas mordeu o lábio inferior.
O silencio se estendeu, e eu apenas encarava suas feições. Mas então ela me olhou, parecendo incomodada.
-- Vai ficar em pé mesmo?
-- Esta me convidando para deitar em sua cama, Isabella? — perguntei rindo.
Ela ficou corada, e olhou para baixo. Adorava deixa-la com as bochechas vermelhas. Era adorável.
-- Para sentar. — corrigiu, ainda olhando para baixo.
Ri novamente, e sentei na beirada da cama, de frente para ela.
-- Obrigado, já estava cansado de ficar em pé. Minha coluna estava me matando. — comentei sorrindo. — Velhice, sabe.
Ela me olhou rindo.
-- Você é realmente irmão de Emmett.
-- Pois é, veja só o que a convivência não faz com um... ser.
Isabella se encostou melhor na cabeceira da cama, e pareceu mais confortável.
Emmett tinha razão, piadinhas sempre descontraiam o ambiente.
-- Realmente. — concordou. Mas havia algo mais.
-- Fale o que esta pensando, por favor.
Ela negou com a cabeça. O que só me deixou mais curioso.
-- Isabella... — comecei, perdendo a pouca paciência, que possuía.
Mas ela me interrompeu.
-- Você tem múltipla personalidade, ou coisa do gênero?
A encarei confuso.
-- Não. — não que eu lembre, pelo menos.
Ela me encarou demoradamente.
-- Tem certeza?
-- Creio que sim. Por quê?
-- Uma hora você esta tentando me matar, e na outra você esta em meu quarto fazendo piadinhas. Sabe, é meio dificil acompanhar suas mudanças de humor.
Isabella parecia meio chateada com isso. E ela ficava ainda mais linda assim. Emburrada.
-- Acho que todo vampiro é assim. — ou quase.
Ela me olhou confusa.
-- Como?
-- Bom, quando somos transformados nos tornamos outros seres. Mas a parte humana, continua ali. Escondida. Disfarçada. Mas por vezes presente.
Ela mordeu o lábio, balançando a cabeça em concordância.
-- A parte que vive tentando me matar, é a parte vampira, né?
Eu ri com o jeito dela.
-- Provavelmente.
-- Já disse que prefiro bem mais a parte humana?
-- Para dizer a verdade... — comecei. — Achei que você não preferisse parte alguma.
Isabella olhou para baixo, com o sangue fluindo nas deliciosas bochechas.
-- Não preferia... — disse baixinho, sem me encarar. — Mas agora... hm... nesse momento, pelo menos... você esta sendo bem...
Ela parou constrangida, parecendo pensar nas palavras.
-- Simpático? — arrisquei rindo.
Isabella me encarou com um pequeno sorriso.
-- Sim.
-- Pois é. Aprendi a ser assim, de vez em quando.
-- E engraçadinho. — completou rindo. — Emmett, esta te fazendo bem.
Acho que se ela lesse a mente poluída, e maliciosa de Emmett, ela não teria tanta certeza, quanto ao 'fazendo bem'
-- O que você define como 'bem'? Pois, eu estou aprendendo todas as posições do Kama Sutra por sua mente?
Ela me olhou com os olhos arregalados. Mas depois se contorceu de rir.
Era inexplicável, como eu estava adorando vê-la daquele jeito.
-- Olha o lado positivo... — começou, tentando prender o riso. — Você nunca precisara ler o livro.
-- Depende do ponto de vista. — argumentei, parando de rir e fazendo uma careta, que a fez rir. — Prefiro ver as figuras explicativas, do que as cenas vividas em sua mente.
Isabella mais uma vez arregalou os olhos, e logo se dobrou gargalhando.
Eu achava que escutar meu nome em sua doce voz, fosse o som mais lindo do mundo. Estava enganado.
Sua risada ganhava.
Mas os dois estavam em um páreo duro.
-- Coitada da Rose. — Isabella comentou, se ajeitando novamente.
A olhei incrédulo.
-- O que foi?
-- Você acha que a Rose faz obrigada?
Ela me encarou e voltou a rir.
-- Não tinha pensado por esse angulo.
-- Deveria. — ok, talvez ela não devesse.
Ela já estava deitada novamente, com lagrimas nos olhos de tanto rir. Eu a acompanhava, mas sem as lagrimas nos olhos, claro.
Sua risada era contagiante.
-- Posso? — perguntei, apontando para o travesseiro ao seu lado.
Não sei o que ela entendeu sobre isso. Mas ela concordou com a cabeça, e eu me arrastei sobre a cama, e deitei ao seu lado.
Ela se virou de lado, com uma mão embaixo da bochecha, e me encarou.
Me virei para ela, e apoiei meu rosto na mão, e o cotovelo na cama. Cara a Cara. Ela no canto direito da cama, e eu no esquerdo, mas muito longe. Tinha muito colchão entre a gente... por enquanto.
Me perguntei o que ela faria se a cama fosse de solteiro, e não de casal.
Na verdade, a verdadeira pergunta, é: O que EU faria?
-- Deve ser um saco ler isso na mente dos outros? — comentou, me encarando com os olhos brilhando.
-- Se fosse apenas ler seria aceitável. Eu vejo mesmo. E em detalhes, quando Emmett ta afim de me encher.
Ela riu, ainda me encarando.
-- Isso acontece sempre?
-- O que?
-- Dele estar afim de te encher?
-- Diariamente.
-- Sinto muito.
-- Eu também.
-- Bom, acho que pelo menos Emmett, não sente tanto.
-- Provavelmente.
Ela ficou calada me encarando.
-- Por que será que você não pode ler minha mente?
Eu dei de ombros. Vivia pensando nisso, mas não chegava a resposta alguma. Parecia ser um bloqueio natural dela. Como se nada pudesse entrar em sua mente.
-- Gostaria muito de saber também. — respondi, sorrindo para ela.
Isabella me olhou confusa.
-- Você não sabe mesmo?
-- Infelizmente, não. — respondi a contragosto.
Ela riu.
-- Então você não é tão gênio, quanto parece, não é?
Dessa vez foi minha vez de rir.
-- "Não quero ser um gênio. Já tenho problemas suficientes ao tentar ser um homem." — respondi, citando Albert Camus.
Ela me olhou, parecendo querer lembrar de onde havia escutado essa frase. Mas sua resposta foi outra.
-- Achei que você fosse vampiro, não homem.
Alguém já avisou a ela que esse tipo de coisa não se fala?
-- Isabella, posso ser vampiro, mas ainda sou homem. — respondi piscando para ela, que ficou corada. Amava vê-la assim. — Pode parecer dificil de acreditar, mas é verdade.
-- Parece fácil para mim. — respondeu rápido, desviando o olhar no ato, e ficando vermelha.
Ela devia tomar cuidado com o que fala.
Isabella continuava olhando para baixo, com as bochechas em fogo.
Me movi sutilmente para perto dela, e estiquei a mão para tocar seu rosto, mas antes que eu o fizesse, ela levantou a cabeça, e me encarou nos olhos.
Puxei a mão rápido, antes que Isabella percebesse que eu pretendia toca-la. Mas pelo jeito ela não percebeu, como também parece não ter percebido minha aproximação.
-- Você gostaria?
Que tipo de pergunta era essa?
Tem tanta coisa que eu gostaria. A começar pelo seu sangue doce, e seus lábios macios.
Mas achei melhor guardar esse pensamento apenas para mim.
-- Gostaria do que?
-- Sabe... — começou, olhando para algum ponto no colchão. — Ler minha mente?
Pensei em mentir, e dizer que com toda a certeza não iria querer ler sua mente. Mas a resposta saiu antes que eu pensasse nela.
-- Muito. A cada minuto é o que mais desejo.
Trocaria o poder de ler a mente de todos os outros, só para ler a de Isabella.
-- Por quê? — perguntou curiosa. — Não vejo nada demais em minha mente.
Sorri.
Ela realmente não sabia o quanto era interessante, não é? O quanto era um enigma para mim.
-- Você me instiga, Isabella Swan.
Isabella me olhou, e um pequeno sorriso brotou de seus lábios.
-- E você me amedronta, Edward Cullen.
-- Sério? Você não me parece amedrontada no presente momento.
-- No presente momento, você não parece querer me matar.
-- Touché.
O sorriso dela aumentou.
-- Isso quer dizer que você realmente não esta pensando em me matar no momento?
Eu a encarei, analizando-a.
-- Você é absurda. — comentei, ela realmente era.
E no momento mais do que nunca gostaria de ler sua mente.
Ela riu, me encarando incrédula.
-- É você que esta em minha cama, depois de tentar me matar algumas milhares de vezes, e eu que sou absurda?
-- Touché. Novamente. — e mais uma vez, ela me deixava sem saber o que dizer. Acho que ela estava gostando disso.
Ela voltou a rir.
-- Eu também gostaria... — começou, se recompondo.
-- De que?
Metade de mim, estava fazendo teorias incríveis para o que ela diria a seguir.
-- De poder ler sua mente.
Se eu pudesse engasgar com o ar, eu o teria feito. Porque só a idéia de Isabella poder ler minha mente, quase me dava arrepios.
-- Edward? — ela perguntou, e eu reparei em seus olhos vagamente preocupados. — Você esta bem? Parece mais branco, meio... assustado?
-- Edward? — ela perguntou, e eu reparei em seus olhos vagamente preocupados. — Você está bem? Parece mais branco, meio... assustado?
-- Estou bem. — respondi, me recompondo.
-- Certeza? Você me parece meio... hm... abatido?
-- Absoluta. — confirmei.
Resolvi não comentar, que eu simplesmente quase tremi ao pensar nela lendo minha mente.
-- Vampiros podem ficar mal? — perguntou, mudando de assunto.
E eu? Agradeci aos céus por isso.
-- Alguns, como Alice, tem dores de cabeça incomodas. Não entendo muito sobre esse assunto, mas Carlisle estava estudando sobre isso há algum tempo atrás. — respondi indiferente. Já havia muitos anos que Alice não tinha uma dessas.
Isabella ficou pensativa, olhando para o colchão. E a necessidade de saber urgentemente o que ela pensava me tomou. Eu precisava saber.
Me peguei perguntando internamente, por que JUSTO ela tinha que ter esse bloqueio? Era frustrante.
No fim, não consegui me controlar, e me vi fazendo a perguntar que não queria calar.
-- Me diga o que está pensando, por favor.
Isabella me olhou e sorriu.
-- É chato não saber o que os outros estão pensando, não é? — perguntou, com um sorriso sacana.
-- Muito. Você não sabe como é frustrante.
Isabella riu.
-- Acredite, eu sei. Eu e o resto da população viva. — respondeu, ainda rindo. — A maioria de nós, não tem super poderes, sabe?
-- Realmente deve ser uma vida triste a de vocês. — comentei rindo. — Mas eu não sou acostumado com isso. Eu sempre sei o que as pessoas estão pensando.
Isabella sorriu ainda mais sacana, e levantou uma sobrancelha, como se eu tivesse esquecido de algo.
-- Menos você, é claro. — completei a contragosto.
Ela sorriu, parecendo feliz porque eu não conseguia lê-la. Bom, pelo menos alguém ficava feliz por isso.
Ficamos conversando por mais algum tempo, até os olhos de chocolate derretido, de Isabella, darem os primeiros sinais de sono.
Fiquei quieto esperando que ela deixasse seus olhos vencerem sua determinação de ficar acordada, e antes que eu percebesse, ela já estava dormindo.
Isabella dormia profundamente, e eu fiquei olhando seu semblante leve. Sua respiração calma e compassada. E as batidas leves de seu coração.
Seu cheiro inebriante me deixava com a garganta queimando, mas eu já estava ficando acostumado com essa queimação. Acho que se não a sentisse sentiria falta.
Isabella continuava dormindo calmamente, e parecia não estar sonhando, porque também não falava. Fiquei desapontado com isso. Queria ouvi-la falar. Queria ouvir o som de sua voz. Queria ouvir meu nome saindo por seus doces lábios. Mesmo que apenas enquanto ela dormia.
Fechei meus olhos, desviando da visão perfeita de seu rosto, e respirei fundo.
Mas foi nesse momento que eu vi. Na mesa de cabeceira ao meu lado.
Se eu tivesse um coração ele estaria descompassado, quase saindo do peito. Ou teria parado de bater com o choque.
Senti a raiva me consumindo, e antes que fizesse algo me peguei rosnando.
Eu odeio Isabella Swan, Ou amo?
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