A Bella e a Fera
7 Capítulo 7 - Pequenas Mudanças
"Um conto velho como o tempo
Tão verdadeiro quanto pode ser
Dificilmente seriam amigos
E então alguém se curva
De maneira inesperada
Apenas uma pequena mudança
Pequena, pra dizer o mínimo
Ambos um pouco assustados
Nenhum preparado
A Bela e a Fera
Sempre apenas a mesma coisa
Sempre uma surpresa
Sempre como antes
Sempre apenas com a certeza
De como quando nasce o sol
Um conto velho como o tempo
Uma canção velha como a música
Amarga e estranha
Descobrindo que você pode mudar
Aprendendo que você estava errado
Certo como o sol
Nascendo no leste
Um conto velho como o tempo
Uma canção velha como o verso
A Bela e a Fera"
(Traduçao: Beauty And The Beast — Celine Dion.)
Eu ainda estava parada em estado de apatia olhando para onde ele havia sumido.
Rosalie ainda mantinha seu braço em meu ombro, e parecia estar perdida em pensamentos.
Ouvimos um uivo distante, e Rosalie pareceu acordar.
-- Acho melhor irmos. Não quero ter que lidar com cachorros agora.
-- Ok. — concordei.
Mas no instante em que ela tirou seu braço de meu ombro, percebi que não conseguia ficar de pé.
O frio, a dor... tudo parecia estar contra mim.
Rosalie sorriu fraco, e tirou com sua força, um tronco de uma das árvores, enquanto o colocava no chão.
-- Ou talvez seje melhor, se você se sentasse um pouco.
Sorri em agradecimento e me sentei, enquanto ela se sentava do meu lado.
-- Alias, creio que não fomos devidamente apresentadas. Sou Rosalie Hale. — disse estendendo a mão.
-- Bella. Isabella Swan. — respondi apertando sua mão, incrivelmente fria.
Ela sorriu.
-- Obrigada! — disse encarando-a
-- Pelo que?
-- Por ter convencido, o maní... digo Edward a me deixar viver.
-- De nada. Mas não é uma coisa que se deva agradecer. Edward me salvou uma vez, e eu o retribui. Você não acreditaria no que seria se Edward te matasse. Ele não suportaria. Iria arranjar uma maneira de se matar.
A encarei confusa.
-- Por que ele iria querer se matar? — indaguei.
Ela me olhou preocupada.
-- Não sou eu quem te deve essa resposta.
-- Custava muito alguém me explicar alguma coisa?
Será que custava muito? Eu só queria algumas respostas. Saber porque estava naquele filme de terror.
Ela sorriu culpada para mim.
-- Na hora certa você descobrira. Mas acho que você não está preparada para isso no presente momento.
-- Talvez eu esteja. — respondi sorrindo.
Ela suspirou.
-- Apenas Alice sabe tudo completamente Bella, eu descobri aos poucos, enquanto a prensava na parede. Ninguém entende direito o porque estamos te colocando em perigo 24 horas. Mas há algum tempo, aprendemos a confiar completamente em Alice. — respondeu. — É realmente complicado de explicar.
-- Tente. — pedi
Eu QUERIA respostas.
Ela suspirou.
-- Você combina com Edward. É Tão teimosa quanto ele. — respondeu. — Sinto muito Bella. Mas acho que realmente não é a hora certa. E não adianta insistir, a não ser que queira minha inimizade.
Ok. Eu é que não queria MAIS uma querendo me matar.
Suspirei. Seria uma batalha perdida.
-- Pode pelo menos me responder umas curiosidades?
-- Depende de quais.
Melhor que nada.
-- Certo. Por quê você consegue ficar perto de mim, mesmo comigo sangrando?
-- Porque eu tenho um bom alto controle. Carlisle é o que mais consegue se controlar. E acredite ou não, Edward é mais controlado que eu. Mas obviamente não com seu sangue.
Ele? Controlado? Certo.
-- Por que obviamente não com meu sangue?
-- Seu sangue, é como droga para ele. Irresistivel. Nunca senti um cheiro igual ao que você cheira pra ele, então não posso explicar como é.
Hm.
-- Por que ele usa aquela máscara? — perguntei antes que conseguisse me controlar. Morrendo de curiosidade.
-- Desculpe Bella, mas não está em..
-- Não está em seu direito contar. Sim. Já me falaram isso. — interrompi.
Ela sorriu. Era incrivel, como ela era absurdamente linda.
Eu imaginei que um homem perto dela, esqueceria até quem era Angelina Jolie.
-- Você disse que Edward te salvou? — perguntei curiosa.
-- Sim.
Não sabia se deveria perguntar, ou se era melhor deixar quieto. Não queria a inimizade da loira. Mas como sempre minha curiosidade falou mais alto.
-- Como?
-- Longa história. — suspirou. — Se eu conta-la, revelarei a de Edward.
Então as histórias estavam realmente entrelaçadas. Interessante.
-- Lily? — me lembrei, dando um pulo.
-- Ela está bem. Alice a tirou de lá, se trancando no quarto com ela, para proteje-la, caso algum de nós fosse atrás.
-- E Alice não vai ataca-la?
-- Alice também tem um bom alto controle, Bella. Embora quando esteja perto de sangue exposto, as coisas dificultem.
Eu a olhei pensativa.
-- Como vocês podem manter uma criança junto com seres como vocês? — perguntei antes que pudesse pensar em minhas palavras.
Rosalie me mandou um olhar cortante, como se eu tivesse a ofendido.
Claro. Eu a ofendi.
-- Esse tipo de coisa não acontece sempre. Esse tipo de problema, só começou a emergir nas ultimas 24 horas. — respondeu seca.
Eu notei a indireta nas palavras dela. O problema era eu.
-- Se me soltassem talvez não tivessem que passar por isso. — murmurei baixo. Mas é claro que ela ouviu.
-- Se te soltassemos, muitas outras coisas iriam ocorrer.
-- E não tem nenhuma saida para tudo isso? Quer dizer, quantas vezes mais eu e Lily iremos aguentar ataques? Uma hora um deles vai funcionar.
Falei demais novamente. Mas dessa vez Rosalie apenas sorriu.
-- Jasper pensa igual. Alias ele acha que fariamos melhor se te transformássemos.
Hein?
-- Me transformar? Em que? — perguntei confusa.
Rosalie me olhou com um sorrisinho ironico, como se fosse óbvio que eu estava perdendo alguma coisa.
E então a ficha caiu. Me transformar em... vampira.
Oh Meu Deus.
-- Em... em... — as palavras não saiam. — Me transformar em... uma de vocês?
Ela sorriu como se pedisse desculpas.
-- Não iremos fazer isso. — me garantiu. — Não escolheria essa vida para mim, se tivesse opção, e também não vou escolhe-la para os outros. Carlisle também é contra, pelo menos por enquanto. Ele diz que só irá transformar alguém com o consentimento da pessoa. E Edward? Bem, Edward, acha que se te transformássemos, seria sua passagem completa para viver para sempre conosco. E ele não está muito disposto a aceitar você. Por enquanto.
Bom. Nesse ponto eu tinha que concordar com o maníaco. Viver com ele para sempre, seria o tipo de inferno gelado, que eu sempre quis evitar.
-- Você é namorada de Emmett, não é? — perguntei do nada, apenas para mudar de assunto.
Ela sorriu orgulhosa.
-- Noiva.
-- E por que ainda não casaram? — indaguei, imaginando a quanto tempo eles estariam noivos.
Ela fechou a cara. Mas antes que respondesse, outro uivo ecoou pela floresta, agora mais perto.
-- Agora acho melhor irmos. Daqui a pouco estaram aqui. — disse, se levantando, e esticando as mãos para mim.
Meu corpo doeu, e eu gemi, com o movimento.
-- Se importa? — perguntou me pegando no colo. — Será mais rápido.
Com toda a certeza seria.
-- Fique à vontade. — respondi, já em seus braços.
Era engraçado estar no colo de alguém como Rosalie. Mesmo sabendo que ela era extremamente forte.
Fechei os olhos, sentindo as gotas cairem por meu rosto.
O dia já estava claro. Quer dizer, não exatamente, já que nunca faz sol em Forks.
Chegamos em um tempo absurdamente rápido, e antes que eu desse por mim, ela já havia me colocado no chão, dentro da mansão.
Mal havia aberto os olhos, e Alice já estava ao meu lado, com sua carinha de fada dos olhos vermelhos.
-- Jazz! — Alice chamou, antes mesmo de olhar pra mim.
Jasper desceu como um vulto pela escada. Mantendo uma certa distância de mim.
-- Acho melhor você ir lá. Black vai reconhecer o cheiro dela. — Alice falou, e Jasper ficou sério, ainda sem se aproximar de mim, e saiu na sua velocidade porta a fora, sem dizer nada.
Black?
-- Black? — indaguei. — Do que falavam?
-- Lobisomens. — Alice respondeu sem pensar.
-- LOBISOMENS? — gritei alto.
O que? Existem Lobisomens também?
-- Sim. Lobisomens.
-- E o que Black tem a ver com isso?
Alice e Rosalie suspiraram juntas, como se tivessem combinado.
-- Vamos Bella. Carlisle está te esperando para cuidar de seus ferimentos. Te explicaremos enquanto isso. — Alice disse me puxando pra mesma salinha, a onde eu havia descoberto sobre Lily.
Carlisle já estava sentado no sofá, com uma maleta enorme, cheia daquelas coisas médicas, que eu já conhecia muito bem, mas ainda assim me deixavam com frio na barriga.
Sentei ao seu lado e ele olhou minha nuca e meus outros pequenos ferimentos espalhados pelos braços e pescoço.
-- O que fizeram a você? — não era uma pergunta, entao não respondi.
-- Er... Bella. Com licença. — Alice murmurou sem respirar, e me mandando um sorrisinho sem graça.
Carlisle começou a limpar minhas feridas, que ardiam horrores.
-- Então... Lobisomens? — perguntei pra Rosalie, que estava sentada pensativa em um dos sofás.
-- Ela sabe? — Carlisle perguntou confuso.
-- Deixamos escapar.
-- Podem explicar agora, por favor? — insisti.
Rosalie suspirou.
-- Certo, vou tentar resumir de uma maneira bem simples. — Rosalie disse parecendo entediada. — Do mesmo jeito que existe vampiros, existem lobisomens. Somos inimigos naturais.
-- Mas tipo, Lobisomens... Lobisomens? Daqueles que se transformam na lua cheia? — interrompi.
-- Não. Eles podem se transformar em qualquer momento, e não perdem o controle de suas ações, como você vê nos filmes. A não ser quando são jovens, ou se entregam aos instintos. Como os vampiros em parte. Mas de qualquer modo, não são criaturas confiaveis, são perigosos, instáveis e petulantes.
Eu pensei sobre aquilo.
Quer dizer, eu não estava REALMENTE surpresa.
Depois de crianças que eu jurava estarem mortas, aparecerem vivas, e vampiros mascarados, que bebem sangue, eu acreditaria até em fada dos dentes se me dissessem que ela existia.
Mas então me lembrei.
-- Black?
-- É um dos lideres do recente clã de Lobisomens. Jacob Black. — Rosalie respodeu.
-- JACOB? — berrei me levantando com força, e fazendo Carlisle que estava dando pontos no meu braço quase errar a agulha.
Jacob?
JACOB?
-- Sim. Jacob Black? Por quê você o conhece? — Rosalie perguntou, enquanto Carlisle me fazia sentar novamente.
-- Conheço ele desde o dia em que nasci praticamente. Era meu melhor amigo, antes de se tornar um arrogante, prepotente querendo casar comigo.
Rosalie riu.
-- Você realmente vivia entre Lobisomens? E agora veio pro meio dos vampiros? Você deve ter sangue pra perigo.
-- Sangue? Palavra bem apropriada. — comentei, me lembrando de Edward.
Ela sorriu.
-- Mas como ele pode ser um lobisomen? — voltei pro assunto.
-- Bom, normalmente é hereditário, e ele só se torna um, quando está em estágio de maior idade, ou quando algo muito chocante, ou sentimentos parecidos, acontecem. — mas quem respondeu foi Carlisle.
-- Embry, Seth, Quil, e os outros. Todos eles são? — perguntei abismada.
-- Não conhecemos os nomes. — Rosalie respondeu. — Apenas dos lideres. O outro é Sam Uley.
E então me lembrei.
Seth e Embry saindo da floresta. A cara de culpado de Seth quando falei do meu pai.
Quando eles riram, do que eu falei sobre os lobos.
-- ELES são os enormes lobos, que estão deixando todos preocupados? — não era uma pergunta. Eu já sabia a resposta.
-- Os próprios. — Rosalie respondeu.
Fiquei quieta pensando sobre tudo. Era muito pra minha cabeça. Ainda mais com ela machucada.
Carlisle continuou cuidando dos meus ferimentos, e eu já não sentia dor.
-- Onde está Lily? — perguntei depois de algum tempo.
-- Dormindo. Quando Jasper se acalmou, eu pedi pra ele acalma-la e ela caiu no sono em seguida. — Carlisle respondeu, virando meu pescoço e cuidando melhor do ferimento em minha nuca.
-- E os outros?
-- Esme está na cozinha preparando o café da manhã para você e Lily. Alice provavelmente foi ajudar ela, quando saiu daqui. Jasper, pelo que eu ouvi de Alice, quando vocês chegaram, foi despistar seu rastro. Emmett e Edward, eu não sei a onde podem estar, mas espero que estejam caçando. Edward realmente precisa. — Carlisle respondeu, enquanto passava alguma coisa fria no meu machucado.
Suspirei, enquanto Rosalie continuava com o olhar desfocado, e Carlisle ainda limpava meu machucado.
-- Rosalie? — chamei baixinho, quando Carlisle estava terminando de cuidar de meus ferimentos.
-- Pode me chamar de Rose, Bella. — ela pediu sorrindo simpática.
Senti minhas bochechas corarem.
-- Certo, Rose. — concordei, ainda vermelha, e sentindo que iria ficar mais. — O que você disse sobre 'ele já a ama' na floresta? De quem falava?
Ela sorriu novamente.
-- Emmett. Ele já te ama, viu em você a irmã fragil e delicada, que ele perdeu quando transformaram Alice em vampira. — eu disse que ia ficar mais vermelha.
Me perguntei se ela ligava pra isso, mas como se ela lesse mentes e não Edward, ela respondeu.
-- Não é questão para ter ciúmes, o amor que ele sente por mim e por você são completamente diversos. Até porque confio em mim, e creio que ele não me trocaria. Sou egocêntrica demais, para ter ciúmes de algo que sei que nunca irá me deixar.
Claro. Quem trocaria a encarnação pura da beleza, por essa pessoa desengonçada que sou eu? Só um louco.
Mas antes que eu pudesse responder, Carlisle se levantou.
-- Bom, Bella, acho que terminei. — disse sorrindo.
-- Obrigada. — agradeci. Olhando meus braços e tocando levemente minha nuca.
Os curativos estavam muito bons.
-- Não fique cutucando. — ele repreendeu sorrindo. Tirei as mãos no ato.
-- O Senhor é bom nisso. Todo vampiro é assim habilidoso com curativos? — perguntei.
Ele riu.
-- Não saberia dizer. Mas o fato de eu ter feito medicina deve ajudar com isso, não é? — respondeu ainda rindo, enquanto guardava as coisas em sua enorme maleta, com agilidade e rapidez.
-- O Senhor é médico? — perguntei pasma.
-- Eu fui um médico. Hoje em dia não sou mais. — respondeu sorrindo triste.
Ele se levantou com sua maleta.
-- Se sentir dor venha até mim. Trocarei os curativos amanha. — avisou sorrindo.
Ele mal havia sumido pela porta, quando uma figura pequena, entrou como um vulto.
-- Bella, café da manha. — Alice disse animada, como se tivesse ganhado um enorme presente.
Me levantei, e segui com Alice e Rosalie. Me lembrei de prestar muita atenção no caminho.
Mas não fomos para cozinha. E sim para a sala de jantar deles.
Ok. Não vou nem comentar. Nunca havia estado ali. Mas era deslumbrante.
Metade da mesa estava lotada com tudo que é tipo de comida e bebida. E eu notei que estava morta de fome.
Lily já estava em uma cadeira comendo panquecas com cobertura de chocolate e granulado colorido, quando me sentei ao seu lado.
-- Espero que goste Bella. — Esme falou entrando, com olhos vermelhos, e sorriso fraco.
-- A Senhora quem fez? — indaguei.
-- Sim querida, faz tempo que não como esse tipo de alimento, então não posso saber se está bom. Mas espero que goste.
Enchi meu prato de diversas coisas, e comecei a comer.
Era realmente bom.
-- Uau. Está muito bom, Esme. — exclamei sorrindo.
-- Obrigada querida.
Lily estava quieta, enquanto comia. Mal olhava para mim, e eu me perguntei o que teria acontecido.
-- Lily está tudo bem? — indaguei preocupada.
-- Está sim, Tia Bella. — respondeu ainda sem me encarar. — Tia Esme, eu já terminei, posso subir pro meu quarto, ficar com o Teddy?
-- Pode sim, querida.
Olhei para seu prato, e percebi que ela mal havia tocado nas panquecas.
Desviei os olhos para olhar o céu pelas enormes janelas de vidro, e percebi que o tempo estava fechando mais ainda, ia vir temporal. E dos bravos.
Mas tudo foi varrido de minha mente, quando Emmett, Edward e Jasper entraram na sala. Os três muito sérios.
Emmett me olhou e deu um pequeno sorrisinho, o qual foi seguido de Jasper, e eu senti um enorme sentimento de paz. Adorava o poder dele.
Apenas Edward, abaixou a cabeça, parecendo recear me encarar.
Percebi que só Jasper mantinha os olhos ainda vermelhos.
Emmett veio até mim, e se sentou ao meu lado.
-- Você está bem? — perguntou preocupado. E eu me lembrei do que Rose tinha falado e fiquei vermelha.
Jasper havia parado na frente de Alice, e Rosalie, e falava rápido e baixo com elas.
-- Sim. Seu Pai é realmente um ótimo médico. — murmurei sorrindo, enquanto Edward se sentava de frente para mim, ainda sem encarar meus olhos.
Emmett passou a mão por meus cabelos, beijando minha testa em seguida.
Peguei uma torrada, e comecei a passar manteiga, para não ter que encarar nenhum dos dois.
Depois disso, tudo pareceu acontecer rápido demais. Um trovão cortou com barulho ecoando pelo céu.
Eu gritei de susto, deixando minha faca com manteiga voar, e cair em cima da palma de minha mão esquerda, cortando-a levemente.
Jasper rosnou, e o sentimento de sede me tomou, de maneira quase cruciante.
EU PRECISAVA DE AGUA!
Edward apertou a mesa com tanta força, que aquele pedaço se quebrou.
Esme pulou, e Alice expôs os caninos.
Emmett me puxou, me pegando no colo, e Rosalie se colocou em posição de ataque impedindo que eles viessem atrás de nós.
A unica coisa que me espantou, foi que Edward não estava em posição de ataque como os outros.
Apenas segurava a mesa com uma força monstruosa. Se agarrando a ela como se o mundo dependesse disso.
Rosalie fechou a porta, deixando eu e Emmett do lado de fora. Mas ainda pude ouvir o som de algo batendo com a porta, antes de Emmett sumir andar a cima.
-- Carlisle. — ele gritou.
No mesmo instante, Carlisle apareceu ao seu lado, confuso.
Mas na hora que me viu em seus braços pareceu entender.
-- Não da mais Pai. Eles precisam ir caçar agora. Uma gota de sangue fez todos perderem o controle. Rose está os impedindo de arrombarem a porta, mas ela é apenas uma.
Carlisle apenas concordou com a cabeça, e segiu escada a baixo enquanto Emmett me levava ao terceiro andar, parando na frente de uma porta entreaberta.
Era o quarto de Lily.
Ele me colocou no chão e trancou a porta.
Lily estava em sua cama, com um enorme labrador do seu lado, que latiu quando nos viu.
-- O que aconteceu? — Lily perguntou, nos encarando assustada.
-- Nada Lily. Apenas, que eu e a Tia Bella iremos ficar um pouco com você e o... — ele lançou um olhar de desagrado pro cachorro — E o Teddy.
Eu respirei fundo, reparando que havia parado de aspirar o ar.
Eu só podia estar pagando muitos pecados.
Pela segunda vez apenas nessa manhã? Deus, a onde foi que eu errei?
Me deitei ao lado de Lily em sua cama, enquanto reparava no quarto.
Era todo cor-de-rosa. Parecia daqueles tipos que você via nos filmes de princesa.
Olhei para o Teddy, que ainda olhava para Emmett.
Encarei a TV, enquanto Lily ainda parecia triste e sem me encarar.
E então, o sono me levou, tão rápido que eu nem tive tempo de reparar, ou evitar.
Meus olhos se abriram com dificuldade, e senti meu corpo dolorido.
Olhei ao redor. Não estava mais no quarto de Lily. Estava novamente no meu. Encarei a janela, vendo a escuridão sem fim. Eu havia dormido muito. Mas não fazia idéia de que horas eram.
Eu realmente precisava de um relogio.
Segui para o banheiro, sentindo que precisava urgentimente de um banho.
Tomeu um banho rápido, e vesti a roupa mais simples que encontrei.
E então subi para o terceiro andar, para ver Lily. Foi só quando sai, que percebi que talvez não devesse estar andando por ali.
Quer dizer, essa manhã não foi exatamente o que eu chamo de calma, não é?
Mas como já estava na frente de seu quarto, não dei atenção.
Bati na porta, mas não veio resposta, então eu a abri.
Mas Lily não estava ali. Teddy roncava em seu cesto cor-de-rosa no lado do guarda-roupa. Achei estranho ela não estar ali, e fiquei preocupada.
Ela estava muito estranha de manhã.
Desci para ir até a cozinha ver se a encontrava, mas quando cheguei no primeiro andar, notei que a ultima porta do lado sul, estava novamente entreaberta.
Meu — já muito conhecido — instindo de preservação, me mandava ficar quieta na minha e não causar mais problemas. Mas como sempre a curiosidade me dominava.
Mas antes que me controlasse, meus pés já estavam na frente da porta. Percebi uma luz fraca vinda de dentro.
Minha curiosidade forçou minha mão a abrir melhor a porta, e eu encarei o ambiente.
Era estranhamente claro. Muito claro. Tinha enormes prateleira de vidro que iam do chão ao teto, em todas as paredes. Mas o mais esquisito era que essas prateleiras só continham... máscaras.
E então eu ofeguei.
Máscaras me lembravam o maníaco. Eu sabia que não devia estar ali.
A minha curiosidade ainda iria acabar me matando, qualquer dia desses.
Virei para sair dali, antes que alguém me visse, mas então algo me chamou a atenção.
O ambiente era todo vazio, além das prateleiras de vidro embutidas nas paredes, mas havia um pequeno sofá branco, que quase se fundia com a cor do chão. Era pequeno, e parecia ter sido colocado ali há pouco tempo.
Mas o que me chamou atenção foi no cobertor rosa que se destacava em cima dele.
Me aproximei, e toquei no cobertor. Foi só então que notei que ele estava cobrindo algo.
Quando o puxei para ver o que ele cobria, dei um pulo para trás.
Tinha uma pequena mancha de sangue perto do encosto do branco sofá, mas não foi isso que me assustou.
O que me assustou, foi o fato de que ali, do lado da mancha de sangue, estava... Lily.
Com os cabelos caindo embaraçados em seu rosto, e a pele absurdamente pálida como gesso... como se estivesse morta.
Minha respiração parou, e meus olhos se arregalaram.
Ela estava morta.
-- O QUE FAZ AQUI? — ouvi uma voz conhecida gritando.
Eu estava em choque, pra sequer sentir medo.
-- OLHE PARA MIM! — gritou.
Me virei ainda em choque, com lágrimas começando a escorrer sem parar de meus olhos.
Ele estava parado com sua máscara em minha frente, a raiva borbulhando de cada pequeno pedaço de seu rosto.
-- O QUE FAZ AQUI? — repetiu.
Eu não conseguia falar, nem pensar. Apenas que Lily estava morta.
-- Você... você... a matou. — murmurei entre um pequeno soluço, sentindo que o medo estava começando a chegar.
Ele pareceu não escutar, veio como um furacão até mim, e me pegou pelo pescoço, e levantando meus pés do chão, com os olhos faiscando de ódio. Mas não havia caninos.
Ele rosnou, com seu rosto perto do meu, enquanto me segurava com suas mãos frias para mim ficar em sua altura.
Eu não estava conseguindo respirar, ou nem sequer falar.
Os olhos dele encaravam os meus firmemente. Enquanto sua expressão se descontrolava de raiva.
Ele me jogou no chão com força, me fazendo ir parar do outro lado do ambiente, dolorosamente.
Ele iria me matar. Iria me matar como fez com Lily.
Eu não sei como, apenas que no momento em que cai, me levantei mais rápido do que um dia sequer consegui me mover, e corri porta a fora.
-- VOLTE! — ele rugiu.
Mas eu não iria voltar. Continuei correndo em uma velocidade absurda para mim, enquanto o desespero crescia.
Passei pelas portas de madeira que estavam encostadas, e corri pelo jardim, sentindo a água forte da chuva bater em meu corpo.
Mal respirava, apenas corria, e pulei o portão sem nem parar para tomar fôlego.
Eu não iria passar mais um momento ali. Não aguentava mais.
Ele havia matado Lily. Uma criança
Eu não aguentaria mais aquele filme de terror.
Não me importava que estava noite, e que o temporal estava feio. Não me importava que haviam lobisomens e que eu não sabia o caminho o caminho de casa.
Não me importava nada.
Apenas que eu não conseguiria passar mais um unico minuto ali.
Meus machucos doiam, e a água fria em contato com minha pele, me fazia tremer compulsivamente.
Continuei correndo, sentindo o vento frio me cortando.
Minha cabeça estava tão longe, grudada no desespero, que eu simplesmente não notei a enorme pedra no meu caminho, que me fez tropeçar e cair de cara no chão.
Meu corpo gritou em protestos por tanta flagelação em um unico dia. Mas eu não conseguia me levantar.
O desespero finalmente havia me tomado por completa. Me arrestei até uma das árvores, e me encostei em seu tronco, chorando.
Apenas continuei lá. Sentindo meu corpo doer, e minhas lágrimas cairem.
Foi então que ouvi um rosnado alto. Olhei assutada, procurando da onde vinha.
Não via nada, no meio de escuridão e água. E então eu olhei para cima, nos galhos da grande árvore, na qual eu estava encostada.
E ali estava, um enorme leão da montanha, rosnando para mim, e me olhando com com olhos selvagens.
Oh Não.
Tentei me levantar, mas minhas pernas estavam bambas.
Não podia ser. Eu não podia ser tão azarada.
Fui me arrastando para trás, enquanto ainda olhava a criatura que parecia que iria me atacar a qualquer momento.
E então o animal saltou, vindo em minha direção, com sua enorme boca aberta.
Mas antes que o enorme leão chegasse até mim, um vulto entrou na frente o tacando longe.
O leão da montanha bateu em uma das árvores e caiu com um ganido no chão.
O vulto virou pra mim. Era Edward.
Certo, agora eu me perdi. ELE me salvando?
Mas não tive tempo de pensar, porque o enorme animal se levantou novamente, e correu para atacar o maniaco.
Me perguntei se Edward podia ler mentes de animais. Mas pelo visto não, porque em um dos momentos o leão o pegou levemente desprevenido, mordendo-o no braço. Não fez um unico furo, mas em compensação dois dentes do leão se quebraram.
E então Edward o prensou na árvore ao meu lado, e quebrou o pescoço do bicho, fazendo-o cair morto na terra molhada.
Edward me olhou, e eu instintivamente voltei a me rastejar para trás.
-- Não vou machuca-la. — me garantiu com a voz grossa. Como se estivesse se esforçando para isso.
Ele não iria me machucar? Claro. E eu me chamava Rosalie Hale.
Continuei a ir para trás, mas no instante seguinte ele estava ajoelhado ao meu lado, e me pegando no colo com seus braços frios e fortes, e agora molhados.
Gritei. Não iria deixar ele me matar tão facil.
-- ME SOLTA SEU MANIACO. ASSASSINO DE CRIANÇAS!
Ele nem me respondeu. Então continuei gritando, agora me debatendo pra ajudar.
-- ME SOLTA!
Ele começou a correr em sua velocidade, ignorando meus berros. E conforme ele corria, eu precisei parar de gritar, se não ia acabar vomitando.
Percebi que não sentia mais a água fria de encontro com minha pele, e abri os olhos. Já estavamos dentro da mansão.
Mas ele continuava a me segurar no colo, e o medo começou a me dominar por completo, e o desespero a ficar em um nivel quase insuportável.
-- Não! Por favor não me mate! — implorei, com lgrimas escorrendo.
-- Já disse que não irei te matar. — respondeu com o maxilar trancado, e então reparei que estava na cozinha.
Ele me colocou sentada em cima da mesa e começou a mexer nas enormes portas, e então ele tirou de lá a enorme maleta médica de Carlisle.
O que ele iria fazer?
-- O- o qu-que v-v-ai fa-fa-zer? — gaguejei.
-- Seu ferimento. — apontou. — Está abrindo.
E então eu olhei para um dos machucados do meu braço, em que Carlisle tinha dado pequenos pontos. O curativo já tinha caido, e os pontos estavam se abrindo, apenas mais um minuto e eu apostaria que voltaria a sangrar.
-- Por que está fazendo isso? — indaguei, com a voz controlada.
-- Seja especifica. — pediu, já do meu lado, enquanto passava algum liquido que ardia horrores no machucado.
-- Cuidando... de mim. — murmurei.
-- Porque se você sangrar, então com toda a certeza eu iria te matar. E não quero Alice, Emmett e Jasper me crucificando pelo próximo século, se eu fizer isso.
-- Então, porque não me deixou morrer pelo leão da montanha. Não seria sua culpa. — murmurei, sentindo as lágrimas voltarem a cair.
-- Eu te assustei, e você correu. Então, sim, seria minha culpa. — respondeu, me olhando rapidamente com um sorriso de lado, que me fez perder o fôlego. — Até porque, seria um desperdício, seu sangue derramado sem ninguém para usufruí-lo.
-- Você não se importou com o sangue derramado, quando matou Lily. — exclamei.
Ele parou e me olhou nos olhos. Seus cabelos molhados pingavam em seu rosto, passando por sua máscara, que parecia não desgrudar por nada.
-- Ela não está morta. — respondeu.
Eu arregalei os olhos.
-- Mas ela estava pálida e...
-- Mas não está morta. — repetiu, me interrompendo.
-- Mas e o sangue?
-- Lily cortou o pulso, por isso Rosalie não está em casa.
Eu o encarei sem entender. Ele me olhou com raiva, como se não quisesse ficar me explicando.
-- Depois do incidente na sala de jantar, todos foram caçar. Apenas eu, Rosalie e Emmett permanecemos em casa. Mas quando Lily sangrou, Rosalie teve que sair. Ela tem um bom alto controle, mas não caçava há algum tempo. Já Emmett foi atrás de Carlisle. Ele queria ficar, me fazendo ir. Mas eu tenho um controle melhor do que o dele.
Eu o encarei cética.
-- Menos com seu sangue. — completou, notando minha feição.
-- Mas ela estava pálida, parecia nem estar respirando. — murmurei.
-- Lily é uma garota especial.
-- Já me disseram isso. Mas especial, em que?
-- Pergunte a outro. — respondeu. — Não sou seu amigo, para lhe dar explicações.
Ignorei a cortada dele.
-- Por que Emmett foi atrás de Carlisle?
-- Lily está doente.
-- Doente? — perguntei preocupada.
-- Sim!
-- Como? Com o que? Por quê? O que ela tem?
-- Como eu disse Lily é uma garota especial.
-- Mas o que ela tem?
-- Ela é... mais sensivel que as outras pessoas.
-- Mas o que ela tem?
-- Ela acha que você vai embora.
-- Como? — perguntei sem entender.
-- Depois do incidente no meu quarto, ela está achando que você ficou com medo e nao irá querer ficar mais conosco, e que irá deixa-la.
Eu o encarei. A menina era esperta.
-- Ela não sabe que eu estou aqui por que vocês estão me mantendo como prisioneira?
Ele me olhou como se eu fosse retardada.
-- Não.
-- Mas o que isso tem haver com o fato dela estar doente? — voltei ao assunto.
Ele suspirou, como se eu REALMENTE fosse retardada.
-- O emocional faz isso com os seres humanos, principalmente alguém como Lily.
-- Alguém como ela? — eu realmente estava curiosa.
Ele me olhou com raiva, e eu me lembrei com QUEM estava falando.
E então ele passou algo que realmente ardeu na minha ferida.
-- Ai! — exclamei, puxando meu braço por reflexo.
-- Não faça isso. — mandou, puxando meu braço, e passando o algodão com o liquido.
-- AAIIII!!
-- FIQUE QUIETA! — gritou puxando meu braço novamente.
-- ISSO DOI! — berrei. Ele riu.
-- Se ficar quieta não vai doer tanto.
-- Se você não tivesse me machucado quando pulou por aquela janela, isso não estaria doendo.
-- Mas se você não tivesse fugido isso não teria reaberto.
-- E se você não tivesse me assustado eu não teria fugido.
Ele me encarou com olhos faiscando.
-- E você não deveria ter ido aonde não foi chamada. — exclamou.
-- E você deveria começar a controlar seus nervos.
-- E você sua curiosidade.
-- Antes minha curiosidade, que seu instinto assassino.
-- Não foi meu instinto assassino que quase causou minha morte três vezes.
Ok, eu teria que concordar agora. Minha curiosidade é suicida.
-- Não vou nem responder.
-- Que bom. Não responda mesmo. Assim me poupa de ter que aguentar sua voz irritante. — Ok, ele conseguiu me irritar.
Vampiro arrogante.
-- Quem você acha que é para falar assim comigo?
-- Edward Cullen.
-- Grande coisa. — debochei.
-- Não. Grande vampiro. — Sim, ele estava curtindo com minha cara.
Desci da mesa, sem me importar com o machucado que ainda ardia, e o encarei de frente.
Se ele ia me matar, que se danasse, estava bem irritada agora.
-- Por que você não sai daqui e vai matar alguém, pra distrair?
-- Porque o meu melhor alimento está bem na frente. — ele voltou a sorrir torto. — Tenho que cuidar bem dele. Já que parece que você tem algum tipo de tendência de ir parar a sete palmos abaixo do chão.
-- Arg. Eu te odeio. — rebati ficando vermelha. Era infantil, mas eu o odiava com todas as minhas fibras no momento.
-- Adoro essa reciprocidade.
Irritante. Ele estava prendendo o riso. Otario.
-- Como é que sua familia consegue gostar de você? Porque eu com toda a certeza não consigo. — indaguei mais pra mim do que pra ele.
-- Ninguém te pediu pra gostar de mim. — o maldito sorriso torto ainda estava lá, me deixando com mais raiva ainda.
-- Ainda bem.
Ele riu.
-- Não tem graça nenhuma maníaco.
-- Do que me chamou? — perguntou, tirando o sorriso do rosto. Até que enfim
-- Do que você é. Um maníaco assassino.
Ele me encarou de cara fechada, e caminhou lentamente até mim, estendendo a mão.
Hein?
-- Prazer Edward Cullen. — ele era louco? Eu já sabia seu nome.
-- Pra que isso?
-- Pra você saber do que me chamar, ao invés de ficar colocando apelidos infantis em seres cuja história e o carater, você não conhece, e não compreende.
Ok. Engoli em seco com seu olhar, mas não respondi nada, apenas o encarei, sem apertar sua mão estendida.
-- A maioria das pessoas retribuem o aperto de mão, e respondem com gentileza e educação 'O prazer é todo o meu'. Será que esqueceram de te ensinar essa saudação de cortesia tão simples e comum? — perguntou ainda com a mão no ar.
-- Me ensinaram a não ser hipócrita também. Por isso não irei responder ao seu simples cumprimento cortês, porque nós dois sabemos que não há prazer algum em nos conhecermos. — retruquei emburrada, e ele abaixou a mão com um pequeno sorrisinho.
-- Então faça como eu. Minta.
Ridículo
-- Pra você é facil falar, não é? Tudo em você parece estar escondido atrás de mentiras, e disfarces, até seu rosto. — eu realmente estava bem nervosa.
Ele me olhou com aquele maldito sorrisinho torto novamente. Irritante.
-- Interessa o que há por trás de minha máscara? Você iria me odiar de qualquer maneira, não importando a face que seus olhos encarassem. — ponto pra ele.
-- Por que a usa então? Por quê se esconde atrá dela? — perguntei de uma vez.
A questão era: Eu estava farta de segredos e coisas que dizem que eu não entenderia. Eu estava farta de ficar na curiosidade, e por incrivel que pareça, a máscara dele, era uma coisa que com toda a certeza me deixava louca de curiosidade.
Ele me olhava agora, sem o sorriso torto, como se me analisasse. Mas não me deixei enganar, apenas repeti a pergunta.
-- Por quê você usa essa máscara? — e antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, ele já estava na minha frente. Com o rosto muito próximo ao meu.
-- Você sabe guardar segredos?
-- S-sim. — gagujei esperançosa.
-- Eu também. — murmurou no meu ouvido, me fazendo arrepiar até a alma.
E é claro. Ele não me falou.
Mas antes que pudesse falar qualquer coisa. Ele simplesmente estava rosnando enquanto me pegava pelo pescoço e me levantava, de caninos expostos.
Foi então que senti algo escorrendo por meu braço. Ele tinha voltado a sangrar.
Duvidava que alguém fosse entrar me salvando no momento. O mesmo raio já caiu vezes demais no mesmo lugar.
-- Por-por F-f-avor. — implorei sufocada, com os olhos começando a lacrimejar.
Ele me olhou profundamente e rosnou alto, me largando no chão, e correndo porta a fora.
Passei a mão pelo pescoço.
Ele havia me soltado. Por quê? Será que pequenas mudanças poderiam acontecer com alguém como ele?
Me sentei na cadeira, tremente, e encostei a cabeça na mesa até minha respiração voltar ao normal. Parecia ter virado rotina, experiências de quase morte.
Então comecei a refazer o curativo no braço. Não ficou tão bom quanto o de Carlisle, e com toda a certeza eu não iria conseguir refazer os pontos. Mas foi bom o bastante para estancar o sangue.
Antes que pudesse começar a guardar os medicamentos novamente na maleta.
Edward entrou na cozinha de cara fechada, como se tivesse fazendo esforço.
Meu coração acelerou, e minha respiração ficou presa.
-- Calma! Não irei ataca-la. — por que será que eu tenha a ligeira impressão que andava ouvindo muito isso ultimamente?
Ele veio até mim, e eu me encolhi.
-- Você realmente não sabe confiar, não é? — perguntou, ao meu lado, enquanto tirava meu curativo que eu havia acabado de fazer com tanto cuidado.
-- Em você? Não muito. — respondi, e ele riu. — O que está fazendo?
-- Você não sabe fazer curativos. Vai acabar inflamando.
-- É, porque um vampiro faminto por meu sangue, mexendo nele, é muito mais preferivel. — exclamei sarcastica e ele riu, enquanto me colocava sentada novamente na mesa.
Não sentia mais nada escorrendo pelo meu braço, mas tinha certeza que poderia voltar a sangrar a qualquer momento.
-- Por que está fazendo isso? — perguntei.
Ele deu de ombros, sem me encarar.
-- Tenho que aprender a conviver com o seu cheiro, e seu sangue. Até porque — com um equilibrio e uma sorte como a sua — eu tenho a leve impressão que ainda vou ver muito do seu sangue.
-- Muito engraçado. — murmurei — Não é nada legal zombar alguém sem cordenação fisica, e problemas sérios com a morte.
Ele apenas riu novamente, e eu notei que ele não respirava. Seus olhos estavam focados no meu braço — que graças a Deus não sangrava — e ele tinha a cara contorcida como se estivesse tirando uma força monstruosa de dentro de si para não me atacar.
Sim. Ele era um vampiro arrogante, maníaco e estúpido, que tinha sede por meu sangue, e queria me ver morta. Mas naquele instante ele parecia querer me manter viva; naquele instante ele parecia não querer me matar.
Ele estava se esforçando para isso. Ele estava se esforçando para me manter viva. Pelo menos naquele instante.
-- A propósito. — falei tentando engolir meu orgulho. — Obrigada. — murmurei baixo sabendo que ele ouviria.
Ele me encarou confuso.
-- Pelo que?
-- Por ter me salvado... na floresta. Mesmo que apenas para não ter meu sangue desperdiçado. — murmurei o encarando.
-- Não foi por isso. — exclamou rápido. Eu o encarei confusa. Mas ele deu de ombros, como se dissesse que não iria dar explicações.
-- Desculpe-me — murmurou. E eu o encarei novamente surpresa.
Estava perplexa. Ele havia mesmo se desculpado?
Ele não me encarava, apenas ficava de cabeça baixa mexendo em meu machucado, como se não tivesse dito nada.
Pensei em perguntar 'pelo que'? Mas percebi que isso não importava.
-- Tudo bem. — murmurei com a voz fraca.
Ele me encarou sorrindo calmo. Um sorriso diferente do que eu estava acostumada a ver em seus lábios.
Realmente alguma coisa estava diferente.
Eram pequenas mudanças. Quase minimas no meio de tantas hostilidades. Mas mesmo minimas, ainda existiam.
Sim. Eram pequenas mudanças.
Mas qual seria o resultado que elas trariam?
Fale com o autor