A Bella e a Fera
21 Capítulo 22 - O Maior Amor De Todos - Parte IIII
-- E vocês vieram? Vocês conseguiram? — Bella perguntou mal conseguindo esconder sua curiosidade.
-- Naquela mesmo dia – afirmei – Carlisle voltou sorrindo, e dizendo que o homem com quem ele tinha falado lhe devia um favor. E nós estaríamos embarcando no final da tarde.
-- “Era loucura, deixar tudo e ir para outro continente, especialmente com um homem que eu mal conhecia. Mas eu não tinha mais nada, e estava apaixonada, e com toda a certeza queria tirar minha filha de perto daquelas criaturas. Sem contar, que Carlisle estava sendo maravilho. Antes de partir ele havia comprado tudo o que minha filha iria precisar durante a viagem. E eu acabei perguntando da onde ele tirava dinheiro, já que seu pai era pastor e universitários não costumavam ter dinheiro. E então, ele respondeu que toda a vida trabalhou. E, ali, eu soube, que estava um homem de verdade.”
-- Então vocês embarcaram naquele mesmo dia? – repetiu Bella, me fazendo voltar para a estória.
-- Sim, o sol ainda estava no céu, enquanto entravamos no enorme navio. E quando o sol estava começando a ser por, e o navio começava a andar, ao longe, eu consegui identificar três pares de olhos vermelhos, por entre as árvores. E eu soube, que não teria paz. Elas viriam atrás de nós. E eu faria de tudo para deixá-los seguros.
-- “Foram quase dois meses de viagem. E no fim vi muitos dos passageiros morrerem. Era cruel aqueles navios. Eram pessoas em cima de pessoas. Muita gente, pouco espaço. E pouca comida, mas Carlisle estava sempre comigo, sempre protegendo a mim e minha filha, e conseguindo alimentos. E quando chegamos, estávamos com uma mão na frente e outra atrás.”
-- Vocês desembarcaram em qual cidade? – Bella perguntou curiosa.
-- São Francisco, Califórnia. Na época, não era todo o glamour que conhecemos hoje. Mas ainda assim, fascinava nossos olhos. Era diferente de tudo o que havíamos visto. As pessoas, o mar, as casas, tudo. Era literalmente a América. O futuro, como chamavam.
--“Passamos muito pouco tempo em São Francisco, porque sabíamos que elas viriam atrás de nós. Então logo depois, pegamos uma carruagem e subimos para o Norte, vindo parar em Port Angeles, em Washington. Mas, eu sabia que se quisesse que minha filha tivesse uma chance eu não poderia ficar com ela. E isso me doía como uma espada transpassando meu coração. E em uma noite enquanto Carlisle dormia na pensão que estávamos, eu fugi novamente de madrugada, e peguei um dos cavalos do estábulo. Cavalguei a noite inteira com minha filha em meus braços, dormindo calmamente. E logo cheguei em uma cidadezinha. Muito pequena.”
-- Forks? – Bella perguntou como se já não soubesse.
Confirmei com um aceno de cabeça.
-- Mas eu não podia deixar minha filha em qualquer canto, tinha que deixá-la em um lugar que tivesse certeza que seria muito bem cuidada. E então a deixei na porta da única igreja da cidade. Claro, que fiquei na dúvida, e se tivesse vampiros dominando aquela igreja também? Mas, duvidei que tivesse, porque ali não era um lar de crianças abandonadas, era, apenas, uma igreja.
-- “Não há como expressar a dor que eu estava sentindo em ter que abandoná-la novamente, mas eu sabia que era necessário. Eu a amava mais do que tudo, e estava disposta a me dar uma vida de sofrimento longe dela, só para vê-la bem. Então esperei até anoitecer novamente, e a coloquei bem enroladinha em seu paninho na porta da igreja. Fazendo minha ultima oração junto com ela, e sentindo que se continuasse muito mais ali, não conseguiria deixá-la. E então peguei o cavalo e voltei para Port Angeles. Com uma dor cruciante dentro de mim, mas o sentimento de que ela iria ficar bem.”
-- Claro que quando voltei para a hospedagem, Carlisle estava muito preocupado, e quando soube o que eu havia feito, não conseguiu acreditar. Ele já havia se apegado a ela. Mas, ele tinha que entender que era pro bem dela. No começo, ele ficou muito bravo, dizendo que nós iríamos dar um jeito de concertar a situação, que íamos conseguir lutar contra aqueles monstros, mas, no fim, ele entendeu que ela estaria bem mais segura longe de nós.
-- Mas elas voltaram a procurar vocês? Os vampiros, digo?
-- Sim, nós as vimos uma vez logo quando passávamos por São Francisco, novamente, em direção a Chicago. Mas, elas não se aproximaram. Acho, que quando viram que estávamos sem minha filha, então deixamos de ser interessantes, porque elas só bebiam sangue de crianças.
Ouvi Bella ofegar.
-- Isso é horrível... Quer dizer... Crianças...
-- Sim, mas então soubemos que elas iam continuar caçando minha filha, mas duvidei que a encontrassem, embora ainda rezasse todas as noites. Nesse meio tempo, chegamos a Chicago. Carlisle conseguiu um emprego no hospital mesmo sem ter terminado a faculdade, de tão brilhante que ele era. Jovem e brilhante. Não demorou muito para seu nome ser conhecido por todos na cidade. E pouco tempo depois nos casamos. Uma cerimônia simples. Apenas, eu e ele, e o pastor, claro. Já que o pai de Carlisle era pastor, e ele não era católico, não achamos sensato nos casar em uma igreja católica.
-- “E foi apenas alguns meses depois, que encontramos nosso primeiro filho”
-- Encontraram? – Bella perguntou surpresa. – Quem?
-- Emmett!
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