"Se julgarmos o amor pela maior parte dos seus efeitos, ele assemelha-se mais ao ódio do que à amizade."
(François de La Rochefoucauld)

Eu sabia.

Sabia que beija-lo era o errado. Sabia que não deveria fazer isso. Sabia que deveria odia-lo, e teme-lo com todas as minhas forças. Mas eu simplesmente não conseguia. Como também não conseguia afastar meus lábios dos seus.

Parecia ser mais forte do que eu, mais voraz. Era como se eu não tivesse mais vontade própria, naquele momento. Como se todo meu corpo estivesse funcionando porque seus lábios estavam unidos aos meus.

Nada mais parecia importar.

Senti o oxigênio começar a faltar, mas não queria solta-lo. Porque naquele momento, ele não parecia o maníaco mascarado, ele parecia apenas o... Edward. Como se fosse outra pessoa. Uma pessoa que fazia meu chão tremer, e meu organismo entrar em festa, enquanto minha mente se desligava, e meu coração batia acelerado ao ritmo de nossas lábios.

E parecia incrivel como só de pensar em seu nome, eu me sentia eufórica. Me sentia viva.
Eu não saberia dizer se estava começando a desmaiar pela falta de ar, ou se havia morrido, e estava no céu, com anjos tocando minha boca. Apenas que a ultima coisa de que me lembro, foi de sentir seus lábios frios, beijando os meus.

Senti minhas pálpebras pesadas, e meu corpo levemente dolorido.

Especialmente meu pescoço. Parecia que tinham enfiado facas ali.

-- Que horas ela vai acordar, Alice? — era a voz de Emmett, em um murmúrio baixo, me fazendo sentir um poquinho mais acordada.

-- Ela irá abrir os olhos daqui há 5 minutos Em.

Será que ela já sabia que eu estava acordada?

Queria poder abrir os olhos, e ver o que havia acontecido. Mas ficar com eles fechados estava tão bom.

-- Certo. Estarei com Lily. Me chame a hora que ela acordar. — Emmett continuou, e logo depois ouvi o bater leve de uma porta.

Silêncio.

-- Ele já está lá em cima. — Alice murmurou. — Acho que podemos conversar agora.

-- Não temos nada para conversar Alice. — era a voz de Edward. E parecia tão perto de mim, como se eu estivesse deitada ao seu lado.

-- Negue o quanto quiser. Mas eu não sou o Emmett, e não irei cair na sua desculpa, de que apenas se descontrolou, um pouquinho, e quase a matou sufocada.

-- Mas foi exatamente isso que aconteceu. — Edward respondeu em um rosnado baixo.

-- Não adianta negar Edward. Eu vi. — ela respondeu em tom triunfante.

Edward rosnou baixo.

-- Foi por isso que ninguém veio socorrê-la, quando quase a matei sufocada?

-- Exatamente por isso. — Alice respondeu, e eu percebi que ela estava sorrindo. — Disse a todos que você não iria machucá-la. Claro que Jazz ficou na dúvida, e Emmett arranjou um xingamento para cada ano de sua idade. Mas os convenci, que ela iria ficar bem. Apenas não esperava que seu desejo de beijá-la fosse tanto, que a faria perder os sentidos por falta de ar.

E então a lembrança do beijo invadiu minha mente, como uma bala. Precisei me controlar para não ofegar, apenas por ter lembrado.

Eu não podia ter gostado. Não podia.

Então por que eu queria tanto um replay?

-- Acho melhor ela ir embora, Alice. — ele continuou.

-- De maneira nenhuma.

-- Não a quero aqui. — respondeu em um rosnado. — Vou acabar a matando.

Alice riu.

-- Você não irá matá-la Edward. Porque você já não pode mais viver sem ela.

Que papo era aquele?

-- Do que você fala, Alice?

Alice ficou quieta. Enquanto Edward rosnava baixinho. Mas logo os rosnados foram cessados, e substituídos por um rápido ofegamento.

-- Não. — ele murmurou contrariado.

-- Sim. Será inevitável Edward. E você sabe disso melhor do que eu. — Alice respondeu, agora rindo livremente.

Edward rosnou, e eu senti algo se levantando ao meu lado.

-- Não. Não irei permitir. — ele rugiu agora mais alto. Me fazendo controlar cada parte do meu corpo, para não demonstrar reações, e manter a respiração leve.

-- Você já permetiu Edward. No momento em que a beijou, você selou algo, do qual não irá conseguir ficar longe. — Alice respondeu, parando de rir. — Não conseguiu da ultima vez, e não conseguirá agora.

-- NÃO! Isso não acontecerá novamente. Eu não deixarei que aconteça.

-- Já está acontecendo Edward. Apenas aceite.

-- Não há nada para aceitar, Alice. — Edward rosnou. — Ela morreu. E todo o resto morreu com ela. Fim. Sem reprises. Sem segundas chances. Sem recomeços. Sem voltas. Sem nada. É assim que minha história termina. Vazia.

Ouvi Alice rosnando baixo.

-- Você consegue me deixar nervosa Edward. — ela comentou séria. — Você não pode continuar vivendo para o resto da eternidade, se crucificando por um passado, sem volta. Isso uma hora terá que acabar, então, por quê não agora?

Ouvi a porta sendo aberta.

-- Está tudo bem? Senti uma tensão no ar. — era a voz de Jasper.

-- Está tudo bem Jasper. — Edward murmurou em um rosnado.

-- Não. Não está nada bem. — Alice contrariou. — Me responda Edward. Por quê não?

-- Porquê eu não cometo o mesmo erro duas vezes. — respondeu.

Ouvi um suspiro alto.

-- Não será o mesmo. O seu erro aqui, está sendo outro.

Ele rosnou alto, o que me fez inconscientemente abrir os olhos. Todos me encararam.

-- Você acordou. — Jasper comentou, sorrindo grande.

Senti minhas bochechas corarem, e Edward me olhar com os olhos semi-cerrados.

Alice suspirou, já na porta ao lado de Jasper.

-- Apenas pare de lutar contra seu destino Edward. — ela murmurou como se não tivesse sido interrompida, e me encarou. -- Descanse. Posso ver, que ele não agüentará muito até querer o segundo round.

Essa ultima parte ela disse olhando desafiadora para Edward. E então ela saiu, puxando um Jasper confuso, com ela.

Me sentei, sem conseguir encara-lo, e reparei que ainda estava naquela mesma sala, em que ele quase havia me matado asfixiada, quando me beijou.

Percebi que ele continuava de pé. Me analisando.

-- Há quanto tempo, você está acordada? — perguntou.

Levantei a cabeça, e encontrei seus olhos me encarando friamente. Ele sabia que eu estava escutando. Não havia como negar.

-- Há algum tempo. — respondi baixinho.

Ele fez uma careta de desagrado, e continou a me encarar.

Eu sabia que era loucura o que eu ia perguntar, mas não custava nada tentar. Ok. Custava apenas minha vida. Mas eu sempre soube que minha curiosidade era suicida.

-- Do que vocês falavam? Quem morreu? Que história você quer evitar que se repita? — soltei tudo de uma vez.

Certo. Eu sabia que deveria ter ficado calada. Pois no instante seguinte, ele estava rosnando.

-- Do que falávamos? De nada que seje do seu interesse. Quem morreu? Você irá entrar, em breve nessa categoria, se não aprender a cuidar do seu próprio nariz. E o que eu quero evitar? A única coisa que anda fazendo da minha vida mais infernal do que já era. Você. — mais claro impossivel.

Certo. Talvez ele estivesse meio revoltado.

Mas ele não parecia querer me evitar, quando estava com a boca colada na minha. Mas preferi guardar esse detalhe apenas para mim.

Ele andava até que simpático, né? Então pra que ficar testando seus nervos?

-- Desculpe. — murmurei. — Você tem razão. Nada disso é do meu interesse. A começar por você.

Sim. Ele não era do meu interesse. Não devia ser.

Mas como se minhas palavras o tivessem atiçado, no segundo seguinte ele estava apoiado no sofá em cima de mim, com seu rosto muito próximo ao meu.

-- Tem certeza de que não sou do seu interesse? — murmurou.

Eu realmente não conseguia acompanhar suas mudanças de humor.

Não conseguia falar, pensar, nem mesmo respirar, com ele tão perto de mim.

Deus, o que estava acontecendo comigo?

Eu percebi que estava tão sem reação. Que se ele me pegasse agora, e me tacasse na parede, para logo depois me matar, eu não iria nem gritar, quanto mais reagir.

Era como se seus olhos estivessem me hipnotizando.

Ok. Era isso. Ele além de ler mentes, conseguia hipnotizar.

Era por isso que me sentia perdida quando olhava em seus olhos. Por isso que me sentia encatada com seu sorriso torto. Por isso que me sentia arrepiada com sua respiração fria em minha pele.

E era por isso que me sentia, como se não lembrasse nem meu próprio nome, quando seus lábios tocavam os meus. Como estava acontecendo agora.

Foi tão rápido, que eu nem tive tempo de responder a sua pergunta. Na real. Que pergunta foi mesmo?

Me sentia novamente nas nuvens. Como ele conseguia fazer isso comigo?

Estava errado. Muito errado.

Alice estava certa, ele iria querer um segundo round. Só havia um por menor. Eu também estava querendo. Segundo, terceiro, quarto...

Naquele momento, apenas o que importava era que ele não parece de me beijar.

Não importava quantas vezes eu desmaiasse, contanto que seus lábios frios, fossem a ultima coisa que eu sentisse.
Rápido demais para meu gosto, ele retirou seus lábios dos meus bruscamente, e sem me encarar, se virou em direção a porta, rosnando baixinho.

-- Emmett está vindo. — avisou com a voz fria, ainda sem me olhar. — Cuide de seu pescoço. Está ficando roxo.

E então, sem mais, nem menos, ele saiu como um raio porta à fora.

Que bacana. Eu agora havia virado brinquedo sexual também.

Me senti bem, quando Emmett entrou com um sorriso de orelha a orelha na sala.

-- Bem-vinda novamente ao mundo, Bella adormecida. Acho que você anda passando mais tempo roncando, do que falando.

-- Ei. — reclamei, rindo. — Eu não ronco. E não gostei do trocadilho.

-- Pois, eu adorei. Vou dar essa idéia para Lily.

Eu o encarei confusa.

-- Como?

-- Ela estava pensando agora pouco, — quando conseguimos fazê-la se acalmar, garantindo que você não iria deixá-la — que apelido daria para colocar em você. Coisas de criança sabe. Ela chama Carlisle de Tio Dodói.

E ele caiu na gargalhada. Ok. Fiquei com pena de Carlisle, Tio Dodói era humilhante.

-- Como ela te chama? — perguntei curiosa. Ele fez uma careta.

-- Tio Ursinho Pooh. — murmurou a contragosto. E eu quase me engasguei de tanto rir. Certo. ESSE sim era humilhante.

Ele fechou a cara para mim, enquanto eu quase rolava de rir. Me controlei, para ficar séria.

-- Por que Ursinho Pooh? — indaguei, curiosa. Tentando conter o riso.

-- Porque Rose me chama de Ursão. — respondeu, ainda de cara fechada. — E acho que Lily gostou da idéia.

Ok. Se ela começasse a me chamar de Bella Adormecida não seria muito legal, também. Então era melhor parar de rir da desgraça dos outros.

Certo. Não consegui. Ursinho Pooh era demais. Sabe que olhando bem, ele até que tinha cara de urso mesmo. Um bem Grandão, sabe.

-- Vai me dizer que voce é viciado em mel também? — perguntei rindo. Dessa vez ele também riu.

-- Muito. Quanto mais doce melhor. — respondeu em um tom malicioso.

Demorei um minuto para entender.

Oh. Sangue. Sangue doce.

Ele começou rir da minha cara, que agora estava quase que horrorizada. Mas no final não aguentei e voltei a rir com ele.

Fazer o que, né? Não tinha como ficar quieta, com Emmett gargalhando na sua frente. Era contagiante.

-- E você? Está bem? — perguntou parando de rir.

Pensei sobre isso. Eu estava bem?

Bom, eu estava TODA dolorida. Minha garganta ardia horrores por dentro, e meu nariz parecia vagamente entupido, por causa do resfriado que peguei logo que cheguei aqui, e que só piorou com toda a chuva que tomei depois. Enquanto o resto do meu corpo parecia ser feito completamente de dor. Se não era dor muscular, por muito correr, ou muito cair. Era pelos vários machucados que eu havia me presenteado. Mas o que mais doía no momento, era o pescoço. Cada parte ali parecia estar sendo constantemente esfaqueada, e logo depois queimada com brasa.

-- Sim, estou bem.- respondi. Quer dizer, ele não precisava saber que provavelmente nem conseguia virar o pescoço, né?

-- Seu pescoço está ficando roxo. — comentou. Meu Deus, devia estar horrivel mesmo.

Até o maníaco se afastou de mim, para avisar.

Em falar em maníaco. Acho que era isso que mais estava me incomodando.

O fato de que eu não conseguia deixar de pensar nele. E em seus lábios frios.

Balancei a cabeça, como se quisesse tirar essa lembrança a força da minha memória.

-- E Lily? — perguntei, tentando me distrair.

-- Está bem. Já parou de chorar, e aos poucos a cor está voltando. Quanto mais ela ficar alegre, e ir aprisionando aquelas lágrimas dentro de si, melhor irá ficar.

-- Já posso vê-la? — perguntei sorrindo.

Ele me lançou um olhar torto.

-- Não. Você só irá vê-la, quando tivermos certeza de que não morrerá, se por acaso, se aproximar dela.

-- Ah. Ok. — concordei, sentindo meu sorriso se desfazer. Fazer o que, né?

-- Bella.- ouvi uma voz próxima, o que me fez olhar para porta. Era Carlisle. — Que bom que acordou.

Ele sorria, mas incrivelmente parecia cansado. Não do mesmo jeito dos humanos. Mas de um jeito muito mais bonito. Além de que, seus cabelos estavam quase tão arrepiados quanto os de Edward.

Fiquei tentada a perguntar se ele havia enfiado o dedinho na tomada. Mas achei melhor não. Nem sei, se vampiros podem levar choque.

-- Pois é. Acho que ando dormindo demais. — comentei, enquanto ele se sentava ao meu lado, com sua maleta que só agora eu havia notado.

-- Você conta os desmaios como uma reação do sono? — perguntou rindo.

-- Por ai. — respondi, enquanto ele abria a maleta.

Ele riu, balançando a cabeça.

-- Vamos cuidar desses machucados. Que que ao invés de melhorarem, parecem que estão apenas piorando. — ele olhou para o meu pescoço. — E criando novos.

Carlisle passou algum tempo cuidando de meus vários machucados. A pior parte foi quando ele encostou em meu pescoço. Doeu muito. Mas depois que ele passou uma pomada, bem refrescante, pareceu melhorar. Pelo menos, aquela sensação de que meu pescoço estava pegando fogo havia passado.

No fim, ele me levou até a cozinha, me fez comer, uma lasanha que Esme havia acabado de fazer, e me deu compridos. Um para o resfriado, um para aliviar a dor muscular, e varias pastilhas para mim ir chupando, por causa da dor de garganta. Ele até me deu um sorine, caso meu nariz entupisse muito.

Depois disso, Emmett até me arranjou um pote de sorvete de chocolate. Para o grande sofrimento de Carlisle, que disse que minha garganta nunca iria melhor assim.

Pedi licença e subi para meu quarto. Queria tomar um bom banho quente, e depois cair na cama. Segundo Carlisle um dos efeitos de um dos comprimidos que tomei, era o sono.

Então eu ia tomar banho, antes que caisse roncando no chão.

Certo. Eles ainda não haviam me dado um relógio. Então eu estava perdida nas horas, embora tivesse praticamente certeza, de que, sem dúvida, já era madrugada.

Nem pensei em ligar meu celular. Apenas me joguei de roupão na cama, depois do banho, e adormeci.

Meus sonhos foram confusos. E pelo fato de eu ter acordada suada, e ofegante, tive certeza de que eles não tinham sido bons. Mas como sempre, não consegui lembrar.

Me sentei e olhei janela à fora.

Incrivel! Aquilo era o sol? Não podia ser. Devia ser ilusão.

Ou vai ver milagres realmente acontecem.

Me levantei e segui para o banheiro. E me olhei no reflexo do espelho em cima da pia. Meu pescoço estava roxo, realmente. Dava para ver a mão de Edward bem desenhada ali, se prestasse atenção.

Estava terminando de escovar os dentes, quando ouvi uma batida na porta.

Antes que eu fizesse qualquer coisa, escutei a voz de Alice.

-- Sabia que você demora horrores escovandos os dentes? — revirei os olhos. Claro que ela sabia, que eu estaria escovando os dentes.

Lavei a boca, e encarei a fadinha, que já estava na porta do banheiro, me olhando.

-- Bom dia Alice. — disse sorrindo. Ela riu.

-- Sembre soube Edward tinha um fraco pela cor roxa. — certo, meu pescoço nem estava tão roxo. Ok. estava sim.

Aproveitei para tirar uma dúvida.

-- Sou só eu que enxergo a mão dele aqui?

Ela mal olhou para meu pescoço.

-- Não. Não é só você. Da para ver o formato da mão dele, a distância. Bom, pelo menos para os olhos dos vampiros.

Sabia.

-- Enfim, se arrume, e desça para almoçar. — almoçar? Mas ainda estava de manhã.

-- Alice, que horas são?

-- Quase uma da tarde, amiga. Você dormiu um bocado.

O que eu podia fazer?

Realmente estava me faltando um relógio. Pensei em pedir um, mas antes que eu o fizesse Alice riu.

-- Ok, eu te arranjo um despertador. Assim, além de você ver as horas, ainda acorda para o café da manhã.

O bom de pedir as coisas para Alice, é que você nem precisa pedir.

-- Obrigada.

-- Disponha. — respondeu, e seguiu para fora do quarto.

Me arrumei rapidamente, e abri a porta.

Parei abruptamente quando me dei conta de quem estava parado com os braços cruzados, na frente da minha porta.

Edward.

-- Bom dia. — disse educadamente, com a voz abafada. O que ele queria?

-- Quem era a menina? — hãn?

-- O que?

Ele rosnou baixinho, entrando como um furacão pelo quarto, e fechando a porta atrás de si.

-- Quem era a menina?

Deus, em que momento as minhas conversas com ele, começaram a ficar tão irracionais?

-- Que menina? — perguntei confusa. — Do que está falando?

-- A menina do seu sonho. Aonde você a viu? Quem era ela? — indagou de uma vez, quase berrando.

Forcei meu cérebro a lembrar do meu sonho. Mas não vinha imagem nenhuma em minha mente.

-- Eu não lembro nada do meu sonho.

Edward rosnou alto, perdendo o controle. Ele veio rapidamente até mim, e começou a chacoalhar meus ombros.

-- Sim, você se lembra. Você tem que se lembrar. Da onde você a conhece?

Eu estava me sentindo muito enjoada com ele me mexendo daquele jeito, como se eu fosse uma boneca de palha.

-- EU NAO SEI! — gritei. — Não sei de quem você está falando, e não sei com o que sonhei.

-- MAS COMO ELA PODERIA ESTAR EM SEU SONHO? ELA MORREU! ELA MORREU MUITO ANTES DE VOCE NASCER. — ele gritava, me balançando. — DIGA A VERDADE!

Eu nunca vi uma expressão tão maniaca em seu rosto. Ele estava completamente fora de si.

-- Edward. — a porta se abriu, dando espaço a uma Alice de cara amarrada. — Ela não sabe. Solte-a.

Ele não me soltou.

-- Edward, Emmett está vindo. Solte-a.

Edward me soltou, com a expressão transtornada.

-- Como ela pode não saber? Ela sonhou com...

-- Não sei, Edward. Não sei, como Bella pode ter sonhado com ela. Eu não vi o sonho. Apenas, sei que Bella, não sabe de quem se trata. Então será que você morreria se tentasse ser um pouco mais gentil?

Edward me olhou novamente.

-- Se eu conseguisse morrer por tentar ser mais gentil, viveria por gentilizas.

Ele quase nem declarou que gostaria de morrer, né?

-- Por que as vozes alteradas? — Emmett perguntou, entrando no quarto, seguido de Jasper, que olhava com uma sobrancelha erguida para Edward.

-- Nada não. — Alice respondeu. — Apenas uma conversa... civilizada. Não é Edward?
Edward a encarou, e sustentou seu olhar frio.

-- Com licença. — murmurou, por fim, e se retirou.

-- Ele anda mais confuso do que o normal. — Jasper comentou, coçando a cabeça. Logo depois ele me encarou. — Alias, não é apenas ele.

Eu andava confusa? Claro, que andava.

Dei graças a Deus, por Jasper ser capaz apenas de sentir minha confusão, e não o motivo por trás dela.

-- Vamos Bella. Almoço. — Emmett, saiu me puxando, enquanto contava várias piadas.

Sinceramente, a maioria delas não tinha a minima graça. Mas a gargalhada de Emmett era tão contagiante, que você via graça até onde não tinha.

O almoço foi ótimo. Esme havia preparado, arroz; bife; purê de batata; batatas fritas; e salada. Que por acaso, estava tudo divino.

Claro. Só eu comi.

Mas todos eles ficaram me fazendo companhia. Com exceção de Carlisle, e Rose, que levaram o almoço para Lily no quarto, e ficaram por lá. Ah. Claro. com exceção de Edward também que havia sumido.

Perguntei quando poderia ver Lily, e Alice respondeu para mim ter calma.

Quando terminei de comer o maravilhoso Pudim de Leite Condensado, que segundo Esme, havia sido Rose quem tinha feito. Eu os encarei.

-- E Cavalheiro? — perguntei. Queria muito vê-lo.

-- Está em nosso estábulo, Bella. — Jasper respondeu sorrindo. — Não se preocupe, andei cuidando dele o tempo todo.

-- Posso ir vê-lo? — perguntei.

-- Se quiser depois te acompanho até ele. Aproveitar que está sol. — Jasper completou sorrindo.

Acenti com a cabeça, e me levantei.

-- Pode ser agora? — indaguei.

-- Apressada você, né?. — Emmett riu. — Leva ela Jazz. O bicho não gosta de mim.

-- Que animal gosta de você, Em? — Alice indagou rindo. E eu me lembrei de Teddy. Teria que perguntar o que o cachorro de Lily tinha feito a ele.

Jasper, Alice, e eu, seguimos para o enorme jardim, e contornamos a mansão até chegar em um dos lados.

Havia um pequeno estábulo, simples.

Entramos, e percebi que Cavalheiro não estava em um daqueles espaços fechados. Que são um cubículo.

Ele estava livre, apenas impedido de sair, pelo portão de madeira.

Quando ele nos viu, relinchou, e se afastou. Havia esquecido que ele tinha medo de vampiros.

-- Ei. Calma Cavalheiro. Sou eu. — disse, me aproximando dele, com cuidado, e acariciando seu fucinho.

Alice também se aproximou, ele deu um passo para trás, mas quando sentiu sua mão tocar em suas crinas, ele parou.

-- Não posso pensar em um nome melhor para ele. — Alice comentou. — Ele é realmente Cavalheiro.

-- Sim. E minha mãe o treinou para ser um. — respondi.

-- E muito inteligente. — Jasper completou. — É o mais esperto que já vi.

-- Realmente. — concordei.

Alice olhou preocupada para fora. Vendo algo que com certeza eu não estava. Mas no instante seguinte percebi o que era.

Um vulto veio com toda a velocidade, até nós.

Era Edward.

-- Alice. — chamou, com cara de poucos amigos. — Quero falar com você. Agora.

Alice revirou os olhos.

-- Já te disse tudo que sei sobre isso, Edward.

Edward pareceu nem escutar.

-- Agora!

Alice suspirou.

-- Tudo bem, seu mandão idiota. — respondeu, se retirando junto com ele.

Jasper olhava preocupado para o espaço vazio, que até há segundos estava ocupado por Edward.

-- O que foi, Jasper? — perguntei curiosa.

Ele me olhou pegando uma escova, e passando nas costas de Cavalheiro.

-- Nada. Apenas Edward com suas milhares de dúvidas.

Eu o encarei, mordendo o lábio inferior. Será que Jasper me contaria?

-- Estou te sentindo curiosa, e impaciente, Bella. O que foi?

-- É só que... eu estava pensando... se você me contaria... sobre a história que Edward não quer que se repita. E quem era a menina que ele disse que morreu? E porque ele acha que eu sonhei, com alguma garota que também morreu?

-- Então por isso ele estava em seu quarto mais cedo? E completamente confuso? Porque ele assistiu seu sonho pela mente de Lily?

Ah. Ele não sabia? Bom, agora ele sabe.

-- Sim. — confirmei. — Ele queria saber quem era a menina do meu sonho.

-- E quem era?

-- Não faço idéia. Nem lembro com o que sonhei. Mas ele estava fora de si.

Jasper riu.

-- Anda virando rotina, Edward ficar fora de si.

Verdade.

-- E então? Você... sabe quem é a garota?

Ele me encarou.

-- Eu só consigo imaginar uma pessoa que possa ter levado Edward, a perder o controle, pelo seu sonho.

-- E quem seria? — perguntei esperançosa.

Jasper suspirou.

-- Não está em meu...

-- Sim. Sim. Não está em seu direito contar. Já sei.- completei. Andava ouvindo muito isso. — Mas por favor, Jazz. Eu tenho o direito de saber. Você sabe que eu tenho.

Ele me encarou com um meio sorriso.

-- Eu sei que você tem o direito de saber, eu é que não tenho o direito de contar.

-- Mas segundo, o que eu entendi. A única pessoa que tem o direito de contar é Edward. E você acha mesmo que ele irá contar?

Ele me analisou.

-- Acho.

Certo. A confusão de emoções estava deixando Jasper mais confuso, do que o normal.

-- Bella, — começou. — Eu quero te contar, e acho quê voce tem que saber. Mas você talvez não esteja preparada para entender.

-- E quando estarei preparada para entender? — perguntei ficando emburrada.

-- Provavelmente quando Edward estiver pronto para contar.

Eu bufei.

-- Se depender do maníaco, eu vou morrer sem saber. E ainda vou morrer por suas mãos.

Jasper riu.

-- Duvido muito que isso ocorra. Edward só está tendo dificuldades em aceitar que possa existir segundas chances.

-- Ele deve ter cometido algo bem ruim, não é? — indaguei.

Ele me encarou pensativo.

-- De um certo modo sim. De outro é completamente compreensível.

-- Foi com essa garota? Foi com essa garota que ele cometou algo de tão sério? — insisti. Quem sabe ele não soltava algo, né?

Ele suspirou vencido.

-- Sim. Mas não o julgue por isso. Ele não foi o único errado.

Isso. Respostas.

-- E o que ela era dele? — perguntei, embora já tivesse uma idéia.

-- Vai me dizer, que já não sabe? — perguntou rindo.

-- Então ela era a mulher que Edward amava? — perguntei, sentindo um aperto desconhecido em meu peito.

-- Sim! — Jasper respondeu, abaixando a cabeça.

-- Mas porque ela estaria em meu sonho? — indaguei confusa.

Ele deu de ombros parecendo esconder alguma coisa.

-- E o que ela tem a ver comigo? — continuei.

Ele suspirou.

-- Eu espero que nada. — murmurou.

-- Então porque as vezes o maníaco me olha como se estivesse vendo outra pessoa? — insisti.

-- Porque você é absurdamente parecida com ela.

-- Ela quem? — perguntei só para confirmar, e ter certeza de que eram mesmo respostas que estava ganhando.

-- A mulher que Edward amou.

Sim. Eu estava recebendo respostas. Não era ilusão.

-- Então se eu sou parecida com a mulher que ele amou, por que ele é tão grosso comigo? — indaguei confusa.

Ele me encarou por um longo tempo.

-- Desculpe Bella. Isso já não está em meu alcance.

E de algum modo eu sabia que não era para continuar insistindo.

-- Como ela era? — perguntei. — Você a conheceu?

Ele sorriu.

-- Sim. Ela era muito parecida com você. Independente, curiosa, esperta, orgulhosa...

Jasper começou a rir.

-- "Ela fez Edward sofrer um pouco por ela. No começo foi como ódio a primeira vista. Ela o achava muito arrogante, e ele a achava absurdamente petulante."

-- Mas se os dois se detestavam... — comecei.

-- Não se detestavam. Apenas eram orgulhosos demais para admitirem isso. Eram muito diferentes, é verdade. Brigavam o tempo todo. A cada 10 palavras, 8 eram de ofensas. — comentou rindo, como se estivesse se lembrando de algo. — Mas quem disse que no ódio não pode haver amor?

Eu o encarei esperando que continuasse.

-- "As linhas do ódio e do amor, são tão próximas, que chegam a se unir. Todo ódio tem um fundo de paixão. Enquanto o que faz da paixão ardente, é o fogo do ódio."

-- Você está bem entendido do assunto, né? — comentei brincando. Ele riu.

-- Alice também não foi fácil. Eu me vi completamente apaixonado desde a primeira vez que meus olhos a viram. Mas ela era muito teimosa. Emmett também sofreu com Rose. Ele quase deu o mundo para ela, antes dela confessar que o amava. — completou rindo.

-- Então Alice te odiava?

-- Odiava nada. Apenas era teimosa para aceitar um compromisso. Eu teria casado com ela, no instante em que a vi.

-- E Edward e a garota? — voltei ao assunto. Era incrivel como aquilo me interessava.

-- Todo ódio tem um fundo de amor, Bella. Eles foram a prova disso. — comentou. — E se for pensar bem, o amor tem mais do ódio, do que da amizade.

Alice apareceu sorrindo.

-- Edward vai te matar quando descobrir, você sabe né? — ela perguntou para Jasper que riu.

-- Eu sei. Mas de alguma coisa ela precisava saber.

-- Como o fato de você não querer compromisso. — comentei, apontando para Alice, que começou a rir.

-- Pois é. Mas Jazz me fez mudar de idéia. — comentou sorrindo, e beijando Jasper fracamente nos lábios.

Era algo meigo de se ver.

Sai sorrindo do estábulo, deixando os dois ali. O sol estava mais forte, e já clareava o grande jardim. O que me levou a pensar o que acontecia com eles no sol.

Mas como se fosse uma resposta para minha dúvida. Vi algo que me chamou atenção, do outro lado do jardim.

Me aproximei vagarosamente, e me deparei com a coisa mais linda que meus olhos já haviam visto.

Era Edward. Deitado no meio da grama, com a camisa aberta.

Havia apenas uma coisa de estranho nessa cena. Ele brilhava. Cada pequeno pedaço de seu corpo brilhava, como se tivesse sido cravejado de diamantes.

Tenho certeza que minha boca estava aberta.

Eu queria tocar. Queria conseguir sentir aquele brilho.

Algo simplesmente parecia me puxar para aquela pele. Me aproximei, me ajoelhando ao seu lado.

Edward mantinha os olhos fechados, e poderia estar dormindo. Praticamente nem respirava.

Estiquei minha mão com receio. Sabia que não deveria abusar da sorte. Mas eu precisava tocá-lo. Precisava senti-lo.

Encostei a ponta de meus dedos, na parte que não estava coberta pela máscara. Era macio, gelado, mas de uma maneira agradável. Era perfeito.

Meus dedos desceram vagarosamente por seu pescoço, sentindo cada parte que podia.

Sabia que deveria ter parado, e ter ido embora. Mas meus dedos pareciam ter vontade própria. E então, eles começaram a deslizar por seu peito.

Me lembrei de quem era aquele peito brilhante. E tirei a mão rapidamente dali, mas antes que me levantasse, senti algo segurar firmemente meu pulso.

Edward havia aberto os olhos, e me encarava sem expressão, enquando prendia meu pulso, com uma das mãos.

-- Você não deveria me provocar. — murmurou. E antes que eu pudesse esboçar alguma reação, ele me puxou para cima de si, pegando meu rosto, e colando seus lábios nos meus.

Minhas mãos involuntariamente correram para seu peito, sentindo aquela maciez.

Enquanto, seus braços abraçaram minha cintura, me fazendo arrepiar.

Seu beijo me fez voar para outra dimensão. Enquanto uma voz em minha cabeça, me dizia que isso estava errado. Que eu o odiava. Que eu devia odiá-lo.

Mas outra voz bem no fundo de minha mente, muito parecida com a voz de Jasper. Me repetia suas palavras:

Mas quem disse que no ódio não pode haver amor?

ஜஜஜஜஜ

Notas finais
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N/A: Ei, gente. Mais uma vez obrigada por TODOS comentários. Vocês me fazem abrir um mega sorriso a cada pequena palavra que escrevem.Sem brincadeira.Toda vez que entro no site e vejo que tem um recado novo, eu pulo de alegria, não importa o quão simples ele seja.

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Paulinha, nada de errado, só por que antes eu postei primeiro um edward pdv, que ele dizia sobre os beijos, o jardim e tal...é só porque agora eu postei esse na frente desse KKK

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Deb;