"Uma mácara de gelo, e um coração de fogo"
(Desconhecido)

Sentia o sol começar a ficar quente em minhas costas. Enquanto suas mãos frias, deslizavam por meu corpo, me deixando completamente arrepiada.

Embora ele me apertasse com força contra si, e me beijasse com voracidade, havia algo de diferente naquele beijo.

Infelizmente eu não saberia dizer o que era.

Eu sabia que iria acabar desmaiando novamente, mas naquele instante não dava a minima.

Mas ele pareceu chegar na mesma conclusão que eu. Pois no instante seguinte, me empurrou para o lado, sem a mínima delicadeza, e me fazendo cair com força de costas na grama.

Caramba. O cara me beija, me aperta, e depois me empurra, como se eu fosse uma vadia atirada, que não merecesse respeito?

Da licença. Não tem mulher no mundo que consiga suportar isso. Mesmo vindo de alguém como ele.

Em seus olhos eu via coisas que não entendi. Mas a raiva começou a borbulhar por dentro, me fazendo ignorar tudo ao meu redor.

Então além de ser trancafiada; quase assassinada a cada pequeno momento; e ter mais machucados, e manchas roxas pelo corpo, do que pele; ainda ia ser usada sexualmente por um maníaco revoltado com seu ridiculo passado?

Não mesmo.

Me levantei quando ele abriu a boca, para provavelmente soltar alguma ofensa, hostilidade, ou ameaça de morte.

Mas não dei tempo, pois no instante seguinte eu estava andando para dentro da mansão, com os passos mais apressados que consegui fazer, sem correr.

Eu sabia que era errado beijá-lo. Nem sei porque permeti isso.

E também não sei, porque me importava o jeito que ele me tratava, sendo qu eu também o odiava.

Mas aquilo me incomodou. Como também me incomodou ele não me encarar depois da segunda vez que me beijou.

Mas o que eu menos entendia, era a vontade avassaladora de chorar.

Entrei pisando firme, e bufando baixinho, enquanto segurava as lágrimas insistentes.

Eu não era de chorar. Não gostava de demonstrações fisicas de sofrimento.

Creio, que sou daquelas que sofrem caladas, e sozinhas.

As vezes que chorei aqui, foi de medo e desespero. Foi um momento confuso, aonde o meu mundo parecia estar acabando, e a única coisa que parecia estar em meu alcance, era chorar.

Mas não. Não agora. Não iria dar o gostinho para aquele maníaco, perceber que continuava me afetando.

-- Ei, tudo bem? — estava tão distraída que nem me dei conta que tinha trombado com Emmett.

Respirei fundo antes de responder, temendo que minha voz saisse rouca, ou abafada, pelas lágrimas que segurava.

-- Sim. Tudo certo. Tudo perfeito. Por quê não estaria?

Ok, eu estava falando demais.

Emmett torceu o nariz, e cruzou os braços no peito.

-- O que houve?

-- Não houve nada. Está tudo as mil maravilhas, como sempre. Melhor impossivel.

Deus. Eu só me entregava quando estava nervosa.

Meu pai sempre dizia, para mim não falar dez palavras, se cinco resolvem. Ele dizia que era assim que se pegava um mentiroso. Que quanto mais ele se explicava, mais se enrolava. Que uma pessoa que diz a verdade, não se importa se o outro irá acreditar, e pouco se explica.

Mas eu não estava mentindo. Estava? Quer dizer, eu apenas estava irritada.

-- Bella, — ele disse tentando segurar o riso. — Você está quase soltando fogo. Por que tão irritada?

Juro que agradeci, por ele não notar minha vontade de chorar.

-- Por causa de Edward. — Alice respondeu, entrando com um Jasper sorridente ao seu lado. — Quando que não é por causa dele?

Foi nesse instante que imaginei se Alice tinha previsto isso. Ou pior. Foi nesse instante que percebi que ela e Jasper, poderiam MUITO bem terem visto tudo. Estavam tão pertos.

Olhei para Jasper, tentando encontrar algo que dissesse que ele assistiu ao ocorrido. Mas encontrei apenas seu sorriso tranquilo, como sempre.

Bom, Alice, eu tenho praticamente certeza que tinha visto.

Emmett fechou a cara. Mas antes que continuassem com o assunto, resolvi interromper.

-- Já posso ver Lily? — indaguei.

-- Não! — responderam os três de uma vez.

Era complô agora?

-- Certo. — respondi emburrada. E subi as escadas resmungando.

Entrei em meu quarto, e fechei a porta. Me sentei na cama, e olhei a cabeceira, onde estava meu livro de Orgulho e Preconceito.

Isso. Precisava mesmo me distrair.

Me arrumei na cama, e o abri. A primeira coisa que vi, foi a rosa que eu havia comprado, e colocado dentro do livro. Ela já estava morta, e murcha. Mas não sei porque não quis a jogar fora.

Respirei fundo, antes de começar o primeiro capítulo.

Engraçado como começar a ler Orgulho e Preconceito me lembrou alguma coisa. Só nao sabia o que era.

Devo ter passado horas lendo, mas fui interrompida, por barulhos e risadas.

Fechei o livro, sem marcar a página, e segui até a janela, olhando para baixo. E a visão que eu vi me fez sorrir.

Era Emmett, Jasper e Edward. Emmett e Jasper estavam sem camisa, enquanto Edward mantinha a sua aberta. Mas o mais espetacular, era que os três brilhavam.

Edward e Jasper levavam um enorme vidro. Enquanto Emmett ficava pulando por cima dos dois.
Eles estavam se divertindo.

Fiquei parada encostada na janela, os encarando. Jasper soltou o vidro na grama, e Edward fez o mesmo, enquanto ambos começavam a correr atrás de um Emmett, que gritava coisas, enquanto ria.

Eles se matavam de rir. E eu me senti bem os vendo assim. Felizes.

Pareciam tão... humanos enquanto se divertiam. Até mesmo o maníaco.

Involuntariamente ofeguei quando Edward acabou de tirar a camisa. E como se tivesse me escutado, ele olhou na direção da janela.

Tentei me esconder rapidamente, mas tenho praticamente certeza de que ele havia me visto.

Respirei fundo, e arrisquei outra olhadinha. Ele ainda encarava a minha janela, com um sorriso malicioso nos lábios.

Nossos olhos se encontraram rapidamente, e eu senti sensações que nunca havia sentindo, com apenas um olhar.

-- Bella! — uma voz disse atrás de mim, colocando a mão no meu ombro. Dei um pulo enorme, pelo susto, e um pequeno grito.

Me virei para ver Rose sorrindo para mim.

-- Oi Rose. — disse ainda ofegante pelo susto.

-- Te assustei? — perguntou rindo.

-- Sim. Estava... — olhei de canto de olho para a janela. — Distraída.

Ela abriu um sorriso, e acompanhou meu olhar.

-- Entendo.

Seu sorriso era malicioso agora.

Sabia que Edward já havia me visto, e que ela também já havia notado, então perguntei logo de uma vez:

-- O que eles estão fazendo?

-- Bom, no momento eles estão correndo atrás do meu Ursão. — respondeu, enquanto Emmett continuava correndo como um raio, em círculos, com um Jasper rindo atrás dele, e um Edward parado ainda olhando a janela. — Mas era para estarem arrumando o quarto de Edward.

-- O que houve com o quarto do maníaco? — indaguei com uma sobrancelha levantada.

Rose me olhou confusa.

-- Bom, nós meio que destruimos o quarto, não foi? Até a parede de vidro, e a tv viraram migalhas. Sem contar os armários, paredes, e todo o resto. Enfim, está basicamente destruído.

-- Aquele ambiente lá em cima, é o quarto de Edward? — indaguei. Eu sabia que não era para mim ter ido até lá em cima aquele dia.

Bom, isso só comprova que meu instinto de preservação é esperto. Uma pena que minha curiosidade não.

-- Sim.

E então eu lembrei do ocorrido em seu quarto. Parecia ter sido quase em outra vida, depois de tudo o que aconteceu depois. Mas eu sabia se tratar de pouco tempo.

-- Tá muito ruim? — perguntei, me sentindo culpada.

-- Para falar a verdade está bem acabado, sim. — respondeu, sorrindo. — Mas não é culpa sua. Essas coisas acontecem.

Eu a encarei com a sobrancelha erguida.

-- Acontecem mesmo?

Ela pareceu pensar por um momento.

-- Ok. São bem raras aqui em casa. Mas ainda assim, a culpa não foi sua.

Eu suspirei, ainda me sentindo culpada, e encarei a janela. Edward agora estava correndo atrás de Emmett, junto com Jasper. Mas eu tinha certeza de que ele tinha os olhos aqui.

-- Aonde ele está dormindo? — perguntei. Quer dizer, se o quarto dele estava acabado, ele não tinha mais onde dormir. Embora provavelmente essa mansão tenha muitos quartos livres.

Rosalie me encarou como se eu fosse retardada.

-- Nós não dormimos, Bella. — respondeu, e eu lembrei da falta de cama, naquele aposento.

-- Nunca?

-- Nunca.

Bom, ninguém havia me dito esse pequeno detalhe.

-- Então para que ele precisa do quarto?

-- Todos gostam de ter um espaço só seu, Bella. — Rosalie respondeu pensativa. — Ainda mais alguém como Edward, que prefere se manter sozinho, e tem uma coleção imensa de CD'S, para fazer companhia para a solidão.

-- Por que ele gosta de se manter sozinho? — perguntei esperando mais respostas. Se Jasper havia me dado algumas. Por quê ela não?

-- Porque ele é idiota. — respondeu, sorrindo grande. Claro que ela não ia me dar respostas... certas.

-- Concordo. Um maníaco idiota.- concordei sorrindo. E ela riu.

-- Mesmo? — perguntou descrente. E eu me indaguei, o motivo de seu incredulidade.

Assenti com a cabeça, e voltei a olhar pela janela.

Agora os três rolavam na grama.

Eles pareciam estar apostando corrida: Quem rolava mais rápido. Ri com esse pensamento. E percebi os olhos de Edward voltando para a janela.

-- Ele... — comecei, mas parei. — Digo, eles, conseguem nos ouvir daqui.

-- Provavelmente sim, já que eu consigo ouvi-los. — estava explicado o porque das olhadinhas.

-- Odeio a audição vampírica de vocês. — murmurei, cruzando os braços.

Rose gargalhou.

-- Eu as vezes também odeio. Acredite, pode ser bem incoveniente. — eu a encarei curiosa. Mas preferi deixar quieto. Se eu perguntasse seria capaz de ficar sem resposta, e me criar mais um duvida misteriosa, para me remoer de curiosidade.

-- E Lily? — indaguei, voltando a encarar os três rolando na grama.

Rose se sentou na beirada da minha cama, e suspirou.

-- Está melhor. Mas... — ela parou, parecendo escolher as palavras. — ... Não sabemos por quanto tempo.

Eu fiquei sem saber o que falar. De uma maneira, ou de outra, não imaginava Lily morta. Agora que eu sabia que ela estava viva, não conseguia vê-la pálida, imóvel, e sem vida.

-- Posso vê-la? — indaguei com a voz abafada.

-- Acho melhor não, Bella. Pelo menos por enquanto.

Por que será que eu tinha a leve impressão que também estava ouvindo MUITO isso ultimamente?

Voltei a olhar para janela, pensando em como convencê-la, a me deixar ver Lily. Mas quando meu olhar voltou para Rose, ela já não me encarava. Ela tinha os dois olhos pregados no livro que eu estava lendo.

-- Rose. — chamei.

-- Aonde você arranjou esse livro, Bella? — ela murmurou com a voz abafada, ainda sem me encarar.

Levantei uma sobrancelha, confusa.

-- Estava na biblioteca de Forks. Tinha acabado de chegar, e o Sr. Müller me deu de presente, porque eu gosto muito da história.

-- Posso? — perguntou, esticando a mão para tocar o livro.

-- Claro.

Ela segurou o livro, com delicadeza, quase como se fosse tingido de ouro.

Abriu a primeira página, e olhou para a parte de dentro da capa.

-- Você disse que gosta da história? — perguntou, colocando o livro delicadamente, no mesmo lugar, e me encarando com um pequeno sorriso.

-- Demais. — concordei. — Já o li umas cinco vezes.

Ela me encarou com os olhos cerrados.

-- Quantas vezes você leu mesmo? Foram precisamente cinco?

Franzi a testa, enquanto tentava lembrar mentalmente. Sim. Cinco vezes, segundo minhas contas rápidas.

-- Sim. Foram cinco vezes. Seis com essa que estou lendo, agora.

Ela mexeu nos cabelos, com um olhar pensativo.

-- Rose. — Carlisle chamou, da porta do quarto, que estava entreaberta. -- Lily está te chamando.

-- Ok, estou indo.

Rose se levantou no mesmo instante, e seguiu para a porta. Mas então parou e me encarou.

-- Só por curiosidade. — começou. — Edward já viu esse livro?

Eu a encarei sem entender. Por quê minhas conversas com eles, tinha que ser sempre MUITO confusas?

-- Não. Não que eu saiba, pelo menos. — respondi. E ela sorriu levemente, se retirando.

Voltei a olhar pela janela, e percebi Edward parado com os olhos grudados em mim, e com uma expressão... séria.

Foi então que eu me toquei.

Ele teria escutado sobre o livro? Mas mesmo se tivesse, o que isso tinha a ver?

Certo. Estava ficando MUITO confusa. Só pra variar.

Desviei os olhos do maníaco, e sai da janela sentando na cama, e pegando meu livro, para voltar a ler. Inconscientemente, eu me vi olhando a parte de dentro da capa. No mesmo lugar onde Rosalie encarava, há minutos atrás.

Foi só então que notei que havia algo escrito ali. Praticamente apagado, e com a tinta tão fraca, que eu não conseguia ler o que estava escrito. Nem havia notado antes aquilo. Passaria por pequenas sujeiras, se eu não estivesse prestando muita atenção. Mas tinha realmente algo escrito ali.

Olhei bem para as palavras. Parecia ser uma dedicatória. Pensei em pegar uma lupa, e uma caneta e tentar decifrar. Mas não tinha nenhum dos dois, no momento.

Mas de algum modo queria muito saber o que estava escrito.

Não ouvia mais barulhos vindos de fora, e deduzi que eles haviam parado de rolar na grama, e foram arrumar o quarto do maníaco.

Mas isso no momento não me importava. Eu só queria saber o que diziam aquelas palavras ilegíveis. Devia ser muito antigo, para estar tão desgastado.

Bufei, quando percebi que não ia ter êxito em descobrir o que estava escrito. E me levantei com raiva, seguindo para fora do quarto.

Não faço a mínima idéia do que iria fazer agora. Mas e dai?

Desci as escadas, e fui para cozinha.

-- Ei, Bella. — ouvi a voz de Alice, antes que entrasse no aposento alimentício.

Entrei e a vi sentada na mesa, com um pedaço enorme de bolo de chocolate, intocado, na frente.

-- Oi Alice. — respondi, me sentando ao seu lado.

Aquele bolo parecia apetitoso.

-- Cortei para você. — informou, me empurrando o prato. Claro que ela havia me visto descendo, e vindo para a cozinha. No mínimo também sabia que eu estava com fome.

-- Obrigada. — respondi, pegando o garfo que estava encostado no prato, e experimentando um pequeno pedaço do bolo.

Era muito bom.

-- Quem fez? — indaguei.

-- Rose. Ela é ótimo com doces. — respondeu. — Bom. Não que eu ande provando muitos nas últimos décadas. Mas quando eu era humana, pelo menos era bom.

-- Como você e ela se conheceram? — perguntei. — Sempre foram amigas?

Alice fez uma cara pensativa.

-- Não lembro bem. Foi logo depois que nós mudamos para Forks, de Chicago. Carlisle era o Médico Da cidade, e muito respeitado. Enquanto o Senhor Hale, era o Chefe da Policia, e Ex Capitão do exercito. E igualmente com um sobrenome de respeito. Então nossas familias se entrosaram.

-- O Pai de Rose e Jasper foi Chefe de Policia? — indaguei espantada.

-- Sim.

-- Meu pai também é. — comentei. — Não. Ele foi. Está aposentado no momento.

-- Eu sei. — Alice disse rindo.

Claro que ela sabia. Nem sei porque me dava ao luxo de dizer.

-- E então, — Alice começou. — Ainda está brava com ele?

-- Ele quem? — perguntei por impulso, enquanto colocava outro pedaço de bolo na boca.

Mas só depois que havia falado, foi que percebi que o 'ele' se tratava do maniaco.

-- Edward. — ela respondeu. — Ou como você o chama: 'O Maníaco Mascarado'.

Dei de ombros. Não ia entregar o jogo tão facil para ela.

-- Por que estaria brava com ele? — indaguei. — Bom, Tirando os motivos normais, como o fato dele querer me matar, viver me machucando, e me ofendendo, além de ter torturado meu pai? Bem, tirando isso nem tenho com o que ficar revoltada com ele.

Alice revirou os olhos.

-- Esqueceu de mencionar o beijo. — comentou com um sorrisinho malicioso. — Ou devo dizer... OS Beijos

Certo, eu quase engasguei com o bolo. Não que eu já não soubesse, que Alice sabia. Mas não esperava que ela falasse em voz alta.

Pra que fingir que nada aconteceu? Ela já sabia mesmo.

-- Ele é maluco, não é? — indaguei. — Como ele pode tentar me matar em um minuto, e no instante seguinte estar me beijando? Não tem lógica.

Alice riu.

-- Bella, Edward e lógica são opostos. — respondeu.

Dei de ombros.

Mas antes que ela pudesse esticar o assunto, Emmett entrou pingando na cozinha, e com a cara amarrada.

-- Bom banho? — Alice perguntou, e eu a encarei sem entender.

Emmett mostrou a lingua para ela, o que a faz rir mais ainda.

-- Você viu. Não foi, bola de cristal? E nem pra ir acudir seu irmão. Sua anã desnaturada.

-- O que houve? — indaguei perdida.

-- Edward e Jasper jogaram ele no lago. — Alice respodeu. — E jogarem ele do quarto de Edward.

Calma ai? Eles jogaram Emmett daquele aposento lá em cima. Dentro do lado?

-- Vampiros realmente são fortes, né? — não tive como comentar.

Emmett fechou mais a cara. E se sentou na cadeira ao meu lado, encharcando o local.

Eu e Alice ficamos um bom tempo rindo da cara de emburrado de Emmett, até que eu resolvi subir pro meu quarto, tomar um banho.

Logo que sai do banho, me joguei na cama, e percebi o sono me tomando.

Meus sonhos mais uma vez foram confusos, me fazendo acordar sobressaltada. Mas não conseguia lembrar de nada, depois de acordada.

Queria muito saber o que meus sonhos eram. Pensei em ir perguntar para Lily. Mas não deixariam eu falar com ela.

Bom, não custa tentar, né?

Me levantei colocando as pantufas, e segui para o quarto de Lily. Mas quando bati na porta ninguém atendeu. Abri vagamento a porta, e ele estava completamente vazio.

Desci intrigada, tentando achar alguém, mas não encontrei ninguém. Já devia ser bem tarde, pela escuridão que estava lá fora.

Quando cheguei ao primeiro andar meus olhos voaram para a última porta do lado sul, que estava fechada. Minha curiosidade queria muito ver melhor aquela sala, mas me segurei, procurando por alguém.

Fui até a cozinha e voltei, não achando nem formigas no chão.

Quando estava subindo novamente, olhei mais uma vez para a porta da 'sala de máscaras'. Mas havia algo de diferente dessa vez. A porta estava entreaberta.

Sabia que não deveria ir ali. Sabia que o maníaco já havia deixado bem claro, que eu não devia ir ali. Mas...

Quando foi que eu fiz o que se deve?

Me aproximei da porta, e olhei para dentro.

Havia uma figura alta e esguia de costas para mim, olhando pela janela.

-- Achei que iria demorar mais para me desobedecer. Mas como pode se ver, sua curiosidade é maior que seu alto controle... ou, seu medo.

Certo, por que exatamente eu ainda ficava surpresa, por sempre encontrar Edward por ai?

-- Aonde estão os outros? — perguntei, ainda na porta.

-- Precisaram sair. — respondeu.

-- Até mesmo Lily?

-- Ela foi o motivo por eles terem que sair. — sua voz era calma, e serena, quase indiferente, mas o medo e o receio começavam a me tomar.

-- E por que você ficou? — indaguei.

-- Porque quis ficar. — respondeu simplesmente.

Eu não pudi evitar de perguntar...

-- E eles deixaram você ficar? Sozinho... comigo?

Ele riu, ainda olhando para fora.

-- Receio, que minha familia me dê mais crédito que você.

-- Crédito eu posso te dar, confiança é que seria dificil.

Ele voltou a rir.

-- Confiança é questão de luxo, Isabella. — era a primeira vez que ele dizia meu nome.

-- Está errado. — respondi, sem me segurar.

Ele fez um som de zombaria.

-- Ah, estou? Então me diga, o que é a confiança se não uma questão de luxo?

Eu estava abusando da minha sorte.

-- Acho... acho que confiança é questão de sobrevivência, não de luxo. — respondi. Sim, eu devia começar a ficar quieta.

-- Sobrevivência?

-- S-sim.

-- Creio, então, que quem está errada nessa questão, seja você, Isabella. Pois, se vive muito bem sem confiança. Em compensação, você nunca sabe qual será seu último minuto, quando se confia em alguém.

Ele estava falando de traição?

-- Nem sempre é assim. — murmurei.

-- Não? Então, responda-me, qual é o maior motivo do sofrimento do ser humano, se não a confiança traída?

Certo. Nesse ponto ele estava certo.

-- Faz parte do jogo. — respondi. — Aprender em quem confiar.

-- Jogo? — perguntou incrédulo. — Vampiros podem ser dar ao luxo de fazer de sua vida um jogo. Mas humanos? Humanos, não tem esse tempo.

-- Eles... quer dizer, nós temos tempo o suficiente para fazer, errar, e aprender. É para isso que vivemos. Para cair e levantar. Para tentarmos ser pessoas melhores.

-- Você acha que Arrogância, é um reflexo da tentativa de ser melhor?

Ok. Eu estava confusa.

-- Não. — respondi. Ou sim, não sei. Fiquei confusa.

-- Pois a confiança é.

-- Você me perdeu. — comentei. Estava completamente perdida.

Ele riu.

-- A pior arrogância do ser humano, é esperar sempre o melhor do próximo. — respondeu em tom sério. — A pior arrogância é confiar.

E então eu entendi. Ele achava que confiança era acreditar que todos gostavam de mais de você para te trair.

-- Você está me dizendo... que confiança é o resultado da arrogância?

-- É exatamente o que estou te dizendo.

Nunca ouvi tanta bobagem na vida.

-- Você é louco.

Ele voltou a rir.

-- Creio, que posso ser muitas coisas, mas louco não é uma delas. Porém, infelizmente, creio que estou ficando.

-- Certo. Você continua sendo maluco para mim. — murmurei, e ele riu alto.

-- Sou mesmo? — respondeu, virando para me encarar.

A risada brincando em seus lábios era algo tão bonito de ser ver. Que chegava a me fazer querer sorrir.

Naquele momento, me pareceu que havia alma por trás daquela máscara. Enquanto ele ria, me pareceu que ele podia ter um coração. E que se tivesse, seria quente.

Como se aquela máscara fria, fosse apenas uma mentira, para esconder que seu coração ferve.

Seus olhos já não estavam mais um mar de gelo. Estavam... quentes. Como se algo os tivesse aquecendo. Como se por trás dele, tivesse fogo, calor, beleza, paixão...

Como se por trás daquela máscara tivesse muito mais do que os seus olhos expressam, e os meus enxergam.

Sim. Parecia impossivel, mas...

Eu consegui encontrar calor em seu olhar tão frio.

Notas finais
Cap 11 é edward pdv fiquem ligadas...