Por Edward Cullen

'-- Não. Não está nada bem. — Alice me contrariou. — Me responda Edward. Por quê não?

-- Porquê eu não cometo o mesmo erro duas vezes. — respondi.'

E essa era minha única desculpa para tudo.

Eu costumo aprender rápido, e não sou de pisar no mesmo buraco duas vezes.

Mas tudo que Alice e Rosalie, haviam me mostrado, me fez criar duvidas. Reviver momentos.

Era angustiante rever o que me mostravam. Todas aquelas imagens que lutei durante séculos para apagar. Para esquecer. Tudo estava voltando como se fosse uma desgraça na minha vida. Como se fosse uma bala de fogo, voltando com força e se enterrando mais uma vez em meu coração morto.

Tudo parecia ter retornado, com a chegada dessa garota. Bella. Ela trouxe tudo o que eu mais odiei na vida.

Ela me devolveu o ódio, a dor, a angústia, a aflição. Ela me devolveu tudo o que é demais ruim em mim. Ela acordou o monstro que eu sou. O monstro que eu quis ser.

Ela é meu demônio. Meu inferno particular.

Bella. Eu não podia nem expressar o quanto a odiava.

A odiava pelo seu cheiro, pela sua curiosidade impertinente, pela sua petulância, sua ousadia, sua teimosia, e seu orgulho. Por sua mente ser completamente fechada para mim, e pelo seu jeito livre e independente de viver. Por sempre me surpreender, e nunca fazer o que eu espero, ou o que é certo. Pela sua maneira de amar, e pela sua maneira de odiar. A odiava por tudo o que era, e por tudo o que representava para mim.

Queria mais do que qualquer coisa matá-la. Me livrar do meu demônio.

Mas não podia matá-la, não conseguia. Algo dentro de mim, não me deixava mais machucá-la. Algo dentro de mim, não queria vê-la sofrendo. Não queria lhe causar dor.

E era esse algo que eu odiava mais do que tudo. Que odiava mais do que a ela, Isabella.

Era esse algo que eu repudiava de dentro de mim.

Era esse algo que a amava.

Irredutivelmente.

Estava há horas encarando a janela, enquanto esperava ela descer.

Sim. Eu sabia que ela iria descer. Sabia que sua curiosidade não iria mantê-la trancada naquele quarto. Sabia que ela não iria encontrar ninguém. E sabia que me encontraria.

E eu queria isso. Queria que me encontrasse.

Queria muito matá-la. Esbanjar de seu sangue doce. O mais doce. O melhor.

Mas por enquanto queria apenas sentir seu cheiro, e sentir sua presença atrás de mim.

Era como estar revendo meu passado. O meu maldito passado.

E então ela chegou. Curiosa e temerosa. Com receio de ficar perto de mim. Não poderia a culpar por isso. Ela realmente não devia ficar perto de mim.

Era engraçado como ela era tão ingênua ainda, tão pura. Inocente.

Acreditando que todos podem ser bons. Acreditando que se pode confiar.

Era cômico ouvir suas respostas. Sempre achando uma maneira de colocar o ser humano, como alguém que mereça confiança.

-- Certo. Você continua sendo maluco para mim. — ela murmurou, me fazendo rir. Acho que tinha mais sanidade do que ela. Afinal, não era eu, quem estava sozinho com alguém que queria me matar, e até agora não havia saido correndo.

-- Sou mesmo? — respondi me virando para encará-la.

Odiava olha-la.

A primeira coisa que vi foram seus olhos. Seus olhos de chocolate, que pareciam ser tão doces quanto seu sangue.

Ela transpirava doçura. Até seus cabelos levemente enrolados, de um castanho que ficava avermelhado a luz do sol, me lembravam de como ela era doce.

E sua boca. Aqueles lábios perfeitos e vermelhos, pareciam me chamar para toca-los. Sentir seu sabor. As vezes resistir parecia ser impossivel.

Não. Nunca quis beijá-la.

A odiava por ser essa tentação doce que era para mim.

Mas era como estar revendo ela. A mulher que eu amei. A mulher que não valeu amar. A mulher que já morreu.

Mas que surpreendentemente era tão parecia com Isabella. Os mesmo olhos de chocolate. Os mesmo lábios vermelhos. O mesmo nariz arrebitado.

Especialmente a mesma maneira de falar meu nome.

Quando Bella pronunciou meu nome pela primeira vez, perdi a cabeça. Senti como se meu coração frio e morto, estivesse vivo, e pegando fogo.

Como se meu nome dito por seus lábios doces, fosse a chama que estava queimando meu corpo.

Como agora, que eu encarava seus olhos quentes. Eles me faziam sentir-me quente. Como se por trás de meus olhos sem vida, pudesse ter calor.

E era incrivel, como naquele instante ela parecia conseguir ver esse calor, tanto quando eu conseguia senti-lo.

Não faço idéia de quanto tempo fiquei perdido em seu mar de chocolate.

Queria tanto poder ler sua mente. Saber seus pensamentos. Desvendar seus mistérios. Mas só havia vazio quando tentava faze-lo.

-- O que é esse lugar? — ela perguntou desviando os olhos dos meus, e mudando de assunto.

-- Um lugar onde você não deveria estar.

Ela me olhou, e percebi o medo em seus olhos.

-- Ok. — murmurou — Me desulpe. Já estou saindo. — completou virando as costas para ir embora.

Ela achava mesmo que eu ia deixá-la sair tão facil?

-- Para que tanta pressa? — perguntei, sorrindo cínico. — Já que está aqui, podemos muito bem aproveitar a... companhia um do outro.

Ouvi seu coração acelerar, e seu sangue correr mais rápido por suas veias.

Ela estava com medo de mim.

Percebi a indecisão em seus pés. Eles se mexiam para frente e para trás, como se ela estivesse decidindo se corria, ou me encarava.

Resolvi decidir por ela. Até porque não foi um convite. Foi um aviso. Ela não tinha escolha. Eu a queria ali. E ela teria que ficar.

Me aproximei rapidamente dela, e respirei em seu pescoço, sentindo seu cheiro doce. Delicioso.

-- Vire-se. — murmurei em seu ouvido, fazendo-a se arrepiar.

Seu coração parecia querer sair de seu peito. E eu gostei muito desse som.

-- O que quer de mim? — ela murmurou com a voz abafada.

Ri em seu pescoço.

-- Muitas coisas. Uma pior que a outra. — respondi.

Seu cheiro era inebriante. Não conseguia parar de inspirar o seu odor. Era viciante.

Queria mordê-la. Queria sentir aquele cheiro doce em meus lábios. Queria tocar-lhe o pescoço, e tomá-lo para mim. Queria apagar a queimação em minha garganta com o líquido quente de seu sangue. Sim. Eu queria muito isso.

-- Ed-ward. — ela murmurou meu nome, em um fio de voz. Como se implorasse para que eu a deixasse.

Mas ela havia feito o errado.

Ouvir meio nome sair por entre seus lábios, foi como como ouvir uma canção cantada por anjos. Era a pronuncia mais linda e mais doce que poderia existir.

Era enlouquecedor. No momento em que meu nome saiu de sua boca, perdi completamente a noção de tudo.

Apenas a virei rapidamente para mim, passando meu braço fortemente por sua cintura, e colando seus lábios nos meus.

Percebi seus braços em meu peito, fazendo força para me empurrar. Não entendia o porque disso, sendo que das outras vezes ela estava muito receptiva aos meus beijos.

Mas a força de seus braços era pouca, para me fazer afastar dela.

Ouvir meu nome em sua voz, me fazia perder a razão. Nada mais importava. Mesmo que ela continuasse a se debater.

Seus lábios eram tão doces, tão macios. Seu gosto não podia ser melhor.

-- Me solta. — ela exclamou, quando conseguiu afastar sua boca da minha.

Por impulso eu a soltei, e ela se afastou com lágrimas nos olhos.

Não entendia o que se passava por sua mente. E queria muito entender.

Ela me encarou com fúria, e apontou o dedo para mim.

-- Nunca mais encoste em mim. — murmurou pausadamente, quase como uma ameaça.

Suas palavras inesperadas, me deixaram sem reação. Não estava esperando por isso.

Mas ela continou a falar.

-- Se quiser me matar, me tortutar, acabar com a ultima gota de meu sangue, faça. — ela continuo subindo cada vez mais a voz. — Mas não irá abusar de mim, como se eu fosse seu brinquedinho.

Nesse instante já havia lágrimas e mais lágrimas caindo de seus olhos. E aquela parte de mim que não queria vê-la sofrer, parecia estar chorando junto com ela.

-- "EU NAO SOU UMA QUALQUER! — ela gritou. — ME MATE DE UMA VEZ. NAO É ISSO QUE VOCE QUER? ENTAO FAÇA. ACABE COMIGO, SE LIVRE DE MIM. MAS NAO ENCOSTE MAIS SUA BOCA NA MINHA!

Senti que sua explosão, estava fazendo crescer minha raiva. Ela havia perdido noção do perigo?

-- "EU NAO SOU SUA BONEQUINHA DE PALHA PRA VOCE FICAR ME PRENSANDO NA PAREDE, DEPOIS DE TENTAR ME MATAR. PARA LOGO ME AFASTAR, ME JOGANDO COMO SE EU FOSSE UMA PROSTITUTA. E NEM OLHAR EM MEUS OLHOS. COMO SE NAO VALESSE A PENA ME OLHAR, DEPOIS DE ME TER. COMO SE ME BEIJASSE E DEPOIS JOGASSE FORA. ME AGARRANDO NA HORA QUE BEM QUER. COMO SE EU FOSSE UMA VAGABUNDA.

E então, eu entendi. Ela se referia quando a empurrei na grama.

-- "EU NAO SEI QUE PORCARIA ACONTECEU EM SEU PASSADO. O QUE VOCE FEZ...

-- Cale a boca. — murmurei, com os punhos fechados. Sentindo a raiva crescer cada vez mais.

-- "...E QUEM FOI A MULHER QUE VOCE A AMOU, OU O QUE ELA FEZ, PRA FAZER DE VOCE ESSE MONSTRO. SE ELA TE MAGUOU, SE ELA TE DEIXOU...

-- Cale a boca. — falei mais alto.

-- "... MAS EU NAO TENHO CULPA DO SEU PASSADO. NAO TENHO CULPA DO QUE ELA FEZ PARA VOCE. NAO TENHO CULPA DO QUE VOCE é...

-- CALE A BOCA! — gritei, sentindo minha raiva me dominar. Pulei para cima dela, e a empurrei na parede, fazendo-a bater com força.

-- Me larga. — sua voz estava abafada, pela força que minha mão agarrava seu pescoço.

-- Eu mandei você CALAR A BOCA! — rosnei entre dentes, puxando-a da parede, e a batendo novamente com força.

Ela gemeu, e eu percebi mais lágrimas escorrendo de seus olhos. Eu queria tomá-las. Sentir mais uma vez o gosto de suas lágrimas. Mas minha ira me dominava.

Mas então, ela parou de se debater, e simplesmente ficou me olhando com os olhos cheios d'água', e lágrimas violentas escorrendo por sua face. Sem reação. Como se quisesse que eu a matasse.

Vê-la daquela maneira, esperando que eu terminasse o serviço me fez ganhar novamente um pouco de raciocínio.

A soltei e ela caiu ajoelhada no chão, tossindo.

Fiquei a olhando, pensando no que fazer.

-- Me... — ela tentou dizer, mas engasgou enquanto levantava a cabeça para me olhar. -... Mata logo.

Ela estava pedindo mesmo para matá-la?

-- Não vou te matar. — rosnei, sentindo nojo de mim mesmo por ter tentado.

Ela respirou fundo varias vezes, tentando parar de engasgar.

-- Eu quero que me mata. — murmurou, com a voz abafada pelas varias lágrimas. — Acabe logo com isso.

Eu não podia acreditar no que suas palavras diziam.

A encarei assombrado, enquanto ela me encarava como se suplicasse, ainda ajoelhada em minha frente.

-- Anda. Termine o serviço que você está louco para encerrar desde a primeira vez que me viu.

-- Por que está pedindo isso? — murmurei com olhos cerrados.

Ela soluçou, e me encarou profundamente. Duvidava que conseguisse me ver, pelo tanto de água que havia em seus olhos.

-- Porque não aguento mais isso. — respondeu soluçando. — Não aguento a incerteza se acordarei viva no outro dia. Não aguento todo o mistério, como se eu fizesse parte de tudo isso. É demais para mim. Tudo isso é demais para mim. Não posso mais aguentar. É demais. Vocês conseguiram, estão me levando a loucura.

Eu a encarava incrédulo. Aonde estava o medo? Ela apenas parecia completamente desesperada. Como se nada mais importasse, como se não valesse mais a pena viver. Como se ela não tivesse mais motivos para isso.

Mas eu via um motivo para não matá-la. Um único motivo, perto de todos os outros que haviam para querer matá-la.

Eu a queria comigo. Esse era o motivo por não matá-la.

Aquela parte de mim, queria estar com ela. E era essa parte que estava se contorcendo de agonia, por vê-la ajoelhada e desesperada aos meus pés. Essa parte urrava de raiva, querendo matar minha outra parte por ter feito isso com ela.

-- Levante-se. — mandei.

Ela me olhou confusa.

-- Levante-se. — repeti mais alto.

Ela continuou me encarando com olhos marejados, mas ainda sem se mexer.

-- Eu mandei você se levantar. — mandei, pegando-a no colo, e a colocando de pé.

-- O qu...

Mas eu a interrompi.

-- Nunca mais quero te ver ajoelhada. Em nenhuma circunstância. Para ninguém, seja vivo ou morto, deus ou mortal. Ninguém. Entendeu bem? Ou farei coisa bem pior do que te matar.

Isabella me olhava confusa.

-- Feche a porta. — mandei novamente. Ela me olhou com olhos arregalados, como se começasse a sentir medo. — Não vou te machucar. Apenas feche a porta.

Ela me encarou amedrontada.

Para quem até agora estava implorando pela morte, ela estava com bastante receio.

Rosnei alto, e ela pulou indo até a porta.

-- Com você do lado de dentro. — comentei quando vi que ela passava pela porta.

Percebi que ela estremeceu, mas retrocedeu os passos, e fechou a porta vagamente, como se estivesse assinando sua sentença de morte.

Ela ainda continou parada olhando para porta de costas para mim.

Dei uma ultima olhada para ela, antes de me virar para janela, e encarar a noite escura.

Algum tempo depois ouvi o som de seus passos. Ela havia virado para me encarar.

Mas eu já não a olhava. Não conseguiria fazer isso olhando em seus olhos. A semelhança era forte demais.

-- Por que quis que eu ficasse? — perguntou em um murmúrio sabendo que eu ouviria.

-- Porque chegou a hora de lhe contar minha história, Isabella. — respondi.

Olhei mais uma vez para a maior árvore do jardim. E enxerguei de longe, as inicias cravadas no tronco, com um coração de duas pontas no meio das letras.

E I.

Foram nossas iniciais.


Notas finais
N/A: Obrigada a todos os comentários. Meus olhinhos brilham cada vez que vejo um novo.A fic está chegando aos 100 reviews então colaborem. Deb.