A Bela e a Fera - BDSM
6 Capítulo 6
Notas iniciais

Anteriormente em A Bela e a Fera — BDSM:
— Eu aceito.
Seus olhos abriram muito perante a minha resposta. Como se não acreditasse de fato.
— Tem certeza disso?
— Absoluta.
Como ele ficou mudo, perguntei-lhe:
— Posso ir com o Senhor até seu quarto na ala oeste?
Seus olhos faiscaram. Brilharam intensos, assim como um sorriso maldoso que nasceu em seus lábios defeituosos.
— Siga-me, cadela.
Arrepiei-me.
...
Seus passos eram ágeis e poderosos e eu lutava com meus sapatos de salto para alcançar o ritmo que ele impunha. E logo que ele parou na entrada do corredor que dava para a ala oeste, cruzando os braços e virando para olhar em minha direção, eu já sabia exatamente o que tinha que fazer.
— Vá – ele disse.
Caminhei sem olhar para trás. Antes que minha mente vacilasse e me fizesse entender que o que eu estava disposta a fazer naquele momento era insano. Era sem sombra de dúvidas a coisa mais maluca da minha vida, e eu estava ali a apenas alguns passos de dizer sim para tudo aquilo.
— Por Deus, que ele não demore tanto. Ou não sei se conseguirei manter minha decisão – sussurrei a mim mesma.
...
POV FERA
Aquilo não parecia real. Ela havia realmente dito sim a mim? Mesmo sendo o que sou? Mesmo com minhas cicatrizes? Mesmo com todos os meus defeitos?
Era uma insanidade.
Parei um momento em meu escritório a fim de beber algo forte para acalmar meus nervos. Ora, homem! Eu não era aquilo que se podia chamar de covarde, mas se havia algo que me tirava o chão eram aqueles olhos castanhos, adornados pela pele alva e aquelas bochechas rosadas. E os lábios? Deus... aqueles lábios...
Enchi rapidamente um copo com meu mais precioso conhaque e virei de um gole só. A ardência fez-me por um momento mais leve e pude finalmente sentar em minha poltrona e organizar meus pensamentos.
Lembrei-me do dia em que ela apareceu, veio através de uma circunstância tão inusitada, que jamais poderia imaginar que hoje, ela diria que me queria. Quem poderia imaginar?
Pude visualizar nitidamente seu belo corpo curvilíneo dentro do vestido simplório de camponesa. Seu olhar aterrorizado, e ao mesmo tempo com um brilho tenaz. Aquele tipo de brilho que só vemos em pessoas corajosas nas mais inóspitas situações. Fez o que pode para salvar seu pai, e todo seu esforço ressoou em mim uma vontade iminente de vê-la bem.
E esse meu lado benévolo brigava todo o tempo com meu lado rancoroso e vingativo. Não vou negar que sou um homem de pouco romance, nunca gostei de mimos e toques. Eu gosto de tocar, não de ser tocado. Meu lado voraz quase sempre surge quando pratico o ato sexual. E sinto MUITO prazer em ver uma mulher de joelhos a mim, é quase mais satisfatório do que sentir minha ereção afundando em sua carne molhada.
Pensar em sexo, ainda mais quando Bela estava envolvida era como um afrodisíaco e em segundos já podia sentir as calças apertadas em minha cintura. Essa mulher deixava-me louco, em uma escala nunca antes conhecida. Não a mim, não dessa forma.
Enchi mais um copo e voltei a sentar em minha poltrona, mas dessa vez, não bebi tudo de um gole. Eu tinha tempo, agora era a hora de saber se ela realmente me pertencia. E se realmente fosse minha, e eu finalmente entrasse naquele quarto e ela estivesse ainda me esperando, eu juro, dessa vez, jamais deixaria que fosse embora novamente. JAMAIS.
Afinal, eu sabia plenamente que o dia em que eu me enterrasse em sua carne tenra e saborosa, seria um caminho sem volta. Adeus Adam, jamais voltaria a ser a Fera que um dia fui. Seria refém de suas pernas e de sua boca. Por mais que supostamente eu comandasse, ela não fazia ideia do quanto poder aquela camponesa dispunha sobre minha mente e meu corpo. Logo eu... Apaixonado quase que instantaneamente por uma simples e humilde donzela.
Eu ri de mim mesmo.
Após passar uma vida cercado das mais belas mulheres requisitadas da côrte, viria a amar minha prisioneira. Apesar das cicatrizes e de minhas poucas maneiras, essas mercenárias do reino não esqueciam nem por um segundo que eu era um príncipe, por mais que minha família fizesse questão de que eu esquecesse esse fato. Tolos, nunca precisei deles para nada.
Sorvei mais um gole, e outro, e outro...
Meus pensamentos longe, tão longe, que quase não ouvi quando Madame Samovar bateu a porta repetidas vezes, apenas dei-me conta quando a mesma colocou seu risonho rosto pela porta.
— Senhor? Posso entrar?
— Entre – apesar de saber de sua presença, meus olhos ainda fitavam as janelas do escritório que dava para uma linda vista do jardim.
— Senhor, desejaria um chá ou alguma outra coisa? Posso servir algo a vossa convidada? – perguntou-me com um tom de brincadeira ao fundo, que ela mesma tentou disfarçar o máximo que pode.
— Minha convidada? Até onde sei foi a senhora que deu permissão para que ela subisse as escadas e fizesse o que bem entendesse.
Apesar do meu tom sério, Madame Samovar conhecia-me bem demais para saber que eu não estava achando ruim coisa alguma. Ela deu um leve sorriso, e quando respondeu, seu tom era respeitoso e afetuoso. Ela também gostava de Bela e eu bem sabia disso.
— Deixarei uma refeição leve, porém, bem nutritiva, aqui mesmo no escritório. Assim, quando o senhor usar a passagem secreta do quarto da rosa de volta para cá, não precisará seguir pelos corredores. Assim não precisará se preocupar com vestimentas ou qualquer coisa que lhe atrapalhe.
Esperta demais. Eu ri por dentro. Estava explicado o porquê de tanto a amar, era como uma mãe. Conhecia tudo sobre mim. Até meus piores defeitos, e ainda assim agia como se pouco se importasse quanto as minhas preferências sexuais.
— Eu aprecio sua bondade, querida Samovar. Apreciaria um bom vinho também. E não se esqueça de colocar jarras com água fresca. Obrigado.
— Como queira, senhor.
Fez uma breve reverência e retirou-se com toda sua pose e classe.
Sentindo-me bem mais leve e mais calmo, andei devagar até cruzar a porta escondida e seguir pelo corredor que dava para o quarto da rosa. A expectativa beirava meus nervos, afinal, ela poderia muito bem ter desistido e ido embora. Dei-lhe tempo o suficiente para isso. Uma última chance antes de ser minha. Última chance.
Respirei fundo.
Girei a maçaneta e entrei lentamente.
POV BELA
Apesar de toda a apreensão, entrei naquele quarto que por tanto tempo foi meu sonho e meu pesadelo. Dando uma breve olhada ao redor, apenas constatei o que já sabia. Me excitava como inferno e me amedrontava na mesma intensidade. Todas aquelas cordas e correntes, era um chamariz voraz para meus nervos. Comecei a suar de nervoso.
Andei mais alguns passos e instintivamente ajoelhei-me de frente ao espelho como da última vez, esperando por ele. Uma nova rosa vermelha havia sido colocada no vaso de vidro e eu me peguei olhando para ela e rezando para que aquela noite não fosse algo traumatizante e que eu não tivesse feito a escolha errada. Por Deus! Eu poderia muito bem ter colocado minha vida em risco, por mais que eu o quisesse e sentisse que aquilo era certo, eu poderia estar errada. Muito errada.
No entanto, eu estava ali, certo?
Levantei-me novamente e tirei meu vestido, ficando apenas com as roupas íntimas, meias e sapato de salto. Olhei-me no espelho, ao menos encontrava-me bonita e cheirosa. Sorri a mim mesma enquanto encarava o reflexo. Meu rosto estava afogueado pela expectativa, eu ainda estava um tanto excitada pelos beijos trocados pouco tempo atrás.
Deixando minha vaidade de lado, voltei a minha posição. De joelhos no chão e de olhos fixos na rosa.
Ouvi passos logo depois que a porta foi aberta, mas não olhei para trás, apenas esperei. Meus joelhos começaram a tremer enquanto suportavam o peso do meu corpo e este começou a tremer fervorosamente, além do já costumeiro tamborilar no meu coração e borboletas voando em meu estômago. Engoli a saliva quando ouvi sua voz.
— Estou vendo que já aprendestes o seu local de espera, não é mesmo Cadelinha? Finalmente uma atitude digna. Levante-se, quero vê-la melhor – ele disse com a voz vinda de trás de mim, voz grave, rouca, sua voz de trovão era tão excitante quanto seu corpo forte.
Levantei-me cautelosamente, temendo o pior, ou o melhor, não sabia bem precisar o que eu sentia. Estava perdida e confusa. Ele já havia sentado na mesma poltrona da outra vez. A calça de montaria estava lá e a trança feita caía sobre seu ombro largo. Eu respirei fundo algumas vezes buscando me acalmar, mas estava impossível conter meus nervos. Deus! Eu parecia uma menina indefesa perante um predador!
No fundo, sim. Ele era um predador, um delicioso lobo alpha, poderoso e forte.
— Não vá fazer como da outra vez, não me aborreça mais, tive um dia bom e agradável hoje. Quero apenas me divertir e não correr atrás de você como se eu não tivesse mais nada o que fazer da minha vida. Agora venha. Sente-se aqui.
Ele bateu em sua própria coxa direita, da mesma forma que fez no dia em que entrei nesse quarto pela primeira vez. Meu peito deu um solavanco de batidas alternadas e meu corpo que já havia virado gelatina, foi forçado a andar até ali. No entanto, andei devagar, minhas pernas não eram confiáveis naquele momento. Quando cheguei perto, baixei os olhos. Estava com um misto estranho de vergonha, expectativa e medo. Era muito para minha cabeça.
Mordi meu lábio inferior, e sentei-me devagar.
— Isso, boa menina. Não tenha medo, acalme-se. Sente mais perto, quero presenteá-la com algo.
Puxou forte pela cintura, colocando-me mais rente a seu corpo, para logo em seguida tirar uma faixa de couro de seu bolso. Achei um tanto estranho, lembrava um cinto, um pequeno cinto, com uma corrente prateada pendurada. Ele passou a tira de couro em meu pescoço, colocando no último furo, deixando-a bem firme. E deu um leve puxão na corrente que ficava pendurada, como se testasse para saber se estava funcionando adequadamente.
— Agora sim – ele sorriu um sorriso torto. Seus olhos cobalto brilhavam quando disse – Muito bem. És de fato uma cadela, e consagrada. Agora tens uma coleira – passou a mão em meus cabelos levemente, deixando-me arrepiada — Diga “Sim, Senhor”.
— Sim... Senhor – eu disse com voz fraca, mal conseguindo pronunciar as palavras.
— Agora quero que preste atenção, Escrava. Nós vamos brincar um pouco, fará tudo o que eu quiser, tudo o que eu mandar, e quando você sentir que chegou ao seu limite, dirá a palavra Fera. Mas se eu perceber que está dizendo em vão, apenas para que eu pare desnecessariamente, haverá consequências. E você será ainda mais punida. Compreendestes?
Ele passava uma de suas mãos em meu cabelo de forma delicada, a outra segurava firmemente a coleira. Eu demorei a responder. Ele deu um puxão forte com a coleira, deixando-me muito rente ao seu rosto. Eu segurei um grito.
— Compreendestes? – perguntou-me entredentes.
— Sim, Senhor – respondi rápido, para em seguida engolir a saliva ruidosamente.
— Muito bem.
Sua mão que antes acariciava meu cabelo, agora o segurava com força. Olhou-me nos olhos e por um momento eu pude perder-me naquele mar azul, intenso. Iluminado e aceso pela luxúria que emanava de seu corpo, que a cada segundo que passava deixava-me sentir o calor que passava de sua pele para a minha.
— Beije-me – ele ordenou.
Hipnotizada por aquele olhar, desejosa de sentir seus lábios, quente pelo contato do meu corpo ao dele, não precisei ficar indecisa.
Toquei meus lábios aos lábios deformados dele. Apesar da aparência peculiar, aquela textura macia e quente surpreendeu-me novamente. Seu toque sob os meus lábios era delicioso. E eles movimentavam-se fazendo fricção aos meus com uma mestria que eu nunca antes experimentara, eu o acompanhei como pude. Sua língua tocava a minha de forma graciosa e sexualmente tentadora. Sempre deixava-me com vontade de querer mais, mais, mais... E eu sentia seu gosto. Era tão bom, dava para sentir o sabor terroso de conhaque ao fundo, dando um toque a mais na ardência e quentura do beijo. Eu não estava esperando que algo tão bom surgisse de toda a bagunça em que eu havia me metido no dia em que decidi por encontrar e resgatar meu pai, mas essa surpresa deixou-me ainda mais sem fôlego. A vida não era mesmo estranha ás vezes?
O beijo tomou maiores proporções e intensificava cada vez mais. Enquanto os minutos passavam, nossas bocas não desgrudavam e a sintonia que impúnhamos era algo tão perfeito, que eu sentia como se nossos lábios tivessem sido feitos para isso. Para serem tocados mutuamente.
Se antes eu tinha dúvidas se o desejava, agora não possuía mais nenhuma. Ele era delicioso e tudo o que minha alma ansiava era por ser domada e tomada de vez por aquele corpo quente. Eu queria ser dele, e meu corpo implorava por isso, eu estava mais excitada, do que jamais estive em toda a minha vida.
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