A Bela e a Fera - BDSM
5 Capítulo 5
Notas iniciais

— Pai! — gritei e o abracei com força – Estou de volta!
A princípio meu pai congelou. Seus braços grudados na lateral do corpo. Demorou alguns segundos antes de dar-se conta de que realmente era sua filha que estava ali, agarrando-se a ele, gritando como uma louca.
— Bela?! E-eu...
— Oh meu pai! Como senti sua falta!
— Mas como é possível? A Fera deixou que saísse? Ou fugistes?!
Ele questionava ao mesmo tempo em que devolvia o abraço, apertando-me contra seu corpo abatido. Havia emagrecido alguns quilos, dava para notar claramente, todavia minha felicidade era tão grande que não podia pensar nisso àquela hora. Tudo o que necessitava era seu abraço terno e sentir seu cheiro tão conhecido ao meu olfato.
Passado o momento eufórico inicial, despedi-me de Lumiere, que num instante já havia colocado minhas coisas para dentro do meu humilde lar. Dei-lhe um abraço apertado de despedida e entrei.
— Pai, quero que saibas que está tudo bem. Temos bastante o que conversar!
— Eu ainda não consigo acreditar. Eu já estava louco, pensando na possibilidade de não poder vê-la. Inclusive pedi ajuda a Gaston para que juntasse alguns homens para irmos em seu salvamento e...
— Gaston?! Meu ex? Não pai, por favor, desnecessária a presença dele – disse com um virar de olhos. A última coisa que queria era ter a desagradável presença de Gaston em qualquer circunstância que fosse.
— Ora Bela, era o último recurso em que pude pensar – nessa hora meu pai olhou triste para o chão antes de balbuciar – Não precisa se preocupar de qualquer forma. Ele se recusou a me ajudar, além de não acreditar no que eu havia dito. Chamou-me de louco... Enfim... Fico muito feliz que tenha voltado minha filha, e não se preocupe darei um jeito de vingar-me daquela fera horrenda!
— Oh, não! Não há qualquer necessidade, pai. Adam permitiu que eu viesse embora, sem pedir nada em troca. Sabe... – eu limpei a garganta – Ele não é tão mal quanto pensávamos, é apenas incompreendido. Além de ter um gênio forte como o cão! – eu ri.
Meu pai olhou-me preocupado.
— Adam? – olhou-me com desconfiança — Diz isso apenas por que tem um bom coração, minha filha. Apenas por isso...
— Absolutamente garanto-lhe que não. Todos no castelo o amam, todos os seus criados e amigos. Ele adora crianças e ama cavalgar. Enche os animais de mimos... E-ele é um homem surpreendente em muitas formas... – engoli a saliva.
Um bolo havia-se formado em minha garganta. A sensação era como se eu tivesse tomado a decisão errada. O que não fazia qualquer sentido, certo? Dado ao fato que estávamos falando do homem que me aprisionou.
“Aprisionou em um quarto enorme, recheado de presentes, comeu e dormiu da melhor forma possível. Claro, muito ruim a sua vida, Bela”
Uma vozinha irritante se fez presente, apenas para deixar-me ainda mais atordoada do que já estava.
— Filha... – meu pai suspirou.
— Olha, não há com o quê se preocupar. Está bem? Acalme-se homem, estou de volta não estou? – sorri-lhe. Uma tentativa de fazê-lo mudar de assunto.
Não deu certo.
Continuou sondando-me. Olhando com desconfiança.
— Que roupa é essa que está usando? Parece um vestido bem caro.
— Estava tendo um baile no castelo, quando ele disse que eu poderia partir. Então nem troquei de roupa, vim o mais rápido que eu pude.
— Tudo bem, filha. Está certo. Vamos esquecer essa loucura toda e apenas seguir com nossas vidas. Irei amanhã mesmo arranjar suprimentos, já que eu não imaginei que você fosse voltar tão cedo, então não temos nada para o café da manhã!
Ele riu e eu o acompanhei. Abraçando-o novamente.
Mais tarde entrei em meu quarto para trocar de roupa e vestir algo mais confortável que um vestido de baile para dormir. Tudo estava da forma como eu havia deixado. Inclusive com uma xícara suja de café em cima da escrivaninha ao lado de um livro aberto. Passei meus dedos pelas páginas amareladas. O livro era tão antigo, emprestado da pequena biblioteca do vilarejo. Tão diferente do castelo.
Bati os olhos pela página aberta e li uma frase que chamou a atenção.
“— Nem sempre o amor vem da forma como esperamos, Monsieur. Existem tantas formas de amar, tantas formas de beleza e formosura singulares, que sequer conseguimos imaginar. Beleza é relativo, Monsieur. No entanto, se tratando de amor, jamais importa da forma como é apresentado. Amor é amor.”
Certo.
Fechei o livro e tratei de trocar minha roupa.
Logo que estava aconchegada em meus lençóis tão conhecidos, senti-me estranha. Como se estivesse vazia, sem um propósito. O que faria da minha vida agora? O que era mesmo que eu pensava em ser ou fazer antes de toda essa loucura tomar conta? Ah sim... Ia ensinar literatura a crianças.
Pareceu-me tão vago. Como se eu estivesse revendo e repensando a vida de outra pessoa ao invés de minha própria jornada.
Lutei contra minha mente para pegar no sono, a noite não havia sido tão tranquila e incrível como eu havia esperado que fosse. Quis tanto estar de volta, no entanto...
Um mês havia se passado.
Eu já estava habituada a minha antiga rotina. Cuidar da casa e todos os afazeres domésticos, ajudar meu pai com mais uma invenção, frequentar a biblioteca e continuar meus estudos por conta própria para em breve tentar garantir uma vaga na escola do vilarejo. Tudo bem, tudo ótimo.
Apenas se tirasse o fato de que eu já não era mais a mesma.
Pensava na Fera o tempo todo, sentia-me sozinha. E meus planos para o futuro pareciam vagos e imprecisos. Estava entediada e com uma tristeza constante. Questionava-me se ele estava bem, se aquela dor que ele sentia por ser abandonado algum dia o deixaria em paz, sentia que precisava fazer algo, no entanto, eu apenas acordava mais um dia e seguia adiante de forma automática.
— Bela?!
Eu levei um susto e quase derramei o prato de sopa que estava em cima da mesa de jantar em minha frente.
— Oi pai! Desculpe, eu não o ouvi chegar. Estava aqui jantando, distraída... – falei-lhe ao mesmo tempo em que colocava a mão no coração, tamanho o susto que eu havia levado.
— Tudo bem, só que eu chamei você no mínimo umas cinco vezes – ele riu um pouco. Depois se aproximou e tocou meu rosto – Você está triste minha filha. Seu olhar é tão vazio... Não sei o que aconteceu naquele castelo, mas com certeza a filha que voltou mês passado não é mesma de quando a deixei aqui.
Eu tentei segurar. Não consegui, e as lágrimas encheram meus olhos antes que eu pudesse responder alguma coisa que fizesse meu pai feliz e parasse com o interrogatório.
— Desculpe, pai – eu solucei alto, o choro aumentado na décima potência.
— O que houve, filha?! Por favor, me conte! Eu não aguento vê-la dessa forma, tão triste, o tempo todo distante. Confie em mim, diga-me o que está acontecendo com você, querida – meu pai abraçou-me forte.
Após abraça-lo, o sentei na cadeira ao lado da minha. E assim que recuperei o fôlego, resolvi falar antes que desistisse.
— Sinto, err... – respirei fundo antes de continuar – Sinto falta dele, pai.
— Falta dele? Dele quem? – perguntou-me assustado.
— Da Fera, pai – exalei com força, contendo as lágrimas – Eu não achei que isso pudesse acontecer, no entanto, sinto saudade e preciso muito saber como ele está. Fico preocupada com algumas coisas que ele me contou e eu fui embora de forma tão inesperada. Preciso descobrir se ele ficará bem antes de partir de vez... – fiz uma pausa para tomar fôlego e observei meu pai com os olhos alarmados e ombros tensos – Eu preciso voltar ao castelo, pai.
— O-o quê?! Mas de jeito nenhum! Bela, eu a proíbo de voltar àquele lugar horrível!
Meu pai estava horrorizado. No fundo, eu sabia que não deveria ter falado. As lembranças de meu pai eram muito piores do que as minhas e eu realmente o entendia.
— Pai, calma. Dará tudo certo! Eu vou e volto no mesmo dia! O senhor pode ir comigo inclusive e me esperar do lado de fora dos portões de entrada e...
— Nunca! Não sairá dessa casa sem minha ordem! Não se atreva a entrar naquele castelo, Bela. Estou avisando-lhe!
Meu pai gritava e arquejava, completamente vermelho de raiva e angústia. Eu apenas o encarei de volta, serena e compassível.
— Tudo bem, pai. Como quiser.
Retire-me para o quarto. Afinal, precisava dormir bem já que faria uma viagem no dia seguinte sem o consentimento dele.
Na manhã seguinte tomamos café como de costume, e não falamos sobre o acontecido na noite anterior. Melhor assim. Se meus planos dessem certo, á noite eu voltaria e ele sequer saberia onde eu havia ido. E assim que ele virou a esquina no caminho que sempre fazia para a cidade mais próxima, eu parti.
Meu coração galopava no mesmo ritmo do meu cavalo, a adrenalina correndo tão rápido em minhas veias que em alguns momentos acreditei que fosse ter uma parada cardíaca. Quando finalmente avistei os portões, eu sorri. Coisa que não fazia havia muito tempo.
Logo que desci do cavalo, assim que havia cruzado o portão principal um criado correu em minha direção me saudando. Levou-me até Madame Samovar que estava na cozinha e a mesma quase teve um treco quando avistou-me passando pela porta vaivém do gigantesco ambiente.
— Oh minha nossa! Não acredito que voltou! Isso é maravilhoso! O amo ficará muito feliz em vê-la, querida – abraçou-me forte – A senhorita fez muita falta nessa casa, a TODOS nós... – disse com um ar misterioso.
— Eu senti muita falta de todos também, não imagina o quanto!
— Posso imaginar que sentiu algo, afinal está aqui de volta, querida. E isso é ótimo!
— Não ficarei por muito tempo, vim apenas por que queria falar com seu Senhor rapidamente. Ele se encontra? – perguntei-a enquanto lançava rapidamente uma olhada para as portas da cozinha.
— Não está no momento, foi se encontrar com um novo possível fornecedor de carne. Voltará rápido, já que tem uma reunião daqui a pouco com um outro fornecedor. Gostaria de descansar um pouco em seu antigo quarto, senhorita?
Pensei por um momento.
— Sim, seria ótimo. Cavalguei rápido e adoraria tomar um banho e refrescar-me.
— Muito bom! Suas vestes estão no mesmo lugar em que deixou – ela riu baixinho – Fomos proibidos pelo Senhor de tocar em qualquer peça que estivesse naquele quarto.
Senti minhas bochechas ruborizadas. Sem saber o que dizer, apenas a dispensei de cuidar do meu banho dizendo-lhe que eu mesma providenciaria tudo.
Subi a escadaria principal com uma sensação saborosa e saudosa. Adorava o cheiro do castelo, as cores, as formas gigantescas. Eu o via como um lar, por mais estranho que isso soasse.
Assim que uma criada apareceu com os baldes de água quente, dispensei-a e tratei eu mesma de encher a banheira e colocar os óleos essenciais. Relaxei por algum tempo em imersão nas águas calmas e aconchegantes. Sentindo-me revigorada e cheirosa, deixei a água e sequei-me com uma das toalhas. Fui em direção ao armário e o abri, constatando que Madame Samovar tinha toda razão. As peças que eu não havia levado estavam todas ali. A penteadeira estava intacta também, todos os perfumes e maquiagem estavam dispostos da mesma forma que antes.
Sentindo-me travessa, resolvi colocar as peças de baixo tão sedutoras que eu havia deixado para trás. Lembrando-me do dia que parti, decidi por colocar peças similares, calcinha e sutiã amarelos, com as meias 7/8 também amarelas e um frufru vermelho em uma das coxas. Fixei os elásticos amarelos e os prendi na meia. Não sabia qual era o nome disso, apenas sabia que deixava-me sexy e poderosa. Coloquei o vestido branco que vim por cima de tudo, escolhi um dos sapatos de salto alto e arrumei o cabelo. O escovei até ficasse muito brilhoso, passei perfume e uma maquiagem leve. Após tudo pronto, parti em direção a biblioteca.
Estava distraída lendo um livro, aconchegada em uma das poltronas enormes que havia ali quando a porta foi aberta de supetão.
— O que estás fazendo aqui?!
A Fera entrou esbaforido, como se tivesse subido as escadas correndo.
— Que susto! Minha nossa, quase morro – eu disse, enquanto colocava a mão no peito e o olhava de forma divertida.
Ele piscou algumas vezes, como se tentasse entender o que acontecia.
— Você não respondeu. O – Quê – Está – Fazendo – Aqui? – disse pausadamente, encarando-me de forma feroz.
Engoli a saliva. Eu havia esquecido o quanto ele era intimidador. Meu coração acelerou e quando falei, minha voz saiu fraca e arrastada.
— Precisava ver se estava bem...
— Eu deixei bem claro que fosse embora!
— Mas não disse nada quanto a voltar – antes que ele gritasse ao algo assim disse em seguida – Olha, sei bem o que disse. Mas fiquei com a sensação de que precisava ver se estava bem, devido a forma como nossa última conversa foi interrompida, eu...
— Como podes ver, estou ótimo! Agora por favor, vá. Não me obrigue a leva-la à força! – apontou para a porta aberta.
Seu rosto estava tenso e sua respiração acelerada. Vi quando uma de suas mãos poderosas desceu até sua calça, como se tentasse acomodar melhor seu membro.
Ele me desejava!
A perspectiva de sentir seu corpo rente ao meu novamente deixou-me calorosa. E um tanto... Atrevida.
— Me obrigue! Não sairei daqui até possamos retomar nossa conversa – levantei da poltrona e cruzei os braços o encarando.
Vi seus olhos azuis faiscarem. Eu estava bem encrencada.
Ele não hesitou. Caminhou rápido em minha direção. Segurou nas laterais dos meus braços, apertando-os em um alerta iminente.
— Você não sabe do que eu sou capaz. Não me tente! Aproveite sua sorte e vá embora, antes que...
— Antes que o quê? – eu o interrompi, olhando-o nos olhos, encarando-o de frente.
Uma de suas mãos foi para o meu cabelo, segurando-o firme e levou minha boca em direção a sua.
Correspondi seu beijo na mesma intensidade e agarrei-me a seu corpo enorme.
Seus lábios deformados escondiam uma maciez surpreendente e quando sua língua brincou com a minha, saboreando-me, eu gemi. E ele grunhiu.
Arrastou-me até a escrivaninha próxima e colocou-me sentada em cima. Segurando-me pelas nádegas puxou-me com força rente a seu corpo. Sua ereção estava presente, grossa e dura em suas calças. Suas mãos foram para meus seios e os apertaram forte enquanto sua boca abandonava meus lábios e seguia um caminho de fogo em meu pescoço, deixando-me maluca.
— Oh Deus... – eu disse, sem conseguir conter a dor que sentia em minha parte íntima. Como se implorasse por ser tocada.
E então ele me soltou.
Eu o olhei atordoada, enquanto ele massageava as têmporas e balbuciava coisas incompreensíveis.
— Não entende, Bela? Não percebeu ainda que eu gosto de um outro tipo de sexo o qual você sequer compreende que existe?
Eu fiquei sem entender a princípio. Então lembrei-me do quarto com a rosa... Era isso, todas aquelas coisas eram para prática sexual?! Mas então, quantas mulheres ele havia levado àquele local? Centenas?
Fechei meu cenho e o encarei com uma raiva que nem eu sabia de onde vinha.
— Eu entendo, entendo perfeitamente “Senhor”. Quer fazer comigo o mesmo que faz com as centenas de mulheres que trás para aquele quarto da ala oeste não é mesmo? Pois saiba, que apesar de eu estar aqui com as pernas abertas e beijando sua boca não faz de mim uma cortesã barata! Não sou como elas e não gosto de pensar que colocarei meu traseiro onde outras mulheres estiveram e estarão. Recuso-me a ser mais uma em sua lista!
Ele pareceu atordoado inicialmente. E então seu semblante ficou sério, ao mesmo tempo que fitava o vazio.
— Você jamais será como as outras, Bela... Eu, err... Eu a quero, muito mais do que gostaria de querer. Senti tanta falta, que mal pude respirar por todos esses dias. Desde que a conheci não dormi até hoje com mulher alguma – afastou-se mais um pouco e quando olhou-me seus olhos estavam ternos e transpareciam um afeto que eu não conhecia – Quero que saiba, que se por acaso eu tiver sorte de que me queira de volta, será tudo consensual. Sempre.
Eu engoli seco.
Ele me queria?!
Olhei seus olhos novamente, ele me encarava de forma séria e tensa, esperando uma decisão.
Lembrei-me do vazio que senti todos esses dias, lembrei-me de todas as vezes que me toquei pensando na forma como ele puxava meu cabelo e me ordenava as coisas. Percebi que no fundo eu gostava dessa sensação de poder e comando, essa aura poderosa que ele emanava me excitava ao extremo e sinceramente estava mais que disposta a saber como era ser possuída, domada e tomada por ele.
— Eu aceito.
Seus olhos abriram muito perante a minha resposta. Como se não acreditasse de fato.
— Tem certeza disso?
— Absoluta.
Como ele ficou mudo, perguntei-lhe:
— Posso ir com o Senhor até seu quarto na ala oeste?
Seus olhos faiscaram. Brilharam intensos, assim como um sorriso maldoso que nasceu em seus lábios defeituosos.
— Siga-me, cadela.
Arrepiei-me.
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