A Bela Fera

4 Quatro irmãos e uma fuga


Notas iniciais
yo~
Aqui está mais um cap. Hora de saber o nome de nossos atores, não?
Enjoy~

A fera subiu para seus aposentos com uma inquietação em sua mente. O que deveria fazer agora?

Ela... Essa garota poderia quebrar a maldição, não? Afinal, ela é cega e não vai ficar repudiada pela aparência desfigurada, certo? Mas e se ela... ela... Qualquer coisa! Qualquer coisa pode fazê-la fugir. O dilema era: deixá-la ir e perder o que talvez seja sua única chance ou trancafiá-la no castelo e correr o risco de ser odiado...

Isso! Era isso que faria, a prenderia no castelo e...

Seus pensamentos foram cortados pela fala de um castiçal, algo normal neste castelo.

-Ah, meu senhor?

-O quê foi?!

Exaltado e nervoso. Era sempre assim que ele estava.

-Já pensou que esta pode ser a garota a quebrar a maldição?

-Mas é claro que sim!

E bufou.

-Então por que não vai lá e oferece um quarto para ela e os irmãos?

-Por que eu deveria?

Uma criança mimada. Era isso que se passava pela mente do castiçal falante.

-Se você for gentil, ela pode gostar mais de você e então...

-Se apaixonar por mim! Essa ideia é realmente brilhante, por que não pensei nisso antes...

E saiu em direção ao aposento onde havia deixado a garota, sendo seguido por um castiçal e um relógio.

Este é um momento interessante da história, mas não se percam, por favor. Nada do que vocês leram está errado. Encare desta forma, ok? Neste mundo, tudo é possível...

A fera entrou novamente no escritório, mas se chocou com o que encontrou.

Os dois garotos estavam deitados exatamente como cinco minutos atrás, a garota continuava sentada no mesmo lugar, mas espere... Quem é o terceiro garoto? Parecia uma cópia do garoto ferido no chão, mas estava intacto. Até mesmo as roupas eram idênticas, exceto por uma coleira negra com um pequeno pingente pendurado.

Perdeu a fala. Ele tinha visto mal da outra vez? Não, tinha certeza que eram só três pessoas... O lobo! Onde ele estava? Procurou-o rapidamente pelo cômodo. Nada. Encarou o recém-chegado que retribuía o olhar.

-Você... Desde quando está ai?

-Ele está aqui desde que entramos – a voz da garota soou suavemente. -Você não o viu?

E lá estavam eles. Aqueles olhos de pérola que o intrigavam. Sentia-se atraído, perdido, emaranhado na deliciosa sensação de entrar em transe. Quase podia ouvir uma canção ao fundo, chamando-o, fazendo-o se esquecer.

A fera se viu paralisada. Então o relógio se adiantou e pigarreou levemente.

-Uhn, mestre?

Como se tivesse acordado depois de um longo devaneio, limpou a garganta e anunciou:

-Eu... Nós separamos quartos para vocês.

-Não precisava se incomodar. Estamos bem assim.

-Mas eu tive todo o trabalho de...

A fera começou a se exaltar, mas um pigarreio, vindo do castiçal desta vez, o fez parar e recomeçar, mais suavemente.

-Quer dizer... Seria melhor para vocês dormir nas camas.

-Vamos aceitar a oferta.

Quem se pronunciou foi o garoto. A garota, se dando por vencida, suspira e se levanta esperando o garoto acordar seu gêmeo.

-Ethan... Ei, acorda. Vamos para a cama.

Levemente relutante, abre os olhos e tenta focalizar o irmão.

-Ahn... O quê?

Sentou-se com a ajuda do irmão e olhou a sala a sua volta, sem entender muita coisa.

-Onde estou?

-No meu castelo.

A fera disse, levemente impaciente com a demora. Ainda sonolento, olhou para o anfitrião e se levantou cambaleante. O garoto com a coleira o ajudou e então se dirigiu ao “monstro” parado na porta.

-Poderia levar meu irmão? –Meneou com a cabeça na direção do garoto inconsciente.

A contra gosto, a fera entrou no cômodo e jogou o primogênito por cima do ombro, como se não pesasse.

A garota, ciente da localização da fera, estendeu o braço para frente, num pedido mudo de que a guiasse.

A fera encarou os gêmeos, como se perguntasse: “o que eu faço?”. Fizeram uma demonstração simples: o garoto de coleira imitou o gesto da irmã e o outro encostou o braço na mão estendida até que está se segurasse nele. E assim saíram da sala, parando na porta e esperando o anfitrião.

Hesitou. Era assim mesmo? Faz anos que não segurava o braço de uma donzela... Respirou fundo e imitou os gêmeos. Dedos frios encostaram-se a seus pelos e ele sentiu um leve arrepio passar por sua espinha. Sim, faz muito tempo desde o último toque humano.

Seguiram então pelo corredor escuro, a garota conversando com o anfitrião.

-Não sei se é pedir demais, mas seria bom um quarto sem janelas.

-Sem janelas? Por quê?

-Siaran tem muita sensibilidade à luz.

-Sia... Quem?

-O homem que você está carregando – o gêmeo de coleira se pronunciou.

-Ah, entendo... – Pensou por um momento – Eu não... Sei o nome de vocês...

-Meu nome é Celliny. –A garota disse com um pequeno sorriso.

-Ethan.

-Ethel.

Os gêmeos falaram em suas costas. Não sabia exatamente qual era qual e sentia que iria trocar os nomes o tempo todo. Apontou para o moreno em seu ombro.

-E esse é...

-Siarian.

-Siaran? O nome é assim mesmo?

-Sim, por mais estranho que pareça. E o seu nome? Vai nos contar ou ficaremos te chamando de senhor?

Estavam perguntando seu nome? Estavam realmente interessados na fera? Levemente hesitante, pronunciou o nome que não ouvia a muitos anos.

-Nathaniel.

-É um belo nome.

-Posso dizer o mesmo do seu.

-Obrigada.

Pararam em frente a uma porta.

-Este é o quarto dos senhores.

Entraram no aposento. Era grande e espaçoso com duas enormes camas de casal, sem janelas, como ela havia pedido. A lareira estava acesa e quem controlava o fogo eram as próprias ferramentas. Os gêmeos pegaram o irmão inconsciente com a fera e o deitaram na cama, se despedindo e fechando a porta em seguida.

Nathaniel se virou e abriu a porta que ficava exatamente a frente do quarto dos garotos. Nele havia apenas uma cama de solteiro, mesmo que quase do tamanho de uma cama de casal normal, a lareira ainda em fase de preparação, uma mesinha para tomar chá, um enorme guarda roupa e uma janela colossal.

-Este é o seu quarto.

A fera falou com um sorriso forçado, tentando parecer calmo e gentil.

-Obrigada. Poderia me levar até a cama?

-Ora, ora, nós temos convidados♥?

Quem se manifestou foi nada mais nada menos do que o armário.

-Sim, ela passará um tempo aqui – quase rosnou, sua paciência chegando ao fim.

-Sou Celliny, prazer em conhecê-la.

-O prazer é todo meu, querida♥!

Ela se sentou na cama e se despediu de seu anfitrião.

-Obrigada por nos deixar ficar. Boa noite e bons sonhos.

-Mas o sol está nascendo agora.

-Ah, é? Sinto muito, eu não sei...

-N-não,me desculpe por falar coisas desnecessárias. Boa noi... Bons sonhos.

E ele deixou o quarto.

-Ah, minha querida, você é cega?

-Sim...

-Isso é uma pena, tenho tantos vestidos bonitos que eu queria poder vestir em você...

-Eu ainda posso vesti-los, se você quiser. Ainda mais se estiverem secos...

-Ora, minha nossa, você está ensopada! Venha, vou te dar um pijama sequinho para você vestir ♥.

-Obrigada.

A garota tirou a pesada capa e o vestido e colocou a roupa seca. A madame guarda-roupa percebeu que, além de todas suas roupas serem pretas, existiam grandes cicatrizes por todo o corpo jovem. Mas acho melhor não perguntar sobre isso. Não agora.

-Mas por que estava na tempestade?

-Eu e os meus irmãos trabalhávamos como servos num feudo. Mas ele pegou fogo e nós fugimos... Quando vimos, estávamos perdidos no meio da floresta...

-Oh, pobrezinha... Vamos, deite e durma. Mais tarde, traremos comida e chá para você ♥.

-Obrigada.

A garota deitou, se cobriu e pensou, por um momento antes de dormir, se ela estava fazendo a coisa certa.

Notas finais
Só pra constar, eu adoro a Madame Guarda-Roupa ♥
E vocês, o que acham?