A Batalha do Caos
4 Luto com a minha irmã mais chata.
Notas iniciais
A última noite no chalé 0 foi a pior. Eu estava correndo na escuridão, fugindo de uma silhueta humana. Às vezes eu batia em árvores altas e com espinhos, mas não batia sem querer. Parecia que as árvores surgiam na minha frente. Continuei correndo e tropecei em uma raiz. Cai no chão enquanto a silhueta se aproximava. Eu tentava me levantar mas estava paralisada. Quando a silhueta foi me pegar, apareci em uma sala circular. Depois daquela escuridão na floresta, a claridade das tochas me cegou. Essa sala tinha o piso de mármore branco com desenhos de cães e chaves. Tinha um nevoeiro no chão, de forma que o piso parecesse mais assustador.
De costas para mim estava uma mulher com longos e lisos cabelos pretos presos em um coque perfeito, um vestido grego longo, vermelho. Ela olhou para mim e vi os seu olhos, cada um com uma cor. O olho direito era dourado enquanto o esquerdo roxo, igual ao meu.
– Que.....quem é você? — perguntei depois de fazer uma reverência a ela. Mesmo que a achasse muito familiar.
Ela suspirou como se estivesse chateada.
– Você não me reconhece?
Pensei um pouco. Lembrei-me da foto.
– Mãe? — disse com cautela, com medo de estar errada.
Ela sorriu e depois o sorriso do seu rosto sumiu tão rápido quanto apareceu. Sua expressão mudou para dor.
– Eles estão pegando os meus poderes cada vez mais. — murmurou Hécate. Depois ela olhou para mim. — Minha filha, eu sei que você está com raiva de mim por demorar tanto para te reclamar. Eu só não queria lhe trazer mais dor.
– Mãe, o que era aquilo me perseguindo? — perguntei, depois de um tempo sem ninguém dizer nada. A sua expressão ficou sombria.
– Eles irão me ouvir.
Comecei a ver uma claridade entrando em meus olhos. Eu estava acordando.
– A filha do caos não morreu! Ela só esta fin.... — Hécate ia terminar de dizer essas palavras mas o chão cedeu e eu caí na escuridão.
Abri os olhos. Eu estava chorando. Limpei os olhos rapidamente e levei a minha mala para o chalé 20. O chalé tinha pedras azuis com runas entalhadas em cada pedra. Acima da porta estavam duas tochas cruzadas. Entrei no chalé ignorando os olhares dos meus meio-irmãos. O chalé era dividido em duas partes. Uma era a biblioteca dos filhos de Hécate. Possuía muitos livros que eu suspeitava serem de magia. Tinha um tapete circular verde e tinha duas poltronas, uma paralela a outra. No outro canto era o dormitório. Vários beliches, cada um com uma colcha diferente, ficavam nesse ponto. No ar, tinha a Névoa em forma de névoa. Uma garota, de cabelos castanhos escuros e olho direito verde e o outro azul, veio me cumprimentar.
– Olá! — a garota disse timidamente. — Eu sou Lilia. O seu beliche é o 2-A.
Ela me mostrou onde era e, por sorte, era no beliche de cima. Na parede tinha um pequeno armário que era maior por dentro. Arrumei rapidamente as minhas roupas quando um outra garota veio falar comigo. Essa tinha cabelos loiros e olhos azuis. Usava maquiagem que eu achei um tanto exagerada. Ela me examinou.
– Afff. Só vem vindo esse tipo de campista. — depois disse para todo o chalé — Chalé 20, formar.
Todos os meus meio-irmãos fizeram uma fila. Lilia estava na minha frente. A corneta de concha de caramujo soou. Saimos do chalé e fomos indo para o pavilhão.
– Aquela é a Elina Makris. — disse Lilia enquanto comiamos. Ela apontou para a garota que tinha falado comigo. — Ela é a conselheira-chefe.
– Não era a Lou Ellen? — perguntei. E depois me arrependi. Sua expressão ficou mais dura.
– Ela saiu em uma missão e... nunca mais voltou.
***
A arena ficava em uma área de areia circular com arquibancadas. Agora, era a vez dos filhos de Hécate treinar lá. Antes de começarmos a treinar, alguns dos meus irmãos fizeram um encantamento e eu supus que era para tornar a arena indestrutível. A Elina andou de um lado e de outro.
– Hoje iremos aprender a magia de desarmar o oponente. — a conselheira disse. — Novata, pegue a sua arma.
Peguei a minha adaga. Por algum motivo os meus irmãos deram um passo para trás. Isso sempre acontecia quando uma pessoa via a minha arma.
– Vocês terão que dizer: Incantare: afoplízoun.– e de fato, quando ela disse isso, a minha adaga voou de minha mão. Ela deu um sorriso maldoso e depois disse para mim. — Você consegue fazer isso?
Senti o meu rosto corar. Eu odiava quando as pessoas ficavam vendo se eu podia fazer coisas difíceis. Normalmente eu não faria, mas aquela garota estava me deixando irritada.
– Pegue a sua arma. — disse para ela. Elina pegou uma faca de 80cm de bronze celestial. Eu tomei fôlego. Me concentrei e disse. — Incantare: afoplízoun. — a faca dela foi jogada para o nariz dela, que começou a sangrar. Eu não sabia o que fazer. Os campistas ficaram nos observando. Só um que arrancou uma tira da calça jeans, invocou um pedaço pequeno de gelo e deu para a Elina. Ela me encarou, furiosa.
– Você fez isso de propósito!
– Me desculpe. — eu disse.
Ela sorriu maldosamente de novo.
– Incantare: magikó lepídes. – disse Elina. Facas mágicas começaram a voar em minha direção.
Algumas palavras vieram à minha mente e eu simplesmente as disse.
– Pedío ischýos.– quando disse isso, as lâminas bateram em alguma coisa como um campo de força. Os outros campistas estavam nos olhando, assustados.
Elina criou em suas mãos duas esferas de fogo. Ela jogou em mim e destruiu o campo de força. Ela riu com desdém.
– Vamos descobrir o que é mais importante para você. Incantare: templum fuegos.– imediatamente eu soube o que aquilo faria. Corri o mais rápido que eu conseguia para o meu novo chalé. Abri o meu armário em cima da cama e vi, a única foto que eu tinha com a minha mãe, pegando fogo. Eu sabia que não conseguiria apagar aquele fogo. A foto foi queimando lentamente. O rosto de Hécate foi o último a queimar. Lágrimas escaparam. Voltei correndo para a arena.
– Ékrixis pyrkagiás! — gritei para Elina. Imediatamente houve uma explosão de calor. Chamas irromperam em volta de nós duas. A raiva estava queimando, igual a foto, dentro de mim. Elina, ainda atordoada, não viu que eu estava chegando perto dela. Dei um soco em seu rosto. Não me importava se ela era 5 anos mais velha do que eu. Eu não iria deixá-la vencer. Ergui a minha mão e lancei um impulso que quase a jogou no fogo.
– krýo plimmýres! — gritou Elina. Veio uma onda de água que apagou todo o fogo. Ouvi os gritos dos outros campistas que estavam lá fora. Pude ouvir os galopes apressados do Quíron e as risadas de felicidade do sr. D.
– ékrixi thermótitas. — gritei de volta, agora lançando chamas em direção a ela.
– Parem! — gritou Quíron que estava na porta da arena.
– ilektrikó ray– respondeu com toda a fúria. Um raio caiu em cima de mim. Caí no chão.
– Elina, Sofia. Parem! — gritou Quíron mais alto.
Eu me levantei com muito esforço. Estava prestes a lançar outra magia nela quando algo me fez hesitar. Senti a mesma presença que tinha sentido em meu sonho com a silhueta. Alguns campistas pareceram sentir também. Olharam para trás, um pouco assustados. A arena começou a ficar enevoada. Já não dava para ver mais nada quando percebi que aquela névoa saía de mim. E era a Névoa. Senti uma mão em meu ombro. Olhei para trás e percebi que era o Nicolas. Por mais estranho que isso possa soar, o filho de Hades tinha um dom de acalmar a raiva das pessoas. Quíron me olhou decepcionado, depois mandou todo mundo para os chalés menos eu.
Eu fitava o chão, envergonhada. Isso fora o primeiro dia que eu fiquei naquele chalé.
– Eu esperava mais de você. — o velho centauro disse. — não achava que você seria igual aos seus irmãos. — ele saiu trotando da arena.
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