A Batalha Termina Agora
1 Prólogo
Notas iniciais
– “Ada”? É você quem está por trás da corporação Neo-Umbrella – Ada afirmou, convicta.
– Eu… não sei do que está falando – Carla desconversou.
– Simmons nunca seria tolo suficiente para mostrar suas cartas. Ele e sua Família querem apenas uma coisa... estabilizar e sustentar o sistema criado por eles. Mas você… você quer destruir isto.
E o mundo vai culpar você.
Desde que caiu na mídia a “forjada” participação sua na corporação Neo-Umbrella após o incidente em Tall Oaks, a mulher de vermelho não tivera mais sossego. Haviam começado a caçada pela cabeça mais requisitada. Milhões estavam em jogo. Sorte de quem conseguisse o troféu, se é que isso era possível.
Batidas violentas na porta do seu quarto luxuoso de hotel. Vozes ameaçadoras do outro lado. Aquilo certamente era apenas uma madrugada agitada das muitas outras o que poderia enlouquecer os desprevenidos. Infelizmente eles não sabiam que não se tratava de qualquer um.
Aliás, ela sempre estava a um passo a frente de todos.
Nesse instante, homens entraram para caçar a dama da noite. Tudo foi rápido demais. Ela pegou rápido a sua grappling gun, e correndo em direção a janela, saltou suavemente no apoio da sacada.
– Hasta la vista – Ada sorriu irônico e desapareceu na imensidão daquela paisagem noturna.
Enquanto isso, em algum lugar distante dali, uma notícia na televisão chamou a atenção do Leon. O texto dizia algo sobre a busca das autoridades pelo paradeiro dela, tida como a responsável principal por aquelas sucessivas mortes causadas pelo vírus. Em contrapartida, nenhum comentário sobre a morte de Adam Benford.
“O que aconteceu com os cidadãos americanos?” Pensava ele, deixando escapar um suspiro carregado de revolta e cansaço.
– No final das contas, nada mudou – Leon lamentou, olhando pensativo para o teto.
Agora a mente conturbada do nosso agente concentrou-se na única mulher que abalou sua estrutura igual um Iceberg. Uma femme fatale. Uma verdadeira Coringa. Quem sabe não seja a própria reencarnação da famosa personagem fictícia Nikita* levando em consideração a tamanha semelhança entre ambas?
Raccoon City. Ele jamais esquecera aquele incidente. Um pesadelo que anos depois ressurgira das cinzas em forma de Tall Oaks. Carros descontrolados. Explosões violentas. Milhões de pessoas gritando aflitas, correndo desesperados de um lado pro outro. A maior potência entrara numa crise sem volta e a culpa da catástrofe mundial caira nas costas da antiga cúmplice de Albert Wesker e não do falecido Conselheiro Nacional de Segurança, declarado por fim, a vítima da história.
– Shit – Ele largou o controle remoto na pequena mesa de jantar quando escutou o chamado da Hannigan – Eu não estou no clima de bancar o justiceiro de uma nação, não hoje.
– Eu preciso que você... – Leon mal deixou Hunnigan terminar a fala e soltou o aparelho na mesa.
– Me poupe – Ele murmurou, cansado.
Um maço de cigarro. Uma garrafa de Martini na metade ao lado de um copo meio vazio. Hand gun. Um comunicador. Tudo parecia tão vazio e... insignificante. O que fez a sua vida toda depois de virar agente além de estourar miolos de meio milhão de zumbis, cachorros mutantes e o raio que o parta? Definitivamente estava farto em arriscar sua vida e não mudar nada.
– Leon... Leon! – Hannigan o chamou insistentemente, o trazendo a realidade nua e crua.
Apesar da má vontade, Leon saiu da zona de conforto e voltou a atenção na sua comparsa de longos anos – Diga.
– A justiça americana expediu um mandado de prisão da Ada Wong e exige investigação dos agentes de todas as divisões possíveis quanto ao seu paradeiro – Ela explicou.
– Eu acho que ouvi essa história em algum lugar... – O homem não parecia nem um pouco surpreso tampouco aflito.
– Aí que está. Ela nunca parou atrás das grades. Houve negociações às escuras e foi acrescentado um pedido “falso” de prisão internacional em seu perfil. Provavelmente veio de um negociante influente na sociedade.
– Mulher esperta – Leon falo, evasivo – mas... eu não estou interessado e se quiser, pode me demitir.
– Como assim? – Hannigan rebateu – Ela foi a maior responsável por todo o caos causado em Tall... – Leon interrompeu de novo, nervoso.
– Chega – Ele passou a desabafar – Veja bem só o que fiz durante todos esses anos. Eu me atirei de vários penhascos, quase virei comida de zumbi, fui guarda-costas de uma garota mimada, vi pessoas queridas sacrificando suas vidas por minha causa e no final o que aconteceu? – respirou fundo – as pessoas continuam morrendo, o Bioterrorismo continua existindo... eu... eu...
– Ok, eu direi as autoridades que você... – Áquela altura do campeonato Leon, tomado pela raiva, impediu que Hannigan continuasse o raciocínio.
– Dane-se as autoridades merda – O agente gritou, mas logo recuperou o fôlego e continuou – Oh... me desculpe...
Hannigan retomou as palavras do ponto que havia sido interrompida: — ... está precisando de algum tempo para esfriar a cabeça e colocar as idéias em ordem – e completou – Eu compreendo perfeitamente a sua frustração, afinal estamos lutando contra algo que não terminaria em um dia, em um mês, em um ano, enfim entendeu o que quis dizer.
– Me perdoe mais uma vez – Leon deu um sorriso de canto e concluiu – e vou considerar sua oferta de tirar alguns dias e pensar na vida.
– Ok, deixe o resto comigo – a agente completou antes que pudesse encerrar o chamado – agora aproveite bem o descanso e até a volta.
Aqueles foram os últimos dizeres da Hannigan. Ah! Se ela soubesse o verdadeiro motivo daquele descontrole todo, embora sua revolta contra os bioterroristas não fosse uma mentira. Por que raios aquela bandida o deixa sem chão?
– “Eu preciso parar de ter falsas esperanças Ada... é uma pena que caminhamos em lados opostos” – Leon continuou a negar e negar mesmo que o coração contrariasse a razão.
Esquecer ela, talvez essa seria a missão mais difícil de toda a carreira de Leon Scott Kennedy.
Continua...
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