A Batalha Termina Agora
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Mais um pesadelo. Um forte aperto no peito. Era o segundo sonho na mesma noite.
Tomou desesperadamente o celular nas mãos e usou a discagem rápida. Um... dois... três toques no vácuo. Oh céus! Ninguém atendia a maldita ligação. Queria somente ouvir aquela voz forte, alegre e firme do outro lado.
Ele estava atrás da Ada Wong junto com sua equipe. Essa era a notícia de meses atrás, o que seria algo perfeitamente normal se não fossem os sonhos horripilantes onde via o irmão sendo cruelmente assassinado por homens mascarados.
Uma mão grande e quente nas suas costas. Embora não quisesse assumir, a presença do Leon têm sido crucial nas suas últimas vinte e quatro horas.
– Are you ok? – o agente indagou, receoso.
Com um ar agitado, levantou-se depressa, tentando afastar todo tipo de pensamento ruim que passasse na cabeça.
– Eu estou ótima – a ativista respondeu, alterada – vem cá você tem mania de perguntar se “está tudo bem” a cada espirro que alguém dá?
– Hey pega leve – Leon entrou na frente e segurando firmemente seus ombros menores, a impediu que saisse feito furacão da sala – eu só fiquei preocupado – disse, a obrigando encarar nos olhos sinceros.
Claire estremeceu por alguns instantes pela franqueza do homem e falou: – Oh I’m sorry – continuou, largando-se dos braços fortes – eu tive mais um daqueles... sonhos do meu irmão.
– Eu começo a achar que é paixonite pelo Chris – ele disse, descontraído.
Uma aparência fria e um coração bondoso demais. Esse era o Leon. Sabia que por trás daquelas palavras existia o lado protetor entrando em ação.
– E eu começo a achar que você é muito ciumenta – ela pôs a mão no queixo e continuou, fingindo seriedade – Oh wait... será que se eu tivesse uma irmã ia ser lésbica?
De repente, o toque de um celular chamou a atenção da Claire. Eram novas mensagens do grupo TerraSave. O texto dizia algo sobre mudanças na reunião que aconteceria de noite.
– O que houve? – ele indagou, curioso.
– A reunião de hoje foi antecipada para daqui... duas horas – ela respondeu, desconfiada.
– Eu devo participar? – ele perguntou.
– Secretário na alegria e na tristeza – ela disse, sorrindo.
– Nesse caso eu preciso de um terno novo pro casório – ele começou a arrancar sua blusa amanhecida na frente da ex-parceira de sobrevivência sem pudor nenhum.
Uma tentação... perigosa. Definitivamente era a visão do paraíso se não for o próprio paraíso. Um corpo firme de músculos talhado em árduos treinamentos físicos e marcado pelas cicatrizes, tiros e quedas bruscas de alturas sobrehumanas. Tudo nele transmitia virilidade.
Apesar do jeito moleca da Claire Redfield, acima de tudo ela era uma mulher saudável, cheio de anseios e inquietações.
Então Claire passou a mão no cabelo e soltando a respiração, finalmente deixou escapar um comentário: — Bom... você vai se trocando que... eu... eu vou tomar um banho – antes que sumisse no corredor, deu outra olhada rápida.
– Okay – Leon afirmou notando um olhar diferente, enquanto vasculhava alguma roupa na mochila.
Um vento refrescante entrando pela fresta da janela. Cabelos soltos e fios ruivos com marcas de um nó forte em rabo-de-cavalo. Uma blusa de cor vinho sendo largado no piso e calça jeans jogado em outro canto. Um breve momento de relaxar e esquecer os problemas. Talvez não suportasse a metade do trabalho se não existisse a criação divina chamado chuveiro elétrico que descarrega o cansaço físico e mental.
Olhou toda a sujeira e o estresse sendo levado pelo ralo. Viu o teto abafado de vapor, apreciando a sensação da água banhar seu rosto e dando vazão a pensamentos ínfimos como o corpo de um certo alguém que caira de paraquedas na sua residência. Reviveu cada detalhe, cada pedaço daquela escultura monumental, sacudindo a cabeça logo em seguida e voltando ao presente.
– Jesus! – Claire pensou alto, amaldiçoando a si própria por ser extremamente visual quando escutou um som de jorro fora do box unir-se ao da ducha – Eu não acredito nisso.
O primeiro homem que havia urinado ali era o Chris na mesma intensidade, mesma confiança. Diria que Leon Scott Kennedy se sairia um bom irmão em certos pontos como o jeito protetor nas situações tensas e descabido de urinar sem constrangimentos ao seu lado.
– I’m sorry but... eu fiquei apertado e achei que você fosse demorar pra sair – Leon não pode evitar o suspiro aliviado de sentir a bexiga esvaziar.
– Como assim demorar? – Claire indagou, levemente irritada por invasão de privacidade.
– As mulheres costumam demorar e – ele sentiu a tremedeira básica depois do alívio, e fechando o zíper, apertou a descarga.
– Eu lamento dizer que entrei aqui e não passaram nem vinte minutos – ela rebateu, contrariada – isso é coisa de mulherzinha.
– Okay okay já estou saindo – ele levantou as mãos rendidas pro céu e começou a criar distância, mas a um passo da porta virou discretamente o rosto, curioso.
Uma silhueta embaçada no box de relevo, sutiã e calcinha penduradas. Percorria na sua mente fértil a ativista metida naquelas peças íntimas. Olhos vidrados começaram a acostumar com o vulto que se mexia, insinuante.
– Well... já que você está aí ainda – a ruiva sacudiu os cabelos pros lados, tirando o excesso de água – aproveita e pega a toalha que eu esqueci no quarto.
– Isso é coisa de homem – Leon comentou em tom de brincadeira, seguindo pro quarto e ignorando o protesto da despida.
Um closet abarrotada de roupas... na maioria casuais e duas a três bolsas de aspecto desgastado pelo tempo. Um humilde porta-retrato da Claire e cia. da Salva-A-Terra no criado mudo ao lado da cama de casal. Simplicidade definia bem aquele espaço.
Apanhou a enorme toalha que tinha encontrado perto do travesseiro e, parando na entrada do banheiro, perguntou, meio provocante e meio brincalhão: — Quer que eu te entregue em mãos boss?
– Pensa que é uma noiva jogando buquê, my sweet heart – a ruiva comentou, jogando o comentário descarado do seu hóspede no ralo.
– Story of my life – ele murmurou contrariado, jogando a toalha em direção do box que caira nas mãos certas.
Um carro preto e uma moto preta com adesivo envelhecido da S.T.A.R.S lado a lado no estacionamento do edifício. O dia começara agitado.
– Quer uma carona? – o agente indagou.
– No thanks – a irmã do Chris recusou de prontidão, colocando o capacete e subindo rápido na motocicleta.
– You are the man – ele comentou, entrando no seu Ecosport.
– I know – ela sorriu piscando e ligou o motor barulhento da bike.
TerraSave. Um arranha-céu movido por muito dinheiro, funcionários e voluntários antiterroristas. Grande era o prédio, não tanto quanto o enorme número de vítimas necessitadas de socorros médicos urgentes espalhadas pelo mundo à fora.
Homens de segurança, catracas de identificação e elevadores modernos. Corredores espaçosos, salas e mais salas. Um completo labirinto era o lugar. A organização crescera bastante nos últimos anos assim como a pressa da dupla em chegar a sala de reunião.
Em passos apertados, a integrante sênior e o novato cumprimentaram apressadamente os participantes, inclusive a filha do Barry, sentando-se próximo a ela.
– Hey... o que o gerente jurídico faz aqui? – Claire perguntou baixinho a Moira.
– Eu não sei – a jovem respondeu, desconfiada.
– Senhores, obrigado pela presença de todos e – o responsável do setor jurídico levantou-se e disse cauteloso – a notícia não é das melhores – respirou fundo e começou a explicar – ontem na madrugada tivemos uma notícia que houve assassinato de um cidadão por um membro da nossa organização – continuou, esperando a reação surpresa do grupo – e hoje cedo recebemos isto – o homem de meia-idade retirou a foto que foi passado de mão em mão – juridicamente falando não tem muito o que se...
– Impossível – Claire viu a prova do crime e disse contrariada – isso só pode ser uma montagem de mal gosto ou...
O gestor não deixou que ela terminasse a fala: — o remetente foi a própria mãe da vítima que abrirá um processo judicial contra nós e teremos grandes pro...
Um funcionário escancarou a porta e interrompeu a reunião, ofegante e desesperado, roubando a atenção dos presentes: – Os jornalistas já estão na entrada!
A cena por assim dizer era tensa e caótica. Repórteres e mais repórteres agressivos de diferentes emissoras querendo quebrar o bloqueio dos seguranças. Essa gente escrota desejava apenas uma coisa: escândalos. Tudo pelo ibope. A morte do envolvido, o luto de seus familiares e a desmoralização da companhia que varia a vida de milhões. Nada disso era importante para a mídia.
Celulares e microfones disputando espaço. Uma pergunta atrás da outra. “A TerraSave não levanta a ficha criminal antes da contratação dos funcionários e voluntários?” “E a data do julgamento?” A cabeça da Claire girava diante de tanta confusão.
Nesse instante, Leon surgiu na frente do aglomerado de curiosos e mostrou sua identidade: — Eu sou agente governamental e – blefou – o caso já está sendo investigado – afastou um repórter que impedia a passagem e disse – nenhuma pergunta será respondida até o fim da investigação.
Salve-A-Terra enfrentaria o verdadeiro inferno nos dias decorrentes. Protestos de familiares e vizinhos em frente a corporação. Matéria na primeira página do The New York Times. Destaque nos principais canais de noticiários da televisão americana. Falsas alegações de fraudes, roubos e desvios financeiros.
– Bullshit – a ativista desligou a TV e indagou, irritada – Como eles podem inventar tanta coisa sem fundamento?
– O jeito é esperar o julgamento e – Nessa hora, a jovem de cabelos curtos não deixou que o agente terminasse seu raciocínio e surgiu assustada na sala, segurando o telefone em modo viva-voz.
– Ele... ele... o seu irmão... – Moira comentou, entregando o aparelho nas mãos da sua amada amiga.
A B.S.A.A. havia recebido fotos dos soldados liberados pelo capitão da organização, flutuando num mar... mortos. O mundo parecia desabar na cabeça da Claire Redfield. Sentia nas pernas a insegurança. Ardia nos olhos o medo. Doía nas mãos trêmulas a incapacidade de proteger a preciosa vida do seu familiar. Aliás, tudo dóia nela. As acusações contra TerraSave. E agora... a morte do irmão.
Lágrimas inconformadas insistiam em escorrer do seu rosto. Mal conseguia pensar e muito menos acreditar. O que fez para receber tanta maldade injusta em troca? Uma pergunta sem respostas.
– I’m so sorry... – Moira disse aos prantos, abraçando-a firmemente.
– It’s ok – Claire disse, retribuindo ao gesto caloroso.
– O corpo dele ainda não foi encontrado e não podemos perder as – Leon não conseguiu concluir o raciocínio.
– Eu preciso sair e ficar sozinha um pouco – Claire falou encostando a porta nas costas.
Uma corrida desenfreada de moto pelas estradas por horas a fio. Uma parada num retrô bar. A primeira taça de dry martini. E a noite corria solta ao som de rock antigo. Segundo... terceiro... quarto drink. Garganta tragando mais uma dose, e outra. Boca ressecada de bebida. Olhar perdido no horizonte. Pensamentos embaralhados.
Doce, tão doce era o álcool queimando seus sentidos. Um pouco de doce não faria mal, afinal de contas sua vida se tornara uma overdose de amargura de noite pro dia. Cotovelos debruçados na bancada. Mão estendida pro céu.
– Barman... manda ma... – Uma mão grande sobrepôs na mão menor, impedindo que Claire fizesse outro pedido.
– Fecha a conta – Leon afirmou, escutando protestos da bêbada.
– Vem cá bonitão... você pensa que é meu irmão? – Claire começou a desabafar – Fique sabendo que ele nunca vai ser você e você nunca vai ser ele só porque ele... ele... ele... – passou a chorar copiosamente – ele morreu... e... – e confessou em soluços – eu... eu... não consegui fazer nada...
– Eu já tentei parar a moça, mas ela só fala isso – o barman de meia-idade murmurou ao agente.
– Thanks – Leon deixou algum dinheiro no balcão e ajudou a companheira bêbada se levantar da banqueta e caminhar em direção a saída.
Estrada deserta. Poucos carros correndo em alta velocidade. Um apartamento familiar à vista. Ecosport parado. Um homem sóbrio amparando uma mulher embriagada. Luzes acesas e a mesma paisagem de horas antes da fatídica notícia, exceto a ausência da Moira que tinha deixado a difícil missão nas mãos do membro da Divisão de Operação de Segurança.
Arrependimentos. Ah! Se arrependimento matasse, Claire provavelmente estaria morta e enterrada. O maior problema não era a morte em si e sim não estar presente nos derradeiros momentos.
– Espera! – Moira gritou para impedir a saída da ídola, e fracassando na tentativa, encarou a esperança – Por favor, vá atrás dela.
– Ela não é uma criança – Leon afirmou, calmo.
De fato, um mulherão nos tetos do quarenta não agiria feito uma adolescente irresponsável... a não ser que corresse o risco de perder seu trabalho e ideais de um dia pro outro e simultaneamente perdesse um querido irmão. Motivos eram plausíveis assim como a bronca da jovem.
– Você não entende? Ela acabou de perder um irmão! – Moira se descontrolou, e batendo na indiferença em pessoa que não reagia ao seu pequeno descontrole emocional.
– Mas ela entende que Chris escolheu esse caminho e qualquer dia desses isso poderia vir a acontecer – Leon enfrentou a raiva nos olhinhos negros da rebelde e disse – eu tanto quanto ele sei o risco da minha profissão e posso não estar vivo amanhã, depois de amanhã ou daqui a um ano...
– E você quer que ninguém chore pela sua morte? – ela indagou, e percebendo o olhar conformado do ex-policial, disse – isso é deprimente.
– Okay... você venceu – ele perguntou – e por onde começo?
– Eu desconfio de alguns lugares que ela pode ter ido – ela passou o endereço de dois a três bares que costumava ir com a desaparecida.
Uma mensagem de texto avisando que encontrara sã e salva... sã nem tanto. Resposta imediata de agradecimento eterno. Um sorriso se fez nos lábios calados do agente. A novata trouxe à tona seu bom coração endurecido com os acontecimentos recentes. Ver a integrante mais dedicada de uma organização antibioterrorista às ruínas chorando mágoas no sofá, remoía seu coração justiceiro.
E o fio da esperança viera em forma de um telefonema pro loiro. Era a Hannigan no celular. Seria a agente querendo anunciar o fim de suas “férias forçadas”?
– Eu falo com você depois, agora não poss... – os olhos cansados do Leon se abriram surpresos – What? Espera... – e colocando em modo viva-voz, pediu que continuasse a falar.
– Acabamos de receber uma informação anônima que seu colega Chris Redfield pode não estar morto e imaginei que você gostasse de sabe... – Ao escutar o nome do irmão, a ruiva manifestou-se cheio de entusiasmo.
– Oh my God... Onde ele está? – Claire perguntou ansiosa, entrando na frente do ex-policial.
– Você é a... ? – Hannigan ficou atônita ao saber através do parceiro que falava com a própria irmã do capitão da B.S.A.A. – Por enquanto não sabemos ainda o seu paradeiro, mas qualquer novidade informo vocês.
– Thanks – Leon encerrou o chamado, adorando notar o brilho renascer no olhar da ativista.
– Quer dizer que ele pode estar vivo... – Claire abriu um largo sorriso pro amigo e repetiu em alto e bom som – ele pode estar vivo!
E aconteceu o... inevitável. Tomou o rosto maior por entre suas mãos menores e beijou euforicamente aquela boca tão fantasiada nos seus pensamentos ínfimos. O loiro tentou afastá-la a todo custo, sem sucesso. Finalmente depois de muito insistir, as bocas se afastaram ofegando por ar, fazendo a ruiva morder seu lábio inferior por querer mais.
Com muito esforço, findou o espaço entre eles: Eu não posso – disse sófrego, sentindo o hálito quente elevar a temperatura do corpo – a TerraSave está sendo processada, seu irmão está desaparecido e...
– Em meio a tanta coisa ruim acontecendo na minha vida, encontrei um momento bom que eu posso... que eu posso respirar – falou sem tirar o olho daquela boca tão desejosa, pedindo outro beijo – please...
– Você é uma mulher inteligente, fantástica e...
Pôs o dedo naquela boca convidativa e afirmou: — Eu não quero ser inteligente e nem fantástica, eu... eu sou apenas uma mulher que quer ser feliz como qualquer outra.
Inconsequente.
Ele a tentou calar com verdades nuas e cruas, mas ela o silenciou com outro tórrido beijo. Daria vazão a fazer loucuras e deixar de seguir a vida politicamente correta uma única noite. Então o fez arrancar o casaco, e acuou-o contra a parede do corredor sem jamais parar de beijar. Engraçado a maneira como eram as coisas... logo uma durona tão submissa a sua boca forçando passagem na lingua do homem que esnobara ontem e as mãos desesperadas travando aqueles ombros largos que a algumas horas pediram distância.
Enquanto fazia os botões da blusa cairem esquecidas no chão e os dedos ansiosos explorarem cada pedaço daquele corpo musculoso e marcado por cicatrizes, soltou os próprios cabelos ruivos e arrancou a jaqueta, dando um ar mais... safada. Jesus! Sentir uma boca molhada chupar cada canto da sua boca, do seu pescoço, tórax, peitoral era torturante para qualquer um.
– Se passar daqui eu não vou conseguir parar... – Uma súplica pra quem já estava quase nu, falando com uma voz sensualmente rouca que era uma música nos ouvidos da Claire.
– Então não pára – Viu o volume crescente por dentro das calças que pediam liberdade e sorriu, vitoriosa – continua...
Sentiu as pernas delas enroscadas no seu corpo. Os lábios inchados se encontraram uma vez mais e outra... e de novo, beijando, lambendo, chupando tudo. Naquele contato perigoso o último fio da razão tinha ido pro espaço. O único espaço existente ali era o próximo destino deles: o quarto. Um espaço que cabia perfeitamente o desejo dos dois.
Com alguns tropeços em caixas seguidas de risadas intensas e beijos um mais cálido que o outro, alcançaram a cama e deitaram-se nela, provocando estalos. O cheiro iminente do suor, do corpo, da vodka... opa! Aquilo era o sinal do pare. Ele retomou rapidamente a consciência graças ao aroma da bebida... o aroma do “proibido seguir adiante”.
E o balde de água fria.
Largou o corpo altamente desejável no colchão e ficou ali observando a tentação, afastando-se bem devagar, como se seu outro “eu” não quisesse largá-la tão acesa e... gostosa. Sua vontade era arrancar toda aquela roupa e rasgar dentro dela, transar até o sol despontar no horizonte. Uma pena que não estivesse sóbria. Estragar uma amizade duradoura em poucas horas de sexo não fazia parte dos seus planos.
– O que foi? – Puxou-o pelo cinto da calça e disse, provocativo.
Caiu acidentalmente de quatro nela. “Oh droga! Por que tão vulnerável?” Pensava ele enquanto calava-a num beijo breve. E sussurou nos ouvidos: – Eu vou penetrar bem gostoso... – e soltou o balde de água fria – outro dia quando você estiver melhor.
– I hate you... – protestou baixinho.
– I know – comentou, deixando as tentações para trás.
Uma brisa gelada entrou pela janela. A revolta e os protestos aos poucos deu lugar a dor de cabeça e por fim, o sono.
Mal sabia o nosso agente que Claire era a típica bêbada que lembrava de tudo na manhã seguinte.
Continua...
Fale com o autor