Notas iniciais
Um ano depois cá estou de volta com mais um capítulo! Não sei se tem alguém ainda que acompanha ela... mas enfim, sempre quis continuar, só não conseguia/podia, mas quem sabe agora posso! Escutem até a metade: https://www.youtube.com/watch?v=WnpLseF702w Da metade pro final: https://www.youtube.com/watch?v=RO8fDyNIeWk

Os primeiros sinais do amanhecer começaram a invadir o quarto da Claire.

Ao tentar se mexer, Claire sentiu uma tremenda dor de cabeça como se tivesse levado uma pancada, a fazendo lembrar dos seus vexames da noite anterior que sinceramente se o ex-policial não aparecesse na hora h e lhe resgatasse teria acabado muito pior.

— Oh God — Ela pôs a mão no rosto e sentindo seus olhos inchados que choraram na noite anterior até se esgotar, murmurou sozinha – Thanks, Leon.

Levantou-se da cama com certa dificuldade, apoiando as mãos na parede onde quase fizera algo que poderia se lamentar pelo resto dos seus dias: perder a amizade de Leon Scott Kennedy. Embora estivesse secretamente arrependida, agradeceu a frieza dele. Definitivamente aquele não era o melhor momento para deixar de lado os escândalos da TerraSave e o seu irmão desaparecido em uma ilha isolada.

Com passos um pouco cambaleantes, saiu caminhando pelo corredor estreito quando viu o agente colocando os sapatos na sala.

— Hey— Leon disse, notando sua presença.

— Hey— Claire reagiu, sem graça.

Nesse instante, fez um silêncio embaraçoso entre eles. Oh, maldito silêncio! Claire detestava filmes românticos. Sentimentalismo não combinava com ela. Quem sabe não fosse por medo de se entregar a alguém e sair machucada? O pior de tudo era lembrar quem foi a causadora daquela situação: ela mesma.

— Are you ok?— o ex-policial perguntou.

— Yes, I think so — Claire continuou após uma pequena pausa — but I don’t remember anything at last night.

— Good – disse, com um sorriso no canto da boca.

— Good — repetiu, engolindo seco.

— Well— ajeitou a camisa e ficando de costas para ela, concluiu – eu preciso passar num lugar antes de partirmos daqui.

— Sure— falou, e fingindo indiferença, continuou — I ‘ll see you at the airport.

Leon apenas acenou positivamente com a cabeça e saiu do apartamento rumo ao… cemitério. Uma só palavra não definiria o quanto aquele dia significava para ele. Fazia questão de ir todos os anos caso não estivesse fora a trabalho. Era praticamente um ritual comprar aquela garrafa de whisky favorito dos seus pais e visitar o túmulo deles. Queria tanto ter os dois por perto! Quantas vezes sentira a falta de um abraço deles em sua vida? Oras, um agente secreto também é humano e tem sentimentos!

Seguiu lentamente até o túmulo dos Kennedy e brindou a vida, afinal de contas, sabia que seu trabalho era perigoso e amanhã ele poderia ser vítima de uma bala perdida ou infeção de qualquer vírus. Pediu a benção dos genitores e saiu caminhando sem pressa.

Enquanto isso num canto não tão distante dali, Claire retirou um álbum de fotografia do armário e folhando página por página, lembrança por lembrança, sorriu num misto de saudade e tristeza vendo o único membro familiar dos Redfield além dela nas fotos: o capitão do B.S.A.A. Tinham poucas fotos juntos, também pudera, desde que Chris ingressara na Aeronáutica passaram a conviver praticamente separados a não ser as poucas vezes que aprendera dele técnicas de combate corpo-a-corpo, o que a ajudaria mais tarde naquela cidade perdida.

Deixou as memórias fotográficas de lado e começou a separar o essencial para a viagem. Em seguida, flashbacks rápidos correram pela mente dela. Calçadas vazias do Raccoon. O som dos tiros. O primeiro encontro com Leon. G-Vírus. William Birkin. A grande sobrevivente Sherry.

Ao fechar a mala, seguiu prontamente até a sala. Passeou seu olhar uma última vez antes de deixar o apartamento.

—______________________________________x____________

Isqueiro. Um amuleto de proteção que Claire havia ganhado do seu irmão. Quantas vezes foi salva por ele? Assim pensava ela enquanto abria e fechava o zippo* quando uma voz familiar a fez sair dos devaneios.

Leon se aproximou segurando uma mochila nas costas, olhando pros lados como se sentisse falta de alguém: — Where is Moira? — ele perguntou.

— Ela não vem – Claire respondeu, e guardando o isqueiro na sua jaqueta, explicou – Barry está doente e ela vai ficar cuidando dele.

Barry Burton. Um homem bondoso, justiceiro e amoroso. Fizera o possível e o impossível para protegê-las de todos os perigos na ilha de Sushestvovanie então… nada mais justo que ele recebesse em troca amor e proteção num tempo de fraqueza. A ativista faria o mesmo se não existissem prioridades maiores! Agradeceu em segredo por enviar Leon como companheiro de viagem. Iria em grupo consideravelmente grande, mas estar ao lado de alguém experiente igual o ex-policial fazia toda a diferença.

— It’s too bad – Leon disse.

— You’re here with me — Claire disse baixinho como se não quisesse que ele ouvisse e erguendo a voz, continuou — Let’s go!

Embarcaram sem grandes tumultos e sentaram lado a lado entre outros membros de Salve-A-Terra. Sabiam que aquilo seria uma longa e cansativa viagem. Ficaram calados durante o vôo até Claire adormecer…

—______________________________________x____________

Ao acordar de um sono pesado, ela viu o seu amigo lhe encarar como se quisesse falar alguma coisa que parecia intalada na garganta. Finalmente depois de um suspiro, ouviu ele dizer: — I’m sorry for the last night.

— It’s ok— Ela respondeu sonolenta, esquecendo-se completamente sobre sua embriaguez.

— Do you remember? — Leon indagou, surpreso.

— Remember… about what?— devolveu com outra pergunta.

— Eu te pedi desculpas sobre a noite de ontem e você me falou que estava tudo bem – disse, aproximando seu rosto do dela.

— No… I, I don’t— Lembrou-se de tudo como num estalar de dedos e caindo em si, tentou desconversar – I want to say — engoliu seco e deixando que ele se aproximasse, confessou sem graça – Ok! You’re right… I, I remember everything...

— Good – ele sussurrou sensualmente nos ouvidos dela.

Antes que ela pudesse protestar com palavras, ele calou aquela boca rosada num cálido beijo que foi se transformando pouco a pouco em algo mais intenso, a deixando cada vez mais confusa. Um conflito entre a razão e a emoção. Uma não queria se entregar de jeito nenhum e a outra, queria se entregar ao sentimento que passara a nutrir pelo agente.

— It’s not good! — gritou, e notando que era uma minoria acordada se não a única naquela cabine, abaixou a voz — Just a dream...

Espiou o amigo adormecido e confirmou as suspeitas: aquilo realmente foi um sonho. Sentia o rosto ainda quente e o corpo febril. Oh! O que estaria acontecendo com Claire Redfield que sempre fora tão racional e pé no chão?

— Damn— protestou baixinho, encostando a cabeça na poltrona.

Fez de tudo para voltar a descansar, mudou de posição uma… duas… três vezes, nada. Arrancou a presilha, e soltando os cabelos compridos, deu as costas ao companheiro.

Agora foi a vez do Leon despertar do sono, e percebendo os fios ruivos soltos, admirou eles por um tempo. Ousou tocá-los discretamente sem nem desconfiar que a dona daquele penteado estava acordada.

— “Please… stop it…”— Claire clamou em pensamento, e tentando resistir ao toque daqueles dedos tão afáveis, engoliu seco — “Jesus! Pára!“

De repente, Claire mexeu e remexeu no assento, obrigando ele a parar de brincar naquelas mechas ruivas. Que tortura! Quem diria um simples tocar de mão a deixasse tão afoita e… acesa? Escutou seu nome sair receoso daquele homem tão doce e descarado e fingiu acordar.

— Oh… I’m sorry — Leon perguntou – eu te acordei?

— It’s ok— Claire respondeu levemente corada.

— Really? — indagou, desconfiado.

— Well… you know — disse, e abaixando o rosto, continuou — Eu estou preocupada com o meu irmão.

— We will find him— falou, e vendo a reação fraca dela, afirmou findando a distância entre eles— I promise.

— Thanks… but – afastou-se dele e completou — eu sei que você não está aqui “só” por causa dele.

— Mas é a minha prioridade – reaproximou-se dela e acrescentou — acredite em mim.

— Hey… You just want to impress me, don’t you? — jogou o balde de água fria.

— Eu já ouvi isso em algum lugar** – comentou, contrariado.

— Yes, me too— ela deixou escapar um riso, achando graça naquele comentário.

Trocaram sorrisos discretos e ficaram se olhando como se um quisesse decifrar o outro através do olhar. Aproximaram os rostos cada vez mais… e mais… e não mais graças a Hannigan. Tomaram um susto e trataram de se afastar um do outro, quebrando todo o romantismo existente ali em fração de segundos.

— Eu tenho notícias sobre o paradeiro de Chris Redfield – Hannigan disse em viva-voz, crescendo a esperança nos olhos da Claire.

— Is he ok? — Claire indagou, tomando o celular das mãos do agente.

— Isso não sei dizer… mas ele foi visto em uma torre nas Canárias… — a agente da F.O.S. respondeu.

— Tomara que esteja bem— a ativista disse cabisbaixa, apertando a mão contra o peito.

— Qualquer coisa aviso vocês – ela falou antes de desligar.

— I got it! — Leon assentiu.

O agente da D.S.O. tocou o ombro encolhido da sua parceira e a encorajou: — Hey, everything is gonna be alright.

Claire deixou o orgulho de lado e sobrepôs sua mão na dele: — Thanks.

— Aí depois de salvar o Chris jantamos em algum lugar só nós dois – ele soltou no ar como quem não quisesse nada.

— Maybe— ela sorriu, retirando a mão maior de cima do seu ombro.

— Antes o benefício da dúvida que um “não” — ele falou.

— You haven’t changed a bit — ela disse, bocejando.

— Get some rest – ele comentou.

— I was about to say you the same thing — ela falou.

Os dois mal sabiam quem lhes aguardava ansioso…

Ilhas Canárias.

— Leon Scott Kennedy — Albert passou os olhos rapidamente pelo relatório sobre o homem que uma das maiores espiãs internacionais deixara escapar com vida – O que esse pobre mortal tem que eu não tenho miss Wong?— Indagou e tirou as próprias conclusões, sarcástico – Oh sim… sorte – e deu uma risada irônica que ecoou por todos os cantos – agora passeou o olhar sobre os dados da irmã do seu ex-parceiro de S.T.A.R.S. — Claire Redfield— fez comentários, convicto – será finalmente o fim dos Redfield?

Nisso, Alex*** ressurgiu das cinzas e interrompeu as concepções do seu irmão: — Nenhuma infecção anterior foi localizada nos dois.

— Quer dizer que nunca levaram uma “picada”? — o ex-pesquisador da Tricell se perguntou surpreso e concluiu o raciocínio sozinho – neste caso o efeito pode ser fatal “se” não forem grande coisa.

— O que faremos? — a 12ª criança Wesker perguntou.

— O máximo que poderia acontecer é falhar e eles morrerem – a 13ª criança Wesker comentou e sorriu sarcástico – e não seria nada ruim abalar a B.S.A.A. com a perda do lendário Chris Redfield pela eternidade – completou – prossiga.

Albert certificou o seu “irmão mais novo” assentir positivamente com a cabeça e desaparecer em direção as duas cobaias desfalecidas e metendo a mão no bolso, pegou uma amostra do vírus: — Mas independente do resultado, terei ainda o imenso prazer de receber mais dois candidatos…

Continua...

Notas finais
* Tipo de isqueiro que abre e fecha feito de metal, ela usou no RE 2 ** É uma frase que a Claire usou quando o Leon ia correr atrás da Ada em RE 2 remake *** Gente é o seguinte, quando comecei essa fic, não sabia ainda se Alex era homem ou mulher, mas como esse é homem, considerem! Imaginei sempre que ele fosse parecido com o Albert, aí veio a idéia (a um ano atrás...). E aí gente gostaram? Deixa uma lembrança nos comentários! Pretendo continuar porque adoro essa fic! Tio Wesker querendo aprontar! #adoro
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.