Notas iniciais
Cheguei crianças lindas! Vão carregando "The Walker" e escute até a metade do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=nGBLlFMn9Xc Depois da metade pro final "Indelible Memory": https://www.youtube.com/watch?v=C5Y-EdlycyA Nota: Não esquentem com o meu Wesker piradão na maionese, do jeito que gosto! E lembranças em itálico.

– Chris, não! – Claire despertou aturdida e ofegando por ar, colocou a mão no peito, sentindo os batimentos acelerados, o corpo gelado e as mãos suadas.

Ao escutar aquele grito agonizante, Leon que tinha cochilado no sofá, acordou surpreso. Viu o rosto pálido da ativista e, rapidamente sentou-se ao seu lado para tentar confortá-la, colocando suas mãos grandes naqueles ombros tão encolhidos e trêmulos.

– Hey olha para mim – o agente a forçou encará-lo nos seu olhos firmes, a transmitindo uma certa tranquilidade e disse, gentil e doce – it’s ok, foi só um pesadelo.

Olhar com olhar. Respiração misturando com respiração. O inevitável prestes a acontecer. Um silêncio tenso no ar, uma distância perigosa entre eles e por fim, a famosa brisa estraga-prazeres. Quem sabe a amizade fosse o melhor caminho... ao menos, por enquanto? Antes, focados no trabalho que nas vontades pessoais. As vítimas do Bioterrorismo não podiam esperar, diferente dos prazeres próprios. Esses sim, poderiam ficar em segundo plano.

Claire passou a mão nos cabelos, e afastando-se do seu hóspede, reclamou: – Men.

– No no no está absolutamente enganada – Leon reforçou – faz parte do meu trabalho – e indagou – ou você acha que minha função se resume a usar armas e sair atirando por aí? – explicou, mantendo a pose – eu recebo treinamentos psicológicos para isso e... – ela bateu de leve nas suas costas maiores, arrancando um “ai”.

– Oh come on – ela retirou os canecões largados na escrivaninha, e dando uma piscadela antes de desaparecer na cozinha, concluiu – você é uma mulher no meu coração.

– Wow essa foi a melhor cantada que eu já ouvi – ele disse, seguindo os passos da dona de casa.

Ela olhou o relógio e disse enquanto lavava a louça suja: — Você pode usar a minha cama para dormir – e completou, vendo o rosto surpreso do amigo e fechando a torneira – sozinho.

– Gentleman – entrou no seu jogo.

– I know – afirmou prontamente, irônica.

Quatro horas da madrugada. Poucos carros nos faróis. Pessoas passando em ritmo desacelerado pelas calçadas. Quem visse acharia que a nação mais invejada das Américas tivesse seus momentos de paz e tranquilidade... engano puro. Ruas vazias, casas cheias e luzes internas ainda acesas como o apartamento da Claire.

Relatórios enfileirados por ordem de função e alfabética. Dentre elas, fichas cadastrais de novos integrantes para aprovação, pautas/atas de projetos futuros, propostas de novos fornecedores e reavaliação dos existentes. Tantos documentos que sozinha não conseguiria organizar num intervalo tão curto.

Punho com punho. Um pequeno e merecido gesto depois de um trabalho talvez tão massante quanto estourar miolos de infinitos monstros, sair são e salvo de um helicóptero em chamas ou sobreviver num caminhão pilotado por zumbi.

Um olhou pro outro. Cansados, mas... satisfeitos. Hoje, Leon sabia o que havia por trás de toda a propaganda da TerraSave. Muito esforço, muito trabalho. E um detalhe importante: foi “só” uma madrugada inteira perdido nos papéis. Definitivamente não aguentaria essa rotina desgastante todos os dias.

Ao notar o sorriso de alguém que raramente sorria de verdade, Claire indagou, curiosa: – What?

– Você é incrível – Leon respondeu, sorrindo.

– Thank you – disse, sem resistência.

– Um elogio vindo de você merece até um café – comentou, indo buscar as canecas.

Viu o antigo parceiro nas noites de horror dando as costas e encostando no sofá, fechou seus olhos sonolentos. Um apagão desligou de tudo, como se tivessem aplicado aqueles soníferos nas veias de efeito imediato. Deixou que a cabeça pesada pendesse nas almofadas.

Havia reencontrado o único laço familiar que não via a muitos anos em Rockfort Island. Uma longa madrugada de conversas pessoais e impessoais. Uma conversa que definira seus rumos. Seguiriam à partir dali, caminhos diferentes.

Luzes apagadas. Uma jovem dormindo numa divã velha. Um... dois espirros. Um pequeno ruído parecia se aproximar da inconsciente.

Abriu lentamente as pálpebras cansadas e percebeu vagamente um homem colocando seu casaco ou algo parecido sobre seu corpo. Chamou pelo primeiro nome que veio na mente despertando-se de uma lembrança distante.

– Chris? – Claire perguntou semi-consciente, ajeitando-se em uma posição melhor.

Ao perceber-se envolta na jaqueta do Leon, sorriu baixinho por chamá-lo de Chris. Mesmo aos trinta e cinco anos, ela não tinha nenhum receio em sentir falta dele e sua presença jamais substituiria outro. Também seria mentira se dissesse que não tinha um carinho especial pelo ex-parceiro.

Leon Scott Kennedy. Um homem de poucas palavras, enigmático e maduro. Muito diferente dos outros com quem tivera unicamente momentos de... prazer. Embora não tratassem igual a um produto descartável, nunca criara laços fortes. Começara a entender aos poucos o porquê atiçou o interesse de uma espiã internacional caçada atualmente pela maior potência mundial. Ele, de fato era um perigo. Um deslize seu e poderia colocar toda a amizade goela abaixo.

Observou o ex-policial adormecido sentado na cadeira dura por algum tempo, caindo novamente no sono.

Num laboratório bem distante dali, o soldado despertou em meio a cabos ligados ao corpo ao lado de máquinas operantes. Mais a fundo, a mulher caçada pelas autoridades encontrava-se desfalecida em semelhante situação a sua.

Tentou libertar-se a todo custo daquele emaranhado de fios sem sucesso. Notou a aproximação de dois homens. Sentiu a raiva crescer nos olhos, reconhecendo a faceta do traidor. O outro era semelhante a ponto de parecer irmão gêmeo.*

– Mas a festa mal começou e já está ansioso... meu querido amigo? – Albert aproximou-se da cobaia ainda tentando recuperar a liberdade e direcionou o olhar ao “irmão” notando a curiosidade do capitão – Falam que somos bem parecidos.

– Alex... Wesker? – Chris indagou.

– Well... Paramos por aqui com as apresentações amistosas e vamos ao que nos interessa – Alex acionou um botão próximo a bancadas e monitores, causando choques elétricos ao ex-membro de S.T.A.R.S.

– Seus... filhos da... puta – o combatente disse sem parar de mexer braços e pernas, resistindo a prova de fogo – eu fui treinado para resistir... e não vou morrer assim tão... fácil!

– Quem falou aqui em morte? – Albert disse aos risos, aproximando-se do ex-companheiro – Eu quero e preciso você bem vivo em carne e osso – e explicou, apreciando seu sofrimento – apenas queremos que cale a boca e colabore.

– O que quer de... mim? – Chris perguntou, sófrego.

– Bons sonhos – Alex aumentou a tensão, fazendo a enorme carga elétrica desligar a consciência do militar.

– And... miss Wong – Albert virou-se a outra vítima e falou, sorrindo – você não precisa fingir que está desmaiada.

Ada deu seu típico sorriso debochado e afirmou: — Eu sei o que vocês querem conosco. Aliás, somos os primeiros de muitos – e completou – me corrija se eu estiver errada, mas pelo que entendi o Projeto Ada não passou de uma simples maquete.

– Exato. Eu serei eternamente grato ao seu fã número um – Albert acrescentou, rindo – Derek Simmons se saiu um ótimo “dublê” – provocou, notando a indignação da ex-cúmplice – não, devo agradecer mesmo a idiota da Carla Radames. Paixões são a maior tolice da humanidade – e ironizou – oh wait... eu estou frente a frente com uma tola apaixonada.

– Se eu fosse vocês não botaria fé nesse projeto cheio de falhas – a chinesa disse em tom provocativo.

– Veja a sua situação: uma dama em perigo – Albert comentou – O que acha de cumprir a única ordem que ignorou do seu antigo negociante na Espanha?

– Com eu ou sem eu... ele virá atrás de vocês – Ada indagou, rindo – aliás, sabe qual é o seu maior defeito? – e respondeu em seguida – Subestimar seus colegas – Albert sinalizou ao “irmão” de silenciar sua ex-comparsa.

– Boa noite cinderela – Alex acenou a cabeça positivamente e atingiu em cheio o estômago da procurada pela Justiça Americana.

– Comece os preparativos que logo outros dois virão atrás de nós – Albert falou sorridente antes de deixar o local para trás.

E os maltratos começaram. Tanto um como o outro receberam um... dois... três poderosas correntes elétricas. Mal sabiam que aquilo era somente o recomeço do monstruoso plano de Albert Wesker. Um mundo controlado por simples controle remoto. Faria o possível e o impossível. Sacrificaria milhões de humanos. Tiraria caso precisasse até o Alex do seu caminho. Louco! Queria brincar de Deus, mais precisamente queria ser um Deus.

Após uma sessão de tortura física, foram submetidos a danos mentais. Sentiram as lembranças ficarem entorpecidas nas suas mentes como se todas partes de um quebra-cabeça fossem embaralhadas e espalhadas nos quatro cantos.

As próprias identidades. Claire Redfield... Jill Valentine... Leon Scott Kennedy... Piers Evans. As caras e bocas. Momentos marcantes. Perdas e conquistas. Tudo despedaça pouco a pouco no tempo e espaço. Mais impactos, mais vazios.

O herdeiro dos genes superiores de vez ou outra fazia visita as futuras máquinas assassinas ainda adormecidas. Mal podia esperar o resultado. Jill saira uma quase obra de arte. Grande expectativa depositara neles. Num canto, um excelente combatente e o responsável pela sua “morte” anterior.

Por outro lado, ah... nem era preciso dizer muito. Uma das melhores negociantes do mercado negro, se não dizer a melhor dos últimos tempos. Estupidamente atraente, inteligente e astuta.

– Não mais que eu – Albert disse.

O que o tresloucado não tinha idéia que ninguém na face da Terra podia brincar de divindade e humanos sempre seriam... imperfeitos.

Continua...

Notas finais
* Li em algum lugar que Alex Wesker era muito parecido com Albert Wesker! Se achar a fonte posto aqui depois! Gostaram??? O clima vai esquentando dos dois lados hasuahusahushau