POV EMMA

Muitas emoções em um dia só. Eu acordei cedo disposta a esquecer de Regina e Henry, pois aqueles dois conseguiram tirar até meu sono que era sagrado. Alonguei-me, caminhei, corri, mas não consegui simplesmente me desligar, não queria ligar então busquei o modo mais simples, mensagem. Ela respondeu rápida e quando mandou que estava no mesmo lugar que eu, a procura foi instantânea. Eu iludida dei passos para ir até ela, mas a realidade meu deu um belo tapa na cara. Um homem e Henry apareceram, julguei ser seu marido e estava certa.

Recuei, mas Henry me viu e ambos vieram em minha direção, fiquei extremamente incomoda com a situação, o marido de Regina foi muito educado, porém eu notei o clima pesado entre eles, em relação a como Regina cuida do garoto, a essa distancia que existe entre eles. Mas mais que isso me incomodou o fato do marido dela ter voltado, mas o que eu tinha haver com isso, não é? Troquei a noite solitária em casa por filme com Henry, quando vi Regina naquele vestido arrumada, perdi o ar, me virei para a televisão porque mais um pouco só existiria osso ali, de tanto que olhei.

Henry quis que eu dormisse com ele, o menino buscava carinho e atenção de todas as formas, contei história para ele, brinquei e logo ele pegou no sono. Não consegui dormir, ele se mexe muito, permaneci mexendo em coisas aleatórias no celular até eles chegarem e começar com o show. Na primeira voz alta de Regina Henry acordou dizendo que é normal eles brigarem, porém nenhuma criança se acostumaria a isso, ele chorou e queria ir lá, tentei segurá-lo, mas um vacilo e ele saiu correndo. Regina arregalou os olhos ao me ver, era impossível não escutar o que diziam e fiquei péssima quando disse que se sentia sozinha. Ela tem um filho, poderia se sentir menos sozinha se aproveitasse o tempo com ele. Naquele momento decidi que iria aproximar esses dois, nem que eu tivesse que perder meu emprego no final.

Abusei da sorte ao dizer que poderia conversar comigo, sem contar a distancia mínima que se deu entre nós. Dormi sentindo o cheiro do perfume dela e o toque dele em minha mão. Pela manha fiz o que disse, preparei café para eles, tomei com Henry e o chamei para caminhar comigo, ele estava agitado e precisava se acalmar.

No escorregador ele se divertiu, empurrava alto e ouvia a risada gostosa dele, fizemos castelinho na areia, brincamos de pique-esconde, corrida (claro, ele ganhou todas), tomamos sorvete, alimentamos os pássaros, horas e horas sendo criança.

— Precisamos de um barquinho, vou pedir a minha mãe e vamos brincar no lago. – Falou apontando para o lago a alguns metros de distancia.

— Pode ser, mas amanha porque hoje meu garoto, eu estou morta. – Peguei sua mão e fomos para a casa.

Regina e Robin teriam usado esse tempo para conversar, provavelmente se acertarem ou algo assim, preferia não pensar, porém quando chegamos próximo à casa, primeira coisa que ouvi foi algo parecido com um vaso se quebrando e logo em seguida gritos e mais gritos.

— Henry senta aqui e fica aqui, ok? – Falei indicando a escadinha pequena que havia ali. Ele assentiu com a expressão assustada e sentou. Abri a porta lentamente, na sala não estavam, os gritos continuaram.

— Seu fdp, você tem outra família! – Regina gritou jogando mais um vaso contra a parede.

— Regina, tenta entender, pelo amor de Deus! – Robin gritou e saiu correndo do quarto, me encontrando na sala. Regina me viu e sua expressão estava fria.

— SOME DESSA CASA SEU CANALHA! – Ela gritou com o celular na mão. – Olha isso Emma, olha a família perfeita que esse jumento tem em algum lugar! – Falou me entregando o celular, ele estava beijando uma mulher e em outra ele estavam sorrindo para a foto, bem arrumados. Joguei o celular no sofá, eu não sabia o que fazer.

— Regina, vamos conversar. – Ele disse abaixando a voz, suando.

— CONVERSAR O QUE? COMO VOCÊ CONHECEU A PUTA E FORMOU UMA FAMILIA COM ELA? – Ela gritou e Henry entrou.

— Pro seu quarto garoto, só sai quando eu for lá. – Falei e ele correu chorando. Ambos o olharam, mas vi Regina passar na mão em uma jarra que havia na mesinha ali.

— Para! – Corri até ela por trás e segurei em seus dois pulsos.

— ME SOLTA SWAN! – Gritou tentando se soltar a todo custo.

— Robin vai embora, agora está todo mundo de cabeça quente. – Falei séria e ele saiu num vulto. Permaneci segurando Regina até ela parar de usar a força. – Para Regina.

— Esse filho da puta tem outra família Emma! – Ela disse com muitas e muitas lágrimas descendo. – Não um caso, mas uma família inteirinha! – Ficou nervosa de novo e percebi que ainda segurava em seus pulsos, que ela soltou bruscamente.

— Vou atrás dele, vou mata Robin. – Falou indo em direção à porta, até chegou a sair.

— Não, você tem um filho Sra. Mills! – Falei segurando em seu pulso novamente e a prensando contra a parede. — Mulher forte, rapaz. – Um filho que viu e ouviu tudo isso, um filho pequeno que mal conversa com a própria mãe! – Falei nervosa e perdendo as forças de segurá-la.

— Por isso ele tem outra, porque eu sou ruim. Até com meu filho. – Ela disse baixando a guarda e chorando. — Eu não sabia o que fazer, mas me partiu o coração vê-la daquela forma.

— Para com isso, quem perdeu foi ele. – Falei sorrindo fraco. A puxei lentamente para frente, um passo que poderia ser em falso, mas valia a pena arriscar. A proximidade se ficou nula e ela afundou a cabeça em mim, senti minha blusa molhar e passei os braços em torno dela, afagando seus cabelos até que se acalmasse.

— Eu sou tão ruim assim? – Sussurrou.

— Você é maravilhosa. – Falei em um tom quase inaudível. – Olha aqui. – A afastei e passei o polegar em seu rosto. – Não chora, vamos entrar, tomar uma água, você me conta o que ouve e vamos falar com Henry, juntas.

Ela assentiu e direcionamos para dentro, eu estava com a mão em seu ombro, coloquei um copo d’água e sentamo-nos à mesa para que ela contasse.

— Eu quis conversar com ele, tentar acertar as coisas. – Ela começou fungando. – Quando arrumei coragem para ir ao quarto, seu celular estava tocando, somos casados, não achei de todo mal atender. Uma mulher estava no telefone, “Maria”, pediu para falar com ele e eu disse que ele estava dormindo. Depois que a ligação desligou a foto de papel de parede dele é a que te mostrei, olhei no álbum e tem muitas. – Ela parou e respirou fundo. – Não é como se eu amasse ele incondicionalmente, mas ser trocada Emma, ele formar outra família, ter outros filhos, outra mulher, isso acabou comigo. Sinto-me um lixo, um nada.

— Não, olha aqui. – Falei pegando suas duas mãos. – Você é linda, maravilhosa. Ele foi um otário Regina, não existe mulher no mundo mais linda que você, ele só perdeu. E você ganhou, porque se esse é o caráter dele, claramente ele não te merece. Você é forte, tem uma vida feita, não depende de homem para viver ou criar seu filho. – Falei fazendo carinho em suas mãos. – Imagino que deva ser difícil, mas não se deixa abater, não se sinta pequena, porque você é baixinha, mas é uma pessoa grande! – Sorri fraco.

— Não sou baixinha. – Ela disse me dando um tapa na mão. – Mas só diz isso para me acalmar e eu não ficar louca novamente.

— Eu não brinco com as palavras Regina, sou sincera. Você é sim uma mulher forte e vai dar a volta por cima de salto 15. Fechado?

— Vou tentar. – Falou terminando de tomar a água e não chorando mais. — Eu estava com ódio daquele idiota, ele não tinha o direito de fazer isso, nunca na vida. Mas mantive a calma, por ela.

— Quer ir lá com Henry? – Perguntei e ela assentiu.

O menino estava deitado com a cabeça afundada na cabeça.

— Ei. – Chamei e ele levantou assustado.

— Mãe! – Falou pulando no colo dela quando ela sentou na cama. – Mamãe cadê o papai? A Sra. jogou vasos nele? – Perguntou com a carinha vermelha. Fiquei na porta observando.

— Quase. – Ela disse e notei sua falta de jeito com o menino. – O papai fez algo muito grave e vai ficar fora por muito muito tempo. – Explicou.

— Mas não quero. – Ele disse manhoso.

— Ele pode te ver Henry, mas daqui uns dias, prometo, ok? – Falou o soltando.

— Ok. – Ele respondeu ecoado.

— E se vocês almoçarem juntos? Sua cabeça não está boa para serviço Regina.. – Falei, era arriscando fazer isso, ainda mais naquele momento.

— Vamos mãe!! Mas Emma também. – Falou me puxando para dentro do quarto. Eu não quis encarar o olhar em matando. Mas quando olhei estava normal.

— Vocês dois tem esses olhares pidões. – Falou balançando a cabeça negativamente. – Mas amanha nem adianta me pedir para ficar. — Fiquei feliz porque o clima começou a ficar leve.

Fomos para a cozinha e a ajudei a preparar a comida, mais atrapalhei que ajudei, porque ela é bem mais organizada que eu. E Henry aparecia toda hora para mostrar alguma coisa. Coloquei dois pratos na mesa, a intenção era deixar eles próximos.

— Swan.. – Ela disse quando terminei de colocar.

— Não estou com fome. – Falei sem graça.

— Come com a gente, é minha forma de agradecer por tudo que está acontecendo, por não ter ido embora depois de ver vasos voando. – Suas bochechas coraram e eu ri.

— Vou lembrar-me de nunca te deixar brava. – Comentei.

— Então coloca mais um prato logo.

Quando começamos a comer estava um silêncio incomodo. Regina ia falar alguma coisa advertindo ele e falei antes.

— Henry você não ia pedir uma coisa para sua mãe? – Falei ganhando atenção dos dois.

— Ah, mãe quero um barquinho, para a gente brincar no lago. – Falou animado.

— E ela pode ir junto com a gente né? A gente pode ir à prefeitura buscar ela e falar com a recepcionista chata. – Me calei quando percebi que falei demais, porém Henry se animou mais ainda.

Depois disso ele quis ver filme, mais uma luta para deixar Regina naquela sala. Ele deitou em meu colo em um sofá e ela ficou no outro, por vezes a olhava, a expressão triste e o olhar longe.

— Sra. Mills. – A chamei lhe tirando de seus pensamentos. – Vai ficar tudo bem. – Falei alcançando em sua mão e fazendo carinho.

Comecei a me assustar com o que estava sentindo.