A Babá.
7 Capítulo 7
POV EMMA
A semana seguinte foi complicada, Regina se enfiou na prefeitura. Eu a chegava não estava lá e quando eu saia, ela sempre estava tomando banho. Cogitei conversar algumas vezes com ela, mas no fundo senti que ela não queria falar. Uma vez que a vi na casa, seu olhar estava frio e a expressão seca. Perguntei-me se ela também estava me evitando. Meus dedos coçaram para não mandar mensagem todas as noites, porém eu não podia, afinal era a baba.
Henry estava inquieto, perguntava do pai, perguntava da mãe e às vezes nem queria brincar. Tinha que inventar algo diferente todo dia para conseguir o mínimo de animação do garoto. Quando cheguei aquele dia, vi o bilhete de Regina, sempre os analisava, buscando qualquer indicio de qualquer coisa. E a letra dela estava falha, sabe quando a pessoa escreve tremendo? Foi isso que pareceu.
— Henry, e se nós fossemos a prefeitura? Lembra que combinamos de ir, para sua mãe comprar o barquinho e você brincar? – Falei aparecendo na porta do quarto dele.
— Sério? – Vi seus olhos brilharem e ele pular da cama.
Tomamos café, ele tomou banho, se arrumou e saímos. As chances de Regina me matar eram de 99%, mas aquele 1% era a esperança. Entramos na prefeitura e recebemos um olhar nada agradável da recepcionista.
— Henry, fica sentadinho aqui. Eu falo com ela, ok? – Falei o colocando no banco de espera.
— A prefeita PROIBIU que eu anunciasse qualquer pessoa. – A moça disse firme. Arqueei a sobrancelha e assentei.
— Não precisa anunciar. – Falei dando as costas para ela, que veio atrás de mim. Bati na porta..
— Eu não disse que não queria ser incomodada? – Regina falou alto, ouvi os barulhos do salto até a porta.
— Me processa. – Falei com um riso morno.
— Ela foi entrando, não tive o que fazer. – A garota disse e Regina respirou fundo.
— Tenha santa paciência. – Falou fazendo gesto para a moça sair e entrei fechando a porta.
— Henry morreu? – Perguntou se sentando.
— Mais vivo que eu. – Falei observando suas mãos, que de fato estavam tremendo.
— O que você quer, Swan? – Perguntou sendo direta.
— Pode me chamar de intrusa Sra. Mills, pode até me mandar embora, mas vim saber o que esta acontecendo? Olha, eu nunca consigo te encontrar na casa, Henry disse que você não fala com ela e você está nervosa. – Falei firme.
— É sério, você está aqui para isso? – Perguntou arqueando a sobrancelha. Sua expressão não era de quem estava brava.
— Sim, eu me preocupo. – Respondi.
— Eu estou bem. – Falou em um tom convincente.
— Você treme assim sempre? Tem esses olhos fundos sempre? Escreve com a letra falha sempre? Ok. – Me levantei e sai andando de pirraça.
— Emma.. – Ela disse vindo até mim, parei na porta me virando. – Porque se preocupa?
— Não sei. Só aceita que me preocupo. Vim te chamar pra ir comprar o barquinho com Henry, ele está sentindo sua falta. – Falei com a cabeça baixa, vendo como ela sempre ficava próxima demais.
— Só ele? – Perguntou me fazendo levantar o olhar e encontrar o seu. Que raios essas mulher estava fazendo/falando? Minhas pernas até bambearam.
— Você vem? – Perguntei abrindo a porta e vendo Henry andando de um lado para o outro.
— Estou indo, Swan. – Falou voltando na mesa e fazendo algo no computador.
— Ela vem? – Henry perguntou pegando minha mão.
— Sim garoto. – Falei erguendo a sobrancelha para a recepcionista.
— Sra. Mills, há uma reunião, em menos de duas horas. – Falou ao ver Regina sair com a bolsa.
— Desmarque tudo. – Falou e saiu antes que a moça dissesse algo, ri e acompanhei-a.
Entramos no carro os três em silêncio, Regina não disse onde iriamos, acompanhei as ruas que ela passava e sorri reconhecendo o caminho. A loja de brinquedos.
— Vamos comprar o barquinho? – Henry disse puxando minha blusa.
— Vocês vão. – Falei a abaixei na altura dele. – Pega a mão da mamãe e vai escolher com ela. – Sussurrei em seu ouvi, ele riu e o fez.
Observei os dois entrarem e encostei-me ao carro esperando e mexendo no celular.
— Emmaaa, vem logo. – Henry me chamou e não era a intenção. Entrei, mas de qualquer forma os deixei sozinhos e fui à parte das bonecas.
Nunca tive bonecas, e pensando bem não perdi muito, elas são estranhas, sempre com aqueles olhos arregalados, eu ein. Não sei quanto tempo fiquei ali olhando, só parei quando senti uma presença atrás de mim.
— Gosta de bonecas? – Regina perguntou com a mão em meu ombro.
— Não, elas me assustam. – Falei sincera.
— Eu te assusto também. – Falou e ri.
— Nunca. Escolheram?
— Sim, ele está todo animado. – Falou no momento que ele apareceu com o barco e mais uns bonecos na mão.
— QUERO TUDO. – Falou me entregando e andando pela loja.
— Segure esse monstrinho, Swan! – Regina disse me olhando com os olhos arregalados.
— Vai lá, corre até ele e eu seguro as coisas. – Falei a empurrando devagar pra frente.
Ela foi andando rápido, ele estava perto de uns carrinhos.
— Mãe qual a senhora gosta? – Perguntou a ela.
— Não sei Henry. – Ela disse me olhando e apertei os olhos advertindo. – Hm, esse aqui? – Apontou pra um e ele pegou.
— Olha Emma, vamos levar esse, a mamãe gostou! – Falou balançando o carrinho.
Pegou a mão de cada uma de nós, seguindo até o caixa, segurar as coisas que ele escolheu foi difícil. A mulher do caixa ficou nos olhando e sorriu. Pagamos e Regina seguiu até um restaurante.
— Estão com fome? – Perguntou quando descemos e assentimos.
No almoço incentivei Henry a falar com a mãe fazendo perguntas que envolvia exclusivamente os dois. Estava ficando feliz, porque senti Regina mais a vontade em relação a ele, mas algo ainda a prendia, não permitia que se soltasse mais. O silêncio na mesa despertou meus pensamentos, aqueles dois se tornaram parte de mim, cada dia me sentia mais envolvida com eles. E Regina não saia dos meus pensamentos, isso estava me deixando louca.
Voltamos para casa, era mais ou menos duas horas. Henry quis dormir e agradeci, porque já estava cansada, ele sempre era ativo demais. O coloquei na cama com a promessa de acordá-lo depois para ir ao parque brincar com as coisas novas. Regina havia entrado em seu quarto e não quis atrapalhar, porém quando fui ao banheiro pude ouvir perfeitamente o som de soluços.
— Hei.. — Falei colocando a cabeça dentro do quarto. Ela virou o rosto instantaneamente.
— Volta depois. — Respondeu com a voz baixa.
— Não.. — Falei entrando e sentando ao lado dela. — Porque está assim?
— Me deixa Emma. — Falou indo até à porta.
— Fala comigo, não fica assim, não chora. — Fiquei quase desesperada vendo-a daquela forma.
— Não quero falar. — Respondeu não me olhando.
— Tenta.. — Falei colocando a mão em seu rosto, ela tombou a cabeça em minha mão me surpreendendo.
— Porque não vai? — Sussurrou de olhos fechados.
— Não quero.
— Emma. — Abriu os olhos me olhando séria. Suas mãos estavam sobre minha blusa na região da minha barriga, apertando lentamente. Um passo a frente e minha respiração já ficou pesada.
Impulso por parte dela ou vontade própria ainda não sei, ela avançou me beijando, bem tímido no inicio, não impedi, nem nada, deixei por conta dela. Explorou meus lábios inferiores e superiores, a língua logo pediu entrada e o beijo se tornou intenso, segurei em sua cintura a puxando contra mim. Suas permaneceram onde estavam, buscando mais contato.
— Não podemos. – Falei voltando a mim, a afastando.
— Podemos.. – Sussurrou colando seus lábios nos meus novamente. Deixei minha razão de lado, apertei sua cintura e a coloquei contra a parede, meu corpo colado no seu, meus dedos se emaranharam em seus cabelos apertando. Nossos olhares se encontraram por breves segundos, demos inicio a outro beijo, sempre mais urgente, sempre mais intenso. Tentei não pensar no que aconteceria depois disso.
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