Notas iniciais
Esse capítulo é da Iara, reclamem pra ela de colocar o viado do Robin na história u.u

POV REGINA

Como proceder com aquela garota cuidando de mim daquela forma? Nem Robin meu marido era assim. Ela teve cuidado, preparou aquele chá horrível e me deu alguns remédios e ainda ficou lá enquanto eu dormir. Sabia disso porque acordei, me assustei e a assustei, porque estava próxima.

Meu erro foi ter insistido em ir trabalhar, quando eu acordei estava bem, pelo menos achei estar. Emma ficou de cara feia e Henry fez manha, mas fui mesmo assim. Pedi para ninguém me incomodar, porém em algumas horas minha cabeça começou a pesar, minha respiração ficou péssima e senti minhas forças se desvairarem. Eu teria ido pra casa, mas não dava para confiar em mim dirigindo naquele estado. A única solução que me passou na cabeça foi ligar para Emma. Notei seu tom de preocupação e a escutei falando firme com a recepcionista que não queria avisar que ela estava lá. Ri fraco e sozinha com o jeito dela.

E mais uma vez ela cuidou de mim e de Henry, estava nitidamente brava, seu semblante sério me deixou sem graça pela teimosia em ter saído. Além de tudo, ainda cuidou de Henry, deu janta para ele, o colocou para dormir. Depois voltou para meu quarto, conferiu minha febre, fez recomendações, me convenceu a ficar em casa no dia seguinte, ela não viria. Mas eu queria que ela viesse. Porém aceitei. Foi embora e depois de alguns minutos, eu fui jantar.

— Emma? – Falei quando ela atendeu ao telefone.

— Aconteceu alguma coisa Sra. Mills, eu posso ir ai. – Ela falou atropelando as palavras.

— Não, calma. Só queria saber se chegou bem..

— Sim, fica tranquila. Aproveite o dia com Henry. Boa noite. – Falou encerrando a ligação.

— Boa noite. – Respondi ouvindo o tututu da ligação. Passei no quarto de Henry, dei um beijo nele e sentei na beirada da cama o olhando. Ele estava crescendo, não conseguia me aproximar dele, era como se existisse uma barreira entre nós. Lembrando-me dele deitado no colo de Emma, pensei que nem lembrava quando ele havia feito isso comigo, ou quando me ouvia e assentia tão calmamente como fez com ela.

Fui para minha cama e deitei, minha cabeça ainda doía, mas eu consegui respirar melhor. Tomei um comprimido para dormir, minha mente estava borbulhando com mil e um pensamentos que sempre começavam em Henry e terminavam na baba. Ela era tão simples, sua casa era tão simples, mas tão cheia de vida. Peguei no sono com tais pensamentos.

— PAPAI! – Ouvi Henry gritando e acordei assustada. Nada de dor, nem cabeça, nem no corpo, em lugar nenhum.

— Ei menino! – Robin disse o pegando, havia até esquecido que ele já voltaria. – A mamãe não foi trabalhar, que milagre é esse?

— Ela está dodói, papai. – Os escutei falando.

— Bom dia, Regina. – Falou entrando no quarto e vindo até mim. – O que você tem?

— Uma gripe, Robin. Só isso, já estou melhor. – Falei me sentando na cama.

— Vocês estão em casa, nós deveríamos fazer alguma coisa. – Henry disse animado. – Só vai faltar a Emma.

— Quem? – Robin disse com um ponto de interrogação na testa.

— Contratei uma baba. – Falei.

— E ela ainda não foi embora? Ela é uma bruxa? – Robin perguntou brincando com Henry.

— Ela é legal papai. – O garoto disse.

— Qual a macumba ela fez? – Perguntou surpreendido, de fato, ela era a única a conquistar Henry dessa maneira.

— Vamos ao parque, papai? – Perguntou puxando a blusa de Robin.

— Vamos querido, Regina vai também, né? – Falou me olhando. Não respondi, mas Henry estava com aqueles olhos pidões. Assenti a contragosto.

Levantei, tomei aquele chá horrível, os remédios que Emma deixou separados e preparei café para os dois. Eles comeram fazendo gracinhas, algo me impedia de fazer isso, me travava. Só observei a maneira com Henry se divertia com o pai. Até de Robin eu era um tanto afastada. Nosso casamento foi fruto de uma longa amizade, curto namoro e interações demais entre as famílias. Estava cedo, nos trocamos e saímos até o parque. O sol estava fraco e ventava um pouco.

Henry foi segurando nossas mãos, andava quase saltitante.

— Emma pode me trazer aqui, mamãe? — Perguntou me olhando. — Por favorzinho.

— Se ela quiser, pode. — Respondi séria. Ele comemorou e foi correndo para os brinquedos.

Sentei no primeiro banco que vi e Robin sentou ao meu lado. Às vezes eu tinha crises, me perguntava se era isso mesmo que queria para minha vida. Minha mãe me colocou na política e aceitei de bom grado, por levar jeito para a coisa. Não era uma prefeita odiada, pelo contrário, as pessoas gostavam de mim. Talvez por não me conhecerem de fato.

— Sabe Regina, você deveria pensar em se aproximar mais dele, você é mãe. — Robin disse. — Vai lá brincar com ele. Fiquei olhando Henry brincar, tão animado, senti que se eu fosse lá, a diversão acabaria, porque eu não sabia fazer aquelas coisas. — Você nem tenta! — Ficou irritado e foi até lá.

Não falei nada, fiquei vendo os dois brincarem. Meu celular tocou me trazendo de volta a terra.

"Melhorou?" Uma mensagem curta e direta.

"Estou melhor. Henry quis vir ao parque." Não tinha necessidade de eu mandar exatamente o que eu estava fazendo.

"Legal. Estou correndo no parque também." Li e me levantei de modo involuntário olhando para os lados. Não demorou e a vi dando correndo numa ponte pequena que havia mais a frente. Os cabelos presos, uma blusa regata, um short soltinho e curto desses que se usa em academia. Fiquei observando-a correr até o momento que parou e se alongou.

"Se alongar faz bem pra saúde." Mandei, meus dedos estavam ganhando vida própria. Ela parou para ver o celular e me procurou.

Logo encontrou e pude ver que estava sorrindo. Vi que ela deu dois passos para ir até mim. Porém, Robin chegou.

— Agora é hora de sorvete! — Falou com Henry e Emma deu meia volta. Poxa.

— Mãe? — Henry me chamou. — É a Emma?

— Sim, filho. — Respondi.

— Emmaaaaa!! — Ele saiu correndo nos deixando pra trás.

— Quero conhecer quem conseguiu domar essa fera. — Robin disse indo até eles.

Emma o viu e ele se jogou em seus braços a abraçando. Quem visse diria que ele é filho dela.

— Oi pequeno. — Ela disse. — Brincou muito? — O desceu e abaixou de modo que ficou de sua altura.

— Sim, olha meu pai. — Apontou pra Robin.

— É um prazer Sr. Mills. — Falei apertando sua mão.

— O prazer é meu. Eu queria mesmo conhecer quem havia conseguido a confiança de Henry, depois de tanto tempo. — Ele disse animado.

— Carinho e atenção e tudo se resolve. — Ela disse dando um sorriso pequeno.

— Viu Regina.. — Ele murmurou e revirei os olhos. Emma percebeu.

— Preciso ir, foi um prazer te conhecer. Até amanhã Sra. Mills, se comporte Henry. — Disse já andando.

— Ei. — Robin disse a fazendo virar. — Pode cuidar de Henry hoje à noite? É que tem uma festa e gostaria que Regina fosse comigo.

— Robin, é folga dela. Ela ficou até tarde em casa ontem.

— Não tem problema, eu iria ficar em casa vendo filme. Vejo filme com ele. — Ela assentiu e confirmou que estaria lá as sete.

— Viu, ela podia numa boa. — Ele disse enquanto voltávamos.

— Ou fez isso porque é a primeira vez que te viu e ficaria chato dizer não. — Falei dando de ombros.

O dia passou voando, Robin matou a saudade de Henry e eu fiquei inquieta em casa. Ainda havia sinais da gripe, uma tosse seca, dor de cabeça, nariz coçando.

Escutei a campainha e julguei ser Emma. Robin estava terminando de se arrumar e foi lá.

— Olá, Henry está na sala. Obrigada por vir. É difícil conseguir carregar Regina pra qualquer lugar além do serviço. — O escutei dizer.

— Aproveitem. — Ela respondeu.

Eu terminei de me arrumar, estava com o vestido vermelho, salto, uma maquiagem leve. Nada mal.

— Minha vontade é tirar sua roupa.. – Robin me abraçou por trás beijando meu pescoço.

— Vai ficar querendo, querido. – Falei me desvencilhando dele.

— Hoje a noite você não escapa. Estou com saudades.

— Se ficasse mais em casa, não teria saudades. – Retruquei, ele é representante de vendas e sempre trabalha muito.

— Regina... – Falou com a voz mansa, respirando fundo.

Sai do quarto e passei para me despedir de Henry. Emma colou os olhos em mim, senti seu olhar me queimando e minhas bochechas corarem. Quando me aproximei mais, ela se virou bruscamente olhando a TV.

— Desculpa estragar sua folga. Temos um quarto de hóspedes. – Falei apertando seu ombro levemente.

— Não tem problema, eu ficaria sozinha em casa mesmo. – Ela disse me olhando.

— Comportem-se. – Robin disse me pegando pelo braço. Vi Emma arqueando levemente a sobrancelha ao ver isso.

Fomos a bendita festa, estava animada, vi alguns conhecidos, bebi algumas doses, nada exagerado, porque eu nem poderia estar bebendo na verdade. Robin bebeu mais, se soltou, dançou, pagou mico.

— Olha quem saiu da toca. – Escutei uma voz e me virei. Era Ingrid uma antiga amiga.

— A prefeitura é quase minha casa. – Falei dando um beijo em seu rosto.

— Eu sei, você esquece-se do mundo quando está lá. Como está Henry? Conseguiu alguém para olhá-lo?

— Crescendo. E não, contratei uma baba. – Respondi.

— Ele ainda não tentou mata-la? – Perguntou, a fama de Henry era extensa.

— Ele a ama. É uma moça nova, nunca nem tinha visto na cidade. – Expliquei.

— Bonita? – Pude ver o interesse em seu olhar.

— Fica longe da minha baba. – Respondi revirando os olhos.

— “Minha baba”, Regina Regina, ela não é seu filho ou seus funcionários da prefeitura que você pode controlar. Lembre-se disso. – Ela disse e dei de ombros.

Robin me puxou para dançar, estava indisposta, fiquei cinco minutos e sentei de novo. Pude o ver olhando descaradamente as outras moças e me irritei.

— Vamos, deu por hoje. – Falei o pegando pelo braço.

— Mas já? – Falou pigarreando e ignorei indo pra fora.

Entrei no carro e esperei uns dez minutos, minha vontade era deixa-lo para trás, mas respirei fundo e esperei, esperei, esperei.

— Está cedo. – Falou entrando.

— Já bebeu demais querido. – Respondi saindo. Ele estava animado, cantando alto com a musica.

Estacionei e fui direto para o quarto me trocar, estava tudo apagado, presumi que Emma e Henry estivessem dormindo. Quando estava tirando o vestido Robin chegou fazendo graça, aquele cheiro de bebida me dava náuseas. Ele deslizou as mãos por meu corpo, me dando beijos nos ombros.

— Hoje não. – Falei dando um passo a frente.

— Porque não? Vamos matar a saudade.. – Falou ainda tentando, tomando meus lábios.

— Não, você está alterado. – Falei calmamente me soltando.

Tirei aquela roupa e coloquei um hobby. Fui a cozinha pegar um remédio para dor de cabeça, bebi água e respirei ar puro, fiquei cerca de meia hora sentada na mesa com o copo a minha frente, buscando sono e coragem para ir para o quarto.

— Tomei banho, estou menos alterado, cheiroso.. Qual a desculpa agora? – Robin chegou segurando em meus ombros.

— Está pronto pra dormir. – Murmurei. – Não estou afim, Robin.

— Quando você está afim Regina? A única coisa que te interessa é seu serviço. – Ele falou se afastando, passando as mãos no cabelo demonstrando seu nervoso.

— Fala baixo, Henry está dormindo. – Sussurrei me levantando. – Vai dormir, amanha nós conversamos.

— NÃO! Você sempre adia nossas conversas, amanha ou depois, estou cansado. Faz meses que não temos relações! – Estava falando alto.

— Porque faz meses que você fica nesse vai e volta do seu serviço! – Respondi no mesmo tom. – Você vem, fica uns dias e acha que eu tenho que estar disposta a fazer qualquer coisa só quando você quer, ou está disponível? Não querido, não é assim que as coisas funcionam.

— NÓS SOMOS CASADOS! O desejo deveria existir sempre! – Ele falou gesticulando com as mãos. – SEMPRE. Eu tenho uma mulher e às vezes nem lembro mais como é o corpo dela.

— Porque você nunca está presente!

— Quando estou você não aproveita!

— Aproveitar? – Ri alto. – Sério? Eu deveria aproveitar? Quer que eu te implore por mais dias aqui para suprir minhas carências também? Quer que eu mendigue a droga de um toque, nos dias que você não está aqui? Eu me sinto só Robin, merda, eu me sinto sozinha em todas as noites naquela cama enorme. E você fica tão pouco, que quando está aqui é como se não estivesse. – Terminei de falar nervosa e vi Emma na porta nos olhando assustada.

— Henry, volta pro quarto. – Sussurrou e o vi escondido atrás de suas pernas. – Desculpa, ele acordou assustado e veio correndo. – Falou sem jeito e ele veio até mim.

— Vocês estão brigando, mamãe? – Perguntou coçando os olhos.

— Estamos conversando Henry, vai lá com a tia Emma. – Falei apontando pra ela. Fiquei sem graça, ela deve ter ouvido tudo que eu disse. Robin havia se jogado no sofá. Henry pegou a mão de Emma e voltaram para o quarto.

— Desculpa.. – Robin falou indo para o quarto.

— Amanha. – Falei sem o olhar e escutei bater a porta.

Permaneci na cozinha pensando no rumo que teria a conversa no dia seguinte com Robin, dissemos verdades e é sempre difícil encará-las. Pensei em beber whisky, mas havia tomado remédio.

— Você deveria dormir, já são quase quatro. – Escutei a voz de Emma sussurrando. Ela estava indo tomar água.

— Desculpa pelo showzinho e acordar vocês.. – Falei sentindo minhas bochechas corarem.

— Eu estava acordada, mas Henry ficou assustado. Tudo bem entre vocês? – Perguntou escolhendo as palavras. Estava encostada na pia, tomando a água.

— Bem não é a palavra certa. – Respondi contornando a boca do copo com o dedo.

— Desculpa me intrometer. Sei como é se sentir sozinha, sabe? – Ela disse e a olhei. – Conversem, sem brigar, sem gritar, só conversem. Pela manha vou levar Henry para caminhar comigo, aproveitem esse tempo. – Ela disse depositando o copo ali e saindo.

Levantei e fui atrás dela, não sabia o que dizer, mas não queria ficar ali sozinha novamente. Alcancei seu pulso e ela se virou, ficamos próximas demais, seu olhar me analisava e sua expressão era serena.

— Obrigada. – Falei escorregando a mão de seu pulso, tocando a sua.

— Pode conversar comigo quando quiser, não sei se quer uma amiga, mas posso ser uma boa ouvinte. Dorme ai com Henry, é melhor. – Falou e saiu da minha frente. – Boa noite, Sra. Mills.

— Boa noite, Emma.