A Babá.
4 Capítulo 4
POV EMMA
Quando cheguei a casa e não vi o bilhete de Regina já estranhei, logo depois Henry me puxou para o quarto, o estado dela não era bom, estava vermelha, com os olhos pequenos. Ainda bem que ele teria aula, porque não ficaria em cima dela.
O chá que dei a ela era uma receita que minha avó havia me ensinado, uma mistura de coisas ruins, temi que ela não gostaria e estava certo, cuspiu pra fora e achei engraçado, uma criança teria feito aquilo, mas aquele mulher tão imponente? Nunca imaginei.
Regina é delicada, quando fui ver como estava à febre pude sentir sua pele macia, tinha medo de machuca-la. Passei quase três horas ali a olhando pensando em como a vida era estranha, nem conhecia a prefeita, no dia seguinte havia me desentendido com ela e logo depois estava “cuidando” dela e se não tivesse eu ali? Passei as mãos em seus cabelos e fui até a cozinha comer algo e disse a Henry que a mãe dele iria ficar bem.
Demorei alguns minutos e voltei para o quarto, me sentia sem jeito ali, afinal era o quarto dela, permaneci sentada naquela poltrona mal respirando. Quando resolvi ver se a febre havia baixado, ela acordou e me assustou. Conversou um pouco, perguntou dos motivos que me levaram a aquele serviço, um interrogatório chato, porém que deixou claro que caso eu saísse ela teria um problema.
— Você está bem? Passou a dor no corpo? A dor de cabeça? – Disparei a perguntar para quebrar o silêncio.
— Calma Swan. Estou bem, vou até trabalhar após o almoço. – Falou quando eu virei às costas para abrir a porta e encontrar Henry.
— Está brincando comigo? – Perguntei tentando não ser grossa.
— Não. Agradeço a sua ajuda, mas o serviço me chama. – Ela disse se sentando.
— Um dia só não vai te matar, fica ai Regina. – Falei e só depois notei que talvez não devesse ter a chamado pelo nome.
— Eu vou trabalhar e pronto! – Falou feito uma criança birrenta.
— Ok. – Respondi dando de ombros e fui pra cozinha preparar comida. – Vai almoçar? Alias, esquece a pergunta, almoça antes de sair. – Disse e sai sem esperar uma resposta.
Preparei a comida e a aula de Henry acabou. Ele veio feito um foguete em minha direção.
— Emma, Emma, EMMA! – Falou quando finalmente o olhei. – Minha mãe está bem?
— Está Henry, ela vai até trabalhar. – Falei revirando os olhos.
— Mas, ela deveria ficar aqui, não a deixa ir. – Falou puxando minha blusa.
— Fala isso pra ela, garoto. – Falei desligando os fogos.
— Vou trabalhar sim. – Ela disse aparecendo com uma roupa social, normal, exceto o blazer, naquele calor. Apertei os olhos sobre ela. – Estou bem, Swan.
Não respondi, servi Henry e ela se serviu, não quis comer com eles, os deixei na cozinha e fiquei na sala vendo jornal. Não consegui ignorar as falas de “come direito”, “não é assim”, “não fala enquanto come”, PELO AMOR DE DEUS ELE É UMA CRIANÇA, que quis gritar, mas foquei no jornal. Ela saiu sem dar tchau e Henry veio até mim desanimado.
— Ela não quis ficar comigo? — Ele disse desanimado.
— Ela precisa trabalhar meu anjo. – Falei. – Não fica bravo com ela, porque ela te ama.
— Mas nunca fica comigo. – Falou emburrado no sofá.
— Vamos ver filmes? Todos que você quiser! – Apontei para a caixa cheia de DVD e pra geladeira. – Posso te dar sorvete..
— AGORA. – Falou já mudando a expressão para melhor.
Coloquei os DVDs e ele deitou comigo no sofá, ambos com uma colher, ele prestava atenção no filme, se sujava e eu não conseguia pensar de a mãe dele estava bem mesmo. Teimosa! Isso que ela é, custava ficar um dia? Não custava. Em meios a meus pensamentos não ouvi o telefone tocar, Henry passou sorvete em mim e ganhou minha atenção.
— O telefone. – Falou e levantei para atender.
— Alô? – Perguntei.
— Emma? – A voz conhecida, mas não consegui distinguir.
— Quem é?
— Regina, Emma. Preciso de um favor. – Falou com a voz baixa, baixa demais. – Você dirige? Pode vir aqui na prefeitura me buscar?
— Eu disse para ficar aqui. – Falei bufando, porém baixo.
— O que disse? Você vem? – Perguntou.
— Não disse nada. Aguarde uns minutos que vou com Henry, não sai de onde está.
Desliguei, troquei e limpei Henry que estava sujo de sorvete, ele me perguntou aonde íamos, mas eu estava com pressa.
— Prefeitura? – Falou depois de andarmos uns dez minutos quase correndo.
— Fica quietinho, ok? – Falei o pegando sua mão e ele assentiu.
— Posso falar com a Sra. Mills? – Perguntei a moça da recepção.
— Ela não pode atender. – A menina disse e respirei fundo.
— Pode ao menos chama-la? Tentar falar com ela? É urgente. – Tentei e ela me olhou ainda incerta. – Anda, mulher! – Falei e ela ligou a contragosto.
Entrei e Regina estava sentada em sua mesa, parecendo um camarão de tão vermelha. Indiquei a cadeira pra Henry sentar e contornei a mesa indo até ela.
— Era só ter ficado em casa um dia. – Resmunguei vendo se a febre havia voltado.
— Preciso trabalhar. – Falou manhosa.
— Precisa ter vida pra poder trabalhar, saúde, sabe? – Falei arqueando a sobrancelha, em um tom um tanto duro. Olhei para o computador ligado e procurei pelo botão “power” e sim desliguei e não salvei nada. Ela tentou falar, mas a olhei o mais séria que consegui. Pensei em leva-la no hospital, mas aquilo de fato era gripe, ela só precisava de repouso. Passamos pela recepção de dei uma olhada nada agradável à moça que me atendeu. Peguei as chaves das mãos dela e fui até a cada deles.
— Henry sua mãe precisa de repouso, você não pode ficar com ela, porque pode pegar gripe também. Você não quer ficar assim, né? – Falei e ele a olhou e balançou a cabeça negativamente. – Ótimo. – Continue vendo filme e já volto. – Dei um beijo entre seus cabelos e segui Regina até o quarto.
Ela tirou o blazer e disse que estava com frio, deitou e puxei a coberta sobre ela.
— Não joga fora o chá que vou trazer. – Falei saindo, eu não deveria estar tão preocupada, não deveria me envolver tanto com aqueles dois.
Fui à cozinha a preparei novamente o chá, separei os remédios, enrolei para voltar lá, mas fui.
— Toma.. – Falei entregando a xícara pra ela. Não consegui ficar séria com as caras que ela fazia tomando o chá.
— Quando isso passa? – Ela perguntou. Essa mulher era mesmo mãe de uma criança?
— Se você conseguir ficar de repouso hoje e amanha, tenho certeza que logo estará ótima. Ela deitou e não respondeu. Eu poderia ir embora, mas não consegui.
Assim que vi que ela adormeceu, conferi se estava com febre, estava um pouquinho quente. Anoiteceu, dei janta pra Henry, ele tomou banho, deu um beijo de boa noite nela e o coloquei pra dormir.
— Amanha, eu não venho, aproveita o dia com a mamãe. – Falei e ele sorriu animado.
Voltei para o quarto e Regina havia levantado e tomado banho nesse período que fiquei lá com ele.
— Desculpa ter sido grossa ou dura com você Sra. Mills.. – Falei me sentindo envergonhada.
— Está desculpada só porque estou me sentindo melhor. – Ela disse, estava com os cabelos soltos e bagunçados e uma blusa fininha branca.
— Regina? – Falei pausadamente seu nome. Seu olhar encontrou o meu e desviei. – Promete não pisar naquela prefeitura amanha?
— Emma.. – Ela disse olhando para baixo.
— Fica em casa, descansa, fica com Henry. Por favor. – Falei buscando as palavras. – Eu só.. Estou preocupada.
— Só amanha. – Falou se dando por vencida e sorri.
— Então amanha eu não venho, tem mais chá na cozinha e comida. Janta Sra. Mills, vou indo. – Falei pensando em como me despedir dela. Eu deveria dar a mão?
— Toma cuidado na rua, qualquer me liga. – Falou quando cheguei à porta.
— Qualquer coisa me liga também. – Falei e sai.
Estava confusa, só Deus sabe como fiquei preocupada com ela e como me sentia perto dela, era diferente. Queria cuidar daqueles dois, isso estava me deixando louca. Cheguei a casa, liguei o som, tomei banho e tomei uma cerveja revirando sites de vagas.
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