A Babá.

30 Capítulo 30


POV EMMA

Minha memória é horrível, em meio as noites com Regina, manhas com Henry e momentos bons com os dois, esqueci-me de um detalhe muito grande, que vim a lembrar me tarde de mais. Na manha de sábado eu sai da casa de Regina antes de ela acordar, planejei fazer café da manha para ela e Henry, para começarmos o dia bem. Sai de sua casa a passos lentos, ainda de pijama e os cabelos bagunçados.

— Emma? – A voz atrás de mim, assim que abri a porta, assustou-me, não por estar me chamando, mas por me lembrar de que não havia dito a Regina que minha mãe estava vindo.

— Não está feliz em ver sua mãe? Você dormiu fora? Esqueceu-se de se arrumar antes de sair? – Perguntou soltando a mala no chão, me analisando de cima abaixo com a sobrancelha arqueada.

— Bom dia, mãe... – Falei coçando a cabeça, encarando o chão que, de repente, estava lindo. – Tudo bem? Não quer entrar? Vou fazer café agorinha. – Disparei a falar pegando sua mal, ficar naquele clima estranho não ajudaria.

Entrei com sua mala e deixei na sala, pedi que deixasse a porta encostada. O que de pior poderia acontecer? Nada, nada, repetia a mim mesma enquanto voltava à cozinha, onde ela estava.

— Você esqueceu que eu viria, né? – Perguntou, sentando no banquinho do balcão da cozinha.

— Completamente. – Falei, preparando o café. – Mas, estou feliz que esteja aqui, mesmo. – Tentei soar o mais firme possível, esse momento teria de acontecer de qualquer forma.

— Já tive uma filha melhor, que se lembrava de mim e dormir na sua casa. – Coçou a garganta, a olhei para buscar seriedade em suas palavras, porém ela já estava vermelha de segurar a risada.

— Sou a melhor filha do mundo, vou até preparar algo especial. – Brinquei jogando o pano sobre ela.

— Você está mentindo! Provavelmente deve ter pensando nisso antes, mas não para mim. – Disse contornando o balcão, me empurrando de lá. – Deixa que eu preparo o café da minha nora e neto. Tem veneno aqui?

— Mãe! – A repreendi, mesmo sabendo que era brincadeira.

— Vou passar longe desse café. – Regina fez-me virar bruscamente engasgando com o próprio ar.

— Emma! Quem é ela? – O garoto apareceu feito um furacão pulando em meu colo. Amava esses abraços.

— Regina, Henry, essa é minha mãe. – Regina deu a mão a ela, ainda incerta e Henry da mesma forma.

— É um prazer. – Minha mãe sorriu aos dois, o clima não estava bom. – É brincadeira sobre o veneno, tenho um presente para você garotão, quer ver? – Esperta, se retirando do local porque sabia que Regina ia questionar, ótima mãe e amiga.

— Você não pensou em contar que sua mãe viria? – Regina encostou ao meu lado, falando no pé do meu ouvido.

— Eu esqueci, mesmo. – A abracei, quebrando a distancia mínima entre nós.

— Emma.. – Regina afastou a cabeça me olhando, mordia os lábios, sabia que estava nervosa.

— Ela sabe sobre você.. Desde quando fui embora, tudo bem. – Fiz carinho em seu rosto, depositando um beijo na bochecha.

— Então você é quem fez minha filha se desmanchar? – Minha mãe apareceu de repente, fazendo Regina quase pular para longe.

— Mãe! – A repreendi terminando de preparar o café que ela havia abandonado.

— Eu quero saber o que essa moça fez para te conquistar e te machucar, ué, sou mãe. – A olhei e vi que estava séria. Regina me olhava com um olhar de “socorro” e eu quis rir. – Quero saber se ela pretende casar ou você vai ficar indo e voltando descabelada todos os dias.

— Eu.. – Regina ia falar e travou, encostou-se na pia me encarando. Foi mais forte que eu, ri alto diante das duas.

— Pode parar com a brincadeira mãe. – Puxei Regina para junto de mim, abraçando sua cintura.

— Emma, para de ser chata, olha a cara que ela estava! – Minha mãe riu comigo, enquanto Regina continuava séria.

— Hei, tudo bem. Ela esta enchendo o saco. Não é, mãe? – Olhei para ambas, a expressão de Regina ainda era o melhor.

— Sem ressentimentos, de verdade. – Minha mãe estendeu a mão novamente, mais calma.

— Que susto vocês me deram.. – Regina sussurrou com um sorriso amarelo.

— Henry é lindo! Ele adorou os brinquedos que trouxe a ele. – A ouvi dizer, se dirigindo a sala.

— Me lembra de te matar depois. – Regina falou baixo em meu ouvido, me deixando sozinha na cozinha.

Ri sozinha ali, terminei o café, peguei alguns pães e bolachinhas e levei a sala. Henry estava brincando com castelinho de montar e minha mãe estava entregando a Regina um pequeno pacote de presente.

— Devo me preocupar em ser uma bomba, por exemplo? – Regina brincou, olhando para minha mãe, sem abrir o pacote.

— Eu me preocuparia, eu e Emma somos uma família de assassinas. – Ela a olhou balançando a cabeça negativamente.

— O que é assassanas, mãe? – Henry perguntou e me segurei para não deixar tudo ir ao chão pela pronuncia errada do garoto.

— Não é nada, Henry, vamos comer? – Coloquei as coisas na mesinha de centro, chamando sua atenção.

Servi Henry e as duas se serviram, ter minha mãe ali foi melhor do que qualquer coisa que eu havia pensado. Muitas brincadeiras naquela sala, minha mãe desatou a falar coisas que eu fazia na idade de Henry, fazendo-me corar dos pés a cabeça, várias e várias vezes, enquanto o pequeno ria alto, uma gargalhada gostosa, da minha cara.

Para Regina ela deu um colar com um pingente de letra R, bem delicado. Nunca foi difícil lidar com minha mãe e ela facilitou muito nossa vida. Ganhou Henry de primeira com os brinquedos, mesmo depois de comer, ambos permaneceram brincando na sala, assim como eu, ela é uma amante de crianças.

Deixei os dois brincando e puxei Regina para o quarto comigo.

— Você não está brava né? – Encostei-me a porta, a fechando, com Regina junto de mim.

— Não.. Vocês são parecidas e eu estou viva. – Regina riu, encostando a cabeça em meu busto, me abraçando. – Henry apareceu lá em casa me dizendo que havia uma mulher estranha em sua casa.

— Eu sabia que ele ia aparecer em algum momento. Pensou que eu tinha outra? – A olhei, passando o polegar em seus lábios, tão lindos, atrativos.

— Não, só estranhei.. – Revirou os olhos.

— A única mulher na minha vida além de você, é dona Mary. – Brinquei, enchendo seu rosto de beijinhos.

— Se tiver outra, eu me encarrego de arrumar aquele veneno que sua mãe disse. – Mordeu meu lábio, puxando levemente.

— Amo você, Regina. – Sussurrei a beijando.

Quando cheguei à cidade, eu buscava estabilidade. Ter um emprego bom e de preferência numa escola, guardar um dinheiro e depois viver. O que eu consegui foi bem distante disso, o emprego de baba, que pareceu apenas conveniente na época, me trouxe novos desejos e anseios, me fez repensar sobre várias coisas às quais nunca me preocuparam e mais que isso, me fez ser uma pessoa melhor. Buscar a aproximação de Henry e Regina e ver que no fim eu consegui, deu-me uma satisfação inexplicável. Nossa aproximação e separação foi como ir do céu ao inferno em um espaço de tempo, aprendi a amar, descobri as maravilhosas e dores desse sentimento e hoje, tenho um emprego, dois amores e estabilidade. Mesmo sendo nova, qualquer vislumbre que eu tenha da minha vida, daqui dez ou vinte anos, é com Regina e Henry ao meu lado. Quantas chances nós temos de encontrar o amor da nossa vida?

Notas finais
Estamos no fim... :( Falta apenas mais um ponto a ser tomado na história, Henry! E acredito que mais um capítulo, olha chateação bateu aqui. :(