POV REGINA

Aquela moça era tudo que eu precisava naquele momento, alguém com disponibilidade para olhar meu filho. Ela não s opôs a nada, foi muito fácil combinarmos tudo.

Todos os dias eu deixaria a porta aberta para ela, que chegaria as 7. Henry acordaria pouco depois disso. Ele é um garoto complicado, faz sete meses que não encontro ninguém para olhá-lo e Robin foi viajar para cuidar de mãe, já estava entrando em desespero. Temia que ela não conseguisse. Mas quando cheguei o primeiro dia e me deparei com uma loira, muito linda, e Henry dormindo tranquilo em seu colo, não acreditei.

Muito simpática. No outro dia deixei bilhete novamente, pois nos veríamos pouco. Mas tive um imprevisto na prefeitura e cheguei tarde em casa, ela estava contando historia para Henry, fiquei um tempo os olhando, nem me lembrava quando foi a última vez que havia feito isso ao meu filho.

Estava me afeiçoando a ela, até o momento que a levei para sua casa e ela me questionou sobre como eu educava Henry, sobre a falta de brinquedos na minha casa. Ele não precisava disso. Cheguei em casa e fui até o quarto dele, ele nem colocou o pijama. Passei a mão na coberta e senti algo estranho no bolso da calça. Peguei o papel e abri. Um bilhete escrito que sentia minha falta, meus olhos lacrimejaram.

Queria mais tempo com você meu amor, mas não sei fazer isso, não sei ser assim, sem infantil. Falei mexendo em seus cabelos. Dei um beijo em sua testa e sai do quarto, estava cansada, com dor de cabeça.

Tomei um remédio, tomei banho e deitei. Meu sono foi pesado e quase nunca era assim. E só acordei porque Henry me chamou. Alguma coisa estava errada. Porque ele estava acordado?

– Mãe de senhora está dormindo? Não vai trabalhar? — Ele perguntou e abri os olhos com dificuldades.

– Que horas são Henry? — Perguntei com a cabeça pesada, doendo demais.

– Mais de sete. — Ele disse e sentei, mas deitei em seguida porque meu corpo estava péssima. — Você tá vermelha, mamãe. Fica aqui. — Falou e nem tentei contestar, estava tudo doendo.

Escutei Henry falando com Emma na sala, só consegui entender ele falando quase desesperado para ela ir no quarto.

– Ela nunca fica assim, ela nunca perde hora. — Ele disse sentando na cama, que é de casal. Emma me olhou, eu estava com os olhos bem pouco abertos.

– Acho que é gripe, Henry.. — Ela disse.

– Você nem viu, olha se ela está com febre. Fala com ela. — Ele disse puxando a blusa dela.

– Da licença. — Ela disse com o voz baixa, colocou a mão em meu pescoço, um toque leve, cuidadoso, sua mão estava quente. — Você está queimando em febre, Sra. Mills. — Alguém bateu na porta e pensei ser a professora de Henry, ele fazia aulas particulares três vezes na semana.

Os dois sumiram por um tempo e Emma voltou sozinha. Eu só queria que aquela dor do corpo passasse, que eu conseguisse abrir os olhos, odiava ficar dependendo de qualquer pessoa. Ela estava com uns remédios na mão, uma xícara com algo dentro e um pano.

– Da licença de novo. — Ela disse após apagar o luz e abrir bem pouco a janela. — Consegue levantar? — Perguntou e assenti. Fiz esforço e ela colocou as mãos em minhas costas me ajudando. Pegou os remédios e o que havia na xícara.

– Que isso? — Perguntei vendo uma cor estranha.

– É um tipo um chá, aprendi a fazer a muito tempo. Vai te ajudar muito, é ruim mas toma tudo. — Ela falou me entregando. Primeiro tomei os remédios e depois virei um gole daquele "chá". Cuspi pra fora.

– Que porra é essa. — Falei colocando a mão na cabeça sentindo pesar.

– Não faz isso. — Ela disse pegando um pano que havia trazido e passou lentamente em minha boca e pescoço, por causa do que fiz. — É horrível, mas vai ajudar demais, depois pode me bater, pode me matar, mas toma tudo. — Ela disse pacientemente.

Engoli cada gole sentindo vontade de jogar fora. Terminei e ela colocou a mão em minha cabeça me ajudando a deitar. Não né lembrei de quando alguém havia sido tão paciente e carinhoso assim comigo.

Virei de lado e ela puxou a coberta até meu pescoço, me encolhi ali, e antes de fechar os olhos a vi se sentando na poltrona.

– Vai ficar ai? — Perguntei sem abrir os olhos.

– Vou. — Henry está lá com o professora. — E estou preocupada com você, se isso não funcionar, vou chamar um médico.

– Essa macumba que fez tem que funcionar. — Falei e ela gargalhou. Som gostoso. Os remédios fizeram efeitos e o sono me tomou. Juro que senti ela colocando as mãos em meus cabelos, mas não sei né, pode ter sido um sonho.

Abri os olhos a assustando, ela estava na beirada da cama me olhando. Não sei quanto tempo dormi, mas acordei melhor.

– O que está fazendo? — Perguntei me virando pra cima.

– Desculpa. Queria ver se baixou a febre. — Ela disse e assenti. Suas mãos passaram lentamente pelo meu pescoço, virando, pude sentir seus dedos tremendo e logo saindo dali. — Me sinto melhor, obrigada.

– Que bom, acho que ajudou minha macumba. — Falou se sentando na poltrona novamente.

Seus olhos me estudavam e os meus a estudavam. O que uma loira tão linda estaria fazendo ali naquela cidade pequena?

– Você está aqui porque? — Perguntei me virando de lado.

– Preciso de dinheiro para poder sair daqui.. — Ela disse deixando de me olhar.

– Você vai deixar de olhar Henry um dia? Não não, não faz isso. — Falei pensando no trabalho que deu.

– Relaxa, vai demorar. — Ela disse me dando um sorriso.

– Espero, Swan. — Falei encerrando o assunto. O que estava havendo comigo?