A Babá.
28 Capítulo 28
Notas iniciais
POV EMMA
A proposta de Regina, para que eu morasse com ela, martelava em minha mente. Tentadora. Mas sem gostei de ter uma base forte em qualquer coisa, e como disse a ela, o tempo sempre esteve ao meu lado. Eu e minha mãe passamos por muitas coisas juntas e aprendemos a lidar com ele, além de ser recente a morte de Robin e Henry não entender o contexto do que estava havendo entre nós.
Acordar com Henry foi uma surpresa boa. Estava encolhido entre nós, de olhos bem abertos. Saímos de fininho, ele me queria ali e isso era uma das coisas mais importantes para mim, que ambos quisessem. Não havia uma parte em mim que não fosse apaixonada por ele, o jeitinho carente me ganhou desde o primeiro dia.
Em casa, sozinha, eu pude pensar com clareza sobre tudo. As paredes brancas me incomodavam um pouco, mas à medida que colocava cada coisa em seu lugar correto, isso diminuiu. Porta-retratos meus e de minha mãe no quarto, o tapete de tricô que ela avia feito para mim há muito tempo no meio da sala, o sininho nos fundos, onde os passarinhos poderiam beber água, cortinas roxas e clarinhas nas janelas, o tapete escrito “bem vindo” em várias línguas na porta de entrada, entre outras coisas maiores.
Havia me trocado e colocado uma jardineira jeans e uma blusa branca de manga por baixo, me joguei no sofá com uma das alças soltas e um cansaço terrível, porém havia terminado que havia ficado para trás. Deitei-me de mau jeito no sofá e peguei o celular, ainda faltava uma coisa.
— Mãe? – Falei depois de ouvir a chamada tocando umas cinco vezes.
— Meu Deus Emma, você não me atendia! Pensei que tivesse morrido! – Sua voz saiu realmente preocupada e eu ri. – Não ria, dona Emma Swan.
— Mãe, me chamar pelo nome inteiro não me causa mais medo. – Brinquei. – Como a senhora está?
— A Senhora está no céu, espero que bem. Acertou as coisas por ai? – Perguntou com o tom normal. Estava com saudades, tinha tanto a contar.
— Nossa mãe, me escuta. Estamos bem, claro que estamos. Mas o Robin sequestrou o garoto, Henry ligou, Regina saiu sem me avisar, nós o encontramos, Henry quase foi atropelado e talvez pudesse ter sido eu e Robin.. – Suspirei. – Ele morreu. – Foi um alivio poder falar disso com alguém.
— Espera.. Você poderia ter sido atropelada? Emma! Não é assim que se conta uma coisa dessas. Robin é o ex, né? – Seu interesse no que eu falava era notório.
— Não tinha um jeito melhor. Mas enfim, já está tudo arrumado aqui, agora só falta começara trabalhar. Você poderia vir, conhecer Regina e o Henry. Ele é amável. – Falei animada, gostaria muito que se conhecessem.
— Henry é amável e Regina..é? – Perguntou, pagava para ver a expressão dela.
— Um amor. Linda! – Falei, rindo bobamente.
— Quando eu chegar ai, nós conversamos sobre isso. – Quem não a conhecesse diria que estava brava, mas era o modo dela. – Final de semana que vem, pode ser?
— Ótimo, vou avisá-los. Estou com saudades. – Coloquei o celular sobre a barriga, no viva-voz.
— Eu também, mas como uma pessoa que não namora a prefeita, eu preciso trabalhar. Se cuida, filha. – Antes que eu pudesse responder, o tututu ganhou a ligação.
Enrolei para levantar, na verdade só levantei porque estavam batendo na porta. Tinha campainha, sai desconfiada. Mas era Henry, olhando para cima com um bico do tamanho do mundo.
— Porque essa cara? Brigou com sua mãe? – Abaixei até ele, vendo Regina de costas dentro de sua casa.
— Não! Eu não alcanço. – Apontou para a campainha no alto, se encolhendo. – Você trouxe aqueles brinquedos que tinha? Minha mãe me mandou te chamar para almoçar lá, mas a gente poderia brincar? Ela não vai brigar com você. – Desfez o bico, abraçando meu pescoço.
— Vamos. – Levantei o pegando no colo.
Ele estava olhando curioso para tudo. O levei em direção a meu quarto, lá estava uma caixa com todos os brinquedos que havia visto a primeira vez. O sorriso de orelha a orelha apareceu, pulou do meu colo esparramando todos pelo chão, em volta de si. Sentei-me ao seu lado dando atenção ao que falava e as ideias do que fazer com aqueles bonecos de heróis e vilões, carrinhos e outras coisas pequenas.
— Sabe o que eu vou fazer, Henry? – Perguntei o olhando seriamente.
— Você parece mais brava que a mamãe? Eu quebrei alguma coisa? – Perguntou soltando o brinquedo, uma gracinha.
— Vou te fazer cócegas! – Gritei o agarrando contra mim, fazendo cócegas e apertando em todos os cantos.
— EMMAAAAA! – Gritou enquanto ria, comi cabelo enquanto tentava segurá-lo.
Longos minutos com ele agitado, rindo sem parar, me divertia muito com Henry, o abracei cessando a brincadeira, dando um beijo entre seus cabelos.
— Henry, você esqueceu-se do que veio fazer? — Ouvi a voz de Regina e levantei a cabeça a vendo com as mãos na cintura, batendo um pé no chão.
— Vamos ataca-la? – Sussurrei em seu ouvido. Ele assentiu.
Regina continuou parada, um erro. E a agarrei em cima e Henry agarrou suas pernas, ambos gritando com ela tentando se desvencilhar de nossos braços.
— Pareeem! – Falou, dando um passo para trás.
— Só se a senhora der um beijo na gente. – Henry disse, olhando para cima, quando eu a soltei.
Regina apertou os olhos em minha direção, abaixou para dar um beijo na testa de Henry, porém ele se jogou em seus braços, ela caiu sentada, o garoto gargalhou, não consegui ficar séria e por fim ela também riu.
— Já pra casa, lavar a mão! – Deu um tapinha em seu ombros, se levantando.
— Vamos, Emma! – Henry chamou.
— Vai lá, logo logo eu vou.
Saiu correndo em direção a sua casa, minha porta estava aberta, acredito que por isso Regina havia entrado. Ficamos uma olhando para a outra, ela não estava brava e isso sempre era um alivio.
— Você não tem jeito, Emma. – Encostou-se a parede, buscando ar.
— Nós só estamos brincando.. – Sussurrei, abraçando sua cintura, sorrindo.
— Eu sei, eu sei. – Colocou as mãos em meu rosto, me aproximando.
— Gosto de você assim. Sem toda aquela pose de antes. – Dei beijos estalados em seus lábios enquanto falava. Ela sorriu.
— Mudei na marra, não é? – Perguntou, afundando a cabeça em meu pescoço.
— O que importa é que sempre melhore.. -Beijei sua bochecha, a soltando.
Encontrei sua mão, dirigindo-nos a saída. O cheiro de comida estava bom. Henry estava na mesa já, batendo o cabo da colher na mesa. Lavei as mãos e sentei com os dois. O silêncio nunca durava quando o pequeno estava em algum lugar, ele começou a falar sobre a escola, pois Regina havia comentado com ele.
— Vamos nos divertir na escola! – Disse, terminando a comida.
— Vamos sim, mas você na sua sala e eu na minha, mocinho. – Apertei seu nariz, pegando nossos pratos, os colocando na pia.
— Mas você tem que dar aulas para mim. – Olhou para Regina com a expressão fechada. – Mãe! A senhora pode fazer isso, né?
— Não Henry, não posso. Emma vai estar em outra turma. Vocês são atentados juntos. – Disse revirando os olhos.
— Henry, nós vamos ir e voltar juntos. Está bem? — Baguncei seu cabelo.
— Injusto. Posso sair? – Perguntou a Regina, que assentiu.
— Vai lá. – Regina disse.
— Vamos na escola mais tarde? – Perguntei, vendo-a mexer no celular.
— Vamos.. Eu só preciso ir na prefeitura antes. – Ela parecia pensativa. – Já vão começar as reuniões de candidatura. – As vezes, aliás, acredito que nunca havia pensando no tamanho de sua importância frente a cidade.
— Mais quatro anos. Campanhas eleitorais? Pessoas enchendo o saco? Não tenho pique. – Falei com sinceridade. Sabia que estaria ao seu lado, mas só de pensar em tudo isso já havia me cansado.
— Vou pensar ainda. – Respondeu desligando o celular.
O assunto morreu ali. Regina se arrumou e saiu. Henry foi para casa comigo, se acomodou na minha cama vendo filmes enquanto eu arrumava os materiais que precisaria para dar aula. Havia me esquecido de comentar sobre minha mãe, planejei sair com eles à noite e falaria. Estava rezando para que as duas se entendessem da melhor maneira possível.
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