A Babá.
27 Capítulo 27
Notas iniciais
POV REGINA
A morte de Robin não foi algo que desejei, nem em meus momentos de raiva, em nossas brigas, quando descobri da traição, quando sua mãe me odiou e ele não fez nada, foram muitos momentos desagradáveis e ruins, mas a morte é algo tão pesado, ele não era velho e tínhamos uma história. Doeu vê-lo no caixão ainda aberto e doeu mais vê-lo sendo enterrado. O fim da nossa história havia sido decretado naquele tribunal, porém ali se findou qualquer laço entre nós. Henry estava arrasado, seu outro filho estava se desmanchando e Emma.. Ela estava intransponível diante de nós.
No caminho de casa ela cantou com Henry uma das minhas canções preferidas, sussurrava dando olhadas de relance aos dois, pelo espelho. O olhar tristonho do meu filho suavizou-se, o de Emma era terno sobre ele. Em casa ele foi direto a cozinha, abrindo e fechando os armários a procura de comida. Mas antes todos tomaram banho e tiraram a energia do cemitério do corpo.
Emma queria ir para sua casa, mas eu estava resistindo, não queria deixa-la ir, não queria dormir sozinha aquela noite, mesmo estando ao lado, não era o suficiente, precisava tê-la em meu campo de visão, com a certeza de que não me deixaria diante dos meus desesperos e ações impulsivas. Mas ela foi mesmo assim, disse que se trocaria, arrumaria algumas coisas e voltaria.
Fiz janta com Henry, ele estava disposto a aprender sobre os temperos da cozinha, dizia que iria cozinhar para Emma, para convencê-la a não ir embora. Ri de seu pensamento, ele sabia que Emma comia demais, isso até que fez sentido. Nós passamos algumas horas fazendo, ele jantou e apagou no sofá, enquanto eu estava na área com meu copo de bebida forte, descendo quente.
— Eu gosto daqui, já te disse isso? – Disse pegando o copo da minha mão, bebendo o último gole. Emma estava com um pijama de seda, preto, soltinho, os cabelos soltos e a expressão completamente tranquila. Finalmente.
— Acho que não. – Respondi, buscando em minha mente as inúmeras conversas que tive naquele local.
— Então, eu gosto daqui, é um lugar bom para pensar. – Suspirou, pousando o copo no balcão a o lado. – Eu disse que eu viria.
— Vou te roubar para meu quarto e trancar a porta. – Sussurrei pegando suas mãos, me aproximando, seu olhar me lendo, me desconcertando.
— Vai fazer o que? – Emma apertou o olhar, envolvendo minha cintura, com um sorriso de lado.
— Vou usar você como travesseiro para eu dormir! – Exclamei, enrolando os dedos em seus cachos.
— Isso parece injusto. – Colocou o dedo sobre os lábios, me olhando com indignação.
A puxei até o quarto, apagando todas as luzes da casa. Estar em um quarto com Emma poderia me levar a pensar inúmeras coisas, porém mus pensamentos estavam apenas em deitar naquela cama, me agarrar a ela e não soltar nunca mais. E assim sucedeu-se, deixei a luz do abajur ligada ao nosso lado e deitei em cima de seu braço, me aninhando em seu corpo.
— Você é folgada.. – Sussurrou, fazendo carinho em meus cabelos.
— Você é confortável. – Brinquei me ajeitando mais.
O silêncio nos ganhou, eu não estava com sono, estava pensativa. Os dedos de Emma mexiam levemente entre os fios dos meus cabelos, eu ouvia sua respiração fraca. A parede do meu quarto em tom cinza parecia preta diante da pouca iluminação. Imaginei o dia seguinte daquela mesma maneira com Emma, e todos os outros.
— O que eu preciso para que venha morar comigo? – Perguntei, virando o corpo, ficando de bruços ao seu lado.
— Tempo. – Sorriu, passando o polegar em minha bochecha.
— Mas.. Tempo para que, Emma? Henry disse que vai aprender a cozinhar, para te convencer a ficar aqui, sabia? – Disse, encostando a cabeça em seu busto. – Gostaria tanto que ficasse..
— Eu cresci assim Regina, tempo foi meu acompanhante e o da minha mãe. Tempo para superar os tombos da vida, tempo para estudar, tempo para sair de casa e vive sozinha, tempo para achar alguém especial o suficiente e finalmente, tempo de certezas. – Suspirou, não estava a olhando, o que foi bom, meus olhos marejaram instantaneamente com essas palavras.
— Você ainda não tem certeza? Nós.. – Sussurrei me encolhendo diante dela.
— Por Deus, Regina.. É claro que tenho. – Suas palavras foram firmes, certeiras, seus dedos escorregaram por meu rosto, encontrando a lágrima que desceu. – Ei. Quando digo de certeza é em relação a estar aqui em outra cidade, adequar-me ao emprego novo, entende? Não posso simplesmente vir para cá sem poder ajudar.. – Levantou-se, me chamando para junto de seu colo. Sentei-me entre suas pernas, encostando o corpo sobre o seu.
— Eu pensei que..ah.. – Minha voz falhou, meu coração ficou pequeno ao pensar que ela talvez não tivesse certeza.
— Regina...eu não vou te deixar ou ir embora de novo. – Sussurrou, beijando minha bochecha.
— Eu só.. tenho medo. Ainda. – Apertei suas mãos ao dizer isso, me senti uma criança indefesa e nunca me sentia dessa maneira.
— Não precisa. Porque se você der dez passos vai me encontrar ali do lado. Sempre. – Enfatizou a ultima palavra já abrindo a boca.
— Vamos dormir? – Pulei para o lado da cama, a deixando deitar. – Amanhã nós vamos atrás das coisas que faltam para você.
— Certo.. – Sussurrou me puxando para junto de seu corpo novamente.
Não cheguei nem a apagar a luz e Emma já havia apagado. Meu sono esta longe. Meus pensamentos fervilhando. Pensava nas férias, em passar trinta dias em um lugar diferente com Henry e Emma, longe de toda a história que havia acontecido, longe de tudo, mesmo. Ouvi a porta se mexendo, demorei a focar a visão em Henry, com os cabelos bagunçados e a cobertinha pendurada em torno de si.
— Posso? – Perguntou manhoso.
— Xi. – Coloquei a mão em meus lábios e apontei para Emma. Ele olhou confuso.
— Emma? – Perguntou deitando no meio de nós.
— Amanhã nós conversamos.. – Sussurrei dando um beijo em sua testa. Duas conversas adiadas.
Henry agarrou-se a Emma e puxou minha mão sobre seu corpo, todo encolhido. Um dos momentos mais lindos e calmos em minha vida, desliguei o abajur com certa dificuldade, o ouvindo resmungar, abracei ele com jeitinho e apaguei com um sorriso bobo dançando, apesar de tudo.
Pela manha não encontrei nem Henry, nem Emma em minha cama. Mas ouvi perfeitamente os dois rindo em algum cômodo da casa. Calcei os chinelos e sai. Ela estava com ele em suas costas, como dois bichinhos estavam na televisão, ambos rindo exageradamente. Eu não teria conseguido tal coisa, após o ocorrido.
— Mãe! – Henry escorregou das costas, pulando em mim.
— Bom dia, amor. – O abracei.
— Emma disse que só ia ficar comigo, se eu risse o máximo que conseguisse. Isso não é chantagem? — Perguntou mexendo em meus cabelos, ainda com o rosto amassado.
— É sim, Henry! Não faça isso viu? Agora vai escovar os dentes. – O desci de meu colo, empurrando em direção ao banheiro.
— Eu disse que ela ficaria brava! – Falou, puxando o braço de Emma, com cara de dó.
— Vai lá garotão. – Emma deu um beijo entre seus cabelos. – Bom dia. – Sorriu para mim, vendo-o andar até o banheiro.
— Bom dia.. – Sussurrei a abraçando.
— Vou terminar de arrumar algumas coisas em casa e nós saímos, tudo bem? – Disse, com os dedos deslizando em meus cabelos, me causando arrepios.
— Tudo bem. – Disse, mas não a soltei.
— Qualquer coisa, me chama. – Enfatizou e saiu.
Eu permaneci estática olhando para a porta, mordendo os, lábios, pensando por onde começaríamos. Henry foi quem me tirou dos pensamentos, me puxando para a cozinha. Ele quis fazer coockies para levar a Emma. Acredito que compartilhávamos de um mesmo medo em relação a ela: o da perda.
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