A Babá.

25 Capítulo 25


POV REGINA

Nada descreve melhor o que eu senti ao ver Henry e Emma indo em direção a um carro que não parecia estar sem pressa. Meu coração foi parar na boca, mesmo se eu corresse não os alcançaria, mesmo se tivesse um grande poder, alguém iria sair ferido. Eu gritei por Henry, como se minha garganta fosse rasgar, alguém me segurou com forças, me debati querendo correr enquanto via a cena se desencadear a minha frente.

Emma correu até ele de um lado e Robin de outro. Queria fechar os olhos mais os arregalei e soltei o ar ao ver Emma avançar com o braço e puxar Henry para trás, caindo no chão com ele, no mesmo momento em que Robin havia corrido. O grito de Henry soou mais alto que o meu, soou forte, sôfrego.

— PAI! – Assim como o garoto saiu da barra da saia de sua mãe que estava ao longe e correu. O corpo de Robin foi lançado a alguns metros e o carro seguiu o percurso sem parar. As mãos que seguraram meu braço com força os soltaram e corri até Emma que ainda segurava Henry em seu colo, em lágrimas. Ele pulou em meu colo, tremendo, soluçando, chorando copiosamente. O apertei sentindo meu coração se acalmar parcialmente, o maior alivio da minha vida foi tê-lo ali se agarrando a mim. Se eu o perdesse não saberia como seguir, nunca seria capaz de viver sem meu pequeno.

A sirene de ambulâncias soaram altas, nos tirando de nossa bolha. Abri os olhos e vi Emma sentada no chão, com o rosto banhado em lágrimas, olhando em direção ao corpo de Robin que estava sendo pego pelos enfermeiros. Não soube decifrar sua expressão. Desci Henry de meus braços e ele voltou até ela, sentando entre suas pernas, sussurrando pai de modo inaudível. Virei-me vendo sua mulher subindo na ambulância, com a outra criança chorando desesperadamente. Possivelmente mais apegada a ele que Henry.

Abaixei-me e abracei os dois, deixando uma lágrima escapar enquanto a ambulância ia embora, assim como os policiais respeitaram e se foram. A única que ficou junto ao carro foi Ingrid que chamou Henry para junto de si. Levantamo-nos e abracei Emma, me apertei a ela o máximo que pude. Suas mãos passaram por minhas costas me trazendo contra si com tamanha força que me faltou o ar.

— Eu achei que não daria tempo, precisava salvá-lo.. Mas não queria que Robin, ele não pode morrer. Henry.. – Suas palavras saiam sem nexo. Afaguei seus cabelos e fiz “xi” para que parasse.

— Eu amo você, obrigada pro salvar meu filho, Emma.. Obrigada por se salvar. Obrigada. – Sussurrei tomando seus lábios sem me importar se alguém nos visse ou mesmo Henry, pois eu lidaria com ele em relação a isso. Seus lábios buscaram os meus com extrema urgência. – Tudo bem.. – Beije seu rosto a afastando um pouquinho, vamos para casa. Depois vamos ver sobre Robin.

Fomos até Ingrid que estava conversando com Henry, o distraindo. Ele entrou no carro assim que desliguei o alarme. Ela apertou o ombro de Emma assentindo e suspirando.

— Regina escolheu bem mesmo, né? – Brincou, só ela mesmo para brincar nessas horas. – Fico feliz que estejam bem. Lamento por Robin.

— Ele vai ficar bem? — Emma perguntou tomando a frente.

— Não. – Ingrid respondeu firmemente. – Com sinceridade. – Olhou para ver se Henry estava olhando. – Só um milagre.

Não falamos mais nada. Emma foi ao banco de trás com Henry deitado em seu colo, perguntando se seu pai ficaria bem. Dirigi mais devagar, com calma, sabia que Emma estava brava por eu ter saído sem avisá-la e em algum momento essa conversa viria a tona. Por mais que tentasse ignorar, eu estava preocupada com Robin e como Henry lidaria com o pior, caso viesse a acontecer. Ao chegar demos banho em Henry e Emma me deixou fazê-lo dormir sozinha. Conversei com ele por um tempinho, até seus olhos pesarem. Ele ainda estava assustado, primeiro por ter ficado trancado no quarto, depois pelo acidente que presenciou tão de perto. Afaguei seus cabelos até que estivesse em um sono profundo e já respirava com normalidade. Soltei todo o ar de dentro de mim e vi Emma na sacada que tem em minha casa.

— Ei. – A chamei, porém ela não se virou. Pela respiração, sabia o que estava fazendo. – Porque o choro? – Um nó se fechou em minha garganta quando a vi vermelha.

— Por tudo. Por eu ter me desesperado quando vi o bilhete, por não entender porque raios você não me chamou. Por ter perdido a esperança em algum momento enquanto corria para pegar Henry. Por Robin. Por tudo. Você só precisava ter dado alguns passos e me chamado, senti-me como se fosse inútil, sabe? – Soltou de uma vez, fazendo meus olhos lacrimejarem, levantei a cabeça buscando ar.

— Eu não pensei. Só sai. Só precisava ter meu filho em meus braços. Só precisava tê-lo em minha vista. – Respondi com sinceridade, olhando para frente, sentindo o vento bater em meu rosto. – Eu não consegui raciocinar, agi por impulso, mecanicamente, emocionalmente. Desculpa, eu.. – Desatei a falar, tentando me explicar.

— Para. – Ela me cortou. Foi um tiro ouvir isso. Emma não era assim, ela sempre escutava. – Não importa, não é mesmo? Já aconteceu. – Deu de ombros, buscando ar, secando as lágrimas. Deu quase tudo certo. E Henry está sob seus olhos novamente. – Seu olhar encontrou o meu, me tranquilizando.

Levantou o braço, me convidando a entrar ali em seu abraço. Fui sem enrolar. Encostei a cabeça nela, passando meus braços em torno de sua cintura. Deu um beijo em meio a meus cabelos, encostando a cabeça ali – sou tão baixinha — enquanto estávamos ali pensei em como seria dali para frente. Eu havia pensando em tudo antes, mas naquele momento tudo mudou, de modo grandioso, drástico.

Meu celular vibrou em meu bolso. A chamada era de um numero desconhecido. Atendi, sem me soltar de Emma, a voz do outro lado não precisou dizer muito, pelo desespero e lamentação que vieram desenfreadamente. Noticias de Robin. Não pude conter a lágrima, nem precisei dizer algo a Emma, meu pai costumava dizer que a vida cobra as coisas que a gente faz na terra e o fim muitas vezes, é nossa forma de se redimir com nós mesmos, com os demais e com tudo aquilo que acreditamos. Não sabia como contaria a Henry, como ele reagiria e lidaria com isso ao passar do tempo.