A Babá.

24 Capítulo 24


POV EMMA

Permaneci acordada por horas, meus olhos começaram a pesar demais e cochilei. Regina mexia-se em meus braços, fazendo-me acordar assustada. Foi assim até as 8, quando o telefone tocou e ela quase pulou do sofá para atender. Meu coração disparou pensando que poderia ser Henry, mas sua expressão não me animou. Colocou o telefone no gancho, encostando o corpo a parede suspirando.

— Era engano. – Sussurrou.

— Droga. – Falei a mim mesma indo até ela.

— Eu não aguento isso, Emma.. – Tentou falhar, com a voz falhando, se jogando em meus braços.

— Vamos encontra-lo, não perca as esperanças.. – Sussurrei, dando um beijo entre seus cabelos.

— Vou tomar um banho, me espera? – Perguntou, me olhando com os olhos pequenos, a expressão cansada.

— Vou em casa rapidinho e á volto. – Respondi, dando um beijo suave em seus lábios.

Soltei e segui até minha casa. Meus pensamentos estavam em Henry, não saber nada é desesperador e ter que estar calma perto de Regina é complicado. Assim que fechei a porta de minha casa, encostei ali deixando algumas lágrimas descerem, pois mesmo Robin sendo pai, meu medo era que ele maltratasse o garoto, caso ele quisesse vir embora.

Assim como Regina, tomei um banho, deixei a água cair livremente sobre mim, tencionando que retirasse todo aquele cansaço e sensação ruim que estava. Foi realmente um banho de gato, não levou nem dez minutos. Tomei um remédio para dor de cabeça, coloquei uma blusa de manga longa, calça e fui até a cozinha tomar um comprimido para dor de cabeça.

Assustei-me ao ouvir pneu cantando na rua. Olhei pela janela e Regina havia saído com o carro, em alta velocidade. Sai correndo de casa, vendo o carro sumir da minha vista e a porta de sua casa aberta.

“Henry me ligou” – Estava escrito em um mapa sobre sua mesa de centro da sala, com um local circulado. Meu coração foi na boca, ela deveria ter me chamado! Liguei para Ingrid e pedi que ela avisasse a policia sobre o lugar, isso poderia ser perigoso e Regina poderia cometer alguma burrice.

Esperei impaciente Ingrid chegar, tentei ligar inúmeras vezes para o celular de Regina, mas tocava tocava até cair na caixa postal. Tranquei minha casa e fechei a sua, esperando já na rua, andando de um lado para o outro, repetindo inúmeras vezes “toca telefone”, como se fosse funcionar. Mas era o que eu tinha para o momento.

— Regina é louca desde que eu a conheço! – Ingrid disse, abrindo a porta do carro.

— Ela deveria ter me chamado. – Respondi, deixando clara minha chateação.

— Dê um desconto a ela, o filho é tudo que ela tem. – Falou, seguindo ao endereço que eu havia dado.

— Eu sei, mas ela esta de cabeça quente. – Finalizei o assunto.

Longos minutos até chegar lá. Era uma rua extensa, com casas grandes de um lado e comércio do outro. A policia estava dos dois lados e avistei o carro de Regina a alguns metros. Ela estava olhando para ambos os lados, parecia perdida. Desci correndo do carro.

— Regina.. – A chamei, vendo sua expressão fechada, o rosto banhado em lágrimas.

— Emma.. Desculpa não ter te chamado.. – Ela sussurrou, me olhando. Desviei o olhar.

— O que ele disse? – Perguntei, vendo que o endereço circulado, não apontava o número.

— Que ele via um hambúrguer da janela da casa que esta e que Robin não deixa sair do quarto, porque não para de chorar. E que era na rua onde compramos seu avião, é essa tenho certeza. – Regina disse com certo esforço.

Virei-me procurando um hambúrguer em algum daqueles comércios, mas não havia nada. Pessoas nos olhavam, andei por toda a rua e definitivamente não havia um hambúrguer ali. Fiquei frustrada, Regina se irritou do outro lado com um dos policiais, Ingrid teve que contê-la. Andei pela calçada das casas, procurando por Robin, ou a mulher e a criança dele. Mas estava tudo vazio, havia cachorros presos em algumas, mas a maioria era sem portões e tinha grama.

Andei olhando para frente e não vi uma pedra, tropecei caindo de bunda o chão. Um policial me ajudou a levantar, ao me puxar olhei para cima, vendo um hambúrguer, que é de uma lanchonete que fica no centro da cidade, ele está no alto, exatamente para chamar a atenção.

— É aqui! – Falei, chamando a atenção de todos.

Regina correu até mim, com intenção de entrar, porém segurei seu braço.

— Não, vamos fazer isso direito. – Falei.

— Me solta, Emma! – Esbravejou, contudo ignorei, envolvendo meus braços em torno dela, a prendendo ali, até parar de tentar.

Os policiais contornaram a casa, a pedido de Ingrid tentariam que os atendessem. Apertou a campainha. Quem atendeu foi à mulher de Robin. Ao ver os policiais, ela tentou fechar a porta, mas a mão de um deles a impediu.

— Robin! – Gritou, chamando. Uma criança saiu, abraçando sua perna.

— Fiquem do outro lado da rua. – Um policial nos instruiu. Antes que Regina ousasse se desvencilhar, peguei sua mão, seguindo até o carro que estava do outro lado. Pessoas pararam ao nosso lado, curiosas para saberem o que estava havendo.

— Entrem! – Um policial gritou. Henry poderia estar em qualquer lugar.

Fiquei com medo de acontecer o pior com o garoto, Regina nunca iria superar. Minha mão tremia segurando a sua, ela desistiu de sair e colou em mim, com a cabeça em meu ombro, lágrimas descendo, os pés batendo no chão em sinal de nervoso.

— O menino fugiu daqui! – Ouvimos a voz de Robin, ao ser trazido para fora, com um policial. Regina tomou postura, se chegasse perto dele, sei que o mataria com as próprias mãos. Mas se Henry havia fugido, a situação era pior do que esperávamos.

— Eu o peguei no telefone, ele passou pelas minhas pernas e correu, derrubando Marian.- Ele explicou, com a expressão preocupada.

— EMMA! – Ouvi a voz final De Henry a alguns metros de distancia, próximo a arbustos de uma casa.

— Henry! – Falei indo em sua direção, ele correu, mas estava vindo um carro.

— Henry não! – Robin gritou correndo em direção ao garoto também. Meu coração quase saiu. Corri o máximo que consegui, com medo de não dar tempo, ele estava sorrindo correndo, não consegui pensar em nada.

— Henry, olha o carro!