A Babá.
23 Capítulo 23
POV EMMA
Eu tive um dia maravilhoso com Regina e era para a noite ser divertida. Porém tudo me escapou das mãos ao ver aquele lugar vazio. Regina perdeu a cor em minha frente, a puxei para meus braços com medo que ela caísse. Não sei qual desespero foi maior, o meu ou o dela. Robin não era confiável, não sei por que Regina havia permitido que Henry ficasse com ele.
Rodeamos a casa, olhando por todas as janelas e não havia absolutamente nada. Regina estava nitidamente tremendo, sua mão apertava a minha. Ao voltarmos a porta da frente, ela deu um soco na porta, que não sabia que queria abrir ou apenas expressar seu nervoso no momento. A força foi tanta que seu ao abaixar a mão puder o sangue descer, fez um machucado em cada dedo.
— Não é assim que vamos resolver alguma coisa! – Falei, pegando sua mão, que ela puxou rapidamente.
— É meu filho, Emma! – Ela gritou, com lágrimas descendo livremente.
— Não sei como foi confiar em Robin, Regina, droga. – Falei passando as mãos nos cabelos, virando e me distanciando.
— Eu não sei por que confiei nele! – Ela ainda gritava. – Talvez porque ele é o pai e Henry é apegado a ele. Mas eu preciso do meu filho! – Sua voz foi diminuindo, falhando. Virei-me para ela, pensando que gritar também não iria resolver.
Aproximei-me a puxando para meus braços, abraçando. Seu corpo se encolheu, suas lágrimas molhavam minha blusa e também não consegui, algumas me escaparam, eles poderiam estar em qualquer lugar, visto que dinheiro não é problema para Robin. Regina estava respirando pesadamente, seus braços m contornando, ela me apertava.
— Vamos procurar Ingrid. – Falei, dando um beijo entre seus cabelos.
— Juro que quando vê-lo, vou matar aquele... – Respirou fundo.
— Matar não, porque eu não quero ter que te visitar na cadeia, mas ele com certeza vai para lá. – Sussurrei, andando com ela até o carro.
Entramos no carro e ela me indicou onde havia uma faixa, remédio de machucado, coisas que ela carregava por causa de Henry. Limpei sua mão, a ouvindo resmungar igual a uma criança, não coloquei a faixa, pedi que tivesse cuidado. Saímos e enquanto eu dirigi, Regina ligou para Ingrid. A conversa estava longe de ser amigável.
— Ingrid, cinco minutos e encostamo-nos a sua casa. – Falou, com o celular no viva-voz.
— Mas, não! – Ela disse e não pude deixar de notar sua respiração estranha. Prefiro não pensar no que interrompemos.
— Estou te avisando, Ingrid. Apenas abra a porta, ou vai comprar uma nova. – Falou e desligou.
Ela me instruiu ao caminho certo, quando nos aproximamos do centro da cidade. A casa de Ingrid é por ali, estacionei na frente, vendo Regina quase pular do carro e correr. Apertou a campainha repetidas vezes, até Ingrid aparecer, com um hobby preto e a expressão péssima.
— Eu te odeio por isso. – Falou a Regina. – Odeio as duas.
— Robin sumiu com Henry. – Regina despejou sobre ela. Passei a mão em sua cintura, a trazendo para perto.
— O que? – Ela perguntou piscando algumas vezes.
— Henry ficou com ele esse final de semana. Fomos buscá-lo, porque estava demorando e não há nada na casa de Robin, apenas poeira. – Expliquei, com Regina inquieta em meus braços.
— Nada! Eu vou matar o Robin Ingrid, eu estava tentando facilitar. – Ela sussurrou, novamente em lágrimas.
— Na pior das hipóteses, isso caracteriza sequestro e na melhor, ele abusou do direito que tem de fica com o filho. – Ingrid disse, nos chamando para dentro.
Eu vi uma mulher nos olhando, de uma porta que havia no corredor, porém não comentei. Ela trouxe água para Regina, as mãos delas tremiam de um jeito que chegava a incomodar. Ouvimos uma longa explicação sobre como proceder daquele momento em diante, ficar esperta com celular ou telefone de casa, pois se fosse sequestro Robin poderia ligar ou mesmo Henry poderia dar um jeito, visto que é uma criança esperta.
— E antes de mais nada, quando encontra-lo, não vá para cima de Robin, isso pode te causar problemas. Não sei se lembra da sua ex-secretária, tive trabalho para abafar essa história. – Ingrid enfatizou.
— Como vamos acha-lo? Por onde vamos começar? Droga, tem um mundo a nossa frente! – Regina se levantou, andando de um lado para o outro. Eu estava tentando me manter calma, para não piorar a situação.
— Vamos acionar a policia, eles chegam cartões, aeroportos, rodoviárias, compras no débito. Tenho muitos contatos, vamos acha-lo, Regina. – Ela foi firme. Ra a única coisa para se agarrar no momento. – Vamos lá agora e depois vão para casa, se acalmem e fiquem ligadas no celular.
Segui até a delegacia, Ingrid foi em seu carro. Bem atrás de nós, queria me desculpar com a moça que estava lá, por termos atrapalhado o momento delas. Regina foi o caminho inteiro ligando e desligando a tela do celular. Em um momento, eu busquei sua mão apertando rapidamente, a lembrando que eu estava ali, bem a seu lado.
Na delegacia demorou um pouco. Eles não queriam registrar a queixa de inicio, pelo tempo que deveria ser maior, contudo Ingrid sumiu lá dentro e voltou com tudo certo. Às vezes eu tinha medo de descobrir qual era o método dela para conseguir as coisas. Apesar de ser uma profissional excelente, ela tem uma cara de quem não presta, aliás, ela tem um pisca alerta na testa com os dizeres “Não presto muito”.
A noite ganhou o dia, em casa preparei algo para Regina comer, pois ela estava perdendo a cor. Foi um sacrifício fazê-la comer e um sacrifício maior ainda, permanecer calma para não deixa-la mais nervosa. Por dentro eu estava me corroendo de preocupação, Regina queria matar Robin, eu queria cortá-lo e das para os porcos.
Peguei o celular de sua mão, colocando ao lado do meu e a puxei para meu colo no sofá.
— Vamos acha-lo e vai ficar tudo bem. – Sussurrei em seu ouvido, tentando me convencer disso.
— Eu preciso dele.. – Sua voz saiu num fio, suas pernas se encolheram, enquanto ela se virava, me abraçando, afundando a cabeça em mim.
— Eu preciso de vocês.. – Dei um beijo em meio a seus cabelos. – Henry é esperto, eu sei que ele vai se tocar e ligar.
— E se ele não quiser? Robin é mais atencioso. – Quando ouvi essas palavras, meu coração doeu.
— Ele te ama. Eu tenho certeza que entre Robin e você, ele ficaria com você. Não pensa assim, não é assim. – Respondi, ganhando seu silêncio em resposta. Demorou, mas ela foi se acalmando e dormiu. A medida que as horas passavam, eu me preocupava mais, meia noite, uma, duas da manha.
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