A Babá.

22 Capítulo 22


POV REGINA

Acordei com minha cabeça pesando uma tonelada, os olhos ardendo com a claridade entrando no quarto e meus braços em torno de Emma, que dormia tranquilamente. Os acontecimentos da noite passada vieram em minha mente e ao lembrar-se da antiga secretária eu realmente ri, contudo em algum momento Ingrid iria me chamar a atenção, virei-me na cama, olhando para o teto.

— Rindo a essa hora? – Emma sussurrou, nem havia notado que me olhava.

— Lembrando-me da noite passada. – Sussurrei, abraçando-me nela, com a cabeça na região de seu peito.

— Muito feio o que você fez. – Emma disse e sua voz a denunciou que estava sorrindo, seus dedos faziam um carinho gostoso em minha cabeça.

— Muito mesmo. – Respondi debochada. – Ela mereceu, existe uma pessoa que eu odeio no mundo e essa pessoa é ela.

— Mereceu.. – Sussurrou. – Quero ver Henry.

— Robin tem que trazer ele, umas 16 horas. – Respondi e virei, a beijando.

Emma sorriu, tomando meus lábios, mordiscando levemente. Permanecemos ali por muito tempo, exatamente assim, sem conversas pesadas ou clima tenso. Em minha mente eu nos visualizava indo ao parque novamente, com Henry, com mais liberdade e intimidade. A carregando para os jantares chatos da prefeitura e da Câmara. Ela com Henry novamente sendo dois bobões rindo pela casa.

Lembrei-me de Emma dizer que a missão dela era me unir a meu filho, ela conseguiu e talvez ter se afastado tenha sido correto. O fato de não ter desistido me fez acreditar mais nas pessoas, ou nela, que seja. Qualquer um seu lugar teria jogado tudo para o ar, mas ela voltou e ainda me ajudou.

— Um beijo por seus pensamentos? – Sussurrou, tocando os lábios nos meus, havia me perdido em meus devaneios.

— Só isso? – Joguei para o lado, fazendo bico.

— Quantos você quiser! – Ela disse, sentando em meu quadril, sorrindo.

— Estava pensando nos momentos que vamos ter. – Levantei a mão, fazendo carinho em seu rosto. Ela tem um sorriso lindo, os cabelos estavam, caídos de um lado só.

— Vamos ter muitos e muitos. Henry vai ser a criança mais feliz da escola, porque vai ter eu, para animá-lo e você para enchê-lo de carinho, vocês ainda tem tanto a viver um com o outro.. – Ela falou baixo, o olhar para frente, longe..

— Nós, Emma. Nós temos muito a viver com ele. – Enfatizei.

— Vamos a minha casa? Podemos fazer comida lá, para estrear! – Emma saiu de cima de mim, se levantando animada.

— Vamos. – Custei levantar, lembrei-me de tudo da noite passada, menos quando havia trocado de roupa. Estava com um pijama que jamais usaria na vida, cheio de bichinhos coloridos.

— Você parece uma criança com esse cabelo bagunçado, esse pijama lindo que é meu e essa carinha de ontem, amassada. – Emma debochou e joguei o travesseiro nela. – Brava então, parece uma criança marrenta. Abraçou-me assim que coloquei os pés no chão, caindo comigo na cama novamente, rindo bobamente.

— Eu né? Que pareço uma criança.. – Sussurrei, com seu rosto próximo ao meu.

— Você sim! – Deu-me um beijo e levantou-se.

Saiu dizendo que ia fazer café. Fui ao banheiro e transformei-me na adulta séria que eu sou. Enrolei longos minutos no banheiro. Quando sai o cheiro forte de café estava em todo lugar, meus olhos se arregalaram ao ver Emma sentada no tapete da sala, com uma xícara de café, retirando um monte de brinquedos de uma mala que eu não havia visto que ela tinha trazido.

— Você está pensando que tenho quantos filhos? – Pigarrei atrás dela.

— Um, o Henry. Brinquedo nunca é demais! Quando ele não quiser mais, nós doamos. – Ela falou em uma inocência e tranquilidade que eu simplesmente não consegui sequer contestar ou falar algo.

Peguei café para mim e sentei-me no sofá, ela me mostrou um a um, dizendo por que o Henry gostaria. Ela ainda o conhecia mais que eu. Alguns eram até educativos. Mas o melhor era o animo, não era nada forçado. Digo, ter uma pessoa comigo que ama meu filho como seu, é mais do que eu poderia pedir.

— Parece que você não está na terra hoje. – A ouvi dizer e sai do meu transe.

— Estou feliz demais, talvez não esteja aqui mesmo. – Respondi, dando um meio sorriso.

— Tenho algo para você, também. – Levantou, pegando dentro da mala que eu havia visto.

Entregou-me a caixinha preta, a abri com cuidado. Dentro havia uma pulseira de pandora prata. Tão delicada.

— Só tem um pingente, que é esse coração aqui. – Ela disse, o pegando no canto da caixinha. No coração havia gravado as iniciais de nossos nomes. – E os outros nós compramos em cada um dos lugares que visitarmos e não serão poucos.

— Obrigada. – Respondi, passando meu dedo sobre ela. Droga, meus olhos marejaram, isso não estava certo. – Obrigada mesmo.

Ela colocou em meu braço e puxou-me, abraçando minha cintura.

— Só comprei para não ficar brava com os brinquedos. – Piscou para mim.

— Eu sabia desde o inicio. – Respondi apertando os olhos.

— Vem. – Puxou-me em direção a porta. – Vou te mostrar onde aluguei a casa.

— Mas preciso da chave do carro. – Custei a fazê-la parar antes de sair de casa.

— Não precisa. – Respondeu saindo. – Porque somos vizinhas. Mas..

Pegou minha mão e puxou-me novamente até a entrada da casa, visto que não havia um muro que as separavam. Não estava acreditando, até ela abrir a porta, mostrando a mobília que estava em sua antiga casa. Pensei que todos os dias teriam uma surpresa nova e estava certa, nunca sabia o que esperar dela.

— Eu queria estar perto.. E quando ligava na imobiliária, dei a referencia de endereço, essa foi a primeira que me disse. Pensei “isso é um sinal”, se a outra aparecer, vou ver. – Revirou os olhos e riu. Estava tão engraçadinha.

— Vou manda-la entrar pela porta dos fundos. – Sussurrei em seu ouvido e segui para a cozinha.

— Droga. – A ouvi resmungar sozinha.

A ideia de fazer almoço fluiu bem, fora a parte que quase deixei queimar dando trela as suas bobices de cinco em cinco minutos. Quando a via como uma criança, entendia porque de ter escolhido pedagogia, nem uma criança, nem um adulto é capaz de resistir a aquele sorriso. Almoçamos conversando sobre a escola onde eu conseguiria uma vaga, ela gosta do que faz e isso é o mais importante.

À tarde a ajudei a arrumar suas roupas e pertences no lugar. Teve uma caixa que ela não me deixou chegar perto. Quase caiu da cadeira ao ver-me pegar. Minha curiosidade apitou, gritou na verdade. Insisti sem sucesso, ela colocou em cima do guarda roupa. Golpe baixo, só porque eu não alcançaria nunca.

As horas passaram e estava de olho no relógio, 16, 17, 18 e perdi a paciência esperando Robin. Andei pela sala de um lado para o outro, enquanto Emma tomava banho. Tentei ligar, porém deu caixa postal.

— Vamos a casa dele. – Assustou-me aparecendo na sala.

Assenti e saímos, peguei minhas chaves em casa e Emma dirigiu. Eu iria matar Robin, na primeira chance ele faz isso, não é assim que as coisas funcionam. Chegamos em alguns minutos que considerei eternos. As casas aqui em sua maioria são sem muros, com arbustos separando uma da outra e às vezes nem isso. Nós chamamos da calçada, mas o carro não estava lá.

— Vem. – Emma pegou minha mão e passamos pela graça, em direção à janela.

Quando vi, minhas pernas fraquejaram, meu coração foi na boca. As mãos de Emma seguraram firme em minha cintura. Da janela víamos uma sala vazia, sem nenhum móvel, sem nada.

Notas finais
Quem quer matar o Robin primeiro?