A Babá.

20 Capítulo 20


POV REGINA

Os dias passaram estranhos. Mesmo trocando mensagens com Emma constantemente, eu estava com um medo tremendo de ela não voltar ou mudar de ideia. Medo de sua mãe lhe dizer coisas, que na certa seriam verdades. Nesse tempo eu contratei uma nova secretária, li o abecedário para a moça já no primeiro dia, enfatizando a importância de Emma e Henry.

Também com muito custo, sentamos eu, Robin, Ingrid e o advogado de meu ex-marido, ara acertarmos sobre quando Henry ficaria com ele. O principal ponto da conversa, foi sobre como Henry se sentiria lá. Faríamos um teste, ele na casa deles, por um final de semana e Robin o traria imediatamente, caso ele estranhasse. Também aceitei que ele pudesse levar o garoto aos lugares em dias aleatórios.

Toda vez que o via com aquela mulher sentia um nó na garganta, não por ciúmes é só aquele sentimento de não ter sido suficiente.

Outro problema foi com quem deixar Henry. Quando ia a prefeitura, ficava pouco e o levava comigo. Robin quis ficar com ele, mas pedi que aguardasse até o final de semana. Durante a semana, levei meu filho para comprar mais brinquedos. Ele exagerou, em cada canto da casa eu vi um perdido. Sempre fui louca por organização. Mas contive-me nas repreensões.

Busquei acertar exatamente tudo antes que Emma voltasse, mesmo sem saber quando seria esse dia, já que ela nunca me falava sobre isso. Cheguei a ver até locais para ela morar, se quisesse e trabalhar. Queria que se sentisse segura mesmo.

O final de semana veio e logo cedo Henry estava me chamando.

— Mãe!!! – Gritou me assustando. – O papai está ai! – Vê-lo animado deixou-me um pouco mais aliviada.

— Henry, vá lá e diga que já vou. – Falei, sentando na cama, recebendo um beijo na bochecha.

Levantei-me, escovei os dentes, olhei no espelho e ri dos meus cabelos bagunçados. Arrumei-me e sai, vendo Henry sentado no colo do pai, mostrando um boneco que havia pegado na casa de Emma a tempos atrás.

— Já sabe né? – Falei, ganhando atenção dos dois.

— Bom dia, Regina. Não se preocupe. Vamos nos divertir né, garotão? – Falou olhando para ele. – Vai esperar lá fora. – Deu um tapinha nas costas de Henry.

— Tchau mãe, te amo! – Henry abraçou-me e saiu.

— Robin.. Não abuse da minha boa vontade, se fizer ou disse qualquer coisa a ele, eu te proíbo de chegar perto dele. – Fui firme nas palavras.

— Aproveite o final de semana com sua namoradinha. – Falou ignorando minhas palavras, revirando os olhos.

— Da minha vida eu cuido, querido. – Devolvi no mesmo tom. Antes ela estivesse ali para eu aproveitar.

Ele saiu e revirei os olhos batendo a porta. Sábado, sem nada para fazer, sem Henry e sem Emma. Sentei no sofá, discando e apagando seu numero repetidas vezes, até tomar coragem de ligar. Tocou várias e várias vezes e nada.

— Droga. – Joguei o celular no sofá e tomei café, lendo as noticias do jornal.

Fiquei quase uma hora ali, lendo, relendo, tomando café, muito café. O tempo virou e ouvi o barulho da chuva forte bater no telhado. Estava entediada. Arrumei a casa, assisti um capítulo aleatório de uma série aleatória e por fim, fui cozinhar.

Fiz comida para mim, almoçar e jantar. Fiz pudim e torta. Só para não ficar parada. Olhei para o celular e vi a tela do celular ligada. Havia até me esquecido dele. E estava no silencioso. 10 chamadas perdidas de Emma. A primeira coisa que pensei, foi que havia acontecido alguma coisa. Minhas mãos até tremeram.

Liguei de volta, chamou, chamou, chamou quando pensei em desligar, ele atendeu.

— Oi! – Falou, com um tom normal.

— Aconteceu algo? – Perguntei, expondo minha preocupação.

— Aconteceu... – A voz soou longe, deu até um arrepio.

— O que? Emma? – Perguntei ouvindo o “tu tu tu”. Droga!

A campainha tocou e pigarreei sozinha, tentando ligar novamente. Abri a porta com o celular no ouvido.

— Oi. – Ela estava ali, sorrindo, com uma jaqueta vermelha, calça jeans, uma mala em mãos. Meu coração quase saiu pela boca.

— Emma! – Falei ao vê-la pular sobre mim me abraçando.

— Que saudade! – Falou me olhando, dando beijos por todo meu rosto.

— Você voltou.. – Falei com a voz falha, os olhos marejando.

— Sempre! Tentei avisar, mas você não atendeu. – Falou, pegando minha mão, entrelaçando nossos dedos. – Posso?

— Deve. – Falei entrando com ela. As malas permaneceram próximas a porta do lado de dentro e sentamos no sofá. Só sabia sorrir. – Pensei que tivesse acontecido algo, que você tivesse desisit.. – Tentei mas fui cortada.

Emma avançou sobre mim, com as mãos em meus cabelos beijando-me, impedindo-me de dizer qualquer coisa. Que saudade. Escorreguei o corpo pelo sofá, ela se ajeitou sobre meu corpo, mordendo meus lábios e sorrindo.

— Eu amo você, Regina! – Falou sorrindo, me surpreendendo. – E o Henry também. Demorei a voltar, mas não teve um dia em que eu não pensasse em você, minha mãe estava ficando louca! Eu acho que não disse isso quando você disse, então saiba, lembre-se, guarde isso para sempre. Eu te amo!

Lágrimas desceram pelo cantos dos meus olhos. E novamente não permitiu que eu dissesse nada, tomou meus lábios beijando, mordendo buscando minha língua. Tão intensa.. Suas mãos estavam em minhas costas, embaixo de minha blusa, deslizando, quentes.

— Henry? – Perguntou, olhando ao redor.

— Com Robin.. Longa história. – Falei, a olhando, tão próxima que conseguia sentir sua respiração.

Ela sorriu travessa. Levantou-se e estendeu a mão. Palavras não eram necessárias. Segurei sua mão e antes mesmo de chegarmos ao quarto, ela parou-me, encostando-me à parede. Seus dedos passeavam por meu rosto, levemente. Sorrindo boba.

— Para você saber.. Eu vou ficar em um apartamento, você pode arrumar um serviço e de preferencia por Henry na escola onde eu estiver.. – Sussurrou, com as mãos ainda em minhas costas, levantando minha blusa e descendo.

— Certo.. – Sussurrei com a voz falha, ao sentir seus lábios colarem em meu pescoço, distribuindo beijos.

A puxei para dentro do quarto, fechando a porta atrás de mim. Ela sorriu o tempo todo, mordendo os lábios, desfazendo-se de todas as roupas que nos cobriam, expondo cada parte de nós. Mas mais que físico, eu me sentia exposta de todas as formas a ela, sem restrição alguma e agora, sem medo algum. Emma tomou-me com carinho, mas com pressa, movimentos precisos, beijos por todo o corpo. Peguei-me gemendo alto por seu nome, pedindo mais e mais. Seu corpo permanecia colado ao meu quente, roçando, me provocando, me ganhando. Uma mão apertava meu cabelo, enquanto os lábios perdiam-se nos meus e a outra enfiava os dedos dentro de mim, movimentos rápidos que fizeram-me alcançar o ápice de modo escandaloso.

— Mais? – Emma perguntou, sentando sobre meu quadril, com aquele sorriso que me desmonta.

— Eu mando agora. – Respondi invertendo as posições. Jeito maravilhoso de matar a saudade.

Notas finais
Avisinho, dica de ouro: não se enganem com o Robin.