A Babá.
2 Capítulo 2
POV EMMA
Acordei cedo na manhã seguinte, tomei banho, preparei café, tomei um pouco e sai. O céu estava limpo, o dia seria quente. Prefiro mil vezes o frio.
Cheguei na casa de Regina e encontrei um bilhete, fincado no gancho onde ela colocou a bolsa no dia anterior.
"Cuidado com ele em sua casa. Não o encha de doces. Traga-o antes das cinco. Regina Mills"
Entrei e fiquei cerca de meia hora na sala vendo jornal. Até escuta-lo pigarreando. Acho que aquela coberta era algo que ele sempre carregava.
– Bom dia garotao. — Falei o chamando. Ele veio até mim e deitou em meu colo. Nem parecia o mesmo de antes.
– O que vamos fazer? — Perguntei brincando com meus cachos.
– Vou te levar a minha casa, tenho coisa legais lá. — Falei pensando se ele gostaria ou não. A resposta veio rápida, ele pulou do sofá animado.
– Sair de casa, minha mãe nunca tem tempo pra isso. — Meu coração doeu ao ouvir aquilo.
O arrumei, peguei uma troca de roupa e saímos. Ele andava de mãos dadas comigo e me perguntava o que era tudo, ô criança curiosa.
Quando chegamos em casa ele ficou tímido, entrou em passos curtos.
– Vem pequeno, só mora eu aqui, nem cachorro eu tenho. — Falei o pegando no colo. — Você é pesado, sabia?
– Sou grande, mas gosto de colo.. Só não tenho muito. — Que espécie de mãe era Regina?
O levei pra meu quarto e vi seus olhos brilharem quando viu minha cama. Os brinquedos, jogos, lego, tudo estava sobre ela.
– É seu? — Perguntou se sentando.
– É nosso. — Respondi.
Ele montou umas coisas desconexas com o lego e ficava todo animado me mostrando, quando cansou desse pegou a coleção de animais.
Eu estava na cozinha fazendo almoço quando ele apareceu com alguns na mão e sentou na mesa.
– Você sabe o nome deles? — Perguntei olhando as panelas.
– Leão, zebra, pato, rato. — Falou colocando um ao lado do outro. — Eu tenho um pijama de zebra, sabia? Foi meu pai quem deu. — Regina não havia mencionado sobre o pai. Fiquei em dúvida sobre perguntar ou não.
– Seu pai está onde? — Decidi arriscar.
– Com a minha avó, ela está doente e ele foi passar uns dias lá. — Ele respondeu tranquilamente.
– Hoje você vai comer panqueca. Gosta? — Perguntei colocando no prato.
– Não sei, nunca comi isso. — Como assim? Isso é impossível.
– Henry, nunca comeu panqueca? — Perguntei sentando ao seu lado.
– Minha mãe não deixa. — Falou olhando para comida.
– Experimenta. — Falei cortando e colocando em sua boca.
– É bom! — Ele disse pegando a colher. — É muito bom. — Ficou animado e começou a comer um tanto desesperado.
– Ok, come devagar. — Falei o advertindo e ele respirou parando.
– Não sei quando vou comer de novo. — Falou olhando para a comida.
– Em breve, prometo. — Falei e ele me deu o dedinho "firmando" a promessa. Ri e almoçamos em silêncio.
– Quer me ajudar com a louça? — Falei quando terminei de comer. Ele estava inquieto, porque terminou antes.
Lavei as colheres e ele secou e guardou, fiquei me perguntando quantas vezes ele ao menos sentou para assistir com a mãe dele.
Depois de brincar, e decidir que ia levar com ele um dinossauro que achou lá no bau, ele sentou entre minhas pernas para escrever.
– O que quer escrever? — Perguntei e ele ficou olhando o tempo e pensando.
– Quero escrever um bilhete pra minha mãe. — Falou e engoli seco.
– Diga. — Falei e ele sussurrou, acho que pensou que alguém poderia ouvir.
– Mamãe eu amo você e sinto sua falta. — Ele disse pausadamente, senti uma gotinha no canto dos olhos junto com o coração apertado.
Escrevi em letra de forma numa folha e ele escreveria na outra. Foram várias tentativas, ora ele esquecia da linha e escrevia fazendo uma montanha russa, ora ele escrevia cada uma de um tamanho. Segurei em sua mão fazendo as primeiras e enfim ele fez as demais, um tanto tremidas por conta da insegurança, mas estavam na linha e do mesmo tamanho.
– Quando chegar lá, você deixa no quarto dela. Fechado? — Falei rezando para Regina se sentir tocada e dar atenção ao garoto.
Ele dobrou com cuidado, e colocou no bolso da calça. Colocou um desenho aleatório na televisão e ele adormeceu encostado em mim.
Esperei dar alguns minutos para a cinco, o peguei no colo e segui até à casa deles. Henry despertou quando chegamos e ficou inquieto, porque deu cinco, seis, sete, oito horas e nada de Regina aparecer.
– Vamos tomar banho e vou contar uma história para você, tudo bem? — Falei e ele assentiu, triste.
Tomou banho e peguei um livro que havia trazido na bolsa. Ele deitou entre minhas pernas, pude sentir uma lágrima dele ali. Como proceder com essa criança?
Passei cerca de meia lendo, li pausadamente, tão concentrada que nem notei que alguém nos observava.
– Demorei muito? — Sua voz me tirou da leitura.
– Não tem problema. — Falei dando um meio sorriso. Ela estava com a expressão cansada, uma calça social, blusa e blazer. — Vou indo. — Falei me levantando.
– Eu te levo, está tarde. — Ela disse saindo do quarto.
– Vou a pé. É perto. — Falei já na porta.
– Mesmo assim, a não ser que seja minha vizinha, é perigoso. — Falou com as chaves na mão. — Henry não acorda e acorda, ele espera aqui.
Saímos e fomos o caminho inteiro em silêncio. Quando chegamos ela ficou olhando minha usada casa.
– É simples. — Falei sem jeito.
– Trouxe o Henry? — Perguntou ainda olhando.
– Sim. Preciso falar com você. — Falei nervosa.
– Vai desistir de olhá-lo? — Ela falou meio desesperada.
– Talvez você desista que eu o olhe. Ele sente sua falta e você precisa dar coisas de criança pra ele, não tem um brinquedo lá. — Falei segurando o ar enquanto a coragem permitia.
– Esta colocando em pauta como educo meu filho? — Ela falou arqueando a sobrancelha.
– Não. Mas.. A esquece. — Falei saindo sem dar chances dela responder.
Quando ela estava nos olhando, eu pensei que poderíamos conversar, ser amigas, ledo engano.
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