A Babá.

19 Capítulo 19


POV EMMA

Fui para casa com uma certeza em mente, eu voltaria. A Regina que ficou a primeira vez que fui embora e a Regina que me recebeu eram duas pessoas diferentes, dessa vez senti segurança em seu olhar, em suas palavras e atos. Por essa pessoa eu estava disposta a lutar. O pouco tempo que estive com ela e Henry fizeram meu coração se encher de luz e esperança novamente.

Minha mãe me esperou no aeroporto. Já esperava pela chuva de perguntas e temi que ela fosse totalmente contrária a isso. É querer demais que ela aceite Regina? Depois eu voltar como um bebê chorão para casa?

— Achei que você ficaria por lá! – Falou me abraçando.

— Queria.. Como queria, mãe. – Soltei as palavras com sinceridade.

Seguimos para casa em silêncio, o bom dela é que sempre respeitava os lugares, desde pequena a ouvi dizer que só se deve discutir ou conversar assuntos sérios, em casa. No caminho vi a escola onde eu tinha meu emprego, vi algumas das crianças brincando com a professora substituta e enfim vi minha casa. É sempre bom estar em casa.

— Agora quero saber tintin por tintin de porque vocês ter saído sem me dizer onde. – Falou se sentando. – Se bem que posso imaginar.

— Como? – Perguntei estranhando.

— Tenho meus contatos, soube que certa audiência aconteceria nesses dias. – Falou arqueando a sobrancelha.

— Ok. – Suspirei. – A advogada dela me procurou, me pedindo para ser testemunha, que as chances de Regina eram completamente nulas se não tivesse algo consistente, uma base forte.

— Você no caso.

— Sim, pois convivi com os dois, apesar do desleixo de Regina em algumas coisas, ela fazia tudo pelo garoto, tudinho. Merecia a guarda dele, Robin é um filho da mãe sem noção! Ele levou a mulher na casa de Regina, isso é coisa que se faça? – Falei indignada.

— Vocês conseguiram?

— Sim. Ela conseguiu. – Falei com os olhos marejados lembrando-me da audiência e de tudo após isso.

— E depois? – A pergunta veio certeira e firme.

— Eu ia vir embora, aquele dia mesmo. Mas ela estava lá, me falando coisas, me mostrando algumas mudanças, me pedindo para ficar. – Senti uma lágrima solitária descer. – Eu amo ela. É simples pensar em deixar alguém quando você não a vê, mas com ela em minha frente, tudo em mim fraquejou, todas as paredes que ergui simplesmente desabaram. E o Henry, eu estava com tanta saudade dele..

— Emma.. Você vai arriscar novamente? – Ela perguntou encostando ao meu lado, me deitando em seu colo. – Vale a pena? E se você simplesmente acha que a mudança aconteceu? E se não for nada disso e você se machucar de novo? Sabe, é ela, o garoto o ex marido. Aqui você está em casa, tem um emprego, é tão seguro, meu anjo.

Virei de lado em seu colo pensando em suas palavras. Ela poderia estar certa, eu poderia ir para lá e nós voltarmos ao mesmo ponto, termos as mesmas brigas, eu poderia não gostar do emprego de lá e me machucar. Porém, o que eu sentia quando a via, quando via Henry, quando nos beijávamos e nos tocávamos, os sentimentos que se manifestavam apenas com sua presença, são maiores que qualquer duvida.

— Eu aceito o risco. – Falei me virando para cima, olhando minha mãe.

— Não me importo se eu me machucar depois ou não gostar do emprego de lá, eu vou arriscar, mãe. Eu preciso viver.

— Tudo bem, Emma. É uma escolha sua, se não der certo, sabe para onde você vai voltar? – Perguntou passando os dedos entre meus cabelos.

— Para seu colo, com certeza. – Abracei sua cintura rindo.

— Exatamente. – Falou sorrindo.

Eu esperava uma reação diferente de minha mãe, mas a aceitação foi algo que fez meu coração quase saltar para fora. Quantas pessoas tem a mesma sorte que eu? Encontrar o amor de uma vida e ainda ter a pessoa mais importante aceitando isso? Eu sinto muito por quem não teve coragem de viver algo assim, por medo da imensidão que é tal sentimento, eu sinto muito mesmo. Pois se permitir é o primeiro passo para encontrar a famigerada felicidade que é tão comentada e tão pouco desfrutada.

Depois daquela conversa com minha mãe eu fui a escola e recebi várias caras de decepção por sair. Despedir-me daquelas crianças foi com certeza a parte mais difícil, me apeguei a cada uma delas me chamando de tia, brigando comigo quando chamava a atenção, sorrindo quando as elogiava. Esse é um emprego difícil nesse ponto, mas amo o que faço.

Depois fui à loja de brinquedos, parecia mais criança que as próprias crianças que estavam ali, comprei um monte de coisas para o Henry, minha próxima missão era encher aquela casa de brinquedos, pois é o que todas as casas normais com crianças tem, sem contar que brincaria com Henry e até Regina entraria na dança.

Também fui à relojoaria e comprei duas coisas para Regina, que daria a ela em algum momento especial que não consegui pensar ainda quando e como seria, mas aconteceria em curto prazo. Escolhi com cuidado e pedi que embrulhassem.

Em casa minha mãe me ajudou com as sacolas e respirei aliviada por tirar aqueles pesos de meu braço.

— Muitos presentes e ainda não vi o meu! – Minha mãe disse se fingindo chateada.

— Trouxe uma boneca para você! – Falei procurando algo nas sacolas.

— Emma! – Ri do repreendimento dela.

— Olha eu trouxe um presente para você! – Entreguei-lhe uma caixinha contendo uma gargantilha, com um pingente de floco de neve.

— É linda! – Falou pegando com cuidado. Você tem que prometer que vai voltar aqui e trazer essa moça e o garoto pra eu conhecer.. Posso fazer uma torta de maça para ela. – Falou com ternura na voz.

— E envenenar? – Perguntei arqueando a sobrancelha.

— Você nem me deixa brincar! Vou pensar em outro jeito. – Riu me ajudando a guardar as coisas. – Mas é sério, pode vir e trazê-los. Ou eu mesma vou conferir se está viva lá.

— Vou vir mãe. – Falei a abraçando.

Não dissemos mais nada. Ela me ajudou a arrumar tudo, mas só porque eu sou ansiosa mesmo. Pois ainda ficaria lá mais dois dias. A noite quando estava esparramada na cama, pensei em ligar para ela, mas estava tarde, optei por mensagem.

“Olá”

“Achei que tivesse me esquecido!”

“Não, estava acertando as coisas..”

“Você vai voltar, Emma?”

“Sempre Regina, sempre.”